Justo… Muito justo!

Os aeroportos oferecem um ambiente bonito, confortável e acessível para usuários de cadeiras de rodas. Por isso, cada vez mais é comum ver pessoas com deficiência circulando tranquilamente por eles. Num aeroporto eu me desloco como qualquer um. Sinto-me um igual e isso é maravilhoso! Embora tenha gente que faça de tudo para parecer diferente o que os deixa iguais, uma vez que diferentes nós somos naturalmente. Xiii, viajei… Isso é outra conversa!

Ao entrar na área de embarque a fiscalização também é feita regularmente. Os procedimentos são um pouco diferentes, mas são feitos. Tenho que passar ao lado do detector de metais e sofro uma vistoria isolada. Às vezes sou levado para um quarto separado onde dois agentes me revistam. Outras vezes fazem a revista ali mesmo, à vista de todos. Normal e necessário, porque nunca se sabe que tipo de psicopata pode se esconder numa cadeira de rodas… Quase me senti um na semana passada. Cheguei no raio-x e despachei minha  inseparável mochila que vai dependurada na parte de trás da cadeira. Eu fui chamado pelo agente para a vistoria. Passa o detector de metais, a mão nas costas, nas pernas, verificam a barriga e os braços. Tudo certo. Voltei para o lado de onde a mochila saiu da esteira para pegá-la. Nisso um agente olha pra mim e diz, Espere um pouco. O senhor tem uma faca na mochila. Eu fiquei espantado, porque não carrego facas comigo. Respondi, Não, não pode ser… Pensei um pouco, Ah, pode ser a bomba… de chimarrão… Logo me lembrei de uma piada que sempre se conta sobre esse episódio. Mas ali era real. Não fosse o ocorrido ser em Porto Alegre, provavelmente, minha resposta seria constrangedora. Ali somente a situação era. Eu levava uma cuia e uma bomba na mochila. Ele respondeu, Não, é uma faca com cabo e lâmina. Por favor, retire-a da mochila!, falou dirigindo-se a outro agente. Eu ali me sentindo completamente o próprio terrorista imaginando o que se passava na cabeça dos agentes e também das pessoas que acompanhavam a cena. Deveriam imaginar que eu bem poderia ser um maluco… Um usuário de cadeira de rodas que andava com uma faca na mochila… Não seria nada de mais se também carregasse literalmente uma bomba na cadeira… O agente começou a revistar a mochila e apareceu a bomba do chimarrão. Só pode ser essa coisa… Pensei comigo. Ele continuou verificando-a e meteu a mão até o fundo e trouxe de lá uma faca com bainha e tudo. Eu não acredito…É a minha faca preferida. Como ela está na mochila? Foi então que me lembrei que eu a  levara para o acampamento da semana anterior e eu não a retirara da mochila. Na pressa para arrumar as malas para viajar peguei a mochila e meti algumas roupas e outras coisas dentro.

Assim, passei por apuros como qualquer outro no aeroporto.

E ainda por cima perdi a faca. Justo… Muito justo!

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