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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Quem cala consente?

Um amigo meu é síndico de condomínio. Ele administra uma receita mensal de mais de R$ 150.000,00. Os recursos são destinados para os serviços de limpeza, segurança, iluminação, jardins e reformas em geral como em qualquer condomínio. Eles precisariam de um serviço de manutenção nos telhados que estavam com vários pontos de infiltração. O meu amigo começou o processo de escolha do fornecedor dos serviços. Fala com uma empresa. Negocia com outra. Por fim, está diante de um orçamento que considerou ser um preço justo e com referências técnicas o suficiente para atestar a sua qualidade. Chamou o responsável da empresa para negociar. Era um homem, que como ele, estava na faixa dos cinquenta anos. Marcaram um café para discutir o orçamento, os materiais, as condições de execução da obra e também de pagamento. Estavam fechando o negócio no preço de R$ 800.000,00. Para o meu amigo era uma fortuna. Para os condôminos seria uma parcela de R$ 350,00 a mais por seis meses. Para o negociador era uma oportunidade.

O negociador da empresa falou:
– Com esse valor eu posso garantir a qualidade do serviço e também um lucro para a empresa… 

Ficou quieto, deixando reticências no ar.
Logo prosseguiu:
Eu tenho outra proposta a lhe fazer…

O meu amigo acreditava que talvez ele pudesse melhorar as condições, estender o prazo ou diminuir o preço.

O negociador continuou:
– O que você acha se nós combinássemos um preço mais alto? Podemos fazer um acerto entre nós, porque isso aqui é uma grande oportunidade para nós ganharmos um extra…
O meu amigo não disse nada. A resposta foi o silêncio. O silêncio constrange. O silêncio grita. O silêncio fala. O silêncio revela. Uma das poucas coisas que o silêncio não é, é silêncio quando se está num diálogo. O meu amigo ficou surpreso. A surpresa o fez ficar em silêncio. Ele não sabia o que dizer. A negociação parecia ser boa para a empresa e para o condomínio. O negociador olhava para o rosto do meu amigo com um sorriso malicioso. Na sua interpretação ele estava diante do clássico, quem cala, consente.

Por isso, continuou:
– A ideia seria subir o preço para R$ 1.100.00,00, por exemplo. Daí eu faço em oito parcelas e nós ficamos com a diferença. Ninguém vai se dar conta que estão pagando umas parcelas a mais. O condomínio é tão grande que na divisão desse valor a mais vai dar tão pouco para cada um. E para nós dá um bom lucro… e seguiu as justificativas para que eles aproveitassem tamanha oportunidade para também fazerem um pé-de-meia.
Meu amigo continuava em silêncio. Por fim, respondeu:
– Realmente se nós repartirmos essa quantia excedente vai dar um valor considerável para cada um de nós. Deixa-me ver… Seria R$ 150.000,00 para cada um, é isso?
– Sim! É isso mesmo… disse o o negociador se animando. Parecia-lhe que seria um dia proveitoso em que embolsaria uma bela soma de dinheiro.

O meu amigo continuou o raciocínio:
– Para os condôminos praticamente não vai fazer diferença nenhuma… e voltou a ficar em silêncio.
O sorriso no rosto do negociador se ampliou. Agora ele estava seguro de que acertara na escolha de fazer a proposta para o meu amigo. Sempre era um risco. Ele não sabia como as pessoas reagiriam frente a oferta. Era evidente que o negócio seria bom para todos. A empresa ganharia. Ele ganharia. O síndico ganharia. E os condôminos pagariam. Um negócio perfeito… ainda pensou.

O meu amigo voltou a falar:
– Não faz diferença para eles…e ficou em silêncio antes de continuar… mas faz para mim. Eu jamais faria algo que um dia pudesse me tirar uma noite de sono… Era um lema que meu amigo usou para resolver um dilema e viver de acordo com os seus valores.
O negociador reclinou-se para trás na cadeira. Ficou gelado. Assustou-se. Entendia agora o silêncio de antes. Não fora consentimento. Fora reflexão. Poderia ser a perda do negócio. Olhou para o rosto do meu amigo que estava tranquilamente em silêncio. Nenhum dos dois se moveu ou falou algo pelos próximos segundos. O silêncio mais uma vez falava tudo.


Quem cala consente? Depende de quem está por trás do silêncio…
Fonte: http://gartic.me/36FLQ

Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

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