Viver dá trabalho?

Antes de viajar tínhamos que tomar uma vacina antitetânica, exigência legal do nosso destino. Lá fomos nós, a Andréia e eu, para tomarmos a vacina. Aproximamo-nos do balcão e a recepcionista, muito solicitamente, atendeu-nos. Explicamos a situação, ela pensou um pouco e nos informou:
– Vou fazer uma fichinha aqui e depois vocês vão para o segundo andar. Lá vocês dizem que é para a vacina e se faltar alguma informação voltem aqui…

O trabalho dela consistia em atender e fazer uma triagem para onde encaminhar as pessoas. Exibia um sorriso natural que demonstrava a pessoa de bem que estava por trás daquele rosto. Já não era mais jovem, entretanto tinha uma vitalidade invejável. Estávamos felizes por termos sido atendidos tão bem. Juntamos nossos documentos e começamos a nos mover em direção ao elevador, quando ouvimos uma voz:
– Ei, ei, só um momentinho. Se vocês precisarem de algo você não precisa vir não (disse apontando para mim). O senhor fica lá sentadinho quietinho na sua cadeirinha. Pode vir somente ela tá. O senhor fica lá!

Nós ficamos um pouco atordoados com as palavras, mas tudo bem. Ela somente estava sendo gentil. Ainda pudemos ouvir ela dizer para a atendente ao seu lado:
– Coitadinho, deve dar muito trabalho…

A Andréia e eu rimos muito, porque nós sabemos que em prédios, calçadas e outros pisos planos um usuário de cadeira de rodas pode ser muito mais rápido do que um andante convencional. E mais. Cuidar da saúde, fazer esportes e caminhar, ou rodar, é viver.


E viver não dá trabalho!

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