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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

É fácil ser tolerante e praticar o respeito? A tolerância é o respeito na prática

Acomodei-me na primeira poltrona do lado esquerdo. Nos voos, a primeira fileira quase sempre é reservada para as pessoas com deficiência, com mobilidade reduzida ou crianças que viajam desacompanhadas. Em seguida entraram os demais passageiros e, ao meu lado, sentou-se um senhor que estava nos seus oitenta anos. Educadamente me cumprimentou e começamos a conversar. Disse ele que estava indo de férias para comemorar os 55 anos de casado. Pareceu-me estranho, porque não via a sua esposa. Ele explicou que ela tinha voltado à casa para buscar outro documento, porque ao chegar no aeroporto ela havia apresentado o documento errado. Agora, eles corriam o risco de não viajarem juntos. Apesar da situação, que para muitos seria catastrófica, aquele senhor conversava com o pessoal de bordo de forma tranquila. Ele estava ao telefone com a esposa e o pessoal de bordo queria saber, Aonde exatamente ela estava? No check-in¸ respondeu o ancião. Olha, tenho ainda três minutos para fechar a porta. O senhorzinho estava tenso e disse, Sim, eu sei. É o seu trabalho. Em seguida veio o comunicado final. Temos que fechar a porta. A sua esposa terá que ir amanhã. Lamento muito. Ele aceitou o veredito com respeito e tolerância. Na sua expressão facial a tristeza, entretanto para a esposa que estava no telefone dizia, Amor, não tem problema. Amanhã você vai. Nosso aniversário será depois de amanhã e aí estaremos juntos outra vez. Não chore, dizia ele. Emocionei-me com ele.

Ao acompanhar a situação entendi que a tolerância é o respeito na prática.

O episódio me fez admirar a maturidade daquele senhor, o que nem sempre acontece com a idade. Para muitos, a situação seria motivo de brigas e ofensas para transferir aos outros uma responsabilidade que não era deles. Outros xingariam e seriam agressivos para com todos e para consigo mesmo de maneira irracional sobre algo que já não estava mais no seu controle. O senhorzinho me demonstrou toda a sua frustração que não havia expressado nem para a sua esposa ou para o pessoal da companhia aérea. Ele ainda os elogiava e estava feliz porque eles faziam as regras serem respeitadas. Não haviam sido eles os causadores dos seus problemas, porque ao exigir o respeito às regras ele se sentia tranquilo de estar em boas mãos. Quando todos respeitam as regras todos estão mais seguros, disse-me. Estava triste, mas não se exasperava.

A tolerância é o respeito das regras na prática.

Entenda-se tolerância como o ato de tolerar sendo uma condição daquele que é tolerante.

Quando se tolera se respeita e respeito é um sentimento comum às pessoas que dão atenção e consideração às suas necessidades em consenso com as dos outros.

Além do mais,

…respeito é o ato de aceitar e submeter-se às regras estabelecidas no ambiente de convívio, que são as condições estabelecidas para que o convívio seja possível no respeito mútuo.

Para isso é preciso ser tolerante. E talvez a falta de tolerância ao não respeitar as regras estabelecidas é que gere tanto sofrimento. A não aceitação e o não respeito às necessidades alheias faz com que todos queiram atender somente as suas necessidades não importando o preço que os demais terão que pagar. Não defendo que sejamos carneiros submissos rumo ao matadouro. Defendo que as regras estabelecidas foram feitas para serem cumpridas e que todas têm exceções que podem ser exercidas pelo bom senso das partes. Entretanto, caso haja uma regra que já não atenda a maioria há que se buscar os caminhos para alterá-la.

Enquanto isso, o período de carnaval é um bom período para ser tolerante respeitando o outro na prática. Na gestão de pessoas e dos problemas organizacionais não é diferente, como nos ensinou o avô.

Moacir Rauber

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Autoconhecimento para os outros? Como assim?

Basta acessar a internet e as diferentes mídias sociais para se encontrar inúmeras informações sobre cursos que preconizam o milagre do autoconhecimento. Os autoproclamados magos do autoconhecimento prometem maior produtividade, uma grande competitividade, pessoas com alto desempenho, além de uma vida saudável em que as emoções permanecem sob controle criando uma vida equilibrada beirando a perfeição.

E são tantas as pessoas que se propõem a ensinar aos outros sobre como conhecer a si mesmo que, muitas vezes, fico na dúvida se aqueles que ensinam entenderam o conceito daquilo que é autoconhecimento.

Pode ser autoconhecimento o conhecimento que é dirigido para os outros?

Pode alguém ensinar sobre autoconhecimento quando não consegue entender a si mesmo ou a viver em conformidade com aquilo que ensina?

São essas perguntas que me fazem questionar o milagre do autoconhecimento.

Acredito que a realização pessoal e uma vida satisfatória passam pelo autoconhecimento. Ressalte-se que essa é uma busca milenar, existencial e individual que acompanha o ser humano desde o questionamento de qual é o real sentido da vida. Geração após geração pensadores se propõem a explicar o sentido da vida a partir de um autoconceito da própria vida. Por isso, é importante entender o que é auto?  “Auto é um prefixo ou um elemento composicional que permite designar aquilo que é próprio ou que funciona por si mesmo” (https://conceito.de/auto). A partir desse prefixo surgiram inúmeras palavras compostas pelo prefixo, referindo-se à ação resultante daquele que agi sobre si mesmo. As palavras autossuficiente e autointoxicação indicam alguém que se mantém por si mesmo e outro que se infligiu uma intoxicação.

Portanto, se é auto é da pessoa para consigo mesma. Além disso, se somos únicos e singulares, tudo que é auto sobre alguém que é único e singular não poderia ser praticado por outros que também são únicos e singulares.

Avancemos então para o conhecimento, entendido como sendo o ato de conhecer algo. Ao juntar a palavra conhecimento com o prefixo auto iniciamos uma jornada interior única e singular para dentro de um ser único e singular. Por isso, entendo ser difícil definir fórmulas para algo que é único e singular como o autoconhecimento. Desse modo,

como alguém que não seja “Eu” pode praticar algo por mim?

O conceito por trás da palavra composta autoconhecimento, segundo a psicologia, reporta que a prática de se conhecer proporcione a que cada um tenha um maior controle sobre as suas emoções, sejam elas positivas ou negativas (http://bit.ly/3aP1LcX). O controle emocional derivado do autoconhecimento tende a contribuir para que a pessoa melhore a sua autoestima e diminua os prejuízos da ansiedade ao manter um equilíbrio emocional benéfico. Esse controle emocional pode ser alcançado pelo autoconhecimento, gerando bem-estar e fazendo com que a pessoa seja produtiva de maneira consciente, independentemente da variedade de problemas. É uma busca natural e humana. Porém, pergunto-me: as pessoas que falam de autoconhecimento sabem o que isso significa? Se ele realmente é auto, por que é necessário fazer um curso de autoconhecimento? Particularmente, não acredito em pessoas que tem a pretensão de ensinar para os outros sobre os outros. A frase “quando ouço Pedro falar de Paulo ouço muito mais de Pedro do que de Paulo” faz sentido nesse cenário. Muitas pessoas que querem ensinar técnicas e fórmulas para o autoconhecimento, oferecendo-se como magos do autoconhecimento, estão falando de si mesmos e da experiência vivida. Destaco que eu acredito na importância do autoconhecimento como um movimento de tomada de consciência individual. Nesse cenário, a presença de pessoas que já percorreram uma jornada interna que os capacite para que auxiliem a que outras pessoas realizem a sua jornada interna única e singular é essencial. Só assim para que o conceito de autoconhecimento seja respeitado.

Eis aí o papel da gestão de pessoas ou da gestão com pessoas. Proporcionar a que as pessoas percorram a sua jornada de autoconhecimento e encontrem sentido naquilo que fazem dando sentido à própria vida.

Autoconhecimento é para si mesmo e, portanto, cada um vai realizar o seu caminho, podendo contribuir com o outro com aquilo que faz ou deixa de fazer.

Moacir Rauber

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Quais as histórias que contamos para nós mesmos? Envelhecendo com qualidade

Quando se tem 19 anos de idade as pessoas esquecem os óculos num canto, perdem a chave do carro no quarto, aparecem em salas de aula erradas, entre outras tantas gafes cometidas em função das falhas da memória. Situações parecidas acontecem com pessoas que estão na faixa dos setenta ou oitenta anos quando elas vão ao mercado e não se lembram onde estacionaram o carro, ao perder o horário de uma consulta ou ao se esquecerem do aniversário da esposa ou do filho.

Qual é a diferença entre a situação do jovem e do idoso, além da idade? Para Daniel J. Levitin em seu livro “Envelhecimento bem-sucedido” a diferença pode estar nas histórias que nós nos contamos, internamente.

Qual a história que o jovem conta para si mesmo pelas suas gafes? Segundo Levitin, o jovem ao perder um compromisso ou se esquecer de algo se justifica internamente dizendo que está com tantas coisas na cabeça que é natural que se confunda ou se esqueça de algo. Qual a história que o idoso se conta para os seus esquecimentos? O idoso se coloca na posição de vítima criando justificativas de auto recriminação em que se culpa ao atribuir os seus esquecimentos à perda da memória como resultado do envelhecimento. Como se pode ver as situações são muito semelhantes e acontecem com todos, independentemente da faixa etária. A diferença está nas explicações e justificativas internas de um e de outro. Enquanto o jovem acredita ser normal se esquecer de algo, não se martiriza e muito menos pensa que está com um tumor no cérebro, o idoso se martiriza e acredita que está com Alzheimer. Não quer dizer que não se deva prestar atenção aos sinais do corpo para as questões de saúde, porém uma diferença de perspectiva para a mesma situação pode mudar o nosso comportamento.

Segundo Levitin, para que possamos envelhecer mantendo a capacidade cerebral uma das estratégias seria a de mudar as histórias que nos contamos ao modificar a postura diante de situações que se repetem ao logo da vida.

O que fazer? Tomar consciência das histórias que nos contamos e estar abertos para novas experiências.

Tomar consciência dos nossos diálogos internos e estar aberto para novas experiências são opções válidas para pessoas de qualquer idade e em qualquer ambiente. É importante para quem trabalha em organizações como gestor de pessoas ter isso em mente. Primeiro, tomar consciência das histórias que cada um se conta, incluindo-se na análise, é que permitirá que as pessoas se abram para novas experiências. A tomada de consciência é fundamental para que a pessoa possa avaliar qual atitude tomar.

Fiz algo que não deu certo? A consciência permite que se faça de maneira diferente. Tem algo que não sei? A consciência permite que eu peça ajuda. Tem algo que faço muito bem? Ter a consciência das próprias competências é que levará a pessoa a ser proativa possibilitando a que o outros membros da equipe contem e recontem as suas histórias.

Para modificar as histórias que nos contamos, além da consciência, é importante estar aberto para as novas experiências. Não tem nada a ver com fazer loucuras potencialmente perigosas. Estar aberto as novas experiências, segundo Levitin, “é estar disposto a tentar coisas novas e estar aberto a novas ideias e a maneiras de fazer as coisas… … Não coisas perigosas, mas coisas novas”.

Enfim, quais as histórias que você está se contando sobre as experiências que têm? Você está aberto para experiências diferentes e novas ideias? Segundo Levitin, esta capacidade é que nos ajudará a ter um envelhecimento de qualidade com a capacidade de desfrutar da vida até o seu limite. E cabe aos gestores de RH ter essa consciência por questões humanas e de produtividade.

Moacir Rauber

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