“Para que você reza?”

Para que você reza?

Mais de trinta anos de casamento, muitas lutas e tantas batalhas enfrentadas e vencidas, mas de repente o casal estava frente a uma discussão iniciada por um motivo que sequer se lembram no momento que me contam o ocorrido. Ela se lembrava do clima tenso e das palavras ditas que agrediam e machucavam porque tinham a intenção de ofender. Ela, num movimento para mudar o rumo da situação, pôs-se a rezar no oratório que tinha ao lado da cama. Era ali que ela fazia as suas orações de agradecimento, a sua meditação diária e era para onde ela se dirigia sempre que precisava encontrar apoio para as dificuldades. O marido a viu em seu espaço e, ainda carregado pela irracionalidade da discussão, disse:

– Para que rezas?

Ele não obteve resposta à sua provocação, porque a esposa optou pelo silêncio. Ele a observou com irritação e saiu do quarto. A temperatura começava a baixar. No momento que ela me contava o ocorrido eu também fiquei curioso para saber “para que ela rezava”. Ela disse que esse era um momento muito especial em que buscava o seu equilíbrio e a sua força. Para ela, a oração era uma âncora que a estabilizava em momentos difíceis, impedindo que dissesse aquilo que não queria dizer ou fizesse algo que depois a levasse a se arrepender. Por isso, pergunto: qual é a sua âncora? Particularmente acredito que todos nós precisamos nossas âncoras em diferentes momentos da vida para nos estabilizarmos. As dificuldades fazem parte da complexidade da vida humana, porém como cada um age ou reage diante delas é que faz com que os resultados sejam positivos ou negativos. Entretanto, há muitas pessoas que não concebem que rezar possa trazer algo positivo e acreditam que tudo isso é besteira. Orgulham-se de dizer tudo o que lhes vem à cabeça sem filtros, com isso ofendem e agridem. Ainda assim, eles têm sua âncora: o seu ego. O ego exige a satisfação imediata das necessidades. Desse modo, muitas dessas pessoas que acreditam ser besteira rezar, meditar ou agradecer diante das dificuldades encontram alívio nas bebidas, nas drogas ou em outros vícios que lhes proporcionem sensações imediatas de satisfação. Você não as encontra fazendo orações, assim como não as vê em retiros ou em cursos de autoconhecimento. As suas âncoras existem, mas são outras. E o resultado? Quase todos nós sabemos onde isso vai terminar. Por isso pergunto: qual é a sua âncora? Entendo que as âncoras individuais positivas farão com que cada um possa tomar a melhor decisão depois que a emoção esteja acomodada. Para isso, alguns rezam diante das dificuldades para poder se centrar e distinguir aquilo que é luz ou sombra. Outros meditam para encontrar o equilíbrio entre o que é positivo ou negativo. Outros ainda louvam, agradecem ou fazem atividades físicas para poder encontrar o centro do seu ser e fazer aquilo que realmente querem fazer.

“Para que você reza?” é a pergunta que a minha amiga respondeu: “eu rezo para encontrar o meu equilíbrio e a minha energia vital que encontro em Deus. Ele é minha âncora, me ajuda a estabilizar!”. Ela se recorda que algumas horas depois ambos, marido e mulher, já haviam superado a discussão para renovar as intenções de continuar os próximos trinta anos juntos. A sua âncora havia estabilizado as emoções e equilibrado a situação. O Natal é um período apropriado para se encontrar o equilíbrio em nossas vidas e em nossas relações por toda a positividade que o acompanha. Pergunte-se: para que você reza? Para que você medita? O que você agradece?

Por fim, qual é a sua âncora?

FELIZ NATAL!

Moacir Rauber

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