FACETAS!
Somos únicos.
Somos múltiplos.

By Moacir Rauber
Skip to main content

O tráfico e a violência: onde está a responsabilidade?

Outro dia conversava com um amigo meu sobre a onda de violência que assola o país e ele se mostrava indignado:

– Incrível isso. Não é possível. E o governo não faz nada… exclamava após as notícias sobre mais uma morte bárbara.

Movimentei a minha cabeça afirmativamente, entretanto tinha as minhas ressalvas. Deixei-o um pouco irritado quando disse:

– Mas sempre que você acende o teu baseado você ajuda a puxar o gatilho…

Eu não tenho nada a ver com isso! Ele respondeu.

Nesse ponto eu discordo completamente da posição do meu amigo que não abre mão de fumar o seu baseado. Ele argumentava que o controle da violência é uma tarefa do estado e que, além disso, a maconha não era prejudicial à saúde das pessoas, uma vez que ele era usuário há muitos anos. Com relação aos benefícios ou malefícios não discordo nem concordo, porque sou leigo no assunto. Não fumo cigarros legais muito menos fumaria um ilegal. O que eu acredito é que sempre que se acende um cigarro de maconha ou se compra qualquer outra droga ou produto ilegal se ajuda a puxar o gatilho de algum revólver clandestino em alguma favela ou em algum assalto. Na favela o disparo é feito para que cada facção possa manter o controle dos pontos de vendas. No assalto o crime é cometido para que dependentes sustentem o seu vício.

Nessa discussão propus a pergunta para o meu amigo, Como pode ser crime vender maconha se comprar e consumir não é crime? Para mim é um espanto. A legislação proíbe vender, mas não proíbe comprar para consumo. Como isso é possível? O que foi que perdi nas aulas de lógica, porque esse raciocínio simplesmente não tem lógica nenhuma. Por isso, talvez a pergunta devesse ser: como não é crime comprar e consumir maconha se vender é crime? Não entro no mérito da questão se fumar maconha é mais ou menos prejudicial à saúde do que o álcool, por exemplo. Quero destacar que se vender maconha é ilegal então comprar maconha também é. Portanto, se vender e comprar maconha é ilegal, consumir também deveria ser. É simples assim. E mais. Se a linha de corte estabelecida pela sociedade sobre o consumo de produtos entorpecentes determinando o que é legal ou ilegal é essa, então que se cumpra a lei para quem vende, para quem compra e para quem consome. Por isso, sempre que vejo uma matéria em jornais, revistas ou televisão sobre o problema da violência gerada pelo tráfico fico espantado porque nunca se fala do consumidor, porque somente existe o tráfico porque há o consumo. Desse modo, por que o consumidor não assume a sua quota de responsabilidade e por que ele não é responsabilizado pela violência do tráfico? A violência oriunda do tráfico não é apenas uma questão de estado, ela também é uma questão de responsabilidade individual daquele que adquire produtos considerados ilegais.

Por fim, entendo que aquele que consome a maconha ou adquire produtos fora da legalidade é que faz a roda do tráfico girar e ele deve ser responsabilizado por essa onda de violência generalizada a que estamos sujeitos. A maconha é mais ou menos prejudicial do que o álcool? Não é essa a questão. Os favoráveis ao consumo que usem dos instrumentos da democracia para que se legalize a maconha alterando a legislação, porque enquanto vender maconha for um ato ilegal não há a mínima lógica para que o seu consumo não o seja. Depois de legalizado o consumo, quem sabe, atrevo-me!

Fonte: https://papodehomem.com.br/maconha/

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

 

A técnica do abraço:  que em 2018 você possa ser autêntico

Era uma aula como qualquer outra sobre comportamento humano, embora me pareça estranho que tenhamos que ter aulas para saber como nós, humanos, nos comportamos. Às vezes, parece que não somos humanos. O facilitador passava a demonstrar como se deve dar um abraço verdadeiro.

Ele dizia:

– Para se dar um abraço também tem técnica. Quando nos aproximamos da pessoa a quem vamos abraçar devemos passar o nosso braço esquerdo sobre o seu ombro direito e aconchegar a cabeça do lado esquerdo da sua face. Assim, os corações se aproximam… e continuou a explicação.

No curso foram tratados uma série de tópicos sobre os cumprimentos nas relações humanas e como ser mais efetivo no seu uso. Ele também havia falado sobre a importância do uso apropriado das ferramentas tecnológicas como o e-mail, as redes sociais e as mensagens instantâneas. Em seguida exemplificou como se deve dar um aperto de mão e quando se pode dar o beijo como forma de cumprimento. Tudo para conseguir ser mais efetivo na interação com o outro. Nesse momento, o facilitador tratava do abraço. Ele havia explorado o tema mostrando tudo o que envolve o ato de se dar um abraço. Como conceito abraçar é o ato de apertar entre os braços alguém ou algo. Pode estar implícito no abraço que ele signifique amor, carinho, amizade, afeto ou apoio, porque nesse momento se supõe que haja uma ligação entre as pessoas que se abraçam. E toda a apresentação do facilitador havia explorado esse gesto e como ele está presente no dia a dia da maioria das pessoas. O abraço serve para demonstrar os sentimentos, seja de alegria, de tristeza, de compaixão, de saudade ou de consolo. É reconfortante receber um abraço num momento difícil. É gostoso dar um abraço de solidariedade. O facilitador disse, Como diz o ditado, um abraço não custa nada e é bom para quem dá e para quem recebe. Concordo com isso. Por fim, ele até apresentou uma série de dados científicos que comprovam os benefícios do abraço. Os abraços diminuem o estresse e a ansiedade e aumentam o grau de felicidade porque fazem subir os níveis da oxitocina no organismo. Incrível, não é? Foi então que mais uma vez me pareceu que ciência descobre o que a natureza já sabia. A humanidade nunca precisou da ciência para descobrir que o abraço, o amor, a colaboração, a cooperação e a amizade são importantes para o ser humano. Nossos antepassados mais longínquos sempre souberam disso. Na verdade, essas demonstrações são a essência do ser humano. É na colaboração e na cooperação que nos desenvolvemos como espécie e é delas que nascem o amor e a amizade. Ultimamente, os seres humanos em sua ânsia de consumir é que perderam essa noção nas relações. Priorizamos coisas ao invés de pessoas. É mais importante ter um carro de luxo e fazer uma viagem deslumbrante para exibir isso do que construir relações em que o afeto seja natural. Por isso, agora precisamos estudar o comportamento humano para desenvolver as técnicas comportamentais. Para ser aceito no grupo, desenvolve-se a técnica do abraço, do aperto de mão e do beijo, como se o mais importante não fosse a autenticidade do sentimento e da emoção.

Talvez em 2018 seja mais importante buscar a essência dos sentimentos e das emoções humanas para que os abraços e os apertos de mãos sejam a verdadeira expressão da amizade, do amor, do apoio, do consolo e da cooperação. Que tal se aprendêssemos simplesmente a sentir e a demonstrar amor, amizade e afeto autêntica e verdadeiramente novamente? O que é mais importante: dar um abraço certo ou dar um abraço verdadeiro?

E a técnica do abraço? É só um resultado de quem pratica o abraço autenticamente.

Imagem: Rastro Selvagem

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Em 2018 não seja o jabuti no poste!

O rapaz caminhava pela rua quando se depara com um jabuti no alto de um poste. Ele passa a observá-lo e pensa: o que um jabuti está fazendo no alto de um poste? Como ele chegou até lá? Sempre que ouço a piada, involuntariamente, esboço um sorriso. Ao se levar a analogia para o meio político ela está repleta de exemplos, pois são muitos aqueles políticos que não se sabe como chegaram onde estão e, principalmente, o que eles fazem onde estão. São os jabutis no poste. Na gestão pública, os ditos cargos de confiança acolhem tantas pessoas em funções sem que se tenha noção de como lá chegaram e o que fazem lá. São os jabutis no poste. No meio organizacional privado também são encontradas pessoas em posições que muitas vezes não se tem ideia de como lá chegaram e o que fazem lá. Talvez em menor número, mas são os jabutis no poste. Porém, sabe-se muito bem que nenhum jabuti sobe num poste sozinho. Ele precisa da ajuda de alguém para lá chegar. Da mesma forma, no nosso modelo social ninguém chega ou vai a algum lugar sozinho, porque não há função ou posição que tenha sentido isoladamente. Onde quer que alguém esteja ou aonde quer que alguém vá é obrigatória a participação de outras pessoas para lá chegar e lá se manter. Por isso, desejo que em 2018 você esteja onde deseja estar, mas que não seja um jabuti no alto de um poste. Como não ser o jabuti no alto do poste?

Entendo que o jabuti no alto do poste desfrute de uma visão privilegiada e é o que espero que cada um possa fazer em sua vida. Porém, acredito que uma pessoa que se compare a um jabuti não consiga usufruir tranquilamente dos benefícios dessa posição. Para aproveitar a oportunidade de estar numa posição excepcional é preciso não ser um jabuti e reconhecer a participação dos outros nessa empreitada. Desse modo, para não ser o jabuti no poste se pergunte: (1) como cheguei até aqui? Ao responder essa pergunta você verá quantas pessoas o ajudaram a chegar onde você está. Assim, pergunte-se também: onde estão as pessoas que me ajudaram a chegar até aqui e por que elas não estão comigo? Saiba que se as pessoas que o ajudaram a chegar na sua posição forem reconhecidas elas o ajudarão a permanecer onde você está. Portanto, contribua para que elas também possam desfrutar de excelentes posições, ainda que não seja ao seu lado. Depois, observe novamente a sua posição e se pergunte: (2) o que estou fazendo aqui e quais são os benefícios para os outros pelo fato de eu estar onde estou? Saiba que você somente poderá permanecer e usufruir tranquilamente da sua posição se os benefícios proporcionados aos outros forem maiores do que o custo para lá estar. Ao responder a pergunta, espero que esteja claro que a sua posição contribui para que os outros também possam ter uma visão excepcional daquilo que querem olhar.

Enfim, desejo que em 2018 você possa estar onde você quiser estar. Aproveite, desfrute e contribua para que as outras pessoas também possam fazê-lo. Não seja um jabuti no alto de um poste. Dessa forma, desejo que você seja excepcional naquilo que você dá de retorno para aqueles que o ajudaram a chegar no lugar onde você está. Dê sentido àquilo que você faz que você sempre estará no lugar que deseja estar. Há lugar para todos!

Que em 2018 você esteja onde quiser estar!

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Não gosto do período de Festas de Final de Ano. E você?

A conversa girava em torno de como o ano havia passado rápido. Num piscar de olhos o mês de janeiro tinha se ido. Os meses de fevereiro e de março não se teve tempo nem de ver, porque o foi neles que o ano começou realmente. Quando se olhou para o calendário os meses de abril, maio e junho tinham passado e com eles a metade do ano. Em julho, agosto e setembro as atividades fizeram com que o tempo voasse. Nos meses de outubro e novembro já se começou com a sensação de que o ano estava por acabar. E agora, a metade de dezembro já foi ultrapassada e a certeza de que mais um ano vai acabar é real. Em meio a essa conversa, um dos amigos se despede e deseja Feliz Natal, Boas Festas e um excelente Ano Novo para todos. Logo em seguida, um dos ranzinzas da turma fala:

– Não gosto desse período. Todo ano é a mesma coisa. Ficam sempre com essa lenga lenga e daí todo mundo quer ser bonzinho. A gente deveria ser bom o ano inteiro… concluiu.

E eu tive que concordar com o meu amigo ranzinza que todo o ano é sempre a mesma coisa. Quase todos começam a desejar e a fazer coisas boas para os outros e as pessoas deveriam ser assim o ano inteiro. Muitas vezes, observo o comportamento dos outros, e o meu também, e é realmente incrível como as falas e as expressões se repetem. É um ritual. Porém, acredito que nessa época em que as pessoas se dão conta de que o ano está acabando é que elas ficam mais sensíveis, mais amigas, menos resistentes, menos implicantes, mais amorosas e mais humanas. Entendo que, ainda que inconscientemente, as pessoas fazem a associação de que assim como um dia, uma semana, um mês e um ano acaba, também esta vida um dia acabará. Por isso, no final de ano quase todos estão mais abertos para dedicar um tempo para uma atividade e para um gesto de bondade. É um presente que se dá para conhecidos e desconhecidos. É um conflito que se evita com parentes, amigos e estranhos. É o desejo de que também o outro tenha uma vida boa. É por isso que eu não gosto do período de festas de final de ano. Na verdade, eu adoro essa época do ano.

Voltando à observação do meu amigo de que deveríamos ser assim o ano inteiro, com a qual concordo, acredito que no fundo nós somos o que somos o ano inteiro. A tradição natalina, associada ao final de ano, apenas é um momento mais apropriado para expressar aquilo que realmente somos. É um momento especial em que a nossa humanidade fica mais latente por meio de palavras, de gestos e de atitudes de amor para consigo mesmo e para com os outros. É um período em que cada ser humano está um pouco mais humano que é o que nos aproxima do Divino representado pela figura e pela mensagem do nascimento de Jesus Cristo. É o nascimento Dele, assim como é o nosso pela tomada de consciência de nossa finitude humana. É um período para deixar nascer e florescer a nossa Divina Humanidade. É uma época em que se torna mais fácil reconhecer que a eternidade que temos está no presente, agora e sempre.

Por isso, eu também não gosto do período festas de final, assim como o meu amigo ranzinza. Porém, diferentemente dele eu simplesmente adoro essa época para poder desfrutar de um abraço forte, autêntico e verdadeiro que reforça a humanidade das pessoas na capacidade de amar o outro e a si mesmo, despertando a divindade de cada um. E você? Gosta ou não gosta do período natalino e das festas de final de ano?

 

Seja Feliz!

Em 2018:

Desejo que você abrace porque você quer abraçar. O abraço é uma demonstração de carinho para quem tem carinho para dar.

Desejo que você beije porque você quer beijar. O beijo é um ato de afeto para quem tem afeto para dar.

Desejo que você sorria porque quer sorrir. O sorriso é uma expressão de amabilidade para quem tem amabilidade para dar.

Desejo que você ame porque quer amar. O amor é um sentimento construído dia a dia como resultado do carinho, do afeto e da amabilidade existente nas escolhas individuais. E o amor traz Felicidade!

Assim, desejo que você possa ser autenticamente Feliz no Natal e em todo o Ano Novo!