Faltou latir

Moacir Jorge Rauber
Entre as idas e vindas nessa vida como cadeirante enfrentam-se situações as mais inusitadas. Algumas engraçadas, outras constrangedoras, mas todas elas fruto do desconhecimento sobre as capacidades e potencialidades de uma pessoa com deficiência. Uma das situações das quais eu mais ri aconteceu num lindo sábado de sol. Por volta das 9h da manhã minha esposa e eu pegamos o elevador no oitavo andar para sair, passear e aproveitar a beleza do dia, além da folga pouco comum. O elevador desceu dois andares e parou. Entrou uma senhora bem idosa, com sua bengala. Cumprimentou-nos e olhou-me demoradamente. Depois dirigiu-se a minha esposa e disse, “Um lindo dia para levá-lo para passear, não é?” Demorei um pouco para entender a frase. Esse “levá-lo” se referia a quem? Olhei para minha esposa e para a senhora e não vi ninguém mais. Nenhum gato ou cachorro. “Caramba, ela falou sobre mim! O cachorrinho sou eu…” Quase deu vontade de levantar as mãos como um cachorro o faria e fazer “au, au…”. Mas limitei-me a sorrir, sair do elevador e aproveitar o passeio para rir sobre a situação presenciada!
Por isso, antes de emitir uma opinião sobre uma realidade que não se conhece deve-se olhar e pensar mais uma vez!

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