FACETAS!
Somos únicos.
Somos múltiplos.

By Moacir Rauber
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Eu sei pelo que você está passando… É mentira!

Uma equipe de basquete em cadeira de rodas, normalmente, é uma atração por onde passa. Naquele dia, duas vans estacionaram nas vagas para pessoas com deficiência do centro comercial. Em seguida, começou a movimentação. Desce uma pessoa com muletas. Desce outra. Os transeuntes diminuem a passada para poderem observar. Depois o elevador da van baixa os usuários de cadeira de rodas. Alguns já haviam cruzado a faixa de pedestres e outros ainda não. Eu estava de um lado e conversava com alguém do outro lado da rua. Nisso, uma senhora muito elegante para e dá uma olhada geral para o grupo de atletas. Ela aponta para a minha cadeira para em seguida dizer:

– Eu sei como é usar uma cadeira de rodas. Usei uma por quase três meses…

Disse-o com certa dose de orgulho para talvez se identificar com a dor e a tragédia alheia. Sei que muitas vezes as pessoas fazem esse tipo de comentário para estabelecer contato em condições de igualdade. É uma atitude que até pode revelar a busca pela empatia ao querer se colocar no lugar do outro. Entretanto, falar que sabe como o outro se sente com relação ao uso de uma cadeira de rodas por lesão medular é de uma ignorância sem fim, porque isso só quem está na situação sabe. O mesmo se aplica a qualquer outro tipo de problema que uma pessoa enfrenta no seu dia a dia. Por isso, seria muita arrogância dizer que sabe como se sente alguém que perdeu um ente querido, porque somente quem o perdeu sabe o que aquele que partiu significava para ele. Seria muita prepotência querer dizer que sabe como o jogador que perdeu um pênalti na final do campeonato se sente, porque somente quem o perdeu sabe a dor que sente. Seria um atrevimento de qualquer um afirmar que sabe como um professor da rede pública se sente ao entrar em sala de aula para enfrentar a falta de educação dos alunos, a pouca participação dos pais e as condições oferecidas pelo estado para dar aula, porque somente sabe quem vai para a sala de aula. E cada um sente de uma maneira diferente. Desse modo, cada um sabe o que cada situação representa para si mesmo, mas ninguém sabe o que isso representa para o outro, mesmo que a situação pareça similar. Ainda que se exercite a empatia, a interpretação dos problemas depende da condição psicológica, emocional e social de cada um. E essa condição é única.

Voltando para a situação inicial em que aquela senhora queria dizer que sabia como eu me sentia numa cadeira de rodas, olhei-a e respondi:

– Pois é, eu também sei. Já uso uma cadeira de rodas há 360 meses…

Ela deu um sorriso meio amarelo e foi-se embora. Para mim, há tempos que o uso da cadeira de rodas já havia deixado de ser uma tragédia, porém ninguém, jamais, poderá dizer como eu me sinto com relação a essa situação. Para que alguém pudesse dizer como o outro se sente com relação a algo teria que ter vivido o que o outro viveu. Teria que ter tido os pais, os parentes e os amigos que o outro teve. E isso não é possível. Entretanto, tentar imaginar a situação que o outro enfrenta para oferecer apoio é um exercício de empatia que nos melhora como pessoas, porém sem a arrogância de querer afirmar saber como o outro se sente. Por isso, sempre que alguém lhe dizer disser que sabe como você se sente com relação a um problema que é seu, provavelmente, é mentira.

Moacir Rauber

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Política: a arte de fazer cortesia com o chapéu alheio

Ao terminar a mudança havia sobrado algumas coisas no apartamento. Conversei com uma amiga para dar um destino aos utensílios domésticos que ficariam para trás. Eram coisas. O mais importante levava comigo, a experiência de ter vivido naquele país e com aquelas pessoas. Porém, a coisas precisavam de um destino. Assim, a minha amiga ficou com a chave da casa e da garagem. Encostou o seu carro na vaga do apartamento e carregou o que era possível. Quando desceu pela segunda vez, observou que ao lado da vaga estava largada uma cadeira de rodas. Indagou-se, Hum, será que ele esqueceu de mencionar a cadeira? Eu sei que ele tinha duas… referindo-se a mim, usuário de cadeira de rodas. Resolveu levá-la para uma instituição que fazia trabalhos humanitários. Ela doou a cadeira de rodas, sentindo-se muito bem com a oportunidade de ajudar outras pessoas. Agora somente faltavam mais algumas pequenas coisas que ela pegaria na sua última viagem até o apartamento. Lá chegando ela percebeu que havia um senhor com um ar desolado em frente ao apartamento. Ela perguntou:

– Posso ajudá-lo?

– Não sei o que aconteceu. Alguém levou a cadeira de rodas da minha esposa que estava na garagem. Isso nunca aconteceu antes. Sem a cadeira ela não vai poder entrar em casa… Respondeu o senhor sem saber o que fazer.

A minha amiga ruborizou-se. Gaguejou. Não sabia o que dizer. Deu uma desculpa e saiu atrás da cadeira de rodas para poder devolvê-la. Deixou-a no lugar de onde a havia retirado justamente a tempo de que a verdadeira dona da cadeira de rodas pudesse usá-la. Ao contar-me a história a minha amiga e eu rimos muito. Ela foi do céu ao inferno em pouco tempo. Sentiu-se maravilhosamente bem ao fazer a boa ação de doar a cadeira de rodas. Porém, na sequência sentiu-se muito mal ao descobrir que a cadeira de rodas que ela havia doado não era aquela que ela havia imaginado. Ela havia feito uma cortesia com o chapéu alheio. Entretanto, ao tomar consciência, pode se redimir a tempo. E se fizermos um paralelo com o sistema político brasileiro? No meu ponto de vista, ele está permeado de políticos que fazem cortesia com o chapéu alheio de forma consciente, porém inescrupulosa. Como assim?

Os políticos administram bens, propriedades e recursos que não lhes pertencem, porém basta escutar os discursos de qualquer um ou ver as placas comemorativas encontradas nos prédios públicos, nas pontes, nas rodovias ou em qualquer outro patrimônio público para constatar essa triste verdade. Nos discursos eles afirmam, Eu fiz essa obra para vocês…, dando-nos a impressão de que tiraram dinheiro do próprio bolso para executá-la. Nas placas colocadas nas obras inauguradas na gestão de qualquer político a auto-exaltação chega a ser vergonhosa. Os políticos fazem cortesia com o chapéu alheio com a consciência inescrupulosa de quem não se constrange em ser aclamado sem merecimento.

É importante constatar algumas diferenças fundamentais entre a gafe da minha amiga e a ação dos políticos. A minha amiga doou a cadeira de rodas sem a consciência de que não era sua, enquanto os políticos fazem parecer que é deles aquilo que é dos outros. A minha amiga quis fazer uma verdadeira boa ação, enquanto os políticos, quando o fazem, fazem apenas a sua obrigação. A minha amiga quis ajudar alguém sem esperar nada em troca, enquanto os políticos somente fazem para serem aclamados. Enfim, fazer uma cortesia parte do pressuposto de que se tem a real intenção de se fazer algo bom com aquilo que é de sua propriedade ou que está sob a sua guarda. Exatamente como a minha amiga fez. Com relação aos políticos? Espero que um dia tenhamos políticos que façam a gestão dos recursos públicos sem que isso nos pareça uma cortesia.

Moacir Rauber

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Fonte: http://aguiarsan.blogspot.com/2015/09/cortesias-com-chapeu-alheio.html

Quais são as suas crenças?

As suas crenças são limitantes ou impulsionantes?

É importante saber que as nossas diferentes experiências estão carregadas de elementos emocionais vividos com pessoas que nos são ou foram importantes e que formam o nosso sistema de crenças, limitantes ou impulsionantes. E é esse sistema de crenças que orienta os nossos pensamentos e, consequentemente, a nossas ações e reações frente aos dilemas da vida. A tomada de consciência de forma aprofundada do nosso sistema de crenças vai permitir avaliar em que momento se pode estar distorcendo a realidade, generalizando problemas e/ou transformando opiniões em fatos. Isso porque são as nossas crenças as responsáveis por influenciar cada aspecto da vida, porque são elas que determinam quem cada um é.

Por um lado, as crenças limitantes surgem a partir de nossas percepções desenvolvidas por um conjunto de experiências ocorridas desde a infância e que foram internalizadas como verdades. Provavelmente, cada um tem na sua memória profunda registros de orientações, de marcas e de rótulos recebidos que continuam a gerar efeitos nas decisões do presente. Muitos trazem dentro de si crenças de que “isso não é pra mim”, “não sou merecedor disso” ou mesmo um rótulo dado por algum adulto inadvertido que o taxou como não inteligente, pouco arrojado, medroso, entre tantos outros adjetivos que diminuem a pessoa. São todas crenças limitantes que muitos de nós trazem consigo, transformando-se em elementos de autossabotagem frente as decisões no ambiente pessoal e profissional.

Por outro lado, cada um de nós também carrega consigo muitas orientações, marcas e rótulos positivos e nas quais também acredita. Assim, muitos trazem consigo o carinho e a força de um apoio recebido de um amigo mais velho, de um professor ou dos pais, por meio de expressões como “Vai lá, você pode”, “Você sempre faz bem as coisas que faz” ou outras frases de incentivo ouvidas que ressaltam a capacidade, a inteligência, a dedicação, entre outros adjetivos positivos e que o impulsionam ainda hoje. São todas crenças impulsionantes que servem de elementos catalizadores para nos impulsionar na direção escolhida.

As crenças limitantes e as crenças impulsionantes coexistem. Por isso, cabe a cada um de nós analisá-las de forma profunda, sincera e autêntica para escolher aquelas que se ajustam com o caminho que se pretende seguir. A tomada de consciência do universo que cada um traz consigo e que vive dentro de si mesmo permitirá que se trace e se trilhe o caminho escolhido.

Portanto, torna-se importante saber quais são as suas crenças limitantes e impulsionantes. Ter essa clareza permitirá saber como elas afetam as suas emoções, sentimentos e estados de ânimo, contribuindo para que se diferencie o real do imaginário e liberando-o para caminhar na direção escolhida. A questão que se coloca aqui é: quais as crenças que o conduzem atualmente? A tomada de consciência das próprias crenças permitirá minimizar as limitantes e potencializar as impulsionantes na busca pela plenitude da vida. Não sei você, mas eu acredito! Eis o desafio.

Moacir Rauber

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