Um balde…

Moacir Rauber

Carnaval na Praça XV em Florianópolis. Circular entre a multidão é difícil até para um andante, imagine então para um cadeirante. Mas eu estava metido lá no meio, pois era minha primeira visita à cidade e eu não queria perder nada. Estava acompanhado pela minha esposa, meu irmão e um casal de amigos da cidade que nos havia convidado para assistir ao desfile das loucas ou algo do gênero. Um desfile de travecos. Certamente que também iríamos comer algo e tomar umas cervejas. Enquanto circulávamos procurávamos um lugar que fosse mais aconchegante e ao mesmo tempo nos permitisse assistir a tudo. Estava conduzindo minha cadeira, empurrando um pouco aqui, dando encontrões ali, pedindo licença por lá e assim seguíamos em grupo. De repente fui abordado por alguém que literalmente se jogou em meu colo. Fiquei de queixo caído, O que era isso? Era um baita de um travesti, que deu de dedo na minha cara e disse, olhando para minha esposa que estava logo atrás, Já contaste pra ela que já jogaste frescobol pelado comigo na praia?Isso falado com o típico sotaque de manezinho da ilha. E de um salto saiu correndo e gargalhando…

Eu ainda estava todo atordoado sem saber o que dizer frente as gargalhadas dos demais. Seguimos nosso caminho e achamos um cantinho. Pedimos uma cerveja. Pedimos outra e assim foi. Mas cerveja provoca outras necessidades. Todos já haviam ido ao banheiro, menos eu. Comecei a ficar preocupado, porque somente via aqueles banheiros conhecidos como pipi móvel. A barraca onde estávamos não oferecia banheiros. Fui até outro lugar e nada. Dei mais uma volta e nenhum banheiro oferecia acesso. Meu irmão comigo. Eu já começava a entrar em desespero, porque já estava mais do que na hora de “descarregar a cerveja”. Não aguentava mais e nenhuma solução a vista. Vou ter que fazer o negócio aqui no meio da multidão. Que m…, eu pensava. De repente meu irmão viu, ao lado do pipi móvel, um balde com uma vassoura e um pano dentro. Ele apontou para o balde. Eu também o vi e falei, É esse mesmo! Passa pra cá… Meu irmão tirou a vassoura e o pano e alcançou-me o balde. Eu o pus entre as pernas e fiz xixi ali mesmo. Terminado o serviço, passei o balde para o meu irmão que o levaria ao banheiro. Nisso aproxima-se um homem esbravejando, Meu balde, meu balde… Seu sem vergonha, como você mija no meu balde? E se aproximou com a forte intenção de partir para a agressão. Logo formou-se um aglomerado de pessoas para segurá-lo. Eu e meu irmão lá parados com o balde na mão e a confusão feita. Alguém falou de chamar a polícia e o homem seguia transtornado gritando, Mas o cara mijou no meu balde… Meu irmão e eu fomos nos afastando devagarzinho. E o tumulto continuava. Alguns curiosos. Outros que haviam comprado a briga. A maioria bebuns. Mas todos ali em meio aquele alvoroço e a grande maioria sequer sabia do que se tratava. Pusemos o balde dentro do pipi móvel e terminamos nossa saída pela esquerda, de fininho, sem que ninguém nos visse…


Algumas vezes sair de cena também é estratégico!

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