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Seja amável!

Seja amável!

O dia não havia sido nada daquilo que o meu amigo tinha pensado. Parecia que todas as decisões tomadas produziam resultado contrário ao esperado. A sua cabeça começava a latejar, porque ele não sabia o que diria em casa com tudo que lhe havia acontecido de errado. Pensava:

– Que droga! Como você pode ser tão burro? Idiota! Besta! Você faz tudo errado!

O diálogo interno do meu amigo expressava uma violência que já se tornara habitual em sua vida. Frente a diferentes situações as primeiras e mais duras críticas eram dirigidas para ele mesmo. Estou seguro de que ele dificilmente diria para um estranho palavras tão agressivas quanto aquelas que ele dizia para si. Porém, a violência verbal que ele trazia dentro de si em algum momento seria extravasada. Muito provavelmente, isso aconteceria com alguém próximo, como os familiares. E no momento em que ele contava a sua interpretação da história, ele verbalizava uma série de agressões contra si mesmo. Não havia afeto nessa comunicação, mas a comunicação o afetava gerando dor e sofrimento. Assim, antes da violência externa, ela ocorria no ambiente interno por meio da comunicação que afeta cada um de nós que nutre uma comunicação violenta. Ao escutar o meu amigo descrever o seu diálogo interno pude me identificar, porque as minhas confabulações não eram muito diferentes. Elas, muitas vezes, igualmente eram violentas. Às vezes, contra mim, outras vezes, contra os outros. A violência contra mim ficava explícita quando assumia culpas que não existiam, como taxar-me de burro ou de incompetente. Ela igualmente se manifestava quando não me responsabilizava pelo que era responsabilidade minha, como ao não exibir a coragem de fazer algo que estava ao meu alcance fazer. A culpa não ajuda, porque paralisa, e não assumir responsabilidade impede de avançar, porque afasta as possibilidades. Enfim, a violência pode começar na comunicação íntima, nos diálogos internos de cada um. O que você diz para você sobre você? Você o diz com cuidado como quando conversa com um amigo que respeita? Há afeto, emoção positiva, na sua comunicação consigo mesmo?

A saída é para dentro! Pode parecer clichê, entretanto, é uma verdade. Comento que o meu amigo do diálogo inicial chegou em casa transtornado com a sua realidade externa. A esposa, como de costume, perguntou como havia sido o seu dia e ele, alimentado pela violenta comunicação interna, extravasou. Insultou a esposa, ofendeu os filhos e quebrou alguns objetos da casa. Era a violência que carregava dentro de si que encontrava um lugar para eclodir. Por isso, sem autocuidado e sem se respeitar se torna difícil amar os próximos mais próximos. Jogamos sobre eles as nossas frustrações, os nossos medos e os nossos entendimentos de fracassos. Naquele dia, quase que o casamento e a família do meu amigo se dissolveram. Entretanto, ele soube se recuperar. Pediu desculpas. Redimiu-se com ações. Reeducou-se internamente. Desenvolveu competências socioemocionais que estavam adormecidas para que, finalmente, a sua essência, o AFETO, pudesse se sobressair. Ele passou a comunicar-se internamente com cuidado, carinho e respeito para que quando se comunicasse com os outros revelasse quem ele era sem medo. O meu amigo passou a AFETAR O MUNDO COM AFETO.

Moacir Rauber

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O que você perde ao desistir?

O que você perde ao desistir?

Sabe aqueles dias em que você se levanta sem muita disposição? Pois é, tem dias que são assim. Lembro-me de um dia que merecia celebração e o meu ânimo não estava muito bom. Todo dia deve ser celebrado, mas aquele dia era especial, porque meu sobrinho, que morava comigo, concluía o Ensino Médio com muito bom aproveitamento. A conquista era toda dele, mas para mim era motivo de orgulho ter participado do processo. O dia tinha uma extensa programação. Começava com uma missa de agradecimento pela manhã. No final da tarde tinha a colação de grau. Logo após o jantar e uma festa de confraternização num dos bons hotéis da cidade. Tudo como manda o figurino. Eu havia me proposto a participar da missa e da colação de grau, mas não da festa. Assim, na festa o meu sobrinho poderia fruir com toda a liberdade da celebração de uma conquista individual com aqueles com quem ele compartilhou segredos e fofocas; sucessos e fracassos; amores e desamores, entre outras tantas histórias vividas com o entusiasmo de quem tem 17 anos.

A missa estava programada para às 10h30 na capela do colégio. Para nós somente era necessário percorrer a distância de uma quadra. Quando nos aproximamos da capela veio o choque. Não me lembrava do tamanho da escadaria que era a única forma de acesso à capela. Assim como o colégio, a capela estava abrigada num prédio antigo e não tinha nenhuma estrutura de acessibilidade. Para um usuário de cadeira de rodas como eu era uma dificuldade a mais. Fiquei baqueado. Olhei para o meu sobrinho que sempre solícito logo se dispôs a me ajudar. Faltava cruzar a rua. Olhávamos para os obstáculos de longe. A movimentação dos amigos e familiares dos formandos era intensa em frente a capela. Olhei para o meu sobrinho e disse:

– Vai lá. Aproveita para agradecer o ano que você teve e a tua conquista. Eu não vou. Dá uma olhada… A escada é tão íngreme que chega a ser perigoso…

Despedi-me e voltei para casa. Chegando em casa senti que havia perdido a chance de compartilhar algo relevante com uma pessoa importante. Uma escadaria é um obstáculo para um usuário de cadeira de rodas? Claro que é, mas o que realmente muda é o olhar que cada um dirige aos obstáculos que encontra em seu caminho. Em minha andanças me deparei com muitas dificuldades, mas naquele dia eu vi a escadaria como obstáculo e isso me fez menor. Eu desisti. Desistir me proporcionou uma sensação de alívio imediato, por não ter que enfrentar as escadas e os olhares curiosos das pessoas. Por outro lado, com o passar do tempo ao chegar em casa gerou-me uma sensação de frustração muito grande. Ao desistir perdi a oportunidade cuidar, de amar e de afetar com o AFETO da presença. Ao desistir perdi para mim mesmo…

E você, está perdendo o que ao desistir?

Que em 2021 cada um de nós possa escolher estar presente!!!

Moacir Rauber

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