Indiada 2

O processo de transformar uma simples ideia, um devaneio ou um sonho em algo palpável é interessante. O “Desafio Lagoa dos Patos” começou como uma brincadeira jogada por alguém num grupo… Poderia não ter tido nenhuma adesão. As pessoas que ali estavam poderiam simplesmente ter ouvido e não dado bola… A proposta poderia não ter colado, mas colou. Não sei por que…  Alguém disse, “Que bacana!”. Outro acrescentou, “Quando poderíamos fazer?”. Mais alguém comentou, “Seria interessante, desde que fôssemos num grupo…”. Outros disseram, “Não contem comigo…”, mas a força daqueles que queriam começou a se aglutinar. Da fantasia inicial, a proposição começou a ganhar corpo. Ainda no campo das ideias foram questionadas as dificuldades e os obstáculos que adviriam da sua realização… Mas por outro lado, as possibilidades de usufruir, gozar e apreciar as paisagens de uma passeio feito em barco a remo por uma região quase inabitada eram estimulantes. Ficar em contato direto com a natureza por seis ou sete dias consecutivos nos proporcionava um contentamento antecipado. Assim, o campo das ideias passou para uma proposta real. Começamos a trabalhar com um percurso. Seriam 220km que poderiam ser cumpridos em seis dias sem um desgaste muito grande. A data proposta ficou entre o Natal e o Ano Novo, já que a maioria dos que se candidataram a cumprir com o desafio estariam de férias. Os recursos com relação a equipamentos, barcos, remos e outros essenciais existiam. Partimos para a ação e fizemos a primeira Indiada. Nela cumprimos um trajeto de 34km para avaliar as reais condições de que seria possível. Foi tranquilo e as imagens e paisagens nos deram a certeza de que continuaríamos na busca pela concretização do projeto. 
Assim, fizemos a indiada 2!!! 
Em que consistiu? Os intrépidos aventureiros, Oguener, Antônio, Wagner e eu partimos para marcar os pontos reais do trajeto a ser cumprido no final de ano. Percorremos 500km por terra para encontrar os pontos localizados pela internet como o provável percurso a ser feito todos os dias. Como o trajeto é na Costa Leste da Lagoa do Patos tivemos que cruzar a balsa entre Rio Grande-RS e São José do Norte-RS
A cidade de Rio Grande-RS ao fundo…

Um cavalo também fez a travessia…
O PONTO DE SAÍDA
Logo que cruzamos pegamos a BR-101, conhecida até a pouco anos como a Estrada do Inferno, porque dificilmente alguém transitava por ela sem que tivesse problemas. Nas chuvas ficavam atolados nos barreiros. Na seca ficavam atolados nos areais. Mas agora está tudo asfaltado. Uma rodovia muito bonita num terreno completamente plano. Percorremos 200km por ela até que chegamos a cidade de Mostardas-RS. Dali percorremos mais alguns quilômetros e encontramos nosso ponto de partida, a Praia de Caieiras…
Praia de Caieiras, local do primeiro acampamento…

Praia de Caieiras, aqui vai começar o desafio…
FINAL DO PRIMEIRO DIA
A proposta de percorrer aproximadamente 40km no primeiro nos levaria a um determinado ponto. Localizá-lo no google ou no GPS é muito fácil. Entretanto, chegar até ele de carro, a pé ou a cavalo é outra história. Nos embrenhamos por caminhos e estradas desconhecidas. Areia, terra, potreiros, fazendas, estradas e a ausência dela eram uma constante. Pessoas para as quais pedíamos informações diziam, “É logo ali. Pegue à esquerda lá perto do mato e vai embora…” Nós íamos embora, mas nunca chegávamos. 
Depois de um bom tempo localizamos o ponto até onde pretendemos chegar ao final do primeiro dia… A paisagem garante que vai valer a pena olhar a Lagoa do Patos a partir de outro ângulo. De dentro pra fora, podendo aproveitar todos os detalhes que somente um passeio a remo permite…
Local do acampamento ao final do primeiro dia…

Completamente adaptado hehehe…

Local do acampamento ao final do primeiro dia…

Local do acampamento ao final do primeiro dia…
A paisagem é linda!!!

Local do acampamento ao final do primeiro dia…
A paisagem é linda!!!
A fome já havia batido. Mas como aventureiros precavidos que somos a comida estava garantida. Certamente que não havíamos levado talheres de prata ou louças de porcelana. Mas uma mesa de gabarito foi improvisada, uma mesa de gaudério, tchê!!!
Eu ainda estava embasbacado com as paisagens, envolvido com a lerdeza da locomoção em cadeira de rodas por aquelas paragens, quando olho e vejo o Antonio usando uma mesa oferecida pela natureza. Veja que beleza!!! 

O Oguener a usou! O Wagner e eu também a usamos. Comemos muito bem….

Rimos mais ainda!!!
FINAL DO SEGUNDO DIA
O passo seguinte também foi um desafio. Para localizar onde acamparíamos ao final do segundo dia o GPS nos guiava em meio a floresta de pinus. Uma virada para à direita. Outra para à esquerda. Ficamos um bom tempo sem saber para onde ir. Para frente ou para trás…
A noção de localização em meio a uma floresta vai para o espaço…

O Antonio tentando dar uma mãozinha na orientação…

 O Wagner tentando ver se já havíamos passado por ali…
É, né, Oguener, onde fui amarrar meu bode?
Perdidos…

 Acho que é por aqui…

Por fim a recompensa… O encontro com a Lagoa dos Patos!
O local de nosso acampamento.
 

Ainda faltam alguns pontos a ser localizados. Será necessário uma próxima expedição. Provavelmente em julho…
Assim finalizamos nossa segunda indiada em busca da preparação do grande desafio que será realizado no final do ano. A ideia tomou corpo… Se é possível imaginar, muito provavelmente será possível fazer. Mas  planejar e esmiuçar as alternativas é necessário. Isso porque…
NAVEGAR É PRECISO, VIVER NÃO É PRECISO!
(Fernando Pessoa)

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