Without rocks…


No ensino fundamental estudei inglês. No Ensino Médio também. Na minha graduação fiz inglês durante os quatro anos. Bem, na verdade não fiz… Trocava trabalhos com uma colega de classe para não ter que me dedicar a aprender o idioma. Nunca aprendi. Havia decidido a não aprender. Ironia do destino me casei com uma professora e pesquisadora de língua inglesa. Mesmo assim evitei o quanto pude entrar no processo de aprendizagem. Quando finalmente não tive mais como fugir decidi aprender. Comecei a fazer cursos livres. Na verdade um contrasenso, porque eu poderia ter uma professora em casa… Mas tudo bem, lá ia eu para minhas aulinhas de inglês. Até que um dia resolvi que já poderia me aventurar num curso em um país de fala inglesa. Canadá foi o escolhido. Tinha simpatia pelo país desde meus tempos de adolescência, que já faz um bocado de tempo. Entrei no avião e o desafio começou. Os atendentes de bordo me saudaram em inglês. Até aí tudo bem. Acomodei-me. Chegou a hora da janta. Escolhi um entre os dois pratos ofertados. Confesso que na verdade não entendi, mas a escolha foi feita. Depois a atendente me perguntou qual bebida. Respondi meio inseguro, “I want juice. Orange juice…” Pensei um pouco para lembrar como seria para dizer que eu não gostaria de gelo. E o cérebro, esse órgão maravilhoso, fez um associação incrível. Recordei que as pessoas quando pedem whisky com gelo dizem, “On the rocks”. Nessa linha lasquei, “Without rocks”. Ela me olhou e disse, “No ice?”. E eu fiquei vermelho… A Andreia, que estava ao meu lado, rindo sussurrou, “Você pediu sem pedras…”

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