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Facetas!


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By Moacir Rauber

Cuidadora de idosos: eles pagam bem?

(Re) Criar a Humanização no trabalho com Afeto (www.esarh.com.br)

Eu AFETO o mundo. O mundo me AFETA. Com AFETO o mundo é melhor.

Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/dependentes-dem%C3%AAncia-mulher-826332/

Muitas pessoas têm trabalhos entendidos como difíceis e que estão ligados as distintas fases da história de vida das pessoas. Muitos profissionais trabalham com adolescentes. Outros trabalham com adultos no auge de suas vidas. Um grupo menor de profissionais trabalha com a chegada de novas vidas. E um grupo de profissionais ainda menor, que surgiu mais recentemente, trabalha com pessoas que estão se despedindo desta vida. Com o envelhecimento da população em famílias cada vez menores o surgimento de casas para abrigar idosos tem crescido. Porém, não basta uma casa, é necessário que se tenham profissionais qualificados para atender a demanda das pessoas idosas que não têm suas necessidades atendidas no seio familiar. Não basta somente profissionais e sim seres humanos que sejam humanos, porque são tantas as pessoas que ao se aproximar do momento da partida não tem, ou não querem ter, arrimo familiar. Muitos estão debilitados. Sua estrutura física e mental, muitas vezes, está fragilizada. Uma leve queda pode ocasionar uma fratura. Ao despertar não se recordam quem são. Ao dormir estão com medo de não acordar. E, para muitas pessoas, os idosos já viveram aquilo que poderiam ter vivido, dando-nos a impressão de que é um trabalho de menor satisfação. Ainda mais.

Diferentes das crianças, que quando nascem começam a desenvolver novas habilidades e precisam cuidados, os idosos começam a perder as habilidades e, por isso, precisam de ainda mais cuidados.

Seria este um trabalho menos gratificante? Aí que está o grande engano, porque depende do sentido que cada um dá àquilo que faz.

Em novembro, conversava com uma mulher que trabalha como cuidadora de idosos. Ela atende duas senhoras acima dos oitenta anos. Uma está lúcida, é extremamente inteligente e conectada com a realidade, porém está quase surda. A outra, apesar da inteligência e da presença de espírito, muitas vezes, está completamente desconectada, porque o espírito a abandona por causa do mal de Alzheimer. Ao escutar a minha amiga explicar sobre a beleza do seu trabalho fiquei realmente comovido. Ela falava da conexão que havia criado com ambas as senhoras e sabia da importância da sua presença na última fase de vida delas. Para a primeira, o trabalho da cuidadora representava a presença e a importância da companhia, uma escolha da idosa que marcava a sua independência, mas precisava da interdependência com outras pessoas. A sua escolha foi a de não dar trabalho para os filhos. Para a segunda, o trabalho da cuidadora representava a dependência no movimento da interdependência no cuidado que as pessoas precisam ter entre si. Dizia a cuidadora, que muitas vezes, deixava a sua idosa na sexta para reencontrá-la na segunda, tendo que se reapresentar porque ela se esquecera dela. Além disso, ela tinha todas as dificuldades que têm um bebê, porque não era somente a ausência do espírito que traía a idosa, o seu corpo nem sempre a obedecia. O que me marcou, entretanto, foi a não traição do afeto e do amor no trabalho da cuidadora. Ela amava as suas duas “meninas”.

Eu realmente estava extasiado com a humanização de um trabalho que pode parecer difícil para muitos, incluindo a um dos presentes que logo perguntou:

– Caramba, isso é complicado. E eles pagam bem?

A cuidadora deu um sorriso complacente antes de responder que ela era paga para isso, porém a sua dedicação não era medida em dinheiro.

Ela fazia o que fazia porque sabia que era importante ser amorosa e afetuosa com aquelas pessoas que estavam escrevendo o último capítulo de sua história.

E ela fazia parte disso. Ela soube dar sentido ao trabalho que faz, porque entendeu que ela AFETA o mundo e com AFETO o mundo é melhor. “Isso é utopia”, podem pensar alguns. “Não funciona numa organização”. Discordo, porque…

…acredito que quanto mais sentido se dá aquilo que se faz mais competente nos tornamos.

Entendo que o AFETO é a Força da Esperança no Trabalho Orientado pelo Amor ao entender o sentido daquilo que se faz. Quem entender o mundo dessa forma terá maior desempenho, as suas equipes serão mais produtivas e as suas organizações mais competitivas num movimento de evolução humanizada.

Lembrando da cuidadora entendi que quanto mais ela ama as pessoas mais competente ela é. Quanto mais ela se dedica ao seu trabalho mais produtiva ela é. Porque ela entendeu que ela afeta o mundo e afetar com AFETO deixa o mundo melhor.

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

2 thoughts to “Cuidadora de idosos: eles pagam bem?”

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