É do outro lado…

Quem de vocês já teve a oportunidade de ver alguém fazer um gol contra? Provavelmente todos. Mas quem de você já viu alguém fazê-lo por vontade própria, como um ato deliberado? Nunca tinha visto… É uma história!

Todos estavam posicionados esperando o arremesso de lance livre do nosso adversário. A tensão subia nesses momentos. A nossa equipe na torcida para que a bola não entrasse. Os adversários torcendo para que ela entrasse. Todos atentos ao movimento do lançador. Ele concentrou-se, preparou-se e arremessou… A bola percorreu todo o caminho acompanhada pelos olhares atentos de todos na quadra… Caprichosamente ela quicou no aro e subiu. Todos continuaram olhando para a bola. Na trajetória de descida os olhares fixos na bola que parecia que entraria… Incrível! A bola quicou uma segunda vez no aro e não entrou. Ela voltou para a área de jogo. Nesse momento os meus colegas de equipe estavam mais bem posicionados e um dos meus amigos agarrou a bola com toda a força. Deu um grito pela conquista. Não, não foi um grito. foi um urro… Os adversários se afastaram para voltar para a defesa e assim evitar o contra ataque. Os colegas de equipe se movimentaram para aproveitar a possibilidade do contra ataque. O meu amigo ficou sozinho em frente ao cesto e de frente para a tabela. Deu uma olhada para os lados e deve ter pensado, Que maravilha, estou sozinho… Olhou novamente para a tabela, preparou-se e não teve mais dúvidas…  Fez um arremesso perfeito com a bola batendo no quadrado da tabela e descendo diretamente entre os barbantes do cesto. O meu amigo fez o movimento para vibrar com a perfeição do arremesso e os dois pontos anotados… Porém olhou para o banco de suplentes e viu a cara de pânico do técnico e dos colegas. Olhou para o restante dos jogadores em quadra que estavam todos paralisados, colegas e adversários. Foi nesse momento que ele percebeu que havia sim feito dois pontos, mas para a equipe adversária. O arremesso perfeito fora feito contra a própria equipe. 

Não foi um gol contra, mas foi um cesto contra. O nosso alvo estava do outro lado… Ainda bem que aqueles dois pontos não influenciaram no resultado do jogo. A nossa equipe venceu e o meu amigo foi um dos cestinhas. Ficou mais uma história… E ficaram muitos amigos!!!


Gabriel, um campeão!!!

Despeço-me de Portugal pela segunda vez. Na primeira oportunidade fiquei aqui por mais de dois anos e pude aproveitar o tempo para conhecer lugares, visitar cidades, vinhas, museus, teatros e conhecer pessoas. Muitas pessoas! E foram essas pessoas que fizeram com que eu quisesse voltar para Braga. As pessoas do basquete sobre rodas foram essenciais e eu sempre as lembrarei como a “minha equipa”. São pessoas que estão fazendo a diferença para outras pessoas ao fazerem as apresentações em colégios e instituições educacionais. Relatei no post Estereótipos, conceitos e preconceitos a importância dessa atividade. Para mim, a APD de Braga que dizer Associação de Pessoas com Decência. Isso mesmo. Com a decência de quererem fazer um mundo melhor.


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