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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Ainda é possível confiar?

O gestor havia delegado uma tarefa para um dos integrantes da sua equipe recém-chegado ao ambiente de trabalho. Ele havia conversado com o colaborador, havia definido a tarefa e, juntos, estipularam o prazo. O gestor também se colocou à disposição para esclarecimentos e necessidades que eventualmente surgissem no caminho para a execução da tarefa. No fechamento da conversa fez os seguintes comentários:

– Tudo certo? Alguma dúvida? Somos responsáveis solidariamente… alertou.

O novo colaborador disse que estava tudo certo e acrescentou:

– Pode confiar que vou entregar no prazo.

A confiança é um dos valores humanos que sustenta as relações produtivas, prósperas e inovadoras. Dificilmente as relações trazem bons resultados em qualquer um dos domínios sociais caso não exista a confiança entre as partes que se relacionam. Mais, a confiança é uma das características dos bons líderes e dos liderados responsáveis, assim como dos amigos, dos parceiros, dos casais e dos colegas que dão e que recebem, que acolhem e que compartilham e que ensinam e que aprendem. Entendo que aquele que confia merece a confiança, porque contribui para que o outro também se realize.

No episódio relatado, ao novo colaborador fora dada a confiança. Para o gestor, tarefa dada era tarefa cumprida. Ainda assim, diariamente ele se comunicava com o colaborador indagando se estava tudo certo e se ele precisava de algo. O colaborador garantia que estava tudo bem. Mais ou menos na metade do período para a entrega da tarefa o gestor pediu para ver o progresso da atividade. O novo colaborador se esquivou. E assim prosseguiu por mais alguns dias, até que ele admitiu que não conseguiria fazer aquilo com que havia se comprometido. E agora, o que fazer? Quem estava certo nessa história? Como continuar a confiar no outro sem correr risco?

Todo o voto de confiança enseja risco, que é inerente a qualquer negócio e a qualquer tipo de relação humana. Sempre e quando alguém depositar a confiança em outrem é possível que ela se confirme ou não. Pode ser que algo fora do controle faça com que se quebre a confiança, assim como algo mal refletido ou mal analisado. E a quebra de confiança pode ocorrer sem o juízo de valor de que a pessoa é boa ou má, embora, muitas vezes, possa ser um indicativo de falta de caráter. Entretanto, quero destacar que somente por meio da confiança que se pode construir algo bom e melhorar o que já existe. As relações afetivas e de amizade somente se desenvolvem de forma saudável num ambiente de confiança. E a mesma regra vale para os ambientes de trabalho. Embora confiar uma tarefa ao outro no sentido de delegar não exima ninguém de acompanhar a sua execução, da forma como o gestor fez. Acredito que o mesmo raciocínio se aplique as demais relações humanas, porque confiar quer dizer fiar juntos. Por isso, uma relação afetiva precisa ser compartilhada para que a confiança seja vivida. Uma amizade precisa ser estimulada para que a confiança esteja presente. Uma relação de trabalho precisa de presença para que a confiança seja cumprida. Desse modo, a confiança é que faz com que as metas sejam alcançadas, que as organizações prosperem e que sejam sustentáveis, além do que é na confiança entre as pessoas que surge a inovação em quaisquer dos âmbitos das relações humanas.

Por isso, entendo que sempre e quando alguém em quem se depositou a confiança não a mereceu, o problema está com quem não a mereceu e não em quem confiou. Enfim, acredito que as pessoas devam confiar e que continuem a criar relações de confiança.

E você confia e é de confiança?

Moacir rauber

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Como respeitar quem não te respeita?

 

O evento era sobre segurança no trânsito com um grupo de trabalhadores do transporte coletivo, entre eles motoristas e cobradores. Porém, a questão a ser respondida se voltava para a relação de respeito entre os usuários e os trabalhadores. Um deles, depois de relatar um caso de flagrante desrespeito por parte de um usuário para com um cobrador, perguntou:

– Como respeitar quem não te respeita?

Acredito ser um grande desafio, porque, para mim, o respeito é um dos valores fundamentais das relações humanas. Entendo que cada ser humano é o centro do seu próprio universo, sendo esse reconhecimento a premissa para que cada um reconheça o outro como o centro do seu universo. Não se trata de uma visão egoísta em que cada um se preocupa somente consigo mesmo. É justamente o inverso.

Ao ter a exata noção de que eu sou a pessoa mais importante para mim tenho as condições de reconhecer que o outro é a pessoa mais importante para ele.

Com isso em mente, posso me dar o direito de ter a minha opinião reconhecendo que o outro terá a sua. Podem ser opiniões diferentes? Sim, justamente porque ele é um outro, provavelmente, terá uma visão diferente de mundo com uma opinião que tende a ser divergente da minha. Da mesma forma, ao ocupar-me de mim em primeiro lugar não se trata de um ato egoísta, mas simplesmente natural e humano.

É esse entendimento ampliado da unicidade do indivíduo que vai me levar as relações de respeito para com o outro. Entretanto, isso não é sinônimo de desrespeito ou de falta de educação nas relações com o outro, independentemente de quem seja o outro. Exatamente como no caso relatado pelo trabalhador que citou as inúmeras vezes em que eles são desrespeitados por usuários que usam a irritação com a própria condição como justificativa para serem mal-educados. Por isso, a pergunta do trabalhador dos transportes coletivos faz todo o sentido: como respeitar quem não te respeita?

Acredito que cada um de nós deve respeitar o seu próximo, embora eu saiba que isso nem sempre se reflita na realidade. Entretanto, entendo que não se deve cair na tentação de revidar a altura quando alguém é desrespeitoso ou mal-educado. Caso o desrespeito ou a falta de educação ultrapassem o nível da razoabilidade o caminho é outro: faça um boletim de ocorrência ou recorra a legalidade da nossa sociedade que existe para solucionar tais problemas. Porém, a reflexão aqui é como se relacionar com quem não te respeita mantendo o respeito? Entendo ser simples, não digo fácil. Se eu trato o outro com o devido respeito e a recíproca não ocorre, quem está com a razão? Aquele que respeitou ou aquele que desrespeitou? Quando eu trato o meu interlocutor educadamente e a resposta é mal-educada, quem está correto? O educado ou o mal-educado? Exatamente. Não é quem respeita o outro ou aquele que trata o outro com educação que está agindo equivocadamente, mas sim aquele que desrespeita e que é mal-educado. Desse modo, o problema é de quem não respeita e de quem é mal-educado. Não é o fato de que eu me encontre com alguém que é desrespeitoso e mal-educado que deve fazer-me ser desrespeitoso e mal-educado. Caso eu seja vencido pela tentação de retrucar da mesma forma como o meu interlocutor faz, eu estarei me nivelando a ele. Por isso que digo ser simples o raciocínio, embora eu saiba que nem sempre seja fácil a execução.

Ao final do evento, todos concordaram que talvez esse seja o melhor raciocínio. Sempre e quando alguém se deparar com alguém desrespeitoso ou mal-educado o melhor caminho é o de manter o respeito e a educação. Porque, certamente, o mal-educado e o desrespeitoso é ele e não eu.

Como tratar alguém que não te respeita? Respeitando-o.

Moacir Rauber

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Qual será o seu ritmo para 2019?

Em outubro conversei com um amigo que estava muito atarefado. Dizia-me ele:

– Não vejo a hora de que chegue o final de ano para tirar umas férias. O ano está sendo muito, muito movimentado. Só espero aguentar até lá sem sofrer um infarto… e deu uma risada para disfarçar a real preocupação.

Não aguentou. Ele infartou antes. Para o bem do meu amigo ele teve mais uma chance. O infarto foi grave, porém não deixou sequelas visíveis. Certamente ele passará por todo um programa de reeducação alimentar, física e readequação de períodos de trabalho.

A situação me chamou a atenção porque ele tanto queria chegar bem até o final de ano para curtir as férias que esqueceu de fazer as pausas necessárias para se manter em movimento. Por isso, agora ele está de férias forçadas, porque não encontrou o equilíbrio entre pausa e movimento.

O movimento é importante, porém é a pausa que lhe dá sentido.

Como assim? Muito simples. Aqueles que nunca param sequer percebem que estão em movimento, porque é a pausa que nos dá a sua percepção. A agitação dos dias atuais nos produz a sensação de que parar é impossível. Um compromisso se sucede ao outro, porém, sem pausa não há assimilação. Um curso terminado é sinal que de que outro será iniciado, da mesma forma, sem pausa não há consolidação do que foi estudado. Uma informação recebida é tão fugaz que sequer é internalizada que outra já está sendo enviada, entretanto, sem pausa não há transformação da informação em conhecimento.  Uma nova tecnologia recém foi introduzida para em seguida ser substituída e assim os dias seguem numa velocidade que sequer se consegue perceber que o recém iniciado novo ano novamente está chegando ao final. Como parar num movimento tão intenso? O que fazer em meio a um ritmo tão alucinante para dar uma pausa? Não há uma resposta, mas se pode fazer uma analogia com algumas atividades humanas. Há que se encontrar um ritmo.

O ritmo é um processo que permite que se tenha bom desempenho nas mais diferentes áreas, como nos esportes, na música e na vida.

O atleta de alto rendimento sabe que para iniciar e terminar a sua prova ele terá que encontrar um ritmo adequado que permita que ele cumpra o percurso da prova dentro dos limites físicos, psicológicos e técnicos de que ele dispõe. Caso o atleta tenha uma prova de mil metros para percorrer ele não pode gastar toda a sua energia nos cem primeiros metros, porque ele não chegará ao final. O ritmo vai dar a ele a possibilidade de distribuir a energia em todo o percurso. Na música o ritmo á ainda mais fundamental. Basta qualquer um dos componentes sair do ritmo para atravessar o samba. E na vida o ritmo é essencial. Nós temos a informação de quando nascemos, mas não sabemos até quando vamos viver. Entretanto, aquelas pessoas que não conseguem encontrar um ritmo adequado têm grandes possibilidades de antecipar a partida. Por isso, a importância de se encontrar um ritmo que nos permita viver bem, marcado por pausa e movimento. Pergunta-se: é importante se mover nas competições, na música e na vida? Sim, é claro que sim, mas…

…a pausa é fundamental para que o ritmo seja encontrado para que o atleta termine a prova, para que o músico execute bem a música e para que cada um de nós estenda a sua vida até o limite.

Para muitos, o final de ano é sinal de uma pausa, porém é importante determinar o ritmo que vai permitir que se chegue e que se perceba o final do próximo ano. Por isso a pergunta: qual será o seu ritmo para 2019?

 

 

Moacir Rauber

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