Pitoco, sai daí…

Moacir Rauber
Alguns anos atrás fui visitar um amigo numa chácara. Começamos a conversar no pátio da casa e ali ao lado havia uma plantação de mandioca. Por baixo de sua ramada se podia ver os baraços de melancias. Logo nos metemos no mandiocal em busca de alguma que estivesse madura. Eu, com a minha cadeira de rodas, tinha algumas dificuldades, mas assim mesmo acompanhei o grupo. Rachamos uma melancia ali mesmo. Estava saborosíssima. Minha esposa ficou impressionada com a cena. A naturalidade com que se abria uma melancia no meio da roça e se comia na maior simplicidade, combinada com a espontaneidade e a simpatia daquelas pessoas a deixava encantada, principalmente porque nasceu e sempre vivera na cidade. Por ali ficamos por mais um tempinho. Depois seguimos para a casa. Enquanto ainda conversávamos em frente ao portão me apercebi que um cachorro se aproximava de mim. Não sabia eu de suas intenções. Percebi-o próximo ao meu lado, estendi a mão sem olhar para acariciar-lhe o pelo, mas não houve mais tempo… Somente senti algo úmido na minha mão. Logo ouvi um grito desesperado do dono da casa, Pitoco, sai daí… Rapidamente olhei para o lado e vi o Pitoco sair de fininho. Não havia mais nada a fazer. O danado já tinha demarcado o seu território na roda da minha cadeira. E não é mentira!!!

Afinal, um cachorro não consegue ver uma roda em sua área sem deixar a sua marca, não é?

Conhecer a natureza de quem nos cerca é importante…

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