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By Moacir Rauber
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Gratidão: quais foram as tuas ações?

Hoje em dia, é muito comum se ouvir sobre os benefícios descobertos pela psicologia positiva e pela neurociência. Já escrevi sobre as ressalvas que tenho sobre quais são as reais descobertas da neurociência e da psicologia positiva. Elas, porém, não anulam os benefícios resultantes das práticas sugeridas. Entre elas, o exercício da gratidão tem especial destaque, uma vez que é um verdadeiro privilégio estar vivo. Por isso, as pessoas são orientadas a valorizar cada manhã em que acordam; a dar graças pelo trabalho que têm; a agradecer pela casa que os abriga; a ficarem felizes pelo sorriso da pessoa com quem trabalham; a se sentirem gratos pela água que os banha; e assim por diante. É importante que cada um seja grato por tudo aquilo que tem. E realmente, quando olhamos e analisamos aquilo que temos, muitos de nós, podemos ter a certeza de que temos mais do que precisamos para sermos felizes. Porém, quero adicionar uma pitada de provocação na prática da gratidão: se cada um de nós tem tanto a agradecer por estar aqui, pergunto: o que o mundo tem a agradecer pela minha presença nele?

Num curso de psicologia positiva que fiz, a orientação é que ao final do dia cada um faça a sua lista com pelo menos três coisas boas que tenha acontecido durante o dia pela qual se deveria estar grato. Comecei a fazer. É realmente fácil encontrar motivos para estar agradecido. É o vizinho que diz bom dia e abre a porta do prédio. É o motorista educado que dá passagem para você num momento de trânsito complicado. É alguém que o ajuda com uma informação sem a qual você gastaria muito tempo para fazer o que precisava fazer. E assim, é possível encontrar inúmeras razões para ser grato. Tenho comigo uma lista de pequenas coisas boas que me acontecem todos os dias. Porém, “de gratidão sem ação o inferno está cheio”. Esse é o ponto em que Santo Tomás de Aquino faz as suas considerações sobre como se expressa a gratidão na língua portuguesa. A expressão mais comumente usada para agradecer algo é dizer “Muito Obrigado”. Ela tem um peso que vai além das expressões de agradecimento de outros idiomas. Ao dizer “Muito Obrigado” você não somente agradece. Você também se compromete a fazer algo de concreto em benefício daquele que fez algo por você. Esse ato pode ser no mesmo instante ou em algum momento futuro, mas deve resultar em algo palpável. Caso não seja possível devolver para a pessoa que lhe fez algo que mereceu ser agradecido, o que você vai fazer? Para quem você vai fazer? Esse é o desafio. Pergunte-se: por que o dia que termina foi melhor pela minha existência? Na lista de agradecimentos de quem eu estou presente por ter feito algo de bom hoje?

Sim, é importante que continuemos sendo gratos por todas as pequenas e as grandes coisas boas que nos acontecem todos os dias. Por isso, faça a sua lista de três agradecimentos todos os dias. A vida ficará mais leve e feliz. Porém, acredito que seja tão ou mais importante fazer coisas boas para que as outras pessoas também possam estar agradecidas porque você existe. O que você fez de bom hoje que mereça um “Muito Obrigado”? Assim, também faça a sua lista de coisas boas que você fez pelas quais os outros podem estar agradecidos.

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

 

“Muito Obrigado”?

A expressão mais comumente usada no português para agradecer algo é dizer “Muito Obrigado”. Ela tem um peso que vai além das expressões de agradecimento de outros idiomas. Ao dizer “Muito Obrigado” você não somente agradece. Você também se compromete a fazer algo de concreto em benefício daquele que fez algo por você.

Você disse “Muito Obrigado” hoje? O que você fez de concreto para confirmar isso?

Você é grato pelo que tem? E o mundo pode ser grato porque você existe?

É importante que cada um seja grato por tudo aquilo que tem. E realmente, quando olhamos e analisamos aquilo que temos, muitos de nós, podemos ter a certeza de que temos mais do que precisamos para sermos felizes. Porém, quero adicionar uma pitada de provocação na prática da gratidão: se cada um de nós, que tem tanto a agradecer por estar aqui, se perguntasse, o que o mundo tem a agradecer pela minha presença nele?

Fonte da imagem: http://blog.sougenius.com.br/a-forca-da-gratidao/

Você quer ter razão ou ser feliz?

Mais um final de semana. Muitas discussões sobre futebol e política que quase sempre levam a lugar nenhum. Lá estávamos nós, um grupo de amigos, com muitos pontos de vista em comum, mas com alguns divergentes. A situação política do país entrou na conversa. As opiniões antagônicas se manifestaram. A visão de justiça de um era muito diferente da de outro. A ideia sobre quem deveria ser responsabilizado pela atual situação não coincidia. Tudo isso é culpa do legislativo, dizia um. Não, não, não. É evidente que a responsabilidade maior é do judiciário, enquanto uma terceira posição atribuía a maior parte da responsabilidade pela atual conjuntura política de um estado quase falido como o brasileiro ao poder executivo. A discussão se acalorava. Aquele que falava buscava convencer o outro sobre a razão existente no seu ponto de vista. Do outro lado ninguém escutava. Os discordantes apenas lhe davam o tempo necessário para expressar a sua opinião, embora estivessem simplesmente esperando a própria vez para expor o próprio argumento. Cada um acreditava ser o dono da razão. Não havia reflexão sobre aquilo que os outros falavam. O silêncio durava o tempo necessário para rebater os argumentos num exercício de reação ao que fora exposto pelo outro. Reafirmavam-se as próprias crenças. Repudiavam-se as outras opiniões. Ninguém ali estava disposto a mudar absolutamente nada na forma como pensava ou como via o mundo. Naquele momento, sobre política, cada um queria ter razão.

Sempre dizem que quando duas pessoas se encontram e cada um apresenta uma ideia diferente, na saída, ambos saem com duas ideias. Saem melhores do que chegaram. Entretanto, para que isso aconteça, é necessário que aqueles que se encontram considerem a possibilidade de que uma ideia diferente da sua possa ser verdadeira. É preciso ter a humildade de reconhecer de que se há a possibilidade de que alguém pense diferente de você, também existe a possibilidade de que esse alguém esteja certo. Pode ser que ele esteja certo. Pode ser que você esteja certo. Se ambos estiverem com a mente aberta e flexível é bem provável que ambos estejam certos. E talvez esse seja o caminho mais rápido para se encontrar as soluções para os problemas contemporâneos. Não se trata de ser volúvel, mas sim de ser flexível.

Portanto, é interessante que cada um possa pensar nas diferentes situações sob perspectivas diversas, buscando encontrar pontos de convergência na divergência de posições. Mais ainda. É importante que cada um tenha a flexibilidade necessária para mudar e aprimorar uma ideia a partir da contribuição do outro. Por isso, ter razão cada um sempre tem, a partir de sua própria razão. Para ser feliz, porém, é preciso respeitar a razão de quem diverge de você.

Você quer sempre ter razão ou ser feliz também é importante para você?

Moacir Rauber

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Você é flexível?

Para ser flexível mentalmente é importante ter a humildade de reconhecer de que se há a possibilidade de que alguém pense diferente de você, também existe a possibilidade de que esse alguém esteja certo. Pode ser que ele esteja certo. Pode ser que você esteja certo. É bem provável que ambos estejam certos. E talvez esse seja o caminho mais rápido para se encontrar as soluções para os problemas contemporâneos.

Não se trata de ser volúvel, mas de ser flexível.

Que Brasil você quer para o futuro 2?

Em qualquer organização privada, microempresas, grandes corporações ou nas relações de trabalho doméstico, quando uma pessoa é flagrada desviando recursos, roubando, desperdiçando tempo ou não exibindo as competências para a qual foi contratada, ela é demitida por justa causa. Além disso, as portas da organização de onde ela foi desligada estarão, quase sempre, para sempre fechadas. Por outro lado, o que me causa espanto no Brasil do setor público é que aqueles que são flagrados desviando recursos, roubando, desperdiçando tempo e não fazendo aquilo para o qual foram contratados, muitas vezes, são premiados. Incrível! Sim, podem ser políticos ou servidores públicos do executivo, legislativo ou judiciário municipal, estadual ou federal, dificilmente eles são desligados ou terão as portas do setor público fechadas para eles. Que Brasil que eu quero para o futuro? Um Brasil em que cada um seja responsabilizado pelos seus atos, independentemente de pertencer ao setor público ou privado.

No Brasil, ser aprovado num concurso público é a garantia de uma aposentadoria integral e rápida. Há alguns anos assisti a uma palestra do Fernando Dolabela, autoridade em empreendedorismo. Ele comentou que um país em que o sonho de boa parte dos estudantes é concluir uma graduação, fazer um concurso público para se aposentar aos 22 anos, tem problemas sérios. O comentário mordaz de Dolabela se refere a intenção das pessoas, porque muitas delas não fazem o concurso público para contribuir efetivamente para melhorar a sociedade, mas para garantir a aposentadoria. E essa garantia vem da quase impossibilidade de que alguém seja demitido do serviço público depois de ter sido efetivado. Se for incompetente? Realoca-se para não atrapalhar. Se for flagrado em atos ilícitos? Leva uma reprimenda e a vida segue. E o prejuízo causado? Fica por conta dos contribuintes. Lá no final, a incompetência e o desvio de caráter são premiados com a aposentadoria. E essa prática permeia todas as esferas do serviço público. Logicamente que a grande maioria dos funcionários públicos são pessoas honestas e vestem a camisa do órgão ao qual pertencem, entretanto, eu quero um Brasil no futuro em que todas as pessoas sejam responsabilizadas pelos seus atos.

Ser político no Brasil é um convite para a premiação por serviços não prestados. Os salários de um político são um escracho diante de média salarial brasileira. Os benefícios agregados, como auxílio moradia, verba de gabinete, carro, combustível, telefone, planos de saúde vitalícios, entre outros, beiram o insulto à inteligência da maioria. Somente beiram o insulto, porque nós continuamos pagando por algo que eles, os políticos, não devolvem para a sociedade. Além disso, sempre que algum político é flagrado em casos claros e evidentes de corrupção e mau uso dos recursos públicos, ele ganha mais espaço na imprensa e, quase sempre, é premiado com a reeleição. Aqui, particularmente, entendo que existam alguns poucos políticos que tenham boas intenções, ainda que nem sempre acompanhadas das ações.

Enfim, que Brasil que eu quero para o futuro? Um Brasil em que os servidores públicos o sejam por vocação e dedicação à população, lembrando-se sempre de quem é que os financia. Além disso, que todos sejam responsabilizados pelas condutas inapropriadas e premiados tão somente pela boa conduta. Que Brasil que eu quero para o futuro? Um Brasil em que os políticos que tenham condenação na justiça por corrupção, desvio de recursos ou outro motivo relacionado a má conduta, devolvam ao erário público o prejuízo que causaram e que não sejam premiados com uma nova eleição. Por isso, quero um Brasil em que aqueles que tiveram a oportunidade de servir à população e se desviaram da conduta que deles se esperava sejam banidos de qualquer atividade que envolva o setor público. Prêmios? Sim, prêmios para cada servidor público que o fizer por merecer!

Moacir Rauber

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