Vou ajudar o senhor… Eu e o meu preconceito

Tomava café muito tranquilo. Aproveitava, como sempre, para observar os outros, sabendo também ser observado. O meu alvo era um homem na faixa dos trinta anos, acima do peso com uma barriga saliente, usava óculos fundos de garrafa e que circulava entre as mesas. Parecia ter um comportamento um pouco fora do padrão. De repente ele saiu do restaurante. Pensei que ele tivesse terminado o café. Em seguida, vejo entrar duas mulheres muito bonitas, cada uma dirigindo-se para uma mesa. Para minha surpresa, o meu observado entrou logo atrás delas. Ele foi em direção a uma delas e apresentou-se. Ao pegar a sua mão ele deu um beijo de galanteio de forma bastante exagerada. Foi muito estranho. Depois ele começou a falar com um dos atendentes do restaurante. Naquele momento decidi que era hora de eu ir embora. Manobrei minha cadeira de rodas para sair da mesa e dar a volta pela lateral do restaurante, onde estavam as rampas de acesso. Nisso, observo o meu observado caminhando em minha direção. Não pensei que ele me abordaria, por isso continuei em direção a saída. Ouvi alguns passos rápidos e logo a indagação:
– Eu vou ajudar o senhor…

A minha visão periférica indicava quem estava ali. A reação imediata foi de susto que só não foi mais rápida do que o impulso que dei nos aros de tração da minha cadeira de rodas. Saí quase voando dali. Eu já havia pré-julgado aquele rapaz como estranho. Sem conhecê-lo não lhe dei a chance de ajudar. Julguei-o. Isso é preconceito!

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