FACETAS!
Somos únicos.
Somos múltiplos.

By Moacir Rauber
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Inspirar Pessoas para Potencializar o Coletivo: como cumprir essa proposta?

ESARH 2018:

Inspirar Pessoas para Potencializar o Coletivo.

Como cumprir essa proposta?

Primeiro pergunte-se: que mundo você quer respirar? A resposta está com você: depende do mundo que você inspirar! Trata-se de um convite para que cada um olhe para dentro de si mesmo, prenda os seus ladrões para inspirar pessoas e potencializar o coletivo:  inspire e inspire-se para respirar e inspirar.  Olhe para si mesmo, sinta e entenda o que realmente o inspira para poder inspirar os outros. O que você inspira? Esse é o mundo que você respira!

ESARH 2018 leva as pessoas a assumirem a sua responsabilidade no mundo coletivo que se respira!

Quem é mais importante?

A hierarquia das responsabilidades…

Outro dia fui abordado por uma pessoa que assistiu a uma das minhas palestras. Ela disse-me o seguinte:

– Gostei muito, muito da sua palestra. A mensagem e a energia caminharam num processo de ascensão contínua. Terminou de forma espetacular!

Agradeci sinceramente, procurando não me deixar levar pela vaidade. Os elogios nos envaidecem e podem nos fazer acreditar que somos mais do que realmente somos. O meu amigo continuou:

– Só queria dizer que tem um ponto que eu não concordei muito… Ou não entendi.

– Ah é? Respondi querendo saber o ponto.

Ainda que soubesse perfeitamente que uma crítica é a melhor maneira de melhorar o próprio desempenho, o comentário pegou-me de surpresa. Deixou-me um pouco na defensiva, mas procurei não demonstrar. Eu emendei:

– Isso é bom. Se não concorda é um sinal de que há uma forma diferente de se entender o mesmo assunto. Qual é o ponto?

A partir daí o meu amigo explicou que na minha abordagem eu falo que devemos olhar para frente e aprender com quem está lá. A observação é uma boa forma de aprendizagem. Que devemos olhar para os lados, trocar experiências para aprender e ensinar. Compartilhar com os outros nos faz crescer a todos. Olhar para trás para saber se alguém está lá. Caso haja perguntar por que não está avançando ou se sou eu que estou indo na direção errada. Olhar para cima para entender que somos parte de um todo. É a importância da visão sistêmica que nos faz ver que somos importantes. Olhar para dentro e saber que as respostas estão conosco.

Ele continuou:

– Com tudo isso eu concordo em gênero, número e grau. A questão que me pareceu um pouco estranha é quando você fala que também se deve olhar para baixo e que ali não deve ter ninguém. Como seria isso? Se nós estamos numa organização sempre vai ter alguém numa posição mais alta e outro numa posição mais baixa. Por isso não concordo ou não entendi…

Fiquei feliz com o comentário. Era uma excelente oportunidade para tocar num dos pontos que mais me encanta que é a falsa noção de importância como resultado da posição hierárquica. O olhar para baixo e não ter ninguém lá não se refere a uma estrutura hierárquica. Ela se refere ao entendimento de que somos todos igualmente importantes quando se trata de uma ou de outra vida. A importância de um e de outro numa organização, num processo ou num sistema em função de um cargo na estrutura hierárquica se refere tão somente as responsabilidades. Não tem nada a ver com a importância da vida de um ou do outro. E esse é um dos grandes desafios da atualidade. Entender que não há diferença de valor entre as vidas das pessoas, sejam elas quem forem. Quem é mais importante o porteiro ou o diretor presidente? Não há diferença no que concerne ao valor intrínseco da vida. Pode haver, e há, uma grande diferença naquilo que se refere às responsabilidades de um e de outro, assim como nas recompensas atribuídas a um e a outro. Cabe destacar que a posição hierárquica é circunstancial. Pode-se estar numa posição hoje e noutra amanhã. Por isso, é fundamental entender que a diferença, a importância e a relevância de um e de outro pode variar na hierarquia das responsabilidades, mas não no valor da vida. Vivemos para caminhar com os outros e não sobre os outros.

A vida de um e de outro tem o mesmo valor, independentemente da sua posição hierárquica na organização, no país ou no mundo. Alguém pode discordar, mas daí eu lhe pergunto: quem é mais importante, o Papa, Barack Obama ou o seu filho?

Quem abre as portas?

Chegamos na associação comercial daquela cidade. Estava acompanhado de meu editor e amigo. Dirigimo-nos até a sala da Secretária Executiva. Passei pela porta e a vi. Pareceu-me um rosto familiar. Ela olhava fixamente para o meu amigo, que também a olhava. Ele franziu a testa. Eu fiquei um pouco perdido, porque senti algo diferente no ambiente. O que está acontecendo aqui?, indaguei-me. Foi logo depois que veio a surpresa. Ela saiu detrás de sua mesa, abriu os braços e abraçou carinhosamente o meu amigo. Emocionada, disse:
– Professor, seja bem-vindo. Quanto tempo que não o vejo!!!

O meu amigo logo a reconheceu:
– Que coisa boa encontrá-la aqui!!!

Ambos continuaram a conversa por um bom tempo resgatando lembranças. O meu amigo havia sido Coordenador e Professor daquela Secretária Executiva no período da faculdade. Foram quatro anos de relacionamento intenso. Eu apenas os observava. A cena era muito bonita. Trouxe-me a mente a confirmação de que respeito dá lucro no curto, no médio e no longo prazo.

Eles haviam se conhecido e convivido na universidade, ela como aluna, ele como professor e coordenador de curso. Foi uma agradável surpresa. Poderia não ser assim. Para muitos que já passaram pelas universidades as lembranças de seus superiores hierárquicos, sejam eles professores ou coordenadores, nem sempre é tão boa. São tantos os profissionais que usam a autoridade das funções para garantir prerrogativas e benesses pessoais, pouco se importando com quem está do outro lado. São pessoas que ainda não entenderam que tudo que existe fora da natureza é feito por pessoas e para as pessoas. E o mínimo que uma pessoa merece é respeito.

Por outro lado, o meu amigo sempre entendeu que ser o coordenador não era fonte de prerrogativas e regalias, mas que lhe gerava responsabilidades. Assim, ele soube exercer a autoridade que as funções lhe cobravam respeitando a liturgia do cargo e, principalmente, respeitando as pessoas. Ele sabia que as pessoas que estavam sob sua gestão mereciam o respeito que ele também queria. Finalmente, o meu amigo sempre entendeu que estar numa posição ou noutra era circunstancial. Hoje sou gestor, amanhã posso ser gerido. E não há ninguém que, cedo ou tarde, não esteja numa ou noutra posição.


Passados dez anos desde o momento em que conviveram, ambos tinham boas lembranças do relacionamento. O meu amigo professor e coordenador, ao respeitar as pessoas, obteve lucro no curto prazo ao trabalhar num ambiente agradável. Ele também obteve lucro no médio prazo ao formar pessoas melhores. E o lucro no longo prazo se confirmava agora, na minha frente. Uma visita comercial seria agendada. O produto que o meu amigo ofereceria deveria ser bom, como realmente era. Porém, a porta teria que ser aberta. Naquele dia, a pessoa que estava detrás da mesa que poderia lhe abrir ou fechar as portas era alguém do passado que se sentira respeitado. Respeite a si mesmo ao respeitar os outros. Não roube a si mesmo nem aos outros, respeite. 

O respeito abre portas!