FACETAS!
Somos únicos.
Somos múltiplos.

By Moacir Rauber
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Quanto vale a segurança para você?

O meu amigo encostou a motocicleta próxima à bomba para abastecer e logo chamou a atenção do frentista que exclamou:

– Uau, quantas cilindradas?

– Essa moto tem 1300cc. Voltei agora de um passeio e coloquei a bichinha a 180km/h… Respondeu o orgulhoso dono da moto.

Em seguida, ele subiu na moto e foi para casa onde foi recebido pela esposa e pelos filhos. Eles estavam felizes por verem o pai chegar são e salvo em casa. Ele, como pai e esposo carinhoso, abraçou os filhos e a esposa dizendo quanto os amava. No dia seguinte o meu amigo foi cedo para a obra para mais uma semana de trabalho. No próximo final de semana ele e os amigos motociclistas tinham mais uma aventura planejada. Mal e mal podia esperar.

O que isso tem a ver com a segurança e a motivação no ambiente de trabalho? Tem tudo a ver. Falar sobre segurança e motivação pode parecer díspar, ainda mais iniciando com um fato que ocorreu fora do ambiente de trabalho, porém não é. Para se promover a segurança deve-se ter motivação para se preocupar com a segurança individual em todos os ambientes pelos quais se circula, assim como daqueles que estão a sua volta. No trabalho, o meu amigo era um mestre de obras produtivo e comprometido, além disso, era o responsável pelos procedimentos de segurança e pelo uso dos Equipamentos de Proteção Individual por todos os colaboradores daquela obra. Ele era intransigente com a construtora para que fornecesse os equipamentos e exigia da mesma forma que os colaboradores os usassem. Não se via nenhum pedreiro, auxiliar ou mesmo visitas no canteiro de obras sem o uso dos devidos equipamentos. Eram os capacetes, as luvas, as botinas, os protetores de ouvido ou as viseiras. E ele era o primeiro a cumprir com todos os procedimentos. Naquela semana o meu amigo esteve mais ativo do que nunca. Chegou o final de semana. O meu amigo e o seu grupo saíram para mais um domingo de aventura. O final de tarde chegou. O meu amigo não parou no posto para abastecer a sua moto. O meu amigo também não apareceu em casa para abraçar a esposa e os filhos. O meu amigo havia perdido o controle da sua moto e nunca mais pilotaria por estas paragens. Encontraram-no na segunda-feira com a sua moto que marcava 180km/h no velocímetro. O seu comportamento o levou de nós. Ele roubou de si a vida e da sua família, dos seus amigos e da sua organização ele roubou a possiblidade de tê-lo presente. O meu amigo faz muita falta.

Hoje, pode-se constatar que a evolução em aspectos técnológicos para a segurança tem sido espantosa. Ambientes de trabalho mais seguros e ergonomicamente pensados, além de legislação para garantir a segurança. Contudo, tem algo que não acompanhou a evolução da tecnologia da segurança: o comportamento. Não é porque se tem veículos e motocicletas que oferecem equipamentos de segurança como cintos, airbags, capacetes, joelheiras entre outros que se pode conduzir fora dos limites de segurança. Não é porque se tem um capacete na cabeça e uma botina no pé que alguém pode se meter debaixo de uma viga que cai. Comportamento seguro no ambiente de trabalho e fora dele, é uma verdadeira demonstração de amor para consigo e para com aqueles que se ama. E todos nós somos seres que amamos e somos amados, mas muitos de nós não nos comportamos como tal. O relato acima é um exemplo disso. Não se questionam os sentimentos dele para com a esposa, os filhos e os amigos, mas o comportamento exibido. Quando se adota um comportamento inseguro no ambiente de trabalho ou fora dele, assumem-se os riscos decorrentes dele. Não há nada que façamos que tenha reflexo apenas sobre nós. Não somos ilhas.

Por isso as perguntas: Quanto vale a segurança para você? Qual a sua motivação? Quanto vale estar com aqueles que você diz amar?