“Não sei cozinhar!” Como é que é?

– Não sei cozinhar!  Ouço muitas pessoas afirmarem isso com orgulho.

Pergunto-me: como é que pode alguém se sentir orgulhoso de não ser capaz de preparar a própria alimentação?

Alguns anos atrás essa expressão era quase que mandatária entre os homens, afinal eles eram os provedores dos recursos da casa. Por isso, tinham o “direito” a ter tudo à mão, como as roupas passadas, o quarto arrumado, a casa limpa e a comida sempre pronta. O prato preferido de segunda a segunda era obrigatório que estivesse bem preparado, na temperatura preferida e na textura determinada. Caso contrário era motivo de reclamação explícita, sem pudores ou temores de ofender quem o havia preparado. Ainda bem que esse tempo passou. Hoje, quase não há diferenças entre homens e mulheres quando o assunto é cozinha. Em muitas casas as cozinhas são comandadas exclusivamente por homens e em outras por mulheres. Em outras tantas casas por mulheres e por homens que dividem as tarefas, conciliando-as com a profissão e filhos, quando é o caso. Estranha-me, porém, nos dias de hoje, ouvir alguém dizer, homem ou mulher, com o peito estufado:
– Olha, não sei cozinhar nem um ovo. Se dependesse de mim para fazer a comida morreria de fome…

Isso me espanta. Involuntariamente pergunto, Como é que é? Voluntariamente repito a pergunta inicial: como é que pode alguém se orgulhar de não ser capaz de preparar a própria comida? Pelo orgulho com que o dizem parece até que consideram a atividade como indigna de sua grande capacidade. Seria algo depreciativo saber preparar a comida? No meu ponto de vista, essa incapacidade poderia ser comparada as situações em que não se é capaz de atender necessidades básicas, como tomar banho, escovar os dentes, pentear os cabelos ou fazer a barba. E há que se lembrar do grande número de pessoas que não cumprem tais atividades porque simplesmente não podem. E ainda assim, é preciso ouvir alguém se gabar de que é incompetente para preparar a sua comida? Sinceramente não entendo, porque a comida é um dos grandes prazeres do ser humano.


Fui criado num ambiente em que ainda essas atividades eram bem divididas. Homens cuidavam do serviço pesado no campo, no comércio ou na indústria. As mulheres faziam o serviço da casa. Mas a vida mudou. A realidade não é a mesma. Tenho orgulho em dizer que aprendi a cozinhar e se depender de mim quem for até a minha casa vai ter servida uma comida muito saborosa. Ora feita pela minha esposa. Ora feita por mim. Como é que é? É isso aí. Orgulho-me de saber cozinhar!

Fonte: http://www.bemparana.com.br/vossoblogdecomida/escoffianas-brasileiras/

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