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Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

Motorista estúpido!!!

Fonte da imagem: https://vidademotorista.com.br

Motorista Estúpido!

O trânsito, em geral, é um teste de paciência. A educação das pessoas na condução dos seus veículos parece que fica em casa. Basta estar nas ruas de grandes cidades para ver as infrações, como movimentos não permitidos, desrespeito aos sinais de trânsito e as manobras equivocadas intencionais e não intencionais. Quem está no trânsito, muitas vezes, perde a paciência. Foi o que aconteceu com um amigo meu com quem eu buscava estacionamento. Daqui a pouco aparece uma vaga, diz ele. O sinal fecha e ele para, mas outro carro avança passando ao lado de maneira tão próxima que os espelhos se tocam. Na passagem o outro buzina. A expressão tranquila do meu amigo se transforma e ele grita:

– Que sujeito estúpido!

Ele segue gesticulando de forma agressiva, procurando amparo na minha presença para lhe dar razão na sua exaltação. Na sequência fiquei pensando no ocorrido e naquilo que estava por detrás de uma situação tão corriqueira. Segundo a Comunicação Não-Violenta (CNV) de Marshall Rosemberg, um (1) fato observado gera um (2) sentimento que se origina de uma (3) necessidade que para ser atendida precisa se manifestar por meio de uma (4) estratégia. Parece simples e óbvio, mas no dia a dia não é tão fácil assim. O meu amigo observou um fato, a infração de trânsito cometida pelo outro motorista, que gerou nele um sentimento. Ao não identificar os sentimentos que surgiram em seu interior, ele não soube qual era a sua necessidade e adotou uma estratégia para se manifestar frente a situação. Primeiro, pergunte-se: que tipo de observador você é? Lembre-se que isso pode variar de um dia para o outro, porque nós somos voláteis e frágeis, podendo agir e reagir de maneira diferente frente a situações parecidas. O meu amigo, aparentemente calmo, perdeu o controle. O que você está sentindo? O desafio é identificar os sentimentos que estão presentes em você, inclusive aqueles negativos, surgidos da própria incerteza e insegurança internas. A irritação e a revolta estavam presentes nos xingamentos do meu amigo. Qual é a necessidade presente nos sentimentos? Na irritação exibida por ele, provavelmente, estava presente a necessidade de ordem ou de segurança pelo respeito as leis de trânsito. Com isso criamos e cocriamos a realidade na qual estamos inseridos. O fato, os sentimentos e a necessidade permitem que a pessoa adote uma estratégia para atendê-la, em caso de necessidade não atendida, ou para celebrá-la, em caso de necessidade atendida. Como o meu amigo se manifestou para atender a necessidade de ordem ou de segurança revelada na irritação estimulada pela infração cometida pelo outro motorista? Ele esbravejou! Foi eficaz? Talvez tenha atendido uma demanda interna, porém a estratégia não produziu nenhum resultado prático. Enfim, a CNV se propõe a diminuir a tensão, muitas vezes, presente dentro de cada um. Observar um fato objetivo sem julgar nem avaliar, identificar o sentimento que está vivo dentro de cada um, entender a necessidade própria e alheia para escolher a forma mais adequada para se manifestar. Seguir esse passo a passo possibilita que tenhamos relações mais assertivas, autênticas e amistosas ao atender as necessidades de todas as partes envolvidas.

Desse modo, é essencial que lembremos que nem sempre interpretamos aquilo que vemos como realmente é. Qual a intenção por trás da ação? Depende de cada um. Meu amigo e eu seguimos buscando uma vaga e sem que ele se desse conta fez uma conversão equivocada. Alguém poderia ter esbravejado, Motorista estúpido! Por isso, entendo que uma das maneiras mais eficazes de se diminuir a violência talvez seja a de não julgar tão rapidamente.

Moacir Rauber

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Você É o que parece Ser?

A entrevista de trabalho foi concluída. Haviam feito diferentes dinâmicas de grupo para avaliar os comportamentos dos candidatos. O rapaz me dizia que na dinâmica da ilha deserta ele acreditava ter demonstrado que sabe estabelecer bons relacionamentos. Na dinâmica de estourar o balão ele estava entre aqueles que lideraram os participantes para a interação entre todos num movimento de atividade coletiva ao diminuir o individualismo. “Eu já conhecia a atividade…”,confessou. Ainda teve que fazer uma autoavaliação e uma apresentação das suas principais competências em que pode expor a sua visão de mundo e as suas posições frente a temas considerados por ele relevantes. “Mostrei-me seguro, porque era importante mostrar personalidade!”.  O rapaz se reportava a mim satisfeito com o seu desempenho e com a imagem que havia passado para quem conduzia o processo de recrutamento e seleção. Por fim, ele concluiu:

– Tenho boas chances de ser contratado. Acho que passei a imagem de ser criativo, colaborativo e equilibrado…

Escutava o jovem e me parecia ver um ator. Não o julgo como certo ou errado, vejo-o apenas como resultado de uma construção coletiva em que Parecer se sobrepõe ao Ser. Entendo que tem sido investido esforços em parecer equilibrado e não em desenvolver competências para agir com equilíbrio. Tem sido ensinado técnicas para estimular a criatividade para se sobressair com relação aos outros e não para colaborar com os outros. O mundo contemporâneo tem levado a que o indivíduo use recursos de atuação, dando ênfase em passar uma imagem do que se poderia Ser e não de quem se É. Cria-se uma geração de atores de si mesmo num reality show global em que cada pessoa com sua câmera interpreta um papel, relegando a um segundo plano o conhecimento mais profundo sobre Ser. Entendo ser grande o desafio de se permitir descobrir quem realmente se É, nesse mundo contemporâneo com a sua dinâmica disruptiva e exponencial de incorporar novas tecnologias e mudar comportamentos. Por isso, acredito que as ações derivadas de alguém que tem um conhecimento sobre quem É estão conectadas com a clareza das intenções. Qual é a sua intenção? Passar uma imagem de criativo, colaborativo e equilibrado ou verdadeiramente Ser criativo, colaborativo e equilibrado? Para aquele que não é um ator de si mesmo, as ações serão resultado das intenções de quem ele É. Desse modo, revelam-se as intenções pelas ações, não sendo necessário se ocupar em interpretar um papel para transmitir a imagem de ser colaborativo, criativo e equilibrado.  Não é necessário ser um ator, a pessoa simplesmente É!

Enfim, na entrevista ou no trabalho, nas relações de amizade, de amor ou de qualquer natureza se pode até iniciar com uma atuação, mas quem vai mantê-las será quem você É na realidade. Não servirá ser ator de si mesmo. Preparar-se para uma entrevista é importante? Certamente que sim, mas não para agradar aos outros por parecer algo que não se é. Preparar-se é importante para exibir as competências autênticas que você tem. Com isso, as intenções são claras, as ações são naturais e a vida se torna mais leve pela autenticidade de poder Ser quem você É.

Moacir Rauber

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A chuva, a tristeza e a alegria!

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A chuva, a tristeza e a alegria!

A chuva que, com seus ventos fortes, arruinou a festa de casamento ao ar livre e levou o noivo a praguejar contra tudo e contra todos (Maldita tempestade), foi a mesma que regou o pasto e contribuiu na plantação do agricultor. No momento em que o noivo maldizia a tempestade, não distante dali o agricultor sentado na varanda da sua casa em seu sítio, agradecia a chuva fora de época:

– Bendita chuva!!!

O primeiro viu no evento uma “maldita” tempestade, enquanto o segundo viu uma “abençoada” chuva. Maldizer ou abençoar a chuva, a seca, o frio ou o calor revela emoções e sentimentos interpretativos internos com relação a uma realidade externa. Enquanto para alguém um evento pode representar a perda, a dor ou o sofrimento, para o outro o evento pode ser o triunfo, a satisfação ou a alegria.  A realidade simplesmente é. O vento é vento. A chuva é chuva. Estar agradecido ou indignado é um sentimento que está dentro de cada um. O agricultor que está agradecido pela chuva pode estar alegre, enquanto o noivo que está indignado com a tempestade pode ter ficado triste, mas nenhum dos dois é a emoção ou o sentimento que brotou neles a partir de um evento. É normal a tristeza do noivo surgida da indignação gerada ao ser impactado por um evento fora do seu controle. A festa programada não seria mais a planejada. Porém, aqui entra a capacidade individual que marca o nível de inteligência emocional para superar as emoções negativas no menor espaço de tempo, não deixando que elas se transformem em sentimentos. Quanto tempo você vai ficar triste com algo que lhe ocorreu? Essa é a escolha que está no seu controle, a tempestade inesperada não está. Da mesma forma, a alegria do agricultor com origem na gratidão pela chuva fora de época é natural. Os benefícios inesperados são motivos de celebração, cabendo a cada um estender a sua presença, transformando-as em sentimentos. É possível estar sempre alegre? Particularmente entendo que isso seria ser um “bobo alegre”. Eventos fora de nosso controle nos atingem, podendo provocar resultados positivos ou negativos, alegria ou tristeza. Por isso, não posso evitar ser atingido por eventos fora do meu controle, porém posso escolher com qual sentimento vou conviver por mais tempo. É inteligente emocionalmente aquele que encolher o período refratário das emoções negativas, não deixando que se transformem em sentimentos, assim como estender as emoções positivas e transformá-las em sentimentos. Com isso, posso ficar triste sem estar deprimido e posso desfrutar da alegria sem ser um bobo alegre.

Enfim, você pode ficar indignado, maldizer a tempestade e ficar triste, assim como você pode ficar agradecido, abençoar a chuva e estar alegre. Porém, não importa se você é o agricultor ou o noivo, é essencial saber que você não é alegria nem tristeza, mas que pode escolher reverberar em seu interior por mais tempo a emoção que quiser. Você pode ficar triste e ainda assim ser alguém alegre!

Moacir Rauber

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Maldita tempestade!!! COMO?

Fonte da imagem: https://www.radiocampanario.com/

Maldita tempestade! Como?

A festa de casamento ao ar livre estava preparada. Os detalhes, como as flores, as mesas e os arranjos, foram pensados para que tudo estivesse perfeito. O risco de que o clima não colaborasse existia, mas eles haviam escolhido o período do ano em que as chuvas eram uma raridade. Como previsto, amanheceu ensolarado e nada indicava que algo mudaria durante o dia. Todos estavam presentes para a solenidade. O noivo e a noiva estavam nervosos e os convidados contentes. O escrivão começou em meio ao som de uma música romântica tocada por uma orquestra. Algumas poucas nuvens cobriam o sol, mas nada para se preocupar. Vídeos e fotos foram exibidos resgatando a história de amor que eles assumiam com o casamento. A felicidade estava presente, assim como uma brisa que soprava mais forte. A cerimônia se encaminha para o final. A brisa se transforma em vento. O celebrante começa a leitura da parte em que pede o “sim” dos noivos. As nuvens que antes eram poucas cobrem o sol por completo. O vento aumenta ainda mais a sua intensidade fazendo com que os convidados se sintam desconfortáveis. A chuva começa. O vento vira ventania. As mesas, as cadeiras, os arranjos e as flores voam para todos os lados. Pode-se ver um músico correndo atrás das partituras, enquanto as pessoas buscam abrigo. Os noivos se desesperam e correm para se proteger. Molhados, desarrumados e, visivelmente, irritados se protegem embaixo de uma cobertura de onde podem ver a tempestade destruir o sonho da festa perfeita. “De onde surgiu essa tempestade?” O noivo ainda não conseguia entender. Com raiva grita:

– Maldita tempestade!

Uma torrente de emoções negativas havia invadido o peito angustiado do noivo que continuava a esbravejar contra a tempestade. E a tempestade, qual era a sua preocupação? Quais eram as suas emoções? Não havia nem preocupação nem emoção, porque a tempestade é o que é, assim como a realidade do mundo que não entendemos e não controlamos. A tempestade ou o clima não tem intenção. O mundo não tem desejo. Em momentos assim, muitas vezes, surgem emoções negativas que alimentamos por pensamentos ainda mais negativos que geram sentimentos ruins. A pessoa perde o foco pretendendo atuar sobre aquilo que não está em seu controle. O diretor pensa que o problema está na equipe. O subordinado acredita que o problema é o chefe. O marido crê que o problema é a esposa e vice-versa. E muitos concluem que o mundo é um problema. Entendo que haja problemas no mundo, mas o mundo não é o problema. Ele simplesmente é. Se há emoções e sentimentos negativos eles não estão com a tempestade, com o clima, com a realidade ou com o mundo. Eles estão com você! Cabe a cada um desenvolver inteligência emocional para usar o seu autoconhecimento e autocontrole para exercer a liberdade de ação e resolver aquilo que está no seu controle.

Enfim, para os noivos, o que estaria em seu controle fazer? Maldizer a chuva, o vento, a tempestade ou a realidade? Não. Os sentimentos negativos são seus e não da realidade ou da tempestade. O que fazer? Os noivos podem chacoalhar as gotas de chuva, escolher os sentimentos e concluir aquilo que começaram. Podem até cortar o bolo e ser felizes para sempre. Isso está no seu controle!

Moacir Rauber

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A meditação da morte…

…para ser um líder da vida!!!

A meditação da morte

O curso sobre liderança, que abordaria a resiliência, a compaixão e a bondade, iniciaria com uma meditação antes do café. O guia começou o processo e pediu para que todos se sentassem com a coluna ereta numa posição cômoda, mantendo os olhos fechados. Orientou para que respirássemos profunda e pausadamente e acompanhássemos o ritmo da respiração, observando os movimentos do corpo e da mente. Tudo ia muito bem, até que ele disse:

– Agora imagine que você está morto. Tudo em sua vida para. O seu corpo para. Você não respira, não enxerga, não ouve e não sente. Você para…

Silêncio mortal. A fala tranquila do condutor da meditação não impediu que me invadisse uma sensação desconfortável. Morto?, pensei. Mantive meus olhos fechados para não deixar me levar pelas distrações da reflexão. Ao mesmo tempo, parecia que podia sentir a energia do desconforto também nos demais. O condutor seguiu nos guiando para que cada um imaginasse o próprio corpo se decompondo num processo lento e irreversível. Senti náuseas, porém, ele prosseguiu até que chegássemos ao pó. “Do pó viemos e ao pó voltaremos…”, lembrou-nos. Tranquilizei-me um pouco, embora ainda estivesse impactado com o exercício. Depois do silêncio, ele nos conduziu de volta a vida fazendo o processo inverso. Do pó à vida. Ao abrir os olhos, observei meus colegas e tive a impressão de que estavam um pouco desnorteados, assim como eu. Em silêncio fomos para o restaurante tomar o café da manhã. As conversas começaram e as opiniões sobre a meditação também. Para um era estranha, para outro era invasiva e para um terceiro era horrível. Outros riam e se divertiam. O café terminou e fomos para a sala de aula.

O facilitador do programa era quem guiou a meditação, deixando agora que cada um se expressasse sobre o processo feito. Em seguida ele abordou o objetivo por detrás da proposta, levando-nos a ver como são pequenas e fantasiosas as nossas ansiedades, desassossegos, temores e sofrimentos que nos inquietam. Não se trata de negar a existência de problemas, de dilemas e de decisões que nos cabem tomar. Trata-se de mudar a perspectiva e vê-los a partir da finitude da vida. Qual é a relevância daquilo que me inquieta? Caso mantenha a relevância num horizonte que sobrepassa a própria existência, fala-se de legado e é importante. Caso permaneça relevante num espaço de tempo mediano, fala-se de resultados e deve ser considerado. Caso o significado da sua preocupação não seja importante num curto espaço de tempo, provavelmente, não tem relevância. E concluiu que a inquietude das pessoas tem origem, em grande parte do tempo, em problemas sem importância. Por isso, é essencial se indagar: o que representam as minhas inquietudes no confronto com a realidade de uma vida que termina? Assim, ao abraçar a finitude da vida sem medo, encontra-se o alívio de poder viver a vida em plenitude. O líder que tem a consciência da própria finitude desenvolve a resiliência, age compassivamente e exibe a bondade com a responsabilidade de quem sabe que o beijo da morte é o sopro da vida.

Ao encerrar o seu raciocínio tive que concordar com a Meditação sobre a Morte, porque me senti mais vivo do que nunca. Todos temos a informação de que a vida vai terminar, porém não vivemos com essa consciência. Usar essa informação para transformá-la em consciência é que fará com que se viva plenamente. Ao viver com a consciência da finitude da vida você será um profissional mais competente, mais produtivo e resiliente. Você será um Ser Humano mais compassivo e bondoso. Enfim, você será um líder da vida a partir da consciência da morte!

Moacir Rauber

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Não arruma o quarto…

Fonte: https://www.totalconstrucao.com.br/como-arrumar-o-quarto/

Não arruma o quarto…

A presença nas redes sociais é ativa e dedicada, com postagens sobre a importância da reciclagem do lixo, curtidas em matérias e a publicação de vídeos de divulgação da causa. É preciso construir um mundo melhor. Eu tenho que fazer a minha parte… pensava o adolescente de dezoito anos (adulto???) que sonhava ser prefeito da cidade. O horário passava e a madrugada chegava. Na manhã seguinte a mãe se levanta, prepara o café e nada do filho sair do quarto. Ela bate na porta para acordá-lo. Ele sai todo desarrumado, com cara de sono e reclama com a mãe. Come algo rápido, deixa as louças e o lixo na mesa e vai para a escola. A mãe precisa sair para o trabalho, mas antes lava a louça e separa o lixo. Abre a porta do quarto do filho e se depara com roupas pelo chão, latas de bebidas e restos de comida na cama. A mãe se revolta, mas não tem forças para confrontar a situação. Entretanto, pensa, “Como quer fazer manifestação, ser prefeito se não arruma nem o próprio quarto?”. O pensamento da mãe revela uma triste realidade: muitas vezes, somos comandados por pessoas que não arrumam o próprio quarto.

Entendo que cada pessoa é a menor unidade de qualquer sistema social, seja ele familiar ou organizacional. Cada ser humano é um sistema completo, complexo e interdependente com outras pessoas em diferentes sistemas sociais. Entenda-se sistema completo como integral e pleno; sistema complexo como múltiplo e profundo; e sistema interdependente como solidário e dependente. Perceber e viver esse conceito é que faz com que cada um possa ser responsável pela sua própria área de influência. Pessoas que não arrumam seu próprio quarto não tem visão sistêmica e vivem mais fortemente a dependência, sem serem solidários; perdem a complexidade na falta de profundidade que diminui a multiplicidade; e deixam de ser completos porque não são plenos nem integrais. Entretanto, ao olhar para nossos líderes se pode constatar que muitos deles nunca arrumaram os seus próprios quartos. São eles vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores, juízes, diretores e até presidentes que se propõem a arrumar uma cidade, um estado, uma empresa ou um país. Muitas vezes, são essas pessoas que galgam mais rapidamente a hierarquia organizacional sem terem desenvolvido uma visão sistêmica. Como essas pessoas poderão administrar, legislar e julgar para todos sem entender a ideia de interdependência entre todos? No setor público é mais difícil expurgar essas pessoas, porque se fundem e se agarram na dependência como parasitas. Infelizmente, em grande parte, é assim. Nas organizações privadas cabe aos profissionais internalizarem a visão sistêmica, porque sem ela eles serão eliminados do mercado. Um bom profissional, além de entender o sentido daquilo que faz permanecerá no mercado enquanto aquilo que faz for importante para quem o faz.

Com relação ao adolescente de 18 anos (???) do diálogo inicial, a torcida é para que ele possa entender e viver o conceito de ser um sistema completo, complexo e interdependente e comece a arrumar o seu quarto. Caso não internalize esse conceito, que ele não se eleja para nenhuma função e que não seja admitido em nenhum concurso público. Com isso, ele terá que ir para o setor privado onde vai aprender a importância de um sistema completo, complexo e interdependente sob pena de ser excluído. Para ser um bom líder, um bom profissional e uma boa pessoa é essencial ter uma visão sistêmica. Para aquele que não aprender o conceito, que Alguém ajude a sua mãe.

Moacir Rauber

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O que fazer com as “podas” da vida?

O que fazer com as “podas” da vida?

A aluna estava triste, indignada. O trabalho de conclusão de curso entregue ao professor orientador havia voltado com vários apontamentos, sugestões e correções. Ela não acreditava que ainda teria tanto trabalho para concluir a tão sonhada universidade. Ao chegar ao final do arquivo não pode deixar de esbravejar:

– Que droga!!! Que sacanagem!!!

Parecia que sempre que ela se aproximava do objetivo ele se afastava. Sentia como se as pessoas e as situações a estivessem podando, impedindo de que ela atingisse todo o seu potencial. Até pode ser verdade a sensação de ser podado pelos obstáculos da vida, entretanto, deveríamos conhecer os benefícios da poda antes de reclamar dela.

A poda nas árvores é uma técnica que acompanha o desenvolvimento da humanidade. Os mais antigos agricultores se aperceberam que as plantas que tinham os seus galhos cortados ou comidos cresciam com mais vigor. Isso os levou a observar o fenômeno e a aprender com ele. Assim, de eventos fortuitos e sem controle a poda passou a ser uma técnica utilizada para desbastar as plantas, retirando delas os galhos inúteis. A analogia também pode ser usada pelas pessoas na sua relação com os aparentes reveses da vida. Particularmente, inúmeras vezes tive a sensação de que os outros, a vida e até Deus estavam me podando. Amigos me disseram verdades que eu precisava ouvir. Parecia ofensivo, mas era uma poda necessária. Outras vezes, parecia que a vida me tirava algumas oportunidades que acreditava serem minhas. Porém, ao não alcançar as oportunidades por mim esperadas, a poda me levava a desfrutar de momentos incríveis, principalmente, por serem inesperados. Por fim, muitas vezes acreditei que até Deus estava contra mim quando me podou em diferentes ocasiões. Entretanto, ao observar com mais cuidado, essas podas representaram novas chances. As podas dos conselhos e críticas fizeram com que eu abrisse a mente. As podas de perder oportunidades permitiram que me desenvolvesse mais. As podas de Deus proporcionaram que eu canalizasse a energia para aquilo que era o mais importante: a vida.

Por fim, a aluna que se irritava com os apontamentos, as sugestões e as correções em seu trabalho de conclusão de curso, com o tempo poderá perceber o tamanho da contribuição da poda do professor. A poda para as plantas, normalmente, é realizada com a intenção de prevenir doenças e de aumentar a eficiência dos nutrientes captados do solo para melhorar a produtividade e a qualidade da produção. A intenção está somente com quem realiza a poda e a planta reage de acordo com a sua natureza. Por outro lado, ao entendermos os reveses da vida como podas é essencial saber que a intenção daquele que faz as críticas, as sugestões e as correções existem, mas o que realmente importa é o que você fará com elas. Os apontamentos serviam para que ela soubesse para onde direcionar a pesquisa. As sugestões para acrescentar ou suprimir algo. E as correções para eliminar elementos que contagiavam a pesquisa. Para a aluna seria importante observar o fenômeno e aprender com ele. Portanto, caberia a ela digerir a sua irritação para saber aproveitar a poda e canalizar para os seus objetivos.

O que fazer com as “podas” da vida? Cada um vai seguir a sua natureza…

“Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda.”

João 15:2

Ator de si mesmo!

Ator de si mesmo!

O rapaz entra em casa e começa a praguejar contra tudo e contra todos. A senha do cartão havia sido recusada por três vezes o que fez que ele fosse bloqueado. Em alto e mau tom dizia:

– É uma m… Sistema mais burro. Não consegue identificar a gente. Daqui a pouco terei que fazer como os velhinhos e anotar tudo.

Seguiram os impropérios proferidos contra os demais, quando na realidade havia somente um único responsável por ter esquecido a senha do cartão: ele mesmo. A raiva e a revolta demonstradas eram, mais uma vez, uma atuação, porque enquanto proferia os palavrões a câmera do celular registrava tudo no vídeo de si mesmo. As pessoas têm cada vez mais atuado do que vivido. Preferem contar a sua vida ao invés de vivê-la. Outros, preferem simplesmente assistir a encenação da vida dos demais. As representações feitas nos vídeos e nas edições dos momentos escolhidos para gravar e compartilhar, quase sempre, não são verdadeiras. São atores de si mesmo que se acreditam especiais. Entretanto, no seu íntimo sabem que isso pode não ser verdade, o que leva a que muitos sucumbam frente a síndrome do impostor. A síndrome do impostor representa um tipo de comportamento em que a pessoa duvida de suas capacidades, gerando a sensação de que será exposto revelando ser ele uma fraude em relação ao que se propõe fazer como especialista. E isso atinge pessoas que cumprem com um trabalho real. Assim, frequentemente, profissionais de todas as áreas são acometidos pela síndrome, levando a muitos que se afastem do trabalho até que consigam recuperar sua autoconfiança. E o que dizer de tantas pessoas que somente representam a si mesmos? Entendo que todas as pessoas são únicas, singulares, múltiplas e plurais. E especiais? Depende. Você pode ser um atleta, um artista ou um profissional especial, mas para isso precisará de dedicação, empenho e esforço. Terá que sair da zona comum de que todos somos únicos, singulares, múltiplos e plurais e desenvolver alguma capacidade a um nível muito acima da média. Ser um “virtuose”, que é alguém que exibe uma habilidade de execução técnica ou de conhecimento num grau muito alto. Para ser especial em algo há que ser excelente, exímio, notável, perfeito, virtuoso. Representar a si mesmo o torna especial? Não creio. Parece-me que cedo ou tarde a síndrome do impostor vai alcançar essas pessoas. Por quê? Porque as emoções que exibem na câmera não são reais. Os fatos que apresentam, muitas vezes, são manipulados. A alegria que expressam é exagerada. A tristeza que demonstram é artificial. Na verdade, são impostores. Se alguém que cumpre um papel real pode ser atingido pela síndrome do impostor, imagine o que acontecerá com quem sabe que é um impostor. O que fazer? Creio que, talvez, o primeiro passo seja olhar para dentro de si com sinceridade para se reconhecer como único, singular, múltiplo e plural para em seguida identificar uma habilidade que é somente sua e com esforço, dedicação e empenho desenvolvê-la a um patamar acima da média. No final, se você for autêntico será especial!

Voltando aos atores de si mesmo, parece-me um desafio enorme poder se ver como um ser humano único, singular, múltiplo e plural para reconhecer que do outro lado da câmera está um ser igual. Para ser especial é essencial ser autêntico para pelo menos reconhecer que é sua a responsabilidade de saber a senha do cartão. Com isso, talvez deixe de representar para poder ser quem realmente é. Se for bom estar com quem você é, você é especial, porque no final do dia você vai dormir consigo mesmo e não com o ator de si mesmo.

Moacir Rauber

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Seja amável!

Seja amável!

O dia não havia sido nada daquilo que o meu amigo tinha pensado. Parecia que todas as decisões tomadas produziam resultado contrário ao esperado. A sua cabeça começava a latejar, porque ele não sabia o que diria em casa com tudo que lhe havia acontecido de errado. Pensava:

– Que droga! Como você pode ser tão burro? Idiota! Besta! Você faz tudo errado!

O diálogo interno do meu amigo expressava uma violência que já se tornara habitual em sua vida. Frente a diferentes situações as primeiras e mais duras críticas eram dirigidas para ele mesmo. Estou seguro de que ele dificilmente diria para um estranho palavras tão agressivas quanto aquelas que ele dizia para si. Porém, a violência verbal que ele trazia dentro de si em algum momento seria extravasada. Muito provavelmente, isso aconteceria com alguém próximo, como os familiares. E no momento em que ele contava a sua interpretação da história, ele verbalizava uma série de agressões contra si mesmo. Não havia afeto nessa comunicação, mas a comunicação o afetava gerando dor e sofrimento. Assim, antes da violência externa, ela ocorria no ambiente interno por meio da comunicação que afeta cada um de nós que nutre uma comunicação violenta. Ao escutar o meu amigo descrever o seu diálogo interno pude me identificar, porque as minhas confabulações não eram muito diferentes. Elas, muitas vezes, igualmente eram violentas. Às vezes, contra mim, outras vezes, contra os outros. A violência contra mim ficava explícita quando assumia culpas que não existiam, como taxar-me de burro ou de incompetente. Ela igualmente se manifestava quando não me responsabilizava pelo que era responsabilidade minha, como ao não exibir a coragem de fazer algo que estava ao meu alcance fazer. A culpa não ajuda, porque paralisa, e não assumir responsabilidade impede de avançar, porque afasta as possibilidades. Enfim, a violência pode começar na comunicação íntima, nos diálogos internos de cada um. O que você diz para você sobre você? Você o diz com cuidado como quando conversa com um amigo que respeita? Há afeto, emoção positiva, na sua comunicação consigo mesmo?

A saída é para dentro! Pode parecer clichê, entretanto, é uma verdade. Comento que o meu amigo do diálogo inicial chegou em casa transtornado com a sua realidade externa. A esposa, como de costume, perguntou como havia sido o seu dia e ele, alimentado pela violenta comunicação interna, extravasou. Insultou a esposa, ofendeu os filhos e quebrou alguns objetos da casa. Era a violência que carregava dentro de si que encontrava um lugar para eclodir. Por isso, sem autocuidado e sem se respeitar se torna difícil amar os próximos mais próximos. Jogamos sobre eles as nossas frustrações, os nossos medos e os nossos entendimentos de fracassos. Naquele dia, quase que o casamento e a família do meu amigo se dissolveram. Entretanto, ele soube se recuperar. Pediu desculpas. Redimiu-se com ações. Reeducou-se internamente. Desenvolveu competências socioemocionais que estavam adormecidas para que, finalmente, a sua essência, o AFETO, pudesse se sobressair. Ele passou a comunicar-se internamente com cuidado, carinho e respeito para que quando se comunicasse com os outros revelasse quem ele era sem medo. O meu amigo passou a AFETAR O MUNDO COM AFETO.

Moacir Rauber

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Você é um gênio?

Você é um gênio?

O rapaz era um gênio na sua área, mas era também genioso com os colegas. Para ele pouco importava se a pessoa com quem falava era da sua de outra equipe ou mesmo alguém hierarquicamente superior, ele sempre tinha algo a dizer. Quando a questão se voltava para a área técnica de sua atuação, quase sempre, tinha razão. Mas nem tudo é tecnologia, mesmo numa organização que trabalha com tecnologia. Assim, o seu comportamento trazia prejuízos relacionais, por vezes, maiores do que os benefícios obtidos com a sua grande capacidade técnica. Na área de gestão de pessoas o comportamento do jovem gênio era analisado. Após várias tentativas do responsável dos recursos humanos de conversar com o “gênio” sobre o seu comportamento, o assunto chegou à direção. O diretor o chamou para conversar. A autoconfiança do jovem era tamanha que acreditava que seria mais uma vez promovido. Chegando na sala do diretor, imediatamente se acomodou confortável e confiantemente em uma poltrona. A conversa começou e o diretor, um pouco constrangido, disse:

– Você realmente é um gênio naquilo que faz…

O rapaz estufou o peito e rapidamente respondeu:

– Muito obrigado!

A resposta não expressava gratidão pelo elogio, mas a segurança de quem simplesmente recebia aquilo que merecia. Era o mínimo… devia ter pensado o jovem. O diretor, que não esperava que ele dissesse algo naquela curta pausa, emendou:

– … mas você está demitido.

Ser um gênio somente não basta. O conhecimento técnico por trás de cada uma das funções ou cargos que o “gênio” irá desempenhar é o mínimo dele exigido. Não há espaço para não exibir as competências específicas mínimas para cada tipo de trabalho. Desse modo, as grandes corporações têm acompanhado o desenvolvimento e contratado as melhores cabeças reveladas em universidades ou pelo próprio mercado para compor as suas equipes. Equipes, eis a questão. Porém, muitos dos gênios que se destacam nas universidades não têm a mínima noção daquilo que significa trabalhar em equipe. Não desenvolveram as competências socioemocionais que poderiam validar as suas competências técnicas. Não foram instruídos e nem capacitados para entender as pessoas. Por isso, nem sempre se consegue fazer uma equipe de um amontoado de gênios para render aquilo que deveriam render. Muitas vezes, ainda que os melhores talentos técnicos estejam reunidos, não se consegue fazer com que o resultado da equipe seja maior do que a soma das partes. Eis o grande desafio.

Você é um gênio na sua área técnica? Parabéns! O desafio agora é entender de pessoas para que cada um a sua volta possa exibir o seu potencial na totalidade, transformando-o em talento a serviço da sua equipe. Além de ser produtivo, deve ser bom trabalhar e estar com que você é e, com isso, mostrar que o resultado da sua equipe é maior do que a soma dos indivíduos que a compõe nas suas distintas partes. Caso contrário, você até pode ser um gênio, mas não terá ninguém que queira trabalhar com você. Lembre-se de que sem os outros não há equipe, não há organização e não há necessidade nem de gênio nem de genialidade.

Moacir Rauber

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