FACETAS!
Somos únicos.
Somos múltiplos.

By Moacir Rauber
Skip to main content

Mudar é incoerente?

Recentemente, numa conversa com um amigo fui confrontado com o fato de ter mudado de opinião sobre uma visão de mundo. Uma pessoa que não encontrava há anos lembrou-me que na última vez em que havíamos conversado eu havia exibido uma opinião diferente sobre o mesmo tema. Ela me disse:

– Isso me parece incoerente com aquilo que você disse da última vez que nós conversamos.

– Olha, apenas é diferente. Minha visão sobre isso mudou. Não vejo incoerência em mudar…

Continuamos nossa conversa que me permitiu pensar e repensar sobre o tema em questão para sair dali, mais uma vez, um pouco diferente. E esse é o ponto. Não vejo incoerência em mudar de opinião ou mesmo de posição sobre um determinado tema. A questão é: como não mudar num mundo que muda o tempo todo? A mudança é a regra e não a estabilidade. Basta observar a evolução da história da humanidade em que os sistemas políticos foram substituídos, os costumes se modificaram e a cultura está em constante evolução. A metamorfose é uma norma e não a conservação. Para isso, basta observar o ciclo de uma borboleta que de ovo vira larva; que de larva vira pupa; que de pupa vira casulo; que de casulo, enfim, vira borboleta. A modificação é uma constante e não a permanência. Para tanto, basta observar as águas de um rio que são outras o tempo todo; ninguém nunca entra nas mesmas águas de um rio porque elas nunca são as mesmas. A variação é permanente e não a constância. Para tal, basta observar as fases de uma planta que de semente vira árvore que produz frutos que produz sementes para começar um novo ciclo. Por isso, a mudança é uma constante e não a permanência. Da mesma forma, acredito que cada ser humano é diferente o tempo todo. Basta olhar as próprias fotografias ao longo do seu ciclo de vida para observar as mudanças. Se elas acontecem no nosso corpo, por que elas não aconteceriam na nossa mente? Como querer permanecer sempre o mesmo com o acúmulo das experiências que a vida nos proporciona? Desse modo, particularmente entendo que a busca pela não mudança é uma incoerência e não o contrário. Isso não quer dizer que se devam mudar os valores e os princípios, porque, assim como nos demais elementos da natureza, estes não mudam.

Enfim, depois daquela conversa com o meu amigo, mais uma vez, saí diferente. Cheguei com uma ideia na cabeça. Saí com mais do que uma, inclusive para escrever sobre a obrigatoriedade de mudar. Não se trata de uma escolha, porque a mudança vai acontecer. Nós mudamos o tempo todo. A escolha que nós podemos fazer é a direção da mudança. Assim, são os seus valores e os seus princípios que vão orientar a sua mudança. A honestidade é um valor para você? O respeito é importante na sua vida? A aprendizagem é uma escolha que você põe em prática? Excelente. São esses valores e princípios que permitirão escolher uma direção coerente para as suas mudanças.

Qual é a direção da sua mudança?

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Por que você é o que é?

Qual é a sua relação com a Mente Coletiva?

Recentemente acompanhava um diálogo entre duas mulheres que estavam na casa dos trinta anos. Elas eram altamente liberais, profissionalmente resolvidas e civilmente separadas.

De repente uma delas comenta:

– E você, já teve uma experiência bissexual?

– Não, ainda não.

A conversa prosseguiu dando a entender que realmente era uma questão de tempo para que a experiência fosse concretizada. Foi nesse momento que me ocorreu que há um movimento muito rápido na transição da mente coletiva dominante nas últimas décadas. Entenda-se mente coletiva como o conjunto de conceitos e valores que nos são incutidos de forma subliminar ou explícita pelas famílias, grupos sociais, meios de comunicação, sistemas educacionais e outros pontos de interação do indivíduo com o coletivo. E a mente coletiva nos afeta quando menos esperamos, inclusive quando pensamos que estamos nos afastando dela. Esse é o momento em que ela imprime a sua força invisível, seja porque ela já existe ou porque está sendo criada uma nova mente coletiva. O trecho da conversa acima é um exemplo claro dessa mudança de mente coletiva com o passar dos anos.

Caso voltemos cinquenta anos no tempo, a conversa entre duas mulheres da mesma idade, provavelmente, giraria em torno de ter se casado virgem ou não. Há vinte anos talvez a conversa entre essas duas mesmas mulheres poderia ser sobre a dificuldade em lidar com as amigas pelo fato de ainda ser virgem aos dezessete ou dezoito anos. Hoje as conversas se alternam entre o número de divórcios, o número de parceiros e a tendência de relacionamentos em que o gênero não é mais relevante. Mais do que isso. Toda e qualquer relação, segundo a nova mente coletiva, deve estar pautada na primazia da autossatisfação. Fala-se muito do resgate da autoestima como justificativa para que se iniciem ou se terminem relacionamentos incontáveis vezes. E não falo isso tão somente do relacionamento conjugal. Essa postura também se aplica ao comprometimento com as relações organizacionais, profissionais ou às relações sociais de amizade. É a nova mente coletiva incrementando a volatilidade das relações em todos os níveis.

Acredito ser a mudança da mente coletiva um processo natural da evolução do ser humano. Não há aqui um juízo de valor se é para o bem ou para o mal. Cada um faça as suas ilações. A mente coletiva se modifica quer você queira ou não. A mente coletiva se altera pela influência de inúmeros fatores que não estão no controle do indivíduo, embora não haja nenhuma alteração que não seja resultado de uma ação individual. O indivíduo afeta a mente coletiva e é afetado por ela.

No emaranhado de situações sociais que se vive no contexto atual com as mudanças tecnológicas e culturais ocorrendo numa velocidade nunca antes vista, e que tende a aumentar, ficam alguns questionamentos: você é o que é porque é isso que você quer ser ou você é o que é porque acredita que é isso que os outros acreditam que você deva ser?