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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Situação extrema e o comportamento disruptivo exponencial!

O bairro vive um silêncio não habitual. As pessoas estão em suas casas vendo notícias ou senão séries e mais séries. Alguns estão mais relaxados e outros completamente tensos. Alguns distinguem a situação como oportunidade outros como um castigo. Os extremos estão presentes nessa situação de quarentena de uma cidade, de um estado e de um país para não dizer do planeta. De um lado, aparecem comportamentos questionáveis com relação a conduta ética e humana. Um amigo me relata que viu os vizinhos se estapearem no corredor do edifício porque um deles espirrou sem proteger o gesto. Do outro lado, sobressaem-se comportamentos de solidariedade ao se constatar o respeito para com o mais idosos ou na criação de várias redes de apoio para pessoas deprimidas. São situações extremas como esta que produzem comportamentos extremos que resultam em movimentos disruptivos em escala exponencial. Como assim? O que tem de exponencial e disruptivo numa briga entre vizinhos ou nos movimentos de solidariedade?

Não é a briga de vizinhos ou os gestos de solidariedade que são disruptivos ou exponenciais, mas o que eles representam e o resultado que virá. Isso porque outros movimentos simultâneos que surgem vão impactar disruptiva e exponencialmente as vidas de todos num curto espaço de tempo pela mudança de comportamento. Costumes serão alterados de forma disruptiva e a tecnologia sofrerá mais transformações numa velocidade exponencial. Entenda-se disruptivo como todo o fato ou movimento que modifica radicalmente o transcurso natural de um processo. Disruptivo no conceito elétrico restaura a corrente, gastando uma energia acumulada, e na visão hidráulica altera o entorno daquilo que impede a passagem dos fluidos. Da mesma forma, pense em exponencial como na matemática em que se tem uma função com uma variável independente entre os expoentes que geram resultados numa progressão geométrica. Com relação as organizações, usa-se a projeção do crescimento exponencial para se criar modelos de negócios escaláveis que fogem do tradicional crescimento linear. A ideia do disruptivo e exponencial já não se aplica somente aos processos tecnológicos, à matemática ou às organizações. Agora será diferente. O disruptivo e o exponencial estarão internalizados pelas pessoas, mudando comportamentos e costumes ao se entender o sentido do consumo da tecnologia. O resultado disso será inimaginável nos próximos anos.

As pessoas de todos os níveis sociais estão mudando hábitos e comportamentos nesse período de quarentena, disruptivamente.  Com isso,  a tecnologia, daqui por diante, sofrerá um impacto exponencial dentro da exponencialidade a que já estava sujeita. Nada será como antes. Isso causa a disrupção dentro da disrupção. Entendo que já não são mais as empresas disruptivas e exponenciais, porque as pessoas estão sendo disruptivas gerando um movimento exponencial jamais visto. Ver os supermercados criarem horários para atendimentos aos idosos tem sido interessante. Funcionou? Por que não alterar? Observar as pessoas mudarem os hábitos de higiene é positivo. Por que não incorporar? Constatar que as pessoas passaram a consumir a tecnologia para se aproximar ao invés de se afastar é reconfortante. Por que não aprimorar? Presenciar uma universidade migrar de um modelo presencial para o virtual sem que alunos e professores percam a noção da experiência da presença é benéfico. Por que não estimular outras experiências? Enfim, acompanhar um incontável número de empresas adotando o trabalho virtual sem perder a produtividade dando mais conforto para as pessoas é relevante. Onde mais se pode aplicar? Enfim, perceber as pessoas usando e compartilhando as tecnologias disponíveis num movimento de solidariedade é impactante. Como aproveitar tudo isso? É o impacto dessa situação extrema que vai mudar comportamentos individuais, provocando um movimento disruptivo exponencial de consumir tecnologia com sentido. Finalmente todos se deram conta do sentido de consumir tecnologia. Isso é disruptivo e exponencial. Eis a oportunidade.

Enfim, gestores de organizações, líderes e estudiosos do comportamento humano fazem parte desse público e precisarão entender que o novo formato ainda não tem formato. É o resultado de uma disrupção exponencial em curso. O que fazer? Ser disruptivo exponencial.

E o tempo? Passa de uma forma diferente!!!

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

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Resiliência em Tempos de Crise!

Resiliência na Era Viral?

Resiliência em tempos de disrupção exponencial?

Dia 01-04-20, às 20h, instagram: @pepitassecretariesclub

Na ERA VIRAL faça as suas escolhas:
Viralize a serenidade e baixe a histeria.
Viralize a coragem e combata o pânico.
Viralize a alegria e minimize a tristeza.
Viralize a precaução e elimine a imprudência.
Viralize conhecimento para gerar SABEDORIA!

Qual é a sua intenção ao viralizar algo?

Em tempos de Disrupção Exponencial:

É o impacto da situação de isolamento social vai mudar comportamentos individuais, provocando um movimento disruptivo exponencial de consumir tecnologia com sentido. Finalmente todos se deram conta do sentido de consumir tecnologia.

Isso é disruptivo e exponencial. Eis a oportunidade.

O que fazer? A resiliência vai fazer a diferença para ver o mundo!!!

PARTICIPE:

@pepitassecretariesclub

(Re) Criar a Humanização na Era Digital? E na Era Viral!

(Re) Criar a Humanização na Era Digital? E na Era Viral!

Muitas pessoas buscam, ultimamente, criar um vídeo, uma piada ou compartilhar uma situação que viralize para que tenham os seus quinze minutos de fama. O autor de Caneta Azul que o diga ao emplacar uma rima que da noite para dia viralizou, aproveitando a progressão exponencial do mundo virtual. Às vezes, parece-nos que não é real e não nos importamos com a fonte ou a fidedignidade daquilo que compartilhamos. Enfim, o que realmente vale é “viralizar” o conteúdo produzido. Havíamos esquecido a origem do que é viralizar, que vem de vírus que contamina, que produz sequelas e que mata. Já acreditávamos que viralizar estava ligado somente ao ambiente virtual e não lembramos que ao “viralizar” algo virtualmente, igualmente, podemos contaminar, produzir sequelas e matar. Portanto, viralizar é algo real no ambiente virtual ou físico. Por isso, outro desafio: como (Re) Criar a Humanização na Era Viral?

Creio que o processo de viralização no mundo físico e no ambiente virtual são semelhantes na forma de propagação, porque se multiplicam de modo exponencial sem limites para o alastramento. Porém, há uma diferença essencial na sua concepção. O vírus do mundo físico, como o caso vivido agora, não tem a intenção e o vírus do ambiente virtual é intencional. O vírus do ambiente físico é e demonstrou ser letal para as pessoas, colocando em risco a sobrevivência da humanidade como espécie em diferentes épocas. Com o tempo os humanos foram aprendendo a lidar com os vírus para diminuir os seus danos por meio da prevenção ao adotar comportamentos seguros. Por outro lado, a viralização que fazemos diariamente em nossas redes no ambiente virtual com a criação e a propagação de vírus depende da intenção. Aquele que cria e/ou propaga um vírus tem a intenção de obter alguma vantagem ou de prejudicar a alguém, aproveitando-se das possiblidades exponenciais da sua rede de contatos. A viralização com a má intenção no ambiente virtual coloca em risco os seres humanos sob a perspectiva de eliminar a sua humanidade. Por isso, precisamos (Re) Criar a Humanização na Era Viral no ambiente virtual que é real. Muitas vezes, as palavras virtual e real aparecem como antônimos, mas não o são. A viralização de maldades no ambiente virtual produz dor e sofrimento em pessoas reais. O que fazer?

Penso que devemos assumir o compromisso de sermos humanos a partir das intenções. Qual é a sua intenção ao compartilhar algo para que viralize? É digna de um ser que se diz humano? Por isso, cabe lembrar que a volatilidade do mundo físico natural segue a aleatoriedade sem a intencionalidade, enquanto a volatilidade humana pode ser regulada pela intenção. Isso revela quem é você. Estar no lugar que dizemos que estamos revela a consciência da importância da presença, exercício que tem se tornado cada vez mais difícil com tantas possibilidades de distrações da era digital. Ironia que o momento vivido nos desafia a estarmos no ambiente virtual para dele desfrutarmos a possibilidade da presença verdadeira, em contraposição às muitas vezes em que o usamos para fugir de onde deveríamos estar no mundo físico. A presença forçada no ambiente virtual nos dá a possibilidade de criar uma realidade que produza benefícios no mundo físico. Isso é complexo e real. É fundamental que mudemos nossa postura humana.

Enfim, como você manifesta quem é você, onde você está e o que você cria nesse momento de uma realidade virtual intensa nunca vista é escolha sua. Qual é o seu compromisso comportamental que pode minimizar os danos ao mundo físico? O que você vai viralizar? Qual é a intenção ao compartilhar algo? O ser humano traz em sua natureza, no mínimo, a dualidade, que nos dá a capacidade de sermos cruéis ou gentis, compassivos ou agressivos e criativos ou destrutivos. Principalmente, nos dá a possibilidade de sermos responsáveis ou irresponsáveis no comportamento em nosso mundo físico, assim como, o desafio no ambiente virtual de que sejamos tão humanos como o dizemos ser. Por isso, caso queira viralizar algo faça as suas escolhas.

Viralize o afeto e diminua o desafeto.

Viralize a serenidade e baixe a histeria.

Viralize a coragem e combata o pânico.

Viralize a tolerância e dispa-se do preconceito.

Viralize a alegria e minimize a tristeza.

Viralize a paciência e domine a impaciência.

Viralize a bondade e rejeite a maldade.

Viralize o respeito e refute os julgamentos.

Viralize o amor e reduza o desamor.

Viralize a precaução e elimine a imprudência.

Viralize e assuma a responsabilidade no mundo físico e virtual.

Viralize conhecimento para gerar SABEDORIA!

Viralize a sua humanidade para (Re) Criar a Humanização na Era Viral.

Moacir Rauber

E-mail: [email protected]

Hoje eu ganhei…

Sabe aqueles dias em que você acorda e tem a certeza de que tudo vai dar certo? Pois é, hoje foi assim que acordei, apesar de ser um dia como qualquer outro. Levantei, tomei café e fui para minhas atividades. Abri os e-mails com as mensagens de trabalho e outras tantas sobre o Corona Vírus, seus alertas e piadas. Saí de casa por volta das 11h, uma vez que tinha um compromisso. Encontrei o senhor que trabalha no prédio ao lado com quem converso muitas vezes. Ele me disse:

O senhor já se levantou? Vai dar um passeio?

Pela enésima vez me fez as mesmas perguntas revelando a mesma ideia, “O doentinho cadeirante também precisa sair um pouco para espairecer…”. Confirmei, entretanto me propus a não explicar mais uma vez que eu levanto todos os dias antes das 7h, que boa parte do meu trabalho faço de casa e que eu vou sair porque tenho um compromisso. Não valeria a pena, porque no modelo mental daquele senhor, um usuário de cadeira de rodas não tem condições de fazer nada. Deve pensar, “Imagina se ele trabalha…”.

Hoje eu estava saindo vacinado contra todo e qualquer tipo de situação que pudesse me tirar do sério. Com meu péssimo senso de localização, saí na direção contrária da rua para onde eu iria. Daria uma volta maior do que a necessária. Por isso, fiquei ansioso, porque estava correndo o risco de chegar atrasado. Impensável na minha concepção! Finalmente cheguei ao local. Estava chovendo. Estacionei o carro e comecei a montar a minha cadeira de rodas. Nisso chega correndo um senhor, oferecendo-se para me ajudar e já foi metendo a mão na minha cadeira que ainda estava sem as rodas.

Disse-lhe:

– Olha, pode deixar que eu mesmo monto a cadeira, porque as peças estão na ordem certa. É fácil para mim….

Ele me olhou, com a cadeira na mão, e retrucou,

– Não, não… Pode deixar que eu arrumo. A cadeira está estragada? Onde estão as rodas?

Ele virava a cadeira de lá para cá sem saber o que fazer. Fiquei irritado, mas pensei, “Calma, calma…Hoje não!” e falei para o senhor;

– Não tá estragada, tá tudo certo. O senhor pode deixar a cadeira aí onde ela estava que ainda falta colocar as rodas nela. É rapidinho….

Ele ficou olhando para a parte da cadeira que tinha nas mãos sem entender muita coisa. Disse-lhe que com a cadeira ele não poderia me ajudar, mas com o guarda-chuva sim. Em seguida ele pôs a cadeira de volta em seu lugar e eu pude terminar de montá-la. Por outro lado, ele me protegeu da chuva.

Por isso, hoje eu ganhei. Por quê? Porque eu escolhi fazer do meu dia um dia para dar tudo certo. Não disse aquilo que tive vontade de dizer ao ser confrontado com uma situação adversa. Muitas vezes, nessas situações, a primeira palavra, expressão ou avaliação que nos vem à mente deveria ser a última a ser dita. Naquele momento, ao não falar eu exerci o meu autocontrole, um dos pilares da Inteligência Emocional, por isso eu ganhei. Não quer dizer suprimir as emoções, mas saber o que fazer com elas para preservar e estimular as relações interpessoais, outro dos pilares da Inteligência Emocional.  Por isso eu ganhei de novo. Tudo que merece ser dito pode ser dito, mas depende de como é dito. Além do mais, ganhei a ajuda com o guarda-chuva ao permitir que aquele senhor exercesse a sua bondade.

Situações semelhantes ocorrem no ambiente organizacional, em que de uma forma ou de outra todos podem ajudar, desde que sejam respeitados e ouvidos. Senão, por que estariam na organização? Por fim, ganhei um amigo, ´porque aquele senhor e eu fomos ao mesmo lugar onde esperamos por um bom tempo e conversamos amistosamente.

Moacir Rauber

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Você sabe aproveitar a vida?

Você sabe aproveitar a vida?

Era sábado e ele havia decidido que faria o trabalho para a faculdade. Pensava que era uma grande oportunidade de aprendizagem e de ser visto pelas pessoas que eram importantes. O professor reconheceria o seu esforço e, talvez, alguma empresa se interessaria pela ideia. Além disso, fora ele que se comprometera a fazê-lo, por isso nada mais lógico do que fazer o que assumira livremente. De repente, uma mensagem de áudio de um amigo convidando-o para uma festa na praia. Ele diz que não. Vêm outras mensagens. Por fim, uma chamada do amigo que ele atende:

– Qual é, vai ficar o sabadão em casa fazendo trabalho? Não sseja trouxa, você tem que aproveitar a vida?

O que fazer? Aproveitar a vida? Mas o que é aproveitar a vida? Quantas vezes somos confrontados com situações semelhantes? Amigos, pessoas ou circunstâncias que nos desviam das escolhas feitas, uma vez que sempre temos alternativas frente as mais variadas situações. Na situação apresentada poderíamos pensar que o amigo não está sendo tão amigo ao estimular o outro a não cumprir o compromisso assumido. E é verdade. Entre as pessoas no nosso seio familiar, as que são do nosso círculo de amizade e entre os colegas de trabalho, muitas vezes, há aquelas que exercem um força negativa sobre as nossas escolhas. Querem nos dizer “como aproveitar a vida”. A influência pode partir de uma visão diferente de mundo em que elas fazem o esforço para que você se conforme ao pensamento delas, sem que haja maldade nisso. Outras vezes, porém, a influência negativa parte da falta de vontade de quem não consegue fazer algo com a mesma dedicação que o outro e assim procura desestimulá-lo. Essa falta de vontade pode estar associada à preguiça e à inveja. Entenda inveja como o desprazer produzido pela felicidade ou prosperidade alheias, com origem no desejo de possuir ou de desfrutar daquilo que o outro tem sem despender o esforço para isso, a preguiça. O invejoso sabe que o outro é bom e que o seu esforço vai levá-lo ao lugar almejado. Entretanto, ele também sabe que não tem a força de vontade e nem a disposição para pagar o preço de percorrer um caminho semelhante que igualmente o levaria para o lugar pretendido. São aquelas pessoas que puxam os outros para baixo, para o seu nível de incompetência causados pela preguiça e pela inveja. Por isso, é importante estar atento se as alternativas oferecidas são realmente o que pensamos que seja “aproveitar a vida”.

“Diga-me com quem anda e eu direi quem você é”, diz o ditado bíblico. Porém, aqui o alerta vai além. Ele avança para as escolhas que fazemos internamente. O convite feito pelo amigo para que o outro não cumpra com o seu compromisso é tão somente um estímulo externo a que todos nós estamos sujeitos. Entretanto, a escolha é individual e ocorre a partir de um diálogo interno. São muitos os nossos pensamentos que podem nos desviar daquilo que realmente queremos, porém cabe a cada um decidir se vai aceitá-los ou vai deixá-los ir. Não é a companhia do seu ambiente externo que vai definir para onde você vai, mas a forma como você convive com o teu ambiente interno que vai determinar com quem você vai e para onde vai.

Enfim, o que é aproveitar a vida? Entendo que aproveitar a vida é reconhecer que os estímulos externos existem e que podem distraí-lo, mas que também podem dar-lhe as oportunidades e a direção. Entretanto, a escolha do que é aproveitar a vida acontece no ambiente interno, sendo responsabilidade de cada um identificar e adotar as ações derivadas dos pensamentos que contribuem para esse fim. Usar o sábado para fazer o trabalho ou para ir a uma festa? Depende para onde você quer ir para saber se é uma opção ou a outra a melhor maneira de aproveitar a vida.

Por fim, escolha os pensamentos que você alimentar e você vai saber com quem você vai andar.

Moacir Rauber

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* Inspirado por: Romina Perluzky

A intolerância é o desrespeito na prática

O assento do corredor do lado direito fora requisitado pelo pessoal de bordo da aeronave, porque um dos assentos destinados à tripulação estava com problemas. Era por força da legislação. Na sequência entra um jovem com seus vinte e poucos anos usando uma tala de proteção na parte inferior da perna, indicando uma lesão não muito grave. Caminhava com cuidado para não apoiar o pé, mas se deslocava bem. O seu número do bilhete indicava o número da poltrona agora destinado ao pessoal de bordo. Uma das comissárias lhe explicou o motivo. El disse, Tudo bem. Posso me sentar na janela? Ela disse:  Você poderia se sentar no assento do meio que sei que está vago? Creio que o assento da janela está ocupado… Ele não respondeu, mas dirigiu-se ao assento na janela. Alguns minutos depois chega a moça do assento da janela, também com seus vinte e poucos anos. Ela mostra o bilhete ao rapaz. Ele apontou para a tala, falou que estava acomodado e que seria difícil para ele se deslocar. Não era verdade. Em seguida o rapaz virou a cara para a janela do avião. A moça ficou momentaneamente sem saber o que fazer. Por fim, resignou-se e se sentou no assento da fileira do meio que não era o seu. O que aconteceu?

Na semana passada relatei o exemplo do avô que viajava para comemorar o seu aniversário de casamento como um exemplo de tolerância na prática.  No mesmo voo, do outro lado do corredor, o que presenciei foi o seu oposto: a intolerância é o desrespeito na prática. Como assim?

O respeito e o desrespeito andam lado a lado. A tolerância e a intolerância da mesma forma.

As normas de convívio e a legislação que a humanidade criou, cria e seguirá criando têm alguns objetivos estabelecidos, entre eles o de regular a coexistência harmônica entre os que compõem a sociedade. Ser tolerante é respeitar tais normas, a legislação e os códigos de conduta, escritos e não escritos.

O rapaz foi tolerante ao respeitar a legislação que estabeleceu a norma de que o seu assento fora requisitado pela tripulação por uma questão operacional. Entretanto, no momento seguinte ele demonstrou como a intolerância e o desrespeito afetam a vida das outras pessoas. Ele não respeitou o direito adquirido da moça que havia comprado o bilhete da janela e foi intolerante ao se vitimizar com a sua condição física. Com isso, ele gerou infortúnio para a moça que se acomodou com a intolerância e o desrespeito do rapaz. Durante o restante do voo pude perceber a tensão entre os dois que permaneceram sentados lado a lado. Numa situação de respeito às normas e de tolerância, o rapaz teria voltado para o seu assento, a moça teria desfrutado do espaço que era dela e eles poderiam ter estabelecido uma amizade.

Esse é o nosso mundo.

O respeito e o desrespeito, assim como a tolerância e intolerância estão presentes no mesmo ambiente e, muitas vezes, se manifestam numa mesma pessoa.

O exemplo entre os dois jovens não tem a intenção de caracterizar um ou outro grupo etário como intolerantes e desrespeitosos.

Encontrar o equilíbrio para ser tolerante sem aceitar ser desrespeitado e aprender a respeitar para não ser intolerante é um desafio real de todos os seres humanos.

Nas organizações a intolerância e o desrespeito devem dar lugar a tolerância e ao respeito para se criar um ambiente de confiança de produtividade e de boas relações.

Enfim,

…não respeitar as regras, as normas e as condutas estabelecidas, estando elas escritas ou não, é ser intolerante com a grande maioria que concordou com o que foi pactuado. O bom senso resgata a tolerância e o respeito.

Moacir Rauber

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