Um mensageiro humano e uma mensagem divina


Gosto muito de assistir palestras por causa das mensagens que elas transmitem. Pode ser uma história de vida ou a defesa de uma nova teoria. Gosto ainda mais quando há a defesa de uma teoria associada a uma boa história. Quando a mensagem é boa, as palavras ecoam dentro de quem a ouve, despertando-a para desenvolver as soluções que procura. A mensagem pode repercutir internamente de tal forma que os resultados se estendem por toda a vida. Numa palestra, uma história bem contada ou uma teoria bem defendida permite que se entenda o que é preciso para se manter no rumo das próprias escolhas. Por isso, destaco que para mim, o que realmente importa é a mensagem, não o mensageiro.

No cenário atual temos muitos mensageiros. Poderia citar padres ou pastores, mas aqui vou me ater ao mundo dos palestrantes profissionais e os gurus da área. Muitos desses palestrantes, por meio de uma visão de mundo diferenciada, criam uma mensagem que realmente importa para as pessoas. Nessa construção inicial, eles se preocupam com o que vão e para quem vão transmitir a mensagem. Com isso, passam a partilhá-la levando àqueles que os assistem a se transformarem positivamente. Enquanto conseguem manter esse foco, os palestrantes contribuem para que as pessoas sejam melhores. Com os anos de profissão, muitos palestrantes sofrem uma mudança e deixam de se preocupar com a mensagem, começando a acreditar que o que realmente importa é o mensageiro. A vaidade, o orgulho ou a inveja começam a afetar o mensageiro, que termina por tirar a ênfase da mensagem. Com isso, perde-se a mensagem.

Quantas vezes assisti a palestras de pessoas que já não se importavam com a mensagem e nem com o público, estavam preocupados consigo mesmos. Nesse momento eles passam a roubar de si e dos outros. De si eles roubam a integridade, a autenticidade e a honestidade de cumprir aquilo para o que foram contratados. Dos outros eles roubam a mensagem. Esses palestrantes se modificaram pela fama. Eles acreditam que são um exemplo para os outros, inclusive assumindo-se como a solução mágica para os problemas alheios. A vaidade, o orgulho e a arrogância fazem com que a mensagem seja transmitida de tal maneira que aqueles que os assistem se sintam como os únicos incapazes da história. E isso não é verdade.

O palestrante, que deveria ser tão somente o mensageiro, deixou de entender que tudo é circunstancial e que todos são humanos. Inclusive o palestrante. Particularmente, acredito que não precisamos de mensageiros endeusados ou de mestres doutrinadores, assim como não precisamos de seguidores alienados ou de discípulos fanáticos. Acredito que precisamos de palestrantes falíveis com uma mensagem, que estejam dispostos a aprender e não apenas a ensinar. Penso que precisamos de palestrantes com capacidade de pensar e que também saibam respeitar aqueles para quem falam. Creio que precisamos de mensageiros críveis que façam coisas incríveis e que entendam que aqueles que os assistem também o são. Por isso, acredito que precisamos de mensageiros que se preocupem com a mensagem e que ela faça sentido para quem é dirigida. Assim, consideroo que não se deva criar dependência do mensageiro e sim manter o foco na mensagem.


O mensageiro deve ser humano, a mensagem é que pode ser divina!

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