Nós também o somos no próximo


Sabe-se que a maioria dos pais daria a vida por seus filhos sem pestanejar. Mas o  filósofo Schopenhauer amplia essa questão ao descrever uma cena de tentativa de suicídio…

Um jovem se aproxima de um barranco, olha para o abismo, pensa mais um pouco, concentra-se e faz o movimento final para nele se atirar. No exato instante em que ele salta é agarrado por um de dois policiais que haviam se aproximado sem que fossem percebidos. O jovem suicida com o seu movimento brusco leva o policial consigo. Porém, o segundo policial, num ato extremo, consegue agarrar a ambos, salvando-os da morte…

Naquele momento, no ímpeto de tentar salvar o suicida, todos os sonhos, desejos e aspirações pessoais e profissionais do jovem policial haviam desaparecido. Não lembrou de suas obrigações profissionais e nem de sua família. Não houve espaço para dúvidas em sua mente sobre o que deveria fazer. Logo após o incidente, já em segurança, perguntaram ao policial, Por que você não o deixou pular? Você poderia ter perdido a sua vida também… A essa questão o policial respondeu, Se eu não tentasse salvá-lo eu não conseguiria viver nem mais um dia sequer… Para Schopenhauer, extraído do vídeo O Poder do Mito de Joseph Campbell, este é o avanço da percepção metafísica de que você e o outro são um só. A separação presente entre todos os indivíduos é apenas uma questão de forma antes que nos tornemos únicos outra vez.

Segundo esta história fica a pergunta: amamos ou não o próximo como a nós mesmos? Basta que nos dispamos daquilo que fizeram de nós e sejamos nós mesmos, pois esta ação é resultado daquilo que somos nós em nosso estado natural!

O Poder do Mito

Joseph Campbell em entrevista para Bill Moyers

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