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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Autoconhecimento para os outros? Como assim?

Basta acessar a internet e as diferentes mídias sociais para se encontrar inúmeras informações sobre cursos que preconizam o milagre do autoconhecimento. Os autoproclamados magos do autoconhecimento prometem maior produtividade, uma grande competitividade, pessoas com alto desempenho, além de uma vida saudável em que as emoções permanecem sob controle criando uma vida equilibrada beirando a perfeição.

E são tantas as pessoas que se propõem a ensinar aos outros sobre como conhecer a si mesmo que, muitas vezes, fico na dúvida se aqueles que ensinam entenderam o conceito daquilo que é autoconhecimento.

Pode ser autoconhecimento o conhecimento que é dirigido para os outros?

Pode alguém ensinar sobre autoconhecimento quando não consegue entender a si mesmo ou a viver em conformidade com aquilo que ensina?

São essas perguntas que me fazem questionar o milagre do autoconhecimento.

Acredito que a realização pessoal e uma vida satisfatória passam pelo autoconhecimento. Ressalte-se que essa é uma busca milenar, existencial e individual que acompanha o ser humano desde o questionamento de qual é o real sentido da vida. Geração após geração pensadores se propõem a explicar o sentido da vida a partir de um autoconceito da própria vida. Por isso, é importante entender o que é auto?  “Auto é um prefixo ou um elemento composicional que permite designar aquilo que é próprio ou que funciona por si mesmo” (https://conceito.de/auto). A partir desse prefixo surgiram inúmeras palavras compostas pelo prefixo, referindo-se à ação resultante daquele que agi sobre si mesmo. As palavras autossuficiente e autointoxicação indicam alguém que se mantém por si mesmo e outro que se infligiu uma intoxicação.

Portanto, se é auto é da pessoa para consigo mesma. Além disso, se somos únicos e singulares, tudo que é auto sobre alguém que é único e singular não poderia ser praticado por outros que também são únicos e singulares.

Avancemos então para o conhecimento, entendido como sendo o ato de conhecer algo. Ao juntar a palavra conhecimento com o prefixo auto iniciamos uma jornada interior única e singular para dentro de um ser único e singular. Por isso, entendo ser difícil definir fórmulas para algo que é único e singular como o autoconhecimento. Desse modo,

como alguém que não seja “Eu” pode praticar algo por mim?

O conceito por trás da palavra composta autoconhecimento, segundo a psicologia, reporta que a prática de se conhecer proporcione a que cada um tenha um maior controle sobre as suas emoções, sejam elas positivas ou negativas (http://bit.ly/3aP1LcX). O controle emocional derivado do autoconhecimento tende a contribuir para que a pessoa melhore a sua autoestima e diminua os prejuízos da ansiedade ao manter um equilíbrio emocional benéfico. Esse controle emocional pode ser alcançado pelo autoconhecimento, gerando bem-estar e fazendo com que a pessoa seja produtiva de maneira consciente, independentemente da variedade de problemas. É uma busca natural e humana. Porém, pergunto-me: as pessoas que falam de autoconhecimento sabem o que isso significa? Se ele realmente é auto, por que é necessário fazer um curso de autoconhecimento? Particularmente, não acredito em pessoas que tem a pretensão de ensinar para os outros sobre os outros. A frase “quando ouço Pedro falar de Paulo ouço muito mais de Pedro do que de Paulo” faz sentido nesse cenário. Muitas pessoas que querem ensinar técnicas e fórmulas para o autoconhecimento, oferecendo-se como magos do autoconhecimento, estão falando de si mesmos e da experiência vivida. Destaco que eu acredito na importância do autoconhecimento como um movimento de tomada de consciência individual. Nesse cenário, a presença de pessoas que já percorreram uma jornada interna que os capacite para que auxiliem a que outras pessoas realizem a sua jornada interna única e singular é essencial. Só assim para que o conceito de autoconhecimento seja respeitado.

Eis aí o papel da gestão de pessoas ou da gestão com pessoas. Proporcionar a que as pessoas percorram a sua jornada de autoconhecimento e encontrem sentido naquilo que fazem dando sentido à própria vida.

Autoconhecimento é para si mesmo e, portanto, cada um vai realizar o seu caminho, podendo contribuir com o outro com aquilo que faz ou deixa de fazer.

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

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