FACETAS!
Somos únicos.
Somos múltiplos.

By Moacir Rauber
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Como vai a tua parte boa?

Outro dia fui ao teatro e para se chegar à sala de espetáculos tem uma longa rampa de acesso. Enquanto empurrava a minha cadeira de rodas rampa acima, uma mulher se aproximou e perguntou:’

– Você quer que eu o ajude?

– Não, não. Obrigado. A rampa é longa, mas bem tranquila. Muito obrigado!

E continuei a minha subida. Ao chegar no topo da rampa havia uma antessala, local que abriga exposições, antes da sala principal do teatro. Ali a mulher e eu continuamos a conversar. Foi quando ela me disse que, por vezes, ressente-se em oferecer ajuda, porque numa determinada situação em que ela o fez o cadeirante para quem ela ofereceu a ajuda a ofendeu.

Ela disse:

– Logo que ofereci ajuda ele passou a gritar, chamando a atenção de todos a volta, falando, “Quem você pensa que é? Você se acha superior a mim? Você acha que eu não consigo me virar sozinho? E se não tivesse ninguém aqui eu não poderia estar aqui?”…

Havia sido uma experiência muito desagradável. Ela teve vontade de sumir, porque todos os presentes voltaram o seu olhar para ela. Aquilo a havia deixado parcialmente traumatizada. Continuamos nossa conversa e ela demonstrou ser realmente uma pessoa agradável e não invasiva. Destaco aqui que também eu, como cadeirante, ressinto-me, por vezes, das pessoas invasivas que querem ajudar. Antes mesmo de saberem a resposta do indivíduo a quem oferecem ajuda, se ele aceita ou não, muitas vezes, já vão colocando a mão na cadeira e empurrando sem mesmo saber se a pessoa quer ir para onde eles a empurram. Para ajudar é preciso saber como ajudar. Para ajudar é preciso saber se a pessoa quer ser ajudada. Para ajudar é preciso entender se a ajuda é realmente uma ajuda.

De todas as formas, acredito que o gesto de oferecer ajuda somente demonstra que o Ser Humano tem a sua parte boa por natureza. Também acredito que o gesto de recusar ajuda mostra a autonomia de quem não quer ou não precisa da ajuda e que a pessoa está bem da forma como está, ainda que seja uma forma diferente daquela de quem oferece a ajuda. Por outro lado, o fato de retrucar de forma mal-educada, ofendendo o outro, também mostra que nós, seres humanos, não somente temos a parte boa dentro de nós. Somos duais. Temos o outro lado. Entretanto, o que foi descrito acima mostra, principalmente, que ser bom ou educado não é uma prerrogativa de pessoas com ou sem deficiência, de ricos, de pobres, de brancos, de pretos ou de outra classificação qualquer que temos por hábito fazer. Ser bom e fazer o lado bom prevalecer é uma escolha individual.

Lodo depois, finalizei a nossa conversa dizendo para a minha nova amiga que apreciei muito o seu gesto de oferta de ajuda e que espero que ela continue a fazê-lo sempre que achar que alguém o necessita. Espero sinceramente que a falta de educação de alguns não afete a vontade de ser bom da maioria. Por isso, nunca deixe a sua parte boa ser sufocada pela parte não tão boa de quem quer que seja. Como está a tua parte boa?

Bom Carnaval!!!

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

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