Uma mão no nariz…

Moacir Rauber
As competências técnicas são indispensáveis para qualquer posto de trabalho que exija determinada formação. Isso é óbvio e assunto batido! Da mesma forma é quase irritante falar sobre as competências atitudinais que se esperam daqueles que vão se candidatar a uma vaga. Porém, são quase inimagináveis as situações pelas quais passam aqueles que vão contratar alguém frente ao desleixo e a falta de cuidado com que os candidatos se apresentam. E aqui não se trata de valorizar a aparência, mas sim o respeito com que o candidato encara a oportunidade. Também não se trata de rotular descontração como falta de seriedade, mas sim os excessos de intimidade que revelam a falta de consideração do candidato para com a oportunidade. Por que digo tudo isso? Porque gostemos ou não a expressão “a primeira impressão é a que fica” continua valendo. Trata-se de uma reação natural dos seres humanos nos seus movimentos de interação e  pouco se pode fazer com relação a isso, nem com aqueles que realizam as entrevistas e que sabem disso.

Era chegada a hora da entrevista final. O candidato fora pré-selecionado num processo rigoroso com um grande número de candidatos. Até o momento o que havia feito a diferença eram as competências técnicas para o candidato em questão. Mas agora a conversa seria com quem gerenciaria o projeto para o qual aquele jovem se havia candidatado. Um rapaz que tinha seus vinte e seis anos, aproximadamente. A entrevista seria via skype. Quando abriu o canal de comunicação entre ambos a surpresa do candidato ficou expressa em seu rosto. Do outro lado a gerente que o entrevistaria certamente não era mais velha do que ele. Parece que esse fato o deixou totalmente descontraído. A sua postura na cadeira ficou completamente relaxada. A sua forma de falar começou a incluir palavras como “girl”, já que a entrevista era em inglês. A sua mão constantemente tocava o seu nariz. Ele estava seguro, feliz e tranquilo, certo de que conseguiria o trabalho. Para a sua grande surpresa ele não foi contratado.

Ao conversar com a gerente que não o contratou ela comentou, Não sei… Ele me passou a impressão de ser alguém desleixado demais. Até fiquei meio na dúvida se não tem algo a ver com drogas, uma vez que não parava de mexer no nariz…. Ela fez mais alguns comentários sobre a postura e a intimidade com que a tratou na entrevista querendo usufruir de uma liberdade que ela não lhe dera. A gerente considerou o fato de ele talvez ter as competências técnicas, porém elas não foram suficientes para se sobrepor aos sinais atitudinais que não lhe inspiraram confiança.
É, simples assim… Uma mão no nariz fez com que esse candidato não conseguisse uma excelente vaga numa das maiores empresas do mundo! Afinal, mesmo as grandes empresas são compostas por pessoas assim como você e como eu.

A primeira impressão é algo que pode e muitas vezes muda. É somente a primeira impressão! A questão se dá quando não se tem uma segunda oportunidade para reverter o problema causado pela primeira…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *