FACETAS!
Somos únicos.
Somos múltiplos.

By Moacir Rauber
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Sucesso ou bem sucedido?

Para ser bem sucedido, muito além de ter sucesso:

mais do que falar de gratidão é importante viver a gratidão.

Mais do que falar de humildade é essencial viver humildemente.

Mais do que falar de bondade é preciso ser bondoso.

Mais do que falar de esperança é necessário manter a esperança.

Mais do que falar de amabilidade é indispensável ser amável.

Mais do que falar de confiança é básico confiar e ser confiável.

Mais do que falar de lealdade o principal é ser leal.

Mais do que falar de educação é obrigatório ser educado.

Mais do que falar de empatia é fundamental viver a empatia.

Mais do que buscar o sucesso é primordial ser bem sucedido.

Para ser bem sucedido nem sempre é importante falar bem, cantar espetacularmente, representar maravilhosamente ou ter muito dinheiro, porque ser bem sucedido independe de ter habilidades espetaculares ou fortunas imensuráveis.

Para ser bem sucedido é importante estar autenticamente alinhado com os valores professados, porque alguém bem sucedido sempre é um sucesso e nem sempre quem tem sucesso é bem sucedido.

Alguma comparação?

Quanto vale o tempo?

Fui convidado para falar num lar de idosos sobre esperança e vida. Antes da data do evento fui visitar o local. Vi idosos em condições físicas e psicológicas em que, para muitos, a vida teria perdido a esperança. Eram idosos em suas cadeiras de rodas sem conseguir se mover, alguém precisava empurrá-los. Vi outros em conversas intermináveis com as paredes. Vi mais alguns balançando as suas cabeças num movimento repetitivo para talvez tentar recuperar alguma memória que insiste em fugir. Conversei com outros que revelavam as suas histórias para que elas não fossem simplesmente esquecidas. Pode parecer triste, porém eu não vejo dessa forma. Para mim é exatamente o oposto. Acredito que seja a manifestação da vida na sua plenitude em suas diferentes fases, porque ao estar em contato com aquelas pessoas lembrei-me que nós não temos passado e nós não temos futuro. Nós temos tão somente o presente e ele é o presente eterno de cada um. Depois de passar algumas horas com os idosos, ao voltar para casa me lembrei de uma conversa com amigo meu que completava 94 anos. No dia do seu aniversário eu o cumprimentei e disse:

– Eu invejo o senhor.

– Como assim? Você ainda é jovem e tem muita coisa para viver… respondeu ele meio indignado.

– Mas o senhor está onde eu gostaria de estar. O Senhor viveu mais de noventa anos. O senhor tem a garantia. Eu tenho a possibilidade. Quem sabe até eu chegarei? Até amanhã?

Ele balançou a cabeça afirmativamente. Quando somos crianças queremos ser adultos para poder fazer tudo o que queremos. Quando somos adultos fazemos tudo, menos o que queremos. Sentimos saudades dos tempos de criança e somos muito orgulhosos para ouvir os mais velhos. Travamos uma luta para desfrutar daquilo que os outros acham que é importante para que possamos nos sentir realizados. Finalmente, quando somos idosos, muitas vezes, lamentamos que não aproveitamos o nosso tempo de crianças e nem de adultos. Porém, aqui volto a destacar que a única realidade que temos em toda essa trajetória é o momento presente. Então qual é a diferença de termos 5, 10, 40 ou 90 anos? Por que, muitas vezes, nós julgamos que o nosso tempo é mais importante do que o tempo dos outros, principalmente quando estamos naquela idade adulta com milhões de compromissos? Não há diferença nenhuma em ser criança, adulto ou idoso. Cada um somente tem o presente. Não há tempo mais importante para um do que para o outro, porque o valor implícito da vida é o mesmo para cada um. O tempo é valioso para cada um, porque cada um somente tem o seu próprio tempo que acontece a cada momento.

Por isso, o que cada um pode fazer por si mesmo é importante, sabendo que devemos viver com aquilo que está ao nosso alcance. De nada serve ficar pensando naquilo que eu poderia ter sido ou naquilo que eu poderei vir a ser. O importante é que realmente cada um seja aquilo que pode ser agora, no exato momento que está vivendo. Porém, devemos ter em mente que a nossa vida não pode ser vivida sem os outros. Nós somente nos realizamos na presença do outro. Assim, o desafio é transformar a nossa vida num exercício de afeto verbo como ação e substantivo como sentimento. Eu afeto o mundo e o mundo me afeta. É o afeto verbo, é a ação. Sempre que eu afetar o mundo com afeto o mundo será melhor. É o afeto substantivo, é o sentimento. E se chegar o dia em que eu não tiver mais a capacidade de lembrar nada disso terá restado o AFETO, sentimento das ações do AFETO verbo que realizei.

Fazer isso é possível? Acredito que sim, independentemente de ser criança, jovem, adulto ou idoso.

 

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br

 

A sabedoria vem com a idade?

Outro dia participei de um evento que reunia pais e filhos. Eram mais ou menos umas quatrocentas pessoas. Em algumas atividades nas quais solicitava a presença de um voluntário as crianças logo estavam dispostas a participar. É a espontaneidade em seu estado natural. Além disso, houve um momento que foi muito especial. Pedi a participação de um voluntário. Não tive tempo para identificar quem chegou primeiro, porque muito rapidamente dois meninos de mais ou menos oito anos estava junto a mim. Fiz a atividade com ambos e ao finalizar estava diante de um impasse:

– O que vamos fazer? Vocês estão em dois e eu somente tenho um presente para entregar. É um livro. Não dá para dividir…

Silêncio na plateia. Silêncio entre os dois meninos. Entretanto, logo um deles propôs:

– Quem sabe um fica com o livro primeiro para ler. Depois entrega para o outro ler ele também.

Novo silêncio. Pareceu-nos a todos uma boa e justa alternativa. Estávamos felizes com a solução.

– E depois a gente doa ele… Complementou o segundo que sabia que do outro lado da rua onde estávamos havia uma biblioteca pública.

Foi simplesmente fantástico. Fiquei boquiaberto com a solução, assim como todos os presentes. Na sequência, os aplausos vindos da plateia foram espontâneos e naturais porque os adultos reconheceram o momento presenciado. Se a espontaneidade já havia marcado presença em seu estado natural com a participação das crianças, também a sabedoria se manifestou de forma espontânea e natural com as atitudes delas. Fiquei a me perguntar: em que momento da vida nós perdemos a espontaneidade e deixamos de nos tornar sábios naturalmente?

Não sei a resposta, mas tenho me questionado sobre a pergunta. O tema do evento era justamente a importância de nos relacionarmos num ambiente de respeito, de aprendizagem e de confiança. Falou-se sobre a importância do respeito para consigo mesmo e também para com o outro. Reconhecer-se como a pessoa mais importante para si mesmo, não é um exercício egoísta. Egoísmo é quando as pessoas somente se preocupam e se ocupam consigo mesmas. A pretensão era exatamente a de destacar a importância do altruísmo e da empatia ao reconhecer a própria importância para poder se preocupar e se ocupar do outro. Falou-se da aprendizagem como sendo uma escolha individual. Escolhemos se aprender é uma tarefa ou um lazer, assim como escolhemos aquilo que queremos aprender. Por outro lado, ensinar não é uma escolha, porque ensinamos sempre com aquilo que fazemos ou deixamos de fazer. E também se falou de confiança como um ato de preservar os bons valores que nos regem como sociedade. Aquele momento proporcionado pelos dois meninos nos mostrou sobre a existência do respeito, sobre o processo de aprendizagem e sobre o exercício da confiança entre ambos.

Naquele evento, nós, os adultos, falamos que é importante um mundo em que o respeito, a aprendizagem e a confiança sejam os valores que norteiem as nossas ações. Elas, as crianças, mostraram como se faz um mundo em que o respeito, a aprendizagem e a confiança sejam uma realidade. Elas expressaram os valores de forma natural e espontânea. Portanto, se nem sempre a sabedoria e a espontaneidade vêm com o passar dos anos, cabe a nós reavaliarmos como aprendê-las. O que será que as crianças podem nos ensinar ainda mais? Sim, porque naquele evento, os adultos que foram para ensinar saíram como aprendizes das crianças. E a sabedoria vem com idade? Somente se nós continuarmos dispostos a aprender apesar da idade.

Feliz Dia das Crianças!

Moacir Rauber
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Celebrar com o outro

Celebrar com o outro sem usar o outro. 

O equilíbrio entre confraternizar com os outros pela alegria da companhia como resultado da confiança, do amor e da bondade faz parte de um mundo melhor.

Moacir Rauber
Fonte da imagem: http://libpink.blogspot.de/2012/01/1-de-janeiro-dia-da-confraternizacao.html