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By Moacir Rauber
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Política: a arte de fazer cortesia com o chapéu alheio

Ao terminar a mudança havia sobrado algumas coisas no apartamento. Conversei com uma amiga para dar um destino aos utensílios domésticos que ficariam para trás. Eram coisas. O mais importante levava comigo, a experiência de ter vivido naquele país e com aquelas pessoas. Porém, a coisas precisavam de um destino. Assim, a minha amiga ficou com a chave da casa e da garagem. Encostou o seu carro na vaga do apartamento e carregou o que era possível. Quando desceu pela segunda vez, observou que ao lado da vaga estava largada uma cadeira de rodas. Indagou-se, Hum, será que ele esqueceu de mencionar a cadeira? Eu sei que ele tinha duas… referindo-se a mim, usuário de cadeira de rodas. Resolveu levá-la para uma instituição que fazia trabalhos humanitários. Ela doou a cadeira de rodas, sentindo-se muito bem com a oportunidade de ajudar outras pessoas. Agora somente faltavam mais algumas pequenas coisas que ela pegaria na sua última viagem até o apartamento. Lá chegando ela percebeu que havia um senhor com um ar desolado em frente ao apartamento. Ela perguntou:

– Posso ajudá-lo?

– Não sei o que aconteceu. Alguém levou a cadeira de rodas da minha esposa que estava na garagem. Isso nunca aconteceu antes. Sem a cadeira ela não vai poder entrar em casa… Respondeu o senhor sem saber o que fazer.

A minha amiga ruborizou-se. Gaguejou. Não sabia o que dizer. Deu uma desculpa e saiu atrás da cadeira de rodas para poder devolvê-la. Deixou-a no lugar de onde a havia retirado justamente a tempo de que a verdadeira dona da cadeira de rodas pudesse usá-la. Ao contar-me a história a minha amiga e eu rimos muito. Ela foi do céu ao inferno em pouco tempo. Sentiu-se maravilhosamente bem ao fazer a boa ação de doar a cadeira de rodas. Porém, na sequência sentiu-se muito mal ao descobrir que a cadeira de rodas que ela havia doado não era aquela que ela havia imaginado. Ela havia feito uma cortesia com o chapéu alheio. Entretanto, ao tomar consciência, pode se redimir a tempo. E se fizermos um paralelo com o sistema político brasileiro? No meu ponto de vista, ele está permeado de políticos que fazem cortesia com o chapéu alheio de forma consciente, porém inescrupulosa. Como assim?

Os políticos administram bens, propriedades e recursos que não lhes pertencem, porém basta escutar os discursos de qualquer um ou ver as placas comemorativas encontradas nos prédios públicos, nas pontes, nas rodovias ou em qualquer outro patrimônio público para constatar essa triste verdade. Nos discursos eles afirmam, Eu fiz essa obra para vocês…, dando-nos a impressão de que tiraram dinheiro do próprio bolso para executá-la. Nas placas colocadas nas obras inauguradas na gestão de qualquer político a auto-exaltação chega a ser vergonhosa. Os políticos fazem cortesia com o chapéu alheio com a consciência inescrupulosa de quem não se constrange em ser aclamado sem merecimento.

É importante constatar algumas diferenças fundamentais entre a gafe da minha amiga e a ação dos políticos. A minha amiga doou a cadeira de rodas sem a consciência de que não era sua, enquanto os políticos fazem parecer que é deles aquilo que é dos outros. A minha amiga quis fazer uma verdadeira boa ação, enquanto os políticos, quando o fazem, fazem apenas a sua obrigação. A minha amiga quis ajudar alguém sem esperar nada em troca, enquanto os políticos somente fazem para serem aclamados. Enfim, fazer uma cortesia parte do pressuposto de que se tem a real intenção de se fazer algo bom com aquilo que é de sua propriedade ou que está sob a sua guarda. Exatamente como a minha amiga fez. Com relação aos políticos? Espero que um dia tenhamos políticos que façam a gestão dos recursos públicos sem que isso nos pareça uma cortesia.

Moacir Rauber

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Fonte: http://aguiarsan.blogspot.com/2015/09/cortesias-com-chapeu-alheio.html

Quais são as suas crenças?

As suas crenças são limitantes ou impulsionantes?

É importante saber que as nossas diferentes experiências estão carregadas de elementos emocionais vividos com pessoas que nos são ou foram importantes e que formam o nosso sistema de crenças, limitantes ou impulsionantes. E é esse sistema de crenças que orienta os nossos pensamentos e, consequentemente, a nossas ações e reações frente aos dilemas da vida. A tomada de consciência de forma aprofundada do nosso sistema de crenças vai permitir avaliar em que momento se pode estar distorcendo a realidade, generalizando problemas e/ou transformando opiniões em fatos. Isso porque são as nossas crenças as responsáveis por influenciar cada aspecto da vida, porque são elas que determinam quem cada um é.

Por um lado, as crenças limitantes surgem a partir de nossas percepções desenvolvidas por um conjunto de experiências ocorridas desde a infância e que foram internalizadas como verdades. Provavelmente, cada um tem na sua memória profunda registros de orientações, de marcas e de rótulos recebidos que continuam a gerar efeitos nas decisões do presente. Muitos trazem dentro de si crenças de que “isso não é pra mim”, “não sou merecedor disso” ou mesmo um rótulo dado por algum adulto inadvertido que o taxou como não inteligente, pouco arrojado, medroso, entre tantos outros adjetivos que diminuem a pessoa. São todas crenças limitantes que muitos de nós trazem consigo, transformando-se em elementos de autossabotagem frente as decisões no ambiente pessoal e profissional.

Por outro lado, cada um de nós também carrega consigo muitas orientações, marcas e rótulos positivos e nas quais também acredita. Assim, muitos trazem consigo o carinho e a força de um apoio recebido de um amigo mais velho, de um professor ou dos pais, por meio de expressões como “Vai lá, você pode”, “Você sempre faz bem as coisas que faz” ou outras frases de incentivo ouvidas que ressaltam a capacidade, a inteligência, a dedicação, entre outros adjetivos positivos e que o impulsionam ainda hoje. São todas crenças impulsionantes que servem de elementos catalizadores para nos impulsionar na direção escolhida.

As crenças limitantes e as crenças impulsionantes coexistem. Por isso, cabe a cada um de nós analisá-las de forma profunda, sincera e autêntica para escolher aquelas que se ajustam com o caminho que se pretende seguir. A tomada de consciência do universo que cada um traz consigo e que vive dentro de si mesmo permitirá que se trace e se trilhe o caminho escolhido.

Portanto, torna-se importante saber quais são as suas crenças limitantes e impulsionantes. Ter essa clareza permitirá saber como elas afetam as suas emoções, sentimentos e estados de ânimo, contribuindo para que se diferencie o real do imaginário e liberando-o para caminhar na direção escolhida. A questão que se coloca aqui é: quais as crenças que o conduzem atualmente? A tomada de consciência das próprias crenças permitirá minimizar as limitantes e potencializar as impulsionantes na busca pela plenitude da vida. Não sei você, mas eu acredito! Eis o desafio.

Moacir Rauber

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Você é positivo ou negativo?

Os defensores da filosofia do pensamento positivo são basicamente negativos. Para ocultar a negatividade eles acreditam firmemente na positividade.
“Eu não sou defensor de nenhum dos lados. Eu sou a favor de ver a verdade como um todo e é isso que eu gostaria que vocês também fizessem: vejam o todo, porque o negativo é tão essencial quanto a positivo.
Você não pode criar eletricidade apenas com o polo positivo; você vai precisar do polo negativo também. Somente com ambos os polos você pode produzir eletricidade. Assim, é o negativo completamente negativo? Ele é complementar. Desse modo, o negativo não é contrário ao positivo.”

Osho, From Ignorance to Innocence, Talk #29

 

 

Um pouco de humildade nas pretensões da ciência…

Fiquei feliz ao ler o título da matéria “Ciência perto de comprovar que pessoas absorvem energia de outras”, porque indica que aqui os cientistas descobriram a diferença entre descoberta e constatação ou comprovação científica. Como já escrevi no artigo “As descobertas da Psicologia Positiva e da Neurociência?” tenho ressalvas sobre aquilo que é anunciado como descoberta científica na área comportamental. Falar que a meditação para melhorar a qualidade de vida das pessoas é uma descoberta da neurociência é um disparate. Anunciar a descoberta da inteligência espiritual é no mínimo falta de bom senso perante uma história humana construída em bases espirituais. Certamente que muitas práticas espirituais desencadearam processos de estreitamento da espiritualidade, mas isso não quer dizer que as pessoas comuns deixaram de entender a espiritualidade como uma realidade. Nunca se precisou da ciência para saber que a meditação é um processo que melhora a qualidade de vida ou que a espiritualidade é algo real para as pessoas. Quem se afastou da espiritualidade foram os cientistas! E as manchetes sobre as descobertas da neurociência também se transformam em técnicas que pelos títulos seriam algo novo. A matéria “4 técnicas da neurociência para acelerar o seu aprendizado”, publicada no dia 22-02-18, atesta a tendência da neurociência de assumir para si e anunciar como descobertas práticas milenares. A primeira técnica apresentada é a necessidade de se atrelar emoções positivas ao fato de estudar. Isso é novo? Logicamente não. Em culturas ancestrais, muito mais do que emoções, as pessoas só faziam atividades que tinham sentido. A segunda técnica alerta para que as pessoas não exercitem apenas o cérebro, mas também o corpo. Onde está a novidade? As atividades física e mental sempre foram complementares na grande maioria das civilizações e essa dissociação ocorreu no nosso tempo em que automatizamos quase tudo que exige esforço físico. A terceira técnica versa sobre a importância de que cada um descubra o seu estilo de aprender. Mais uma vez, qual é a descoberta se nos povos em outros tempos as pessoas aprendiam ao fazer aquilo que fazia sentido? Por fim, a quarta técnica destaca que é preciso eliminar os ralos de atenção, sugerindo a aprendizagem da atenção plena para obter melhores resultados. Novidade? De maneira nenhuma. Ao se olhar para trás na história, as pessoas tinham como respeito aos tutores, mentores e seu semelhante o fato de estar com a mente onde se está com o corpo. Por isso, as pretensas descobertas estão muito mais para uma redescoberta ou um reencontro com caminhos que já havíamos percorrido em outros momentos da trajetória humana no planeta.

No meu ponto de vista, a ciência e, principalmente, a neurociência tem descoberto ferramentas, muitas de cunho tecnológico, para comprovar fenômenos há tempos aceitos pelo ser humano comum. Entendo, também,  que em muitas áreas a ciência tem exercido o papel de validadora do conhecimento humano com um trabalho não menos importante, muitas vezes, separando o charlatanismo de práticas verdadeiras. No início do texto destaco que se apresenta a possibilidade de comprovação de que as pessoas absorvam energia umas das outras, sendo um desses casos em que a ciência poderá exercer o seu papel de validadora de um conhecimento já existente e aceito por um enorme contingente de pessoas. Porém, medir o fenômeno não muda o fenômeno. A realidade daqueles que nunca duvidaram ou que sempre viveram de maneira a considerar o fenômeno continuará da mesma forma. Trata-se apenas da comprovação de maneira visual de um fenômeno até então não perceptível pelos cinco sentidos humanos para atender aos céticos vindos da ciência.

Enfim, para mim a ciência ou a neurociência pode servir para invalidar certas crenças ou para atestar a ignorância de muitas pessoas comuns. Entretanto, defendo que a ciência e a neurociência deveriam ter a capacidade de investigar com humildade para reconhecer todo o conhecimento humano acumulado na sua trajetória no planeta, sem a pretensão de ser a dona da verdade.

Moacir Rauber

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Falar não é o mesmo que viver

Nunca vi tantas pessoas falando de amor, de gratidão, de paz, de autenticidade e de empatia como nos dias de hoje, mas quase não vejo os seus reflexos no dia a dia. Fala-se dos conceitos. Porém, falar de um conceito não é o mesmo do que viver  o conceito.

Falar de Amor não é o mesmo do que viver amorosamente.

Falar de Gratidão não é o mesmo do que viver gratamente.

Falar de Paz não é o mesmo do que viver pacificamente.

Falar de Autenticidade não é o mesmo do que viver autenticamente.

Falar de empatia não é o mesmo do que viver empaticamente.

Viver o conceito é a escolha que trará reflexos no dia a dia.  Depende de cada um!

Ainda não aprendi. É uma luta diária…

Fonte da imagem: https://paizinhovirgula.com/amor-incondicional/