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DO RUÍDO QUE DÓI À CONSCIÊNCIA QUE ILUMINA

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DO RUÍDO QUE DÓI À CONSCIÊNCIA QUE ILUMINA

O retiro de silêncio já estava no sexto dia, sem celular, internet ou televisão. Nesse tempo, o silêncio exterior abria espaço para um processo de reconhecimento interior que havia começado no quarto dos espelhos, onde cada um manteve contato com o “Eu” Profundo; passara pelo presépio da vida real, em que avaliamos nossas relações; e prosseguira para o desafio de escolher uma missão de vida cujo centro nem sempre é você.Nesse ambiente, éramos constantemente provocados: quais dimensões da sua vida precisam se expandir? Sua vida necessita de um salto de qualidade? Há espaço para o risco da aventura ou apenas para o medo asfixiante? Perguntas que não deixavam o coração em silêncio. A elas somavam-se questionamentos que buscavam nos afastar da mediocridade de viver autocentrados. O convite era reordenar nossos afetos para desenvolver uma missão voltada ao outro.

O ruído amedrontador do silêncio interior dava lugar à dor da constatação: temos apegos que nos diminuem, afetos que nos limitam e seguimos centrados em nós mesmos. Muitos não suportam o silêncio e desistem, porque o ruído interior, na ausência de estímulos externos, é doloroso. Contudo, esse ruído que gera dor é prenúncio da consciência de que o fazer deve ajudar, contribuir e melhorar. Afinal, o que você faz ajuda a quem?

Ao responder com honestidade, descobrimos se a Missão tem Propósito e obtemos pistas sobre nossos afetos. Por que e para quem fazemos o que fazemos? Isso nos leva a refletir sobre as dimensões de nossas vidas que podem se expandir com qualidade, abrindo-nos ao risco da aventura com o outro no centro. A consciência de que nossas ações — e nossas omissões — impactam o outro transforma o fazer habitual em escolha deliberada. Assim, tanto quanto brincar eu posso brigar; tanto quanto partir eu posso ficar; tanto quanto estudar eu posso faltar; tanto quanto persistir eu posso desistir; tanto quanto construir eu posso destruir; tanto quanto amar eu posso odiar; e tanto quanto ajudar eu posso atrapalhar, dificultar, abandonar, desassistir ou desservir. É nessa consciência que se realizam as tarefas de uma Missão que se afasta do estereótipo da utilidade, mas que deve ajudar a alguém.

No silêncio do retiro, a noção da Missão de Vida se define como ajudar. Não se trata de ser útil, pois até o inútil existe para que o útil seja reconhecido. Retomo nossa dependência natural como pessoas, patente nos primeiros anos de vida e, quase sempre, evidente no final da jornada. Portanto, a Missão de Vida se conecta com o fazer, ajudar, contribuir e servir sem ser utilitarista. É um ato consciente de Amor que nos conduz à Luz, o último ambiente de nossa casa interior (analogia de Pe. Eliomar Ribeiro).

Na Luz, o meu Eu Profundo se encontra e se resolve. Na Luz, minhas relações no Presépio da Vida são autênticas. Na Luz, minha Missão de Vida tem o foco no outro, fazendo com que eu sirva e seja servido; ajude e seja ajudado; aprenda e ensine; afete e seja afetado. Ainda no silêncio, pergunte-se: quem eu quero ser para ser Luz? Quais valores orientam a minha missão?

A partir daqui, as dores provocadas pelo silêncio no contato com o “Eu” Profundo começam a se transformar em impulso para novas possibilidades. Vemos nossas fragilidades, que nos revelam nossas forças; enxergamos nossos vícios, que nos permitem avaliar nossas virtudes; constatamos a mediocridade própria da condição humana, mas entendemos que podemos rompê-la com escolhas elevadas. São essas escolhas que nos aproximam da profundidade e da sabedoria.

Com isso, podemos nos perguntar:

  • Qual é a minha missão no casamento e na família?
  • A quem ajudo no meu trabalho?
  • Sou Luz ou Escuridão?

É tempo de Natal. Escolha Ser Luz. Ilumine!

“Se a dor acompanha o ser humano, o que é senão tolice desperdiçá-la?”

(José María Escrivá)

Moacir Rauber

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O SILÊNCIO RUIDOSO ANTES DA MISSÃO

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O SILÊNCIO RUIDOSO ANTES DA MISSÃO

Há muito ruído na jornada da Casa Interior vivida em um retiro de silêncio de oito dias. Quase não há palavras, mas tudo fala, comunica e conecta. Descobrir-se no quarto dos espelhos, onde tudo é sobre si mesmo, é um desnudar-se. Identificar-se no Presépio da vida, assumindo responsabilidades, é um humilhar-se. Esboçar uma Missão para a vida, tomando consciência da dependência, é um entregar-se. Você tem coragem de assumir uma Missão em que o centro nem sempre é você?

Missão, do latim missio-onis, significa envio de alguém para executar um trabalho, serviço ou tarefa, seja particular ou coletiva. A ela se incorpora o propósito, do latim propositum, que expressa intenção ou objetivo. Definir um propósito é orientar nossas ações. Assim, unindo propósito (intenção) e missão (ação), podemos estabelecer nossa rota de vida. Surge então a pergunta: qual é a tua Missão de Vida? Para descobri-la, é preciso desnudar-se diante de si mesmo e do desconhecido, reconhecendo a pequenez humana e revelando a grandeza divina.

Parte-se do pressuposto de que temos boas intenções; por isso, nossas ações devem corresponder a elas. Nesse alinhamento, a Missão de Vida manifesta a luz de um amor divino que nos resgata da fragilidade humana. Cristo é exemplo: escolheu sua Missão ao se entregar totalmente ao Amor Humano na sua trajetória da manjedoura ao calvário. Ele se humilhou ao descer da divindade à humanidade, assumindo responsabilidades que o levaram à crucificação. Desnudou-se por completo, com isso resgatando cada ser humano. Portanto, com sua força, fé e coragem, orienta-nos a esboçar nossa própria Missão de Vida.

No silêncio do retiro, escutava o ruído interior no quarto dos espelhos, colocando-me no centro do meu presépio humano, mas percebendo que Ele está no centro do Presépio divino. Para alinhar intenções e ações é preciso entregar-se sem resistência; humilhar-se é colocar o outro no centro; e projetar nossas ações é reconhecer a dependência que nos liga ao próximo. Seguir esses passos gera clareza sobre a Missão de Vida e, para isso, o discernimento é indispensável.

Discernimento, do latim discernere, significa escolher o certo, usando critérios de avaliação com bom senso e clareza. Hoje é aplicado na psicologia, filosofia e gestão, mas sua origem remonta aos textos bíblicos cristãos e aos seus mestres espirituais. Entre eles, Santo Inácio de Loyola, que nos Exercícios Espirituais ensinou a distinguir, no silêncio, os impulsos da alma e a reconhecer a Missão de Vida ao sair de si mesmo.

Para desenvolver e internalizar a capacidade de discernir, o silêncio é essencial. Desse modo, a prática de pausas, como retiros, meditações e orações, nos conecta com o coração, ensinando-nos a olhar, a escutar e a sentir em modo contemplativo para depois atuar de maneira expeditiva. Aqui nos aproximamos da Missão de Vida ao alinhar a intenção com a ação.

Enfim, no silêncio interior reconhecemos aqueles que nos trataram com amor, respeito e compaixão. Aprendemos então a olhar com amor, a escutar com respeito e a sentir com compaixão, atuando com afeto no mundo que nos rodeia. Assim, ao afetar com AFETO o mundo é melhor. Aqui a Missão de Vida será revelada pelo discernimento.

Você tem coragem de escolher uma Missão de Vida em que o centro nem sempre é você? Se sim, o silêncio deixará de fazer ruído, ele será de paz e tranquilidade.

Moacir Rauber

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VOCÊ, O QUARTO DOS ESPELHOS, O PRESÉPIO E A MISSÃO?

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VOCÊ, O QUARTO DOS ESPELHOS, O PRESÉPIO E A MISSÃO?

A viagem começa no “Eu” Profundo ao entrar no Quarto dos Espelhos, o primeiro dos quatro ambientes da nossa casa interior. Nele, para todos os lados que se olha a pessoa se vê, podendo ver as coisas boas e não tão boas de cada um. As perguntas: você tem coragem de parar, recolher-se e olhar quem você é de verdade? Qual a tua real intenção ao interagir com o outro? Depois disso, a viagem segue para o segundo ambiente, o Presépio. Nele você é o personagem principal, o Menino Jesus do teu Presépio, pequeno, indefeso, frágil e humano. Assim sou eu, assim é o outro. Dependente, muito mais do interdependente. Aqui nos resta discernir que não há nada que fazemos sozinhos, mesmo na condição de adultos. Por isso, ao atuar no mundo é importante ter claro que o outro, igualmente, está no centro do seu próprio Presépio. Com isso em mente, entendemos o sentido da vida e começamos a esboçar a nossa Missão. Sabendo quem você é, reconhecendo a importância dos outros na sua vida, qual é a tua missão?

No meu presépio estou no centro para me responsabilizar por minhas ações na dependência dos que estão ao meu redor. Estar no centro nos dá responsabilidades, muito mais do que prerrogativas. Ao meu redor está a família, os amigos, a sociedade, a minha organização e o meio ambiente a quem acolho e com quem compartilho; com quem aprendo e a quem ensino; e para quem dou e de quem recebo. No presépio do outro, o outro está no centro com a mesma dependência. Entendo que essa lógica se aplica a cada ser humano, uma vez que sozinhos não somos ninguém. Dessa maneira, acredito que é nessa dependência que surge a interdependência que nos faz respeitar, amar, servir e ser compassivo. Tomar consciência dessa realidade nos ajuda a estabelecer a própria Missão fora da nossa casa interior. Portanto, ao recolher-me no “Eu” Profundo e ordenar os ambientes internos posso perguntar: qual é a minha Missão?

O primeiro resultado da consciência da dependência, penso ser a compaixão, porque nela sabemos que a dor que eu sinto o outro sente e assim desenvolvemos a competência de compadecer-nos. A compaixão tem diferentes sinônimos, como enternecimento, consternação, piedade e misericórdia. Este último, ainda que tenha caído em desuso no vocabulário cotidiano, conecta-nos com a graça e o perdão, a capacidade de quem sabe respeitar, amar e servir. A misericórdia é o amor em excesso (Pe. Eliomar Ribeiro) e, dessa forma, ao ordenar o meu Presépio descubro recursos internos que me estimulam a olhar o mundo com compaixão.

Ainda dentro da casa interior traga à sua mente situações em que a compaixão e a misericórdia estiveram presentes, porém, não sendo você o compassivo e o misericordioso. Você lembra de uma situação em que outra pessoa foi compassiva com você? Consegue trazer a sua mente um ato de misericórdia que tiveram contigo (Pe. Eliomar Ribeiro)? Provavelmente, sim. Por mais dura que tenha sido a sua vida, em algum momento, alguém do seu lado que se compadeceu de você, seja no trabalho, na escola ou na família. Da mesma maneira, em alguma situação vivida você foi tratado com respeito, ainda que acreditasse não o merecer; certamente há um evento em que te amaram, apesar da tua própria autocrítica; ou existe um episódio em que alguém o tenha servido de maneira inesperada e autêntica.

Por fim, considerando a nossa casa interior em que identificamos o “Eu” Profundo no quarto dos espelhos e em que ordenamos a nossa posição no Presépio interior, podemos pensar na Missão de vida. Identificar as situações em que recebemos muito mais do que demos; em que aprendemos muito mais do que ensinamos; e em que nos acolheram, prepara-nos para uma Missão em que podemos dar, ensinar e compartilhar a partir do respeito, do amor e do serviço com compaixão e misericórdia.

Como está a tua missão?

Começa o advento, organize o seu Presépio!

Moacir Rauber

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COMO ESTÁ O TEU PRESÉPIO?

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COMO ESTÁ O PRESÉPIO DENTRO DE VOCÊ?

Entrar no quarto dos espelhos é uma visita ao “Eu Profundo” que nos prepara para olhar o mundo concreto. Ao estar no quarto dos espelhos somos convidados a reconhecer as forças, as fraquezas, as virtudes e os vícios, sendo confrontados com a superficialidade e a mediocridade, assim como com a possibilidade de desenvolver a profundidade e a sabedoria. No quarto dos espelhos acontece uma visita íntima em que o silêncio exterior permite que se escutem os ruídos interiores. Aquele que se atreve a entrar no quarto dos espelhos do seu “Eu Profundo” tem um encontro consigo mesmo sem véus, despindo-se diante do mistério da vida. Por isso, é uma visita que nos prepara para olhar para fora. O que se vê de dentro para fora? Como o teu mundo interior contribui na interpretação e na ação no mundo exterior? Perguntas que nos levam ao segundo ambiente da nossa casa interior (analogia Pe. Eliomar Ribeiro): o Presépio!

Nos aproximamos do Natal, um bom período para olhar o Presépio a partir de dentro. O que há no seu Presépio? Desse modo, organizar o presépio interior me permite ver, interpretar e agir no mundo.

Quem é o Menino Jesus no teu presépio? Para nós, cristãos, Ele é o Filho de Deus. Para os não cristãos, Ele pode representar a natureza humana com a sua fragilidade expressa num bebê que precisa de cuidado. Igualmente, Jesus representa as possibilidades infinitas, porque de uma manjedoura Ele alcançou o mundo com a sua mensagem de Amor e de Paz. Você até pode ser ateu, mas Isso é Divino!

A Virgem Maria é a mãe do Filho de Deus, representando o milagre da vida expresso na maternidade com sua força, coragem e fé que nos sustenta com o amor. Quem é São José no seu presépio? Ele é o Pai Adotivo do Filho de Deus, visto como um homem honrado, leal e trabalhador. Ele carrega a imagem do trabalhador que ganha o sustento com o suor do próprio rosto.

A manjedoura e a gruta usadas pelos pastores serviram de berço e de abrigo para o Menino Jesus. Aqui está a nossa relação com o ambiente e com as necessidades humanas. Cristãos ou não, temos necessidades básicas comuns. E, quem são o burro, o boi, o galo e as ovelhas no seu Presépio? No burro se encontra a humildade de um animal perseverante; no boi a força pacífica do trabalho; no galo a comunicação que anuncia um novo reino; e nas ovelhas a harmonia que se sacrifica para o bem comum. Enfim, eles são a natureza da qual dependemos.

Por fim, no presépio estão presentes os anjos que nos conectam com o Criador, assim como os pastores que conduzem e acolhem. A estrela de Belém serve de guia para os Reis Magos que nos orientam para a busca constante de conhecimento com sabedoria para que o Menino Jesus nasça no coração.

Enfim, ao transitar dentro da casa do Quarto dos Espelhos para o Presépio posso responder: qual é o sentido da minha vida fora de mim e como me relaciono com o mundo? Para encontrar o sentido da vida é essencial organizar o meu presépio interior ao reconhecer a minha humanidade e divindade representada em Jesus; ver a força, a fé e a coragem de Maria que se manifesta no amor das ações; ter a lealdade e a honradez de José no trabalho e na vida; acolher o cuidado e a proteção oferecidos pela manjedoura, gruta e pastores, além de exibir o desprendimento dos animais no trato com a natureza; expressar a alegria da anunciação dos anjos com o privilégio da vida; e cultivar o discernimento dos Reis Magos que vem da sabedoria construída com o conhecimento individual no respeito para com os outros. Desse modo, observar e organizar o presépio dentro de nós nos descentra de nós mesmos (Pe. Eliomar Ribeiro) e nos conduz a ver o mundo com sentido e a construir nossas relações.

Como está o teu Presépio interior?

Moacir Rauber

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QUEM É VOCÊ AO SAIR DO QUARTO DOS ESPELHOS?

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QUEM É VOCÊ AO SAIR DO QUARTO DOS ESPELHOS?

Havia entrado no quarto dos espelhos, um dos ambientes da casa de quatro ambientes que somos, segundo a analogia do Pe. Eliomar Ribeiro. O quarto dos espelhos representa o Eu Profundo em que tudo que se vê é reflexo de si mesmo, porém não se pode viver ali. Temos que sair de nós mesmos, porque a vida se concretiza na interação com o outro e não na auto centração. Entretanto, o tempo dedicado a genuinamente avaliar-se nos permite sair da superficialidade presente nos estímulos externos e distanciar-nos da mediocridade reinante naqueles que se consideram satisfeitos com a sua vida. Por isso, ao chegar no retiro de silêncio de oito dias, afastei-me dos estímulos externos, mas me confrontei com ruídos internos a partir das perguntas: (1) quais as dimensões de sua vida precisam se expandir? (2) A sua vida necessita de um salto de qualidade? E, (3) na sua vida existe o risco da aventura ou somente o medo asfixiante?

A pergunta sobre as dimensões da minha vida que necessitavam ser expandidas me provocava, porque me colocava frente a minha satisfação com os sonhos alcançados. Entretanto, na sala dos espelhos éramos confrontados com a afirmação de que “nada é mais perigoso do que vidas satisfeitas” (Pe. Eliomar Ribeiro). Uma vida satisfeita nos leva ao descuido com o corpo, a indolência, ao medo, a anular a vontade, a endurecer o coração e a não desenvolver a razão. Uma vida satisfeita nos deixa covardes ao nos contentarmos com aquilo que somos e temos. Assim, no quarto dos espelhos fui levado a olhar para frente e para os lados e saber que cada uma das áreas da minha vida poderia ser expandida: quais as possiblidades que tenho? E você? Não importa a idade, porque todos somente temos o presente. Por isso, o que podemos desenvolver? Se não há nada para expandir, qual é o sentido de estar vivo?

Com isso em mente, a pergunta sobre um salto de qualidade começa a ser respondida. Desse modo, no quarto dos espelhos olhei para trás para verificar como estava usando o meu tempo: o que significa o trabalho para mim? O que representa a minha presença? E, qual é o impacto do meu trabalho e da minha presença nos outros? Se o resultado do trabalho e da presença não impactar positivamente aos outros, a pessoa está centrada em si, desintegrando, dividindo e desumanizando as relações, uma vez que nós somente podemos falar em qualidade de vida na presença do outro.

Por fim, ao responder as perguntas posso olhar para cima e saber que sou parte de algo maior e olhar para baixo sem ter medo de estar sobre alguém. Com cuidado comigo e com o outro a vida deixará de ser um medo asfixiante, abrindo-me para a aventura da vida que está presente na busca constante. Em que consiste a tua busca? 

Ao entendemos que somos parte do todo, alinhamos as nossas intenções e as ações passando a ser inspiração. Dessa maneira, a nossa imaginação nos desperta para a criatividade com a originalidade de sermos únicos. Estudar, aprender e desenvolver a razão faz bem ao corpo e ao coração, uma vez que a vontade que nos move permite contemplar, sentir, despertar e encantar-se com a vida.

Já é momento de olhar para fora do quarto dos espelhos para sair do Eu Profundo. A tua busca é superficial ou profunda? A superficialidade se manifesta pela desumanização do humano em relações fugazes. A profundidade se constrói com pessoas que se comprometem com a lealdade. A tua busca é medíocre ou elevada? A mediocridade está presente no tarefismo sem sentido que nos leva a um vazio vital encontrado nos não-lugares sem compromissos. A elevação se dá pelo cuidado do corpo, o desenvolvimento da razão em harmonia com o coração e no controle das vontades, comprometendo-nos conosco e com o outro. Assim, chegamos ao Espírito!Qual é o sentido da tua vida fora do quarto dos espelhos?

Moacir Rauber

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QUEM É VOCÊ NO QUARTO DOS ESPELHOS?

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QUEM É VOCÊ NO QUARTO DOS ESPELHOS?

Oito dias… era o tempo que minha esposa e eu nos propusemos a estar no retiro de silêncio. Ao lembrar que tudo seria calmo, senti-me um pouco incômodo, mas, mesmo assim, não levaria o celular… Ao chegar na casa de retiros vimos uma araucária gigante em frente da entrada principal e à direita, um espaço arborizado, com parte ajardinada e vegetação nativa. Um lugar lindo e bem cuidado em todos os detalhes, próprio para a tranquilidade. Fomos recebidos pela Irmã Mari que nos conduziu cada um para o seu quarto. Em seguida haveria uma missa na capela e o silêncio seria a regra. Assim foi. Depois da missa o jantar em silêncio e, logo, cada um para o seu quarto e sem televisão. Ainda bem que trouxe o celular, pensei ao haver sucumbido e minha intenção inicial de não trazê-lo. Acessei minhas mensagens e dormi cedo. Durante a noite, derrubei o celular que se partiu ao cair. Agora sim o silêncio havia chegado!

Na manhã seguinte, irritado por haver perdido a muleta que é o celular, fui à Capela, ao café da manhã e me dirigi para a sala onde teríamos as reflexões que orientariam o retiro. A mente, que muitas vezes nos mente, dizia-me, Onde é que você se meteu….  Todos reunidos e tudo esclarecido sobre o retiro. Na sequência o padre fez uma oração e apresentou a analogia que usaria para “caminhar pelos dias do retiro”: uma casa de quatro ambientes (Analogia do Pe. Eliomar Ribeiro). O primeiro dos ambientes era o quarto dos espelhos em que deveríamos entrar. A descrição nos levava para um espaço em que há espelhos por todos os lados. Para qualquer lugar que se olha somente se vê a si mesmo. Ainda que eu não estivesse tão entusiasmado, as frases reflexivas começavam a me desviar da irritação externa, ela se voltava para dentro. A proposta do retiro não tinha nada a ver com o outro, mas comigo. Tratava-se de um momento para orientar ou a reorientar a própria vida. A mente fustigava, Aos sessenta anos pensar nisso… Olhava à minha volta e via os demais, alguns poucos mais jovens, outros tantos com seus setenta ou oitenta anos fazendo o retiro, respondendo as perguntas e “visitando o mesmo quarto”. Como quase todos eram de vida consagrada, era um exercício que faziam todos os anos. Logicamente que cada um se via no quarto dos espelhos. O que será que cada um enxergava no seu quarto? Já não me parecia que estava num ambiente de silêncio. Havia muito ruído dentro de mim.

No quarto dos espelhos via o meu passado com todas as escolhas feitas que me trouxeram até aqui, assim como me lembrava das pessoas com quem compartilhava a vida. Às vezes, ao olhar de um ângulo diferente não me reconhecia, porque se sobressaíam os pés ou o alto da cabeça. Terminava a primeira reflexão com o humor alterado. Por um lado, a impaciência de quem não tem acesso ao objeto do vício, o celular, e, por outro, a euforia de começar a navegar numa aventura interna profunda. O que mais refletiria o quarto dos espelhos?

A aventura seria guiada por textos e perguntas que nos acompanhariam durante o dia: (1) quais as dimensões de sua vida precisam se expandir? Os textos nos orientavam para pensar no corpo, na vontade, no coração e na razão. (2) A sua vida necessita de um salto de qualidade? A questão nos confronta com o tempo dedicado de modo a que se ofereça algo ao outro sem se esquecer de si mesmo na oração. Por fim, uma pergunta a queima roupa: (3) na sua vida existe o risco da aventura ou somente o medo asfixiante? (Textos bíblicos e exercícios propostos há 500 anos por Santo Inácio de Loyola)

Com essas perguntas em mente, o retiro não era de silêncio. Os espelhos refletem a imagem, mas o silêncio ecoava os meus ruídos.

E você, se animaria a entrar no quarto dos espelhos?

“É na fraqueza que se revela totalmente a minha força” (2Cor, 12, 9)

Moacir Rauber

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QUAIS OS VALORES DAS TUAS ESCOLHAS?

Retiro de Silêncio Casa Santo André – out/25

QUAIS OS VALORES DAS TUAS ESCOLHAS?

A irmã tem 81 anos e faz seus retiros de oito dias todos os anos com atividades de reflexão sobre as escolhas feitas e as escolhas a serem feitas. O condutor do retiro havia destacado a importância de que para tudo na vida “há um tempo para cada coisa debaixo do sol, tempo de plantar, de colher, de nascer, de viver e de morrer…” (Ecl, 3,1). Por isso, há um tempo para dormir, trabalhar, estudar, divertir-se, praticar esportes, rezar e em todo tempo se fazem escolhas. Numa das atividades a freira caminhava por uma parte do jardim, onde encontrou uma jovem e, juntas, observaram um urubu bicando uma planta. A jovem se espantou com aquela ave fazendo algo não comum para a sua espécie e comentou:

– O que esse bicho feio está fazendo?

A anciã a olhou com carinho antes de dizer:

– Não sei se ele é feio ou bonito, mas se ele está na natureza é porque tem a sua função…

A natureza funciona em harmonia, sintonia e ausência de julgamentos. Assim, a crueldade e a bondade; a honestidade e a desonestidade; e a beleza e a feiura não são conceitos naturais, são humanos. Entretanto, o fato de não serem naturais não nos isenta de aprender e exibir comportamentos que estejam em harmonia e sintonia com a bondade, a honestidade e a beleza, ainda que com a presença de julgamentos que nos marca como seres humanos, por isso, pergunto: é certo ou errado julgar?

Entendo ser uma pergunta complicada, porém é importante que a tenhamos presente, uma vez que julgar, para o bem ou para o mal, é constante e natural para o ser humano. Particularmente penso que o julgamento como discernimento, apreciação, entendimento, escolha ou convicção podem ser melhores e mais justos quando fundado em valores reconhecidos como bons. Não se trata de apontar para o outro, a questão se volta para a capacidade de discernir bem de cada um. Ainda que se viva uma tendência a eliminar os limites entre o bem e o mal, o bom e o mau ou o certo e o errado, acredito que é essencial estar nutrido de valores como a bondade, a honestidade e a beleza, para construir uma sociedade mais justa. Apreciação, entendimento e convicção minhas.

Como desenvolver esses valores num mundo tão distraído pelos ruídos e pela busca do prazer imediato? Creio que olhar para a nossa trajetória humana, identificar pessoas que admiramos para observar o que elas fizeram para então buscar imitá-las é um caminho. Muitos de nós olharemos para nossos pais e avós e vamos encontrar alguns valores comuns, como a fé e a perseverança. Qual era a fé que professavam? Como demonstraram a perseverança? Responder as perguntas permite que desenvolvamos valores que nos levarão a diferenciar o bem do mal, o bom do mau e o certo do errado a partir de convicções vindas de um discernimento que nos posiciona na bondade e não na crueldade; na honestidade e não na desonestidade; e na beleza e não na feiura, traduzindo-se em harmonia e sincronia com a natureza. Afinal, não estamos aparte dela.

A partir de um olhar estético com a carga instintiva que nos acompanha, poucas pessoas dirão que o urubu é uma ave bela. Entretanto, ao agregar conhecimento e discernimento sobre a sua função, podemos entender que ele cumpre um papel essencial no equilíbrio da natureza. Desse modo, para a natureza humana os julgamentos com origem no conhecimento acumulado fundado em valores como a fé e a justiça se traduzem em ações bondosas, nos comportamentos honestos e na apreciação da beleza, independentemente de ser um urubu.

A irmã tinha a clareza da beleza presente em todas as coisas, assim como exibia a bondade e a honestidade de escolhas íntegras feitas ao longo da vida que se traduziam em harmonia e sintonia com a natureza. Qual era o seu critério de escolha, de juízo e de convicção?

O amor! E eu já tenho alguém para admirar.

Moacir Rauber

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Inspirado na Irmã Elivete