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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

O ano de 2019 será de inovação. Mas o que é inovação?

– A tecnologia de que dispomos hoje é Inovação?

A pergunta foi dirigida ao público de um fórum de inovação e recebeu um sonoro “sim” como resposta da plateia. Na sequência foi conduzida uma atividade em grupo que reproduziu o barulho de uma chuva. Com movimentos coordenados os participantes fizeram sons que iniciaram suavemente os sons da chuva e, em ordem crescente, pode-se ouvir o ruído de uma chuva torrencial. Depois de alcançar o pico do som da chuva, o som voltou suavemente em ordem decrescente até desaparecer por completo. As pessoas que participavam da atividade tinham a nítida impressão de que a chuva acontecera. A reflexão da atividade era a de que as pessoas deveriam fazer chover em termos de inovação em seus ambientes organizacionais. Com relação a pergunta inicial, particularmente, eu discordo com a resposta da plateia que acredita que a tecnologia de que dispomos hoje seja inovação, assim como a chuva não é uma inovação. Entendo que a tecnologia atual seja apenas o resultado da inovação e não a inovação em si, assim como a chuva imaginária é o reflexo de uma ação deliberada e não é a chuva. O que se vê, se ouve e se usa é apenas a expressão externa de uma inovação que já aconteceu dentro de alguém. Mas então o que é inovação?

O conceito de inovação refere-se ao ato de inovar por meio da alteração de costumes, a renovação de processos, a modificação da legislação, a criação de novos equipamentos ou a adoção de um novo viés para algo antigo. No âmbito empresarial e organizacional a inovação está muito atrelada a ideia de lançar novos produtos e serviços em oposição a produtos e serviços antigos. Destaque dado para tudo aquilo que envolve o digital e o virtual em oposição ao analógico e ao físico. Tem um pouco de verdade nisso tudo, porém antes de que a inovação tecnológica seja uma realidade visível, passível de ser sentida e experienciada, ela precisa ser criada e gerada num local invisível: dentro de quem a propôs. O exemplo da chuva no auditório ilustra isso. A chuva não existiu, mas ela foi real dentro de cada um que participou do movimento. Da mesma forma, tudo aquilo que consideramos inovador hoje em dia, como o modelo Uber de negócios ou o exemplo Bla Bla Car de caronas, já existia dentro de alguém antes de ser exibido. Teve alguém ou várias pessoas que pensaram, criaram, planejaram, expuseram, conectaram e, por fim, a inovação apareceu. Portanto, inovar é muito mais do que simplesmente criar apetrechos tecnológicos.

Inovar tem a ver com uma forma de ver o mundo, com a postura e o comportamento em que são aproveitadas as potencialidades individuais para resolver problemas coletivos. Para isso é preciso criar e conectar para que a inovação seja uma realidade.

Enfim, 2019 será um ano excelente para inovar com as pessoas, porque em tempos em que tudo é descartável resgatar, restaurar e preservar relações é uma inovação.

Todas as inovações precisam ser criadas, porém é fundamental que existam relações que as tornem relevantes. São as relações que criam conexões entre as pessoas que fazem com que a inovação apareça. Por isso, se ainda não podemos fazer chover na natureza quando nós queremos, vamos fazer chover nas nossas relações no Ano Novo. Vamos inovar!

O que você vai inovar em 2019?

Moacir Rauber

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Natal, tempo de resgatar, de restaurar e de preservar.

Natal, período de nascer e de renascer.

Natal, tempo de resgatar, de restaurar e de preservar.

Use um fio de OURO!

O vaso era um presente valioso que o senhor feudal japonês havia recebido de seu mentor. Um jovem pajem era o responsável pela limpeza do vaso. Um dia, ele o deixou cair, quebrando-o. As demais pessoas da corte ficaram preocupadas e cochichavam entre si:

– Coitado do pajem. O Senhor irá castigá-lo muito…

Todos sabiam o quanto o vaso representava para o seu dono e sabiam como ele ficava furioso quando se sentia contrariado. No dia em que o senhor viu o vaso quebrado, ele ficou estático. Aproveitando-se do silêncio que reinava no ambiente, um dos presentes fez um trocadilho humorístico envolvendo o vaso e um poema muito querido por todos. Novo silêncio. A tensão estava no ar. O rico senhor escutou, observou e, finalmente, sorriu pela presença de espírito e senso de humor presente no verso. Logo depois, ele pediu para que recuperassem o vaso e que o fizessem com todo capricho, inserindo nos remendos fios de ouro. Desse modo, o vaso foi recuperado e passou a ser usado até o fim dos dias daquele rico senhor.

Por isso, séculos depois o vaso ainda pode ser apreciado pelas pessoas que passaram a valorizar a importância de se resgatar, de se restaurar e de se preservar objetos. Além disso, depois de restaurado, o vaso passou a impressionar ainda mais pela beleza presente nos novos detalhes, traduzindo-se em resiliência e em vitalidade de continuar a contribuir com a finalidade para a qual fora criado. Muitas pessoas acreditam que a verdadeira vida do vaso começou depois de ter sido quebrado e de ter sido restaurado, porque antes ele servia apenas para a decoração. Depois disso é que passou a ser usado para a sua verdadeira finalidade.

Cada cultura com suas particularidades que transcendem a si mesmas. A cultura japonesa é riquíssima. E o exemplo da valorização do resgate e da restauração das peças de cerâmica, particularmente entendo que está entre os mais belos exemplos. Os japoneses sabem apreciar a beleza da perfeição de uma obra de arte que nunca sofreu nenhum tipo de dano. A obra original traz os traços perfeitos, assim como imaginado pelo seu criador. Entretanto, não é a apreciação da beleza da perfeição presente na obra intacta que faz com que eles deixem de apreciar a beleza da imperfeição presente na restauração de uma obra que se partiu. Ao fazer a restauração da cerâmica com fios de ouro, valoriza-se ainda mais a importância de resgatar e de preservar algo importante.

A preocupação cultural nipônica vai muito além dos objetos. A analogia sugerida se estende às relações de amor e de amizade. Em tempos em que objetos, pessoas e relações são descartáveis uma reflexão sobre resgate, restauração e preservação faz todo o sentido. Entende-se que se alguma vez já existiu amor e amizade entre duas pessoas é porque elas viram a beleza da obra no seu estado original. Certamente que um vaso restaurado sempre apresentará as marcas dos remendos. Essa mesma lógica se aplica a uma amizade que, por algum motivo, tenha se rompido. Entretanto, cada marca pode representar a valorização da importância do conjunto, porque as partes, isoladamente, nada significam. Elas somente podem cumprir com a sua função se permanecerem unidas. Enfim, o vaso nasceu belo e perfeito e era usado para a decoração. Depois, o vaso renasceu ainda mais belo pelos detalhes das imperfeições e passou a ser usado para cumprir com o seu papel.

Por isso, nesse Natal: o que se poderia resgatar nas relações que talvez um dia se tenham quebrado? O que se pode fazer para restaurá-las? Não mereceriam elas um fio de ouro para preservá-las?

 

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

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Natal, período de nascer e de renascer!

O vaso era um presente valioso que o senhor feudal japonês havia recebido de seu mentor. Um jovem pajem era o responsável pela limpeza do vaso. Um dia, ele o deixou cair, quebrando-o. As demais pessoas da corte ficaram preocupadas e cochichavam entre si:

– Coitado do pajem. O Senhor irá castigá-lo muito…

Todos sabiam o quanto o vaso representava para o seu dono e sabiam como ele ficava furioso quando se sentia contrariado. No dia em que o senhor viu o vaso quebrado, ele ficou estático. Aproveitando-se do silêncio que reinava no ambiente, um dos presentes fez um trocadilho humorístico envolvendo o vaso e um poema muito querido por todos. Novo silêncio. A tensão estava no ar. O rico senhor escutou, observou e, finalmente, sorriu pela presença de espírito e senso de humor presente no verso. Logo depois, ele pediu para que recuperassem o vaso e que o fizessem com todo capricho, inserindo nos remendos fios de ouro. Desse modo, o vaso foi recuperado e passou a ser usado até o fim dos dias daquele rico senhor.

Por isso, séculos depois o vaso ainda pode ser apreciado pelas pessoas que passaram a valorizar a importância de se resgatar, de se restaurar e de se preservar objetos. Além disso, depois de restaurado, o vaso passou a impressionar ainda mais pela beleza presente nos novos detalhes, traduzindo-se em resiliência e em vitalidade de continuar a contribuir com a finalidade para a qual fora criado. Muitas pessoas acreditam que a verdadeira vida do vaso começou depois de ter sido quebrado e de ter sido restaurado, porque antes ele servia apenas para a decoração. Depois disso é que passou a ser usado para a sua verdadeira finalidade.

Cada cultura com suas particularidades que transcendem a si mesmas. A cultura japonesa é riquíssima. E o exemplo da valorização do resgate e da restauração das peças de cerâmica, particularmente entendo que está entre os mais belos exemplos. Os japoneses sabem apreciar a beleza da perfeição de uma obra de arte que nunca sofreu nenhum tipo de dano. A obra original traz os traços perfeitos, assim como imaginado pelo seu criador. Entretanto, não é a apreciação da beleza da perfeição presente na obra intacta que faz com que eles deixem de apreciar a beleza da imperfeição presente na restauração de uma obra que se partiu. Ao fazer a restauração da cerâmica com fios de ouro, valoriza-se ainda mais a importância de resgatar e de preservar algo importante.

A preocupação cultural nipônica vai muito além dos objetos. A analogia sugerida se estende às relações de amor e de amizade. Em tempos em que objetos, pessoas e relações são descartáveis uma reflexão sobre resgate, restauração e preservação faz todo o sentido. Entende-se que se alguma vez já existiu amor e amizade entre duas pessoas é porque elas viram a beleza da obra no seu estado original. Certamente que um vaso restaurado sempre apresentará as marcas dos remendos. Essa mesma lógica se aplica a uma amizade que, por algum motivo, tenha se rompido. Entretanto, cada marca pode representar a valorização da importância do conjunto, porque as partes, isoladamente, nada significam. Elas somente podem cumprir com a sua função se permanecerem unidas. Enfim, o vaso nasceu belo e perfeito e era usado para a decoração. Depois, o vaso renasceu ainda mais belo pelos detalhes das imperfeições e passou a ser usado para cumprir com o seu papel.

Por isso, nesse Natal: o que se poderia resgatar nas relações que talvez um dia se tenham quebrado? O que se pode fazer para restaurá-las? Não mereceriam elas um fio de ouro para preservá-las?

 

Moacir Rauber

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Até quando vamos ensinar sobre compaixão?

Os lobos não têm escola, mas eles ensinam a viver!

Recentemente, fiz um curso sobre meditação e liderança que foi espetacular. Foram destacadas as habilidades de um bom líder, entre elas a sua capacidade de ser resiliente, de atuar empaticamente, de praticar a bondade e de exercer a compaixão nas suas ações de liderança. Foram usados exemplos de líderes e farta fundamentação teórica sobre liderança com base na neurociência, na psicologia positiva e em muitos estudos científicos que exploram as questões comportamentais. Destaque foi dado para o desafio de as pessoas estarem presentes no local onde elas se propõem a estar e para isso a meditação é indispensável. Tudo faz sentido. Pode-se observar que em muitas escolas de negócios essas habilidades são ensinadas para que virem competências que o aprendiz exiba no seu dia a dia de relacionamentos, uma vez que somos seres sociais e interdependentes. Foram inúmeros os momentos de reflexão e de conexão com os outros participantes que me esgotaram física e emocionalmente. Ao final do segundo dia, retornei e deitei na cama. Liguei a TV que estava sintonizada num desses canais que apresentam a vida selvagem. O programa explorava a organização de uma matilha de lobos e o processo de aprendizagem a que os filhotes são submetidos. Incrível? Os lobos não têm escola. Os lobos não têm aulas sobre os conceitos de resiliência, de empatia, de interdependência ou da importância de se viver o momento presente. Os lobos tampouco ensinam sobre compaixão e bondade, porém o mais incrível é que eles aprendem. Como?

Os lobos aprendem por meio do exemplo dos pais e dos mais velhos do seu grupo familiar e social. Eles também são animais sociais. E como eles aprendem sem escola? Simplesmente porque os adultos vivem as competências que os filhotes aprendem. Um lobo pai não precisa ensinar ao seu filhote um conceito descrito num artigo científico sobre resiliência ou sobre empatia. Ele será resiliente e saberá ser empático com os demais elementos do grupo no seu dia a dia, porque se ele assim não o fizer colocará a todos em risco. E é isso que o filhote vai aprender. O lobo pai não precisa pegar um texto explicativo sobre o reflexo das suas ações na vida de todos os integrantes da matilha para que o filhote entenda o conceito de interdependência, porque todas as suas ações no momento de uma caçada demonstram o conceito na prática. E é isso que o filhote vai aprender. Um lobo pai não precisa explicar para o seu filhote que é importante estar plenamente presente onde ele se propõe a estar, porque se ele não o fizer poderá não ter outra chance. E é isso que o filhote vai aprender. Os lobos, e os outros animais, simplesmente são o que eles são e estão onde eles estão. E a compaixão e a bondade? Basta observar como eles se relacionam com os filhotes e com os seus semelhantes para se perceber na prática a compaixão por meio de ações atenciosas e a bondade no comportamento íntegro.

E nós, seres humanos, autodenominados como os mais evoluídos do nosso planeta, o que fazemos? Ensinamos conceitos de resiliência, de empatia e de interdependência, mas não vivemos o conceito. Refletimos sobre o grande desafio de não ficarmos presos nem no passado e nem no futuro, mas quase sempre estamos ausentes do presente. E quando ensinamos sobre compaixão e bondade como uma qualidade de liderança não é a incredulidade que acomete a maioria? O que podemos aprender como os outros animais ou reaprender com os nossos antepassados? Que ensinar um conceito é muito diferente do que viver um conceito.

Desse modo, …

…desejo que num futuro não tão distante não se precise mais ensinar nos bancos escolares os conceitos de resiliência, de empatia, de interdependência e, muito menos, da importância da compaixão e da bondade. Por quê? Porque as pessoas simplesmente estarão vivendo os conceitos!

 

Moacir Rauber

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Qual é a sua natureza?

Assistir a vídeos em que um gato ajuda um peixe a voltar para a água; em que um urso impede que um pássaro se afogue; ou em que um cachorro esparge água sobre um peixe que está na margem, revela-nos um pouco sobre a natureza animal.

No fundo todos nós podemos ser bons, colaborativos, altruístas e mostrar compaixão para com os outros, ainda que ele seja de uma espécie diferente ou que pertença a qualquer outra classificação criada pelos humanos.

Porém, seria temeroso acreditar que isso seria possível nas condições naturais de luta pela sobrevivência daquelas mesmas espécies. Por isso, acredito que os gestos de ajuda flagradas em vídeo entre espécies que estão na cadeia alimentar um do outro somente são possíveis porque todos eles estão com as suas necessidades básicas de alimentação e de segurança atendidas.

Como será que seria a reação de um gato que estivesse morrendo de fome ao se deparar com um peixe fora da água?

Qual seria o comportamento de um urso em busca de alimentos para os filhotes ao encontrar um pássaro fragilizado?

O que faria um cão faminto frente a um peixe na margem do rio?

Creio que seria fácil responder o que faria um gato esfomeado, um urso em busca de comida para os filhotes ou um cachorro faminto ao se deparar com um animal indefeso e que fosse parte de sua cadeia alimentar. Eles simplesmente os comeriam, não é? É parte de sua natureza e não há julgamento nisso. Acrescente-se a isso que assim como se veem os exemplos belos entre os animais, também são encontrados exemplos contrários. Quantas vezes os animais são vistos, entre eles gatos e cachorros, brincando de matar? Sim, muitas vezes gatos e cachorros se deparam com um animal que serviria de alimento, caso eles estivessem com fome, e passam a fazê-los de joguetes até os matarem. Da mesma forma, muitos animais não se envolvem com nada além da sua preocupação com a sobrevivência individual e da sua espécie. Mais do que natural e não se pode julgar um animal que não tem consciência de suas ações, porque eles simplesmente seguem a sua natureza. Porém, considero os vídeos que demonstram a compaixão animal bonitos e me enchem de esperança de que podemos melhorar como humanos, porque nós temos consciência dos nossos atos. Entretanto,

O que particularmente me assusta é a conduta de seres humanos que têm as suas necessidades básicas atendidas agirem como os animais predadores famintos. Existem pessoas que brincam de matar simplesmente porque tem o poder para fazê-lo.  Existem pessoas que não se envolvem com nada mais do que a busca pela satisfação dos próprios desejos sem se importar como isso afeta a vida de outras pessoas. E o pior disso tudo é que tais pessoas tem a consciência que as demais espécies animais não tem.

Por isso a pergunta: qual é a sua natureza? Temos o nosso instinto, mas temos a razão. O primeiro está relacionado com as emoções e o segundo com as ações. Entre as emoções e a razão está a capacidade de reflexão, que deveria permitir o discernimento de transformar as nossas emoções, boas ou não, em ações, boas. São as reflexões que nos permitem fazer as escolhas conscientes dos reflexos de nossas ações nas nossas vidas e nas vidas dos demais. Penso que cada ser humano tenha o seu lado bom, assim como o seu lado não tão bom. Por isso, acredito que somos nós que escolhemos ser bons ou não. Desse modo, cabe a cada indivíduo decidir e escolher o tipo de comportamento que vai exibir no convívio com os demais membros da sua convivência.

Qual é a sua natureza?

Qual é a sua escolha?

Vai brincar de matar e de agredir ou vai escolher amar e ser compassivo?

 

Moacir Rauber

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Fora da Caixa pode ser a Nova Caixa?

O facilitador começa o curso dizendo:

– Para ser criativo e empreendedor é fundamental pensar “Fora da Caixa”. Aprender a olhar uma situação por ângulos até então não explorados…

Ele resgatou o surgimento da terminologia “Pensar Fora da Caixa” e apresentou parte do conceito da ideia. Dizem que a expressão surgiu em um treinamento dentro do Grupo Disney em que o facilitador propôs o exercício de conectar os nove pontos marcados em um papel branco que sugerem ser um quadrado sem tirar a caneta do papel.

Na realidade o quadrado não existe, a nossa mente o cria a partir da sugestão feita pelo facilitador e baseada no pensamento estruturado ao qual estamos sujeitos pela nossa formação. Para conseguir realizar o exercício é necessário ultrapassar os limites imaginários do quadrado. Não há unanimidade quanto ao surgimento da expressão, porém

“Pensar Fora da Caixa” leva-nos a encarar uma determinada situação de forma criativa, livrando-se das amarras do pensamento estruturado do observador comum.

Assim, a terminologia “Pensar Fora da Caixa” se disseminou de tal maneira que ela pode ser a “Nova Caixa”. De tanto olhar para fora da caixa já não se vê a caixa que continua sendo uma oportunidade para criativos e empreendedores. Você apenas pensa fora da caixa? E o que você vai fazer com caixa? Ela ainda está lá.

A constatação de que o pensamento estruturado nos faz enxergar a caixa, levou-nos a procurar “Pensar Fora da Caixa”. Porém, ao nos forçar a sempre “Pensar Fora da Caixa” terminamos por não ver a caixa. O estímulo a que sempre se busque o diferente e o inovador faz com que se percam as oportunidades presentes no óbvio e no convencional. Por isso, o “Pensar Fora da Caixa” pode ser uma “Nova Caixa”. As tendências presentes no acelerado processo de inovação têm levado as pessoas a buscarem as oportunidades naquilo que é digital, virtual, novo e ativo. Elas também dão ênfase nas redes de contato das pessoas, no poder aquisitivo do consumidor e na busca pelo culto e pelo belo. Entretanto, um empreendedor deve saber ler para além das tendências e perceber que cada mercado encontrado em ângulos nunca vistos carrega em si um mercado já visto que, muitas vezes, ao se “Pensar Fora da Caixa” pode ser deixado de lado. Deve-se lembrar que do outro lado do mercado digital está o analógico: não é porque há uma tendência de que os produtos e serviços sejam digitais que o mercado analógico tenha desaparecido. Cabe salientar que em oposição ou em complementaridade ao mercado virtual existe o mercado físico: ainda que o virtual tenha crescido mais aceleradamente do que o mercado físico um não elimina o outro. Também é importante pensar que antes do novo existe o antigo: enquanto um trata das novidades o outro é fonte de nostalgia. Da mesma forma, se por um lado se valoriza o ativo também existe o preguiçoso: enquanto um faz exercício o outro descansa. E com relação ao preguiçoso, destaque-se que ele é fonte de inspiração para os empreendedores, porque um preguiçoso sempre procura uma forma mais rápida, mais curta e mais fácil de fazer algo que já se faz. Enfim, se existem as nossas redes de contatos também existem aqueles que não estão em rede nenhuma; se tem pessoas com poder aquisitivo alto também tem aqueles de baixo poder aquisitivo que representam um mercado; a constatação de que há uma busca pelo mercado culto traz em si a existência de um mercado inculto; e a valorização do belo e do bom gosto revela o mercado do não tão belo e de não tão bom gosto. Desse modo,

…ao somente “Pensar Fora da Caixa” pode-se excluir um grande mercado da nossa análise, porque esquecemos de olhar a “Caixa”.

Enfim, o empreendedor criativo deve sim olhar e “Pensar Fora da Caixa”, porém deve se lembrar que também existe a “Caixa”. Ela ainda está lá e é uma oportunidade.

Moacir Rauber

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