Viver é poesia, mas não se engane…

Remar é preciso
Remar é poesia
Viver é diversidade
Viver e magia

Mas não se engane
Para cada facilidade
Encontra-se uma dificuldade
É a diversidade
É a magia,
É a vida vivida como poesia!

Moacir Rauber

E veio a barra da aurora.

Dia lindo, calmaria…
Impossível foi prever
o que este dia traria…
Nesta noite, tantas luzes,
de estrelas, dos lampiões,
de satélites, até…
e entre risos e “trovões”
nossos olhos desviavam
para um pontinho, piscando,
no escuro horizonte…
Farol Cristovão Pereira!
no nosso caminho, distante…
Na clara distância do dia
no inicio desta remada,
depois que saiu o sol
por mais que tentasse não via
mas há um jeito: remando…
é bem longe esse farol!
E fomos, contentes, confiantes,
rodeados por um ambiente
perfeito – ainda possível…
Água doce, cristalina,
vento calmo e a favor…
Bandos de cisnes, ave rara,
aqui se juntam em bandos,
e nadam à nossa frente,
depois dispersam, voando!
Na parada de descanso
acontece um imprevisto:
o vento carrega um barco
mas buscamos, sem problema,
a não ser para um rapaz…
Aos pouquinhos, no horizonte,
o farol aparecia…
um risquinho no início,
que pouco a pouco crescia…
duzentos anos de história,
logo ali, agora perto.
um descanso, o almoço,
bem merecemos, por certo…
Mas…
Da sombra gostosa do mato
não vimos o vento aumentando
e entrou o nordestão
entonado, assobiando…






Do meio dia pra tarde
ele branqueou a lagoa…
“Carneiros” pra toda parte
como dizendo: – cuidado
aqui quem manda sou eu!
Uma surpresa das brabas…

O que é isso, meu Deus?

Tava calmo até agora,
agora não dá pra passar…
Voltar, impossível,
pra frente, vamos ver…
Surge uma primeira ideia:
Puxando nós vamos adiante,
só assim pra resolver…
Na canoa vai o Moa,
e cada um puxa um barco.
Deu certo no trecho de praia,
mas chegamos num juncal…
água funda, onda alta,
já não dá, tem que aportar.
Volta um pouco, acha abrigo,
passar…nós vamos passar!
Logo ali está o farol,
quase ao alcance da mão,
e adiante a praia calma,
na revessa deste vento,
Pra lá nós temos que ir…
E achamos a dita praia
virada pro lado sul
faltava passar os barcos,
mas há de ter solução…
foi quando deu a ideia:
“Moacir, fica no chão,
na cadeira vão os barcos,
que nem na Revolução”!
E passamos a canoa
por banhados, campo, areal,
deu trabalho, mas passamos
que nem o Barão de Seival!
E depois os outros dois
junto com toda tralha,
chegamos à praia calma,
vencendo mais esta batalha…
Cinco horas de trabalho,
depois que vimos o vento
e voltamos a remar…
E foram “cinco quilômetros”


foram dez, quinze, vinte…

 Chegamos lá pelas onze
pelas luzes orientados,
moídos pelo cansaço…
E sentimos: depois disso
nada melhor que um abraço!
Nunca via tanta alegria
ao se encontrar encontrar
um amigo!
No fundo da alma,
o alívio!
Na casca do corpo,
o descanso!
No encontro de todos,
o sucesso!


Antonio Schuster


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