Skip to main content


Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

O joelho não existe. E uma organização é real?

As conversas de senso comum são fascinantes. Um amigo meu, dono da verdade (não é a ciência) naquele momento diz:

– Tem gente que fala que operou o joelho, mas o joelho nem existe.

– Como assim? Perguntam os presentes.

– Se você separar o fêmur, a tíbia, a fíbula e a rótula não sobra nada. Na verdade, sobram os músculos e os ligamentos. O joelho é o ponto de encontro das partes…

Ele tinha razão. O joelho é uma invenção humana para denominar o ponto de encontro dos elementos concretos, como os ossos, os músculos e os ligamentos. Ao estender o raciocínio para uma empresa, uma igreja ou um time de futebol, eles também não existem. Todas as organizações sociais são apenas o ponto de encontro dos elementos concretos, os indivíduos que as compõem.

Uma empresa é onde as pessoas se encontram para que produzam produtos ou serviços. A empresa em si não existe, porque a construção, os equipamentos e os produtos não são a empresa. Uma igreja é o local onde as pessoas vão para manifestar a sua fé em algo que acreditam. Da mesma forma, a igreja em si não existe, porque ela não é a construção, os altares ou os bancos. Um time de futebol é a reunião de onze sujeitos que se encontram para buscar um objetivo articulado entre eles. De igual modo, o time em si não existe, porque ele não é o campo, o estádio ou a bola. Desse modo, toda e qualquer organização social não existe, sendo apenas um ponto de articulação entre as pessoas que têm interesses comuns.

Por um lado, o joelho somente existe quando as partes do corpo humano que o compõem se encontram. De outro lado, as organizações sociais precisam de pessoas que se encontrem para que existam. Porém, há uma grande diferença. O joelho, para existir, é composto por partes que não tem vontade nem autonomia. Elas simplesmente estão ali e basta o cérebro ordenar para que o joelho cumpra a sua função de articulação. As organizações, para existirem, são compostas por pessoas que têm vontade e autonomia e que podem escolher onde querem estar. E nesse ponto está o desafio cada vez maior de se ter organizações longevas. Não basta ter um cérebro para dar ordens. É preciso ter um líder que consiga identificar a missão organizacional, estipular uma visão e expressar valores que possam aglutinar a sua volta pessoas que queiram caminhar na mesma direção. A organização é o ponto de encontro e serve de articulação para todos. É o papel do líder construir uma organização que permita que as partes queiram estar onde estão, considerando que cada uma delas é diferente das demais. Desse modo, o líder deverá desenvolver habilidades sociais e competências emocionais que estimulem a que as demais pessoas queiram estar naquela organização, o ponto de encontro para a articulação de objetivos comuns. Parece pouco? É um grande desafio ser o gestor de uma organização que fora da realidade imaginada pelo ser humano não existe, mas que produz dores e alegrias reais nas pessoas que as compõem. Ao dissecarmos cada uma dessas organizações, analisando-as parte a parte, ou pessoa a pessoa, é possível entender a importância do engajamento de cada indivíduo para que ela exista. Caberá ao líder ter isso em mente.

Desse modo, toda empresa, igreja ou equipe de futebol depende de um movimento espontâneo e deliberado para existir. Isso requer articulação. Cabe, portanto, ao líder entender os desejos e as necessidades individuais para que cada integrante da organização se mantenha ativo num movimento articulado, seguindo na mesma direção. As pessoas, com as suas vontades, devem querer estar naquele joelho, ops, naquela organização.

É o papel do líder fazer com que a organização exista.

 

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br

O Beijo da Morte é …

O beijo da morte é…

… o sopro da Vida.

Moacir Rauber

Naquele dia recebi uma notícia que não queria.

Foi difícil saber que alguém próximo partiria.

Era a morte que no meu círculo entrava.

Como consolo o seu sorriso a mim chegava.

Pareceu-me um sorriso franco, o beijo foi ardente.

Fiquei feliz! Era um beijo quente, parecia um beijo de gente.

“A morte faz parte da vida, é um novo ciclo que começa…,

Estou namorando a vida”,

Era o que eu pensava.

Acreditei na sua presença.

Não sabia quem eu beijava.

Enterrei sonhos, um a um, ano após ano.

Não percebia o tamanho do engano.

Quando eu ficava triste você me dizia:

“Fica tranquilo, tudo vai dar certo…” e sorria.

O seu sorriso cada vez mais autêntico me parecia.  

Ficava bem tranquilo quando você concluía:

“Confia em mim! Por você eu mataria.”

Assim,

Eu abdiquei.

Eu confiei.

Eu acreditei.

Em você investi.

Para mim, você era a vida.

A eternidade você prometia.

Mais uma vez você sorriu.

Outra vez me abraçou.

Depois disso você me deixou.

Senti que você me traiu.

Estranho.

Agora sei que você não me deixou.

Compreendo que você não me traiu.

Entendo que você sugou e extraiu.

Percebo que você arrancou e exauriu.

Constato que você dissecou e espoliou.

Concluo que a sua natureza você seguiu.

Os sorrisos eram uma armadilha.

Os abraços eram um engodo.

A vida eterna era a promessa.

Era uma verdade mentirosa.

Verdade? Mentira? Vida? Morte?

A vida sem a morte não existe.

A morte sem a vida não existe.

Morte eterna? É mentira ou é verdade?

Vida eterna? É verdade ou é mentira?

Aquilo que é eterno não morre.

Aquilo que é eterno não vive.

Aquilo que vive não é eterno, MORRE.

Aquilo que morre não é eterno, VIVE.

Eu conheci você.

Você sorriu.

Você me abraçou.

Você me beijou.

Você não é a vida.

Você dá sentido à vida: a morte.

Você a sua natureza seguiu.

Você matou.

Eu renasci.

AGORA entendi.

O beijo da morte é …

O sopro da Vida.

Tomar um café com um amigo…

… não tem preço!

A última semana não foi das mais fáceis. Reapareceu uma questão pessoal ainda não bem resolvida e teve o dia  de Finados, sempre nostálgico pelas lembranças das pessoas queridas que já partiram. Cada um com os seus problemas. No meio disso tudo tive a sexta-feira (01-11-19) em que fui tomar café com o Paulinho Scarduelli, um ser iluminado que deixa os dias mais leves e arranca sorrisos até quando se está carrancudo.

Lembrei de uma música antiga:

“… só um sorriso pode mais que um grito pode mais que tudo se você está triste, vive carrancudo, basta um sorriso e será feliz!” (Roberto Barreiro)

E ainda sou brindado com um texto do Paulinho como parte de sua trajetória rumo aos seus 55 anos.

O Paulinho Scarduelli faz aniversário e é ele que distribui os presentes!

PAULINHO SCARDUELLI

Contagem regressiva pros 55 anos – 8/30 (SUPERAÇÃO)

Exemplos de superação sempre me atraíram. Adoro saber como pessoas iguais a mim enfrentaram um problema extremamente difícil e conseguiram superar. Sempre que posso, paro para ouvir e perguntar. E aprender. Com eles.

É o caso do grande amigo Moacir Rauber.

Sonhava em ser jogador de futebol e jogar pela Seleção Brasileira. E tinha chance. Morava no interior do Paraná nos anos 80 e foi “descoberto” por um grande clube de futebol de Porto Alegre. Era um goleador nato e iria atrás do sonho. Na véspera da viagem para Porto Alegre, decidiu comemorar com os amigos na sua terra natal. Bebeu um pouco além da conta, errou na curva, bateu o carro e ficou paraplégico.
Azar?
Acidente?
Nada disso. O jovem Moacir admite, foi “ladrão de si mesmo” e fez com que a estrada da vida desse uma guinada.

Cirurgia, sessões de fisioterapia, mais cirurgia. E Moacir teve que aprender a viver novamente, e com novos sonhos.
Mergulhou nos estudos e acabou vindo morar em Floripa. Aqui estudou mais ainda, fez faculdade, mestrado e doutorado.

Como morava no Continente e trabalhava na Ilha, tinha que enfrentar todo dia a fila de automóveis em cima da Ponte Pedro Ivo. Lá de cima, ele mirava uns remadores alheios ao trânsito, indo pra lá e pra cá na Baía Sul. Até que veio o insight que mudou sua vida para sempre: “vou acordar mais cedo, vir mais cedo pra ilha, fugir da fila e fazer remo também”.

Apaixonado por esportes, Moacir logo começou a remar.
E remou.
Remou.
Remou tanto que passou a competir.
Dos excelentes resultados nas competições, foi “descoberto” de novo. Só que desta vez pela Seleção Brasileira de Remo. E foi assim que ele concretizou o sonho antigo, vestiu o uniforme verde amarelo e representou o Brasil.

Moacir é uma aula de superação.
Circula pra lá e pra cá pelo Brasil e no exterior dando palestra e trabalhando como coach.
Fui seu aluno e aprendi muito com ele.

Viramos amigos e hoje tenho o privilégio de poder tomar café uma vez por mês com ele, no final de expediente de uma sexta-feira. Como hoje.

Dia para aprender mais sobre a vida e buscar sempre a superação.

https://www.facebook.com/paulo.scarduelli

Tem pãozinho no forno…

Entrei na loja para comprar um livro entre os muitos que passam a mensagem de que as pessoas devem provar aos outros que elas são o que na realidade não são. Tem muita gente disposta a ensinar aos outros aquilo que elas não são e nem fazem. Por isso, acredito que ninguém deva ser ou fazer nada além daquilo que pretenda ser ou fazer, porque no dia de hoje lembra-se mais fortemente que tudo passa. Ao olhar para as primeiras prateleiras de livros em busca dos títulos de interesse, aproxima-se a atendente exibindo um sorriso que me pareceu sereno. Tinha algo a mais do que o sorriso profissional por trás daquele rosto jovem. Logo ela bocejou. Ahh, tinha sono, pensei. Porém, não era só isso… Ela indagou, com um tom de voz que refletia a serenidade:

– O que o senhor está procurando?

Respondi e ela me indicou por onde seguir, acompanhando-me.

Eu puxei assunto:

– Qual a razão desse sorriso e do bocejo? Tá na hora de ir para casa?

– Não, ainda faltam duas horas.

Continuamos a conversa sobre o livro, o dia e a vida. Houve uma pausa. De repente, ela olhou para os lados para se certificar de que ninguém a via, agachou-se ao meu lado, olhou-me nos olhos e disse:

– É que tem pãozinho no forno…

Fiquei confuso. Dei um sorriso sem saber o que estava acontecendo. Olhei para a porta entreaberta nos fundos da loja por onde se podia ver a cozinha. Pensei, Será que vai ter festa?

Depois do silêncio ela continuou:

– O senhor é a primeira pessoa para quem conto. Não falei para ninguém ainda, porque não sei se fico feliz ou triste. Mas na verdade eu estou feliz. Estou com medo, mas estou feliz!

Ela continuava com o sorriso que revelava a serenidade das pessoas plenas. Ela resplandecia, brilhava e emanava divindade. Foi então que entendi o que ela quis dizer quando disse que tinha pãozinho no forno: ela estava grávida. O meu sorriso se solidarizou com o dela, dando-lhe a segurança de que eu estava presente.

Meus parabéns!

– Eu soube hoje à tarde… Com o sorriso aberto.

Ela revelou um pouco de tristeza na sua expressão, sentou-se no sofá ao meu lado e começou a contar a sua história. Ela tinha quase certeza de que o pai do seu filho não o reconheceria. Ela tinha medo de contar para os seus pais, porque eles não gostariam da notícia. Ela não sabia como contar para o seu empregador, porque ela ainda estava no período de experiência. Assim, ela revelou as diferentes situações que faziam com que a gravidez parecesse algo não desejável naquele momento de sua vida. Eu a olhava em silêncio, apenas presente. Ela precisava de alguém que a escutasse. Não precisava de ninguém que a julgasse ou que dissesse o que fazer. Ela somente precisava conversar com alguém para compartilhar uma notícia que para ela era divina.

O que isso tem a ver com a Comunicação Não-Violenta (CNV) de Marshall? Considere o foco da CNV como o desenvolvimento de diálogos entre as pessoas com o estabelecimento de conexões genuínas por meio da empatia, sem julgamentos, com respeito aos sentimentos e as necessidades expressas nos pedidos dos envolvidos. Assim, quando você é ouvinte, observe sem julgamento, escute com respeito os sentimentos do outro e entenda as suas necessidades para atendê-las. Silencie em você, mantenha o foco no outro. Ela estava lá. Eu continuava presente. Assim, passaram-se mais de trinta minutos. Não precisei dizer nada, porque ela sabia que eu a escutava.

Quando saí da loja ela me deu um abraço com os olhos cheio de lágrimas de felicidade. Indagou-me se eu voltaria. Disse que sim, porque naquele dia tive a certeza de que havia praticado a Comunicação Não-Violenta ao oferecer a empatia para aquela jovem por meio da escuta.  Pude dormir em mim para acordar no outro ao entender a importância de ter pãozinho no forno.

No Dia de Finados são lembradas as pessoas queridas que já nos deixaram, mas o “pãozinho no forno” nos recorda da vida que se renova.

 

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Eu durmo em mim e acordo em você!

O curso sobre Comunicação Não-Violenta começou. Apresentações daqui e dali baseadas na pergunta: quem é você humano? Não importava a profissão ou o status social. Era importante o que cada um esperava para a sua vida e o que estava disposto a contribuir para com a vida dos outros. A facilitadora apresentou o programa do dia e os quatro pilares defendidos por ela e inspirados na comunicação não-violenta: (1) aprender a observar; (2) abrir espaço para sentir; (3) reconhecer as necessidades; e (4) falar a partir de si em cuidado com o outro como estímulo à cultura da paz. A ideia seria definir e praticar cada um desses pilares num processo circular e evolutivo, integrando-os de modo a que fizessem sentido. Estava bem claro, principalmente porque a facilitadora tinha uma forma muito especial de se comunicar. Ela transparecia a não violência no tom de voz, na maneira de articular as palavras e no uso do português com as suas expressões. Desde o início, uma delas me chamou a atenção:

– Na comunicação não-violenta eu durmo em mim e acordo em você!

Achei bonita a expressão e vi até um certo romantismo nela, mas não consegui captar exatamente o seu sentido. Ela continuou a explorar alguns temas existenciais da proposta da Comunicação Não-violenta subjacentes à pergunta: quem é você humano? Dela deriva outra pergunta: quem é o outro humano? E nesse vai e vem de questionamentos a proposta da comunicação não-violenta faz todo o sentido. Se na minha resposta de quem sou eu humano existem avaliações e observações, sensações e sentimentos e desejos e necessidades, também existirão pedidos de lá e de cá. Por isso, a comunicação não-violenta é esse movimento circular e evolutivo que ocorre mais produtivamente num ambiente em que a harmonia esteja presente. E esse movimento se revela na nossa humanidade. Nós somos humanos porque temos a liberdade de escolha, que pode ser definida como autonomia para alguns ou livre arbítrio para outros, porém na essência continua sendo a liberdade que nos leva a pensar, a sentir e a querer livremente, ponto esse amparado na antroposofia que é uma das bases influenciadoras da facilitadora. Entretanto, na comunicação não-violenta o primeiro desafio é pensar sem rotular, sem julgar e sem avaliar. Porém, basta pensar: “Ele é bondoso demais!” que já rotulamos, julgamos e avaliamos a partir da perspectiva individual, ainda que de forma positiva no exemplo citado. E quantas vezes os rótulos, os julgamentos e as avaliações são negativos? O segundo desafio é sentir sem simpatizar ou antipatizar, oferecendo a empatia num movimento de interesse genuíno pelo outro. E o terceiro desafio é exibir um querer sem reação e sem conflito na busca por um compromisso de ação responsável consentida que gera fraternidade por meio do atendimento das necessidades daqueles que se comunicam sem violência.

A nossa turma estava absorta nas reflexões conduzidas pela formadora. Ela destacou que é muito difícil conseguir pensar, sentir e querer dessa forma, porque não fomos ensinados a isso. Na base de nossas convenções sociais estão a disputa e a busca por recursos, aparentemente, limitados. Nesse ambiente, valoriza-se a agressividade. Entretanto, é na harmonia por meio de um processo de comunicação não-violenta que se expandem as possibilidades e se multiplicam os recursos, que na realidade são infinitos. Por isso, disse ela:

– É fundamental que eu durma em mim para acordar em você!

Mais uma vez ela usou a frase dita lá no início e foi nesse momento que a expressão se revelou para mim. Sim, fazia todo o sentido. É preciso que eu silencie todo o meu ser para poder escutar você com quem me comunico. Assim, eu consigo pensar sem rotular, julgar ou avaliar. Eu posso sentir com interesse genuíno pelo outro. E eu posso querer o querer do outro.

É a beleza da Comunicação Não-violenta com a profundidade da antroposofia.

Inspirado por Gleice Marote

Keea Yuna

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Quem é você na Era Digital? O ESARH ajuda a responder…

Quem é você na Era Digital?

Tenho um amigo que está entre as pessoas mais pacatas, educadas e gentis que conheço. Ele sempre dedica tempo para conversar com ou outros sobre os outros e se coloca à disposição para ajudar. Entretanto, não queira que ele o ajude usando o carro, porque no trânsito ele se transforma. O meu amigo está perfeitamente representado no vídeo da Disney (https://youtu.be/-1TNHmLcEns) que mostra a transformação do Pateta no trânsito. O cidadão de bem, pacato, educado e gentil vira um monstro. E isso é um fenômeno muito mais comum do que se possa imaginar no trânsito. Porém, o que isso tem a ver sobre quem é você na Era Digital? Acredito que ocorre um fenômeno muito similar.

No trânsito a pessoa se transforma ao sentir que está no poder ao conduzir o carro e na Era Digital essa sensação de poder vem do anonimato. Entenda-se a Era Digital, como o período subsequente a Era Industrial, marcada por uma revolução tecnológica a partir de invenções como a rede de computadores, a fibra ótica e os microprocessadores, resultando numa revolução nas comunicações entre organizações e, principalmente, entre as pessoas. Os aspectos culturais de grande parte da população mundial foram afetados. Nos dias de hoje, posso me comunicar em tempo real com pessoas em todos os continentes do planeta. Tenho condições de enviar arquivos, de trocar informações, de fechar negócios, de desenvolver projetos e de estabelecer relacionamentos sem as limitações do espaço existentes antes da Era Digital. O ambiente virtual, resultado da Era Digital, tornou-se algo real e ocupa uma parte importante da vida do cidadão comum. Posso elogiar e posso criticar outras pessoas na rede. Um elogio feito para alguém gera alegria naquele que o recebe. Uma crítica feita no ambiente virtual pode gerar reflexão, dor ou sofrimento, dependendo da forma como ela é feita. O resultado pode ser exatamente igual como num relacionamento cara a cara. A diferença está na possibilidade do anonimato ainda presente no ambiente virtual que criou alguns monstros. Há pessoas, assim como o meu amigo motorista, que se transformam no ambiente virtual. Ao ler um texto com o qual não concordam elas agridem o autor com palavrões e expressões inimagináveis. Ao se defrontar com a opinião política divergente as ofensas são intermináveis. Ao ver uma pessoa na rede com um comportamento diferente daquele que ela considera adequado a maldade no comentário é imediata. E as redes sociais são um campo fértil para a criação de perfis falsos que dá ao cidadão comum o poder de ofender e, na grande maioria das vezes, não ser responsabilizado por isso.

Muitas pessoas falam no ambiente virtual coisas que não falariam cara a cara. E você, expressa-se no ambiente virtual de maneira coerente com aquela usada no ambiente físico? Entendo que este é o passo a ser dado para que possamos (Re) Criar a Humanização das pessoas e, consequentemente, das organizações, independentemente do ambiente ser analógico, digital, físico ou virtual. Vem aí a Era Pós-Digital, em que nós já não nos surpreendemos com o uso da tecnologia, mas com a sua falta, e o anonimato tende a ficar para trás. Por isso a pergunta quem é você? A era e o ambiente pouco importam, porque a escolha é sua: você é o cidadão de bem ou o monstro?

 Quem é você no ambiente virtual? O anonimato permite que você seja quem você quiser, mas é você quem vai revelar quem você realmente é. O ambiente? Pouco importa, a escolha é sua!

 

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br