Austeridade, por que a palavra é tão mal vista na gestão pública?

Quando se fala em austeridade muitas pessoas ficam assustadas e não deveriam. Por quê? Porque deveríamos lutar por toda a austeridade possível dentro do aparelho do Estado a que pertencemos. O interessante é que as pessoas em geral associaram austeridade com custo social, diminuição da ajuda pública ao cidadão e menos recursos para a saúde e para as demais necessidades básicas da população. Entretanto, austeridade não é isso. Exigir austeridade de um Estado perdulário e pouco cuidadoso com os recursos públicos tem a pretensão exatamente contrária. Por meio da austeridade exige-se um Estado cioso em que os agentes públicos sejam austeros, zelosos, rígidos, nobres, estoicos e incorruptíveis com os recursos canalizados da população para o Estado. Com menos desperdício, mais recursos podem ser aplicados naquilo a que efetivamente se destinam, beneficiando o cidadão sem aumento dos impostos.

Todas as pessoas querem deixar um mundo melhor para os seus filhos, isso é unanimidade com todos com quem falei até o momento. Entretanto, para se deixar um futuro melhor para os nossos filhos deveríamos começar por não lhes deixar uma dívida construída por nós, simplesmente porque nós gastamos mais do que ganhamos. Austeridade é isso, é gastar menos do que se ganha. Qualquer gestor de família ou de empresas faz isso e sabe disso. Deveríamos exigir do Estado uma gestão em que ele passe a gastar menos do que arrecada, para que nós possamos deixar um balanço positivo para os nossos filhos. Caso contrário, trata-se de discurso vazio e sem vínculos com a realidade. 

Quero apenas isso: um Estado que gaste menos do que arrecada. É pedir demais?


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