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COMPAIXÃO OU COMPADECIDO: DE ONDE NASCE A TUA AÇÃO?

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COMPAIXÃO OU COMPADECIDO: DE ONDE NASCE A TUA AÇÃO?

A vida é dura, difícil e, muitas vezes, injusta. Pode-se concordar ou não, mas acredito que boa parte das pessoas pensam dessa maneira. Pais e mães de hoje desejam oferecer o melhor aos filhos e, por isso, proporcionam todo o conforto, as comodidades e a proteção que estão ao seu alcance.

Quando um pai diz ao filho de dezesseis anos, que se dispõe a ir de bicicleta à escola, por exemplo:

— Não, meu filho, eu te levo!

Trata-se de um gesto compassivo ou compadecido? Depende. Há uma diferença significativa entre as palavras que deve ser considerada. Penso que somente com a consciência dessa diferença a empatia e a compaixão surgem como caminhos para a maturidade emocional, que passa pelo equilíbrio emocional e pela sabedoria e discernimento (Mons. Munilla).

Agir de modo compassivo tem origem em um gesto de empatia autêntica, no qual se percebem as dificuldades e o sofrimento do outro, atuando-se para ajudá-lo sem avançar sobre sua autonomia. Por outro lado, agir de maneira compadecida envolve uma identificação emocional que coloca aquele que quer ajudar no centro do problema, sobrepondo-se ao outro. Assim, a ação compassiva resulta de uma atitude empática, consciente e respeitosa, enquanto a ação compadecida nasce da emoção da pena e da identificação com a dor alheia, muitas vezes a partir de uma experiência pessoal. Para marcar a diferença entre compassivo e compadecido, é preciso perguntar: qual é a origem da ação?

Percebo que, hoje, muitos pais agem de forma compadecida porque se identificam com a possível dor do filho, dor que nasce de uma ferida própria. Talvez os adultos que hoje têm filhos adolescentes tenham tido pais que, para os padrões atuais, foram demasiadamente duros. Possivelmente, quando crianças, tiveram de ir a pé ou sozinhos à escola, trazendo lembranças que evocam insegurança. Assim, diante da possibilidade de que o próprio filho possa sentir-se inseguro, fazem por ele aquilo que sentem que não fizeram por si. Surge, então, uma emoção intensa ligada à dó, à pena e à tristeza, levando-os a ações impulsivas, paternalistas e excessivamente protetoras. Esses pais não se perguntam se é positivo ou não para o filho ir de bicicleta à escola; agem movidos pela incapacidade de ver o outro sofrer por causa da própria dor vivida. Comportam-se, portanto, de modo a salvar, proteger e resolver pelos filhos, podando-os.

Por outro lado, os pais que agem por compaixão partem da percepção da dor ou do sofrimento do outro sem perder de vista o próprio equilíbrio emocional, mantendo o respeito, a autonomia e a dignidade de ambos. A compaixão, unida à empatia autêntica, não coloca quem ajuda em um lugar superior, pois preserva a capacidade de avaliar ações adequadas, ponderadas e úteis. Sobretudo, agir por compaixão nasce da real preocupação com o outro, e não do desejo de aliviar uma angústia pessoal. A compaixão empática coloca o outro no centro.

Enfim, qual é o problema em um pai oferecer-se para levar o filho à escola? A princípio, nenhum. Entretanto, é preciso refletir sobre as razões e as consequências dessa oferta. A oferta é por mim ou por ele? Responder autenticamente a essa pergunta revela a motivação. Em seguida, outra questão se torna essencial: o que a minha oferta produz? Esse ponto é crucial, pois ações compadecidas, ainda que aliviem uma dor inicial, tendem a gerar dependência, fragilidade, tristeza, melancolia e depressão, ao transmitir ao outro a mensagem de que ele não é capaz. Uma ação compassiva, ao contrário, tem clareza, presença, respeito, limites e equilíbrio — e eleva o outro.

De onde nasce a tua ação e o que ela produz?

Moacir Rauber

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Inspirado no Decálogo da Maturidade Mosenhor Munilla

ECOS DA PRESENÇA: A ESPERANÇA!

Fonte: https://avos.org.br/

Ecos da Presença: a esperança!

O meu compromisso era de apresentar algumas ferramentas conversacionais ligadas à Comunicação Não-Violenta e à Inteligência Positiva dando aos voluntários alguns recursos a mais no seu trabalho.  Eles trabalhavam como apoio às crianças com doenças graves e seus familiares, atuando no ambiente hospitalar e na casa de acolhimento que funciona ao lado. Na visita que fizemos ao ambiente, ficamos impressionados com a força emocional das crianças que exibem uma luz inspiradora, ainda que enfrentem uma enfermidade grave. Por outro lado, os pais, muitas vezes, se dobram emocionalmente com reflexos físicos visíveis ante a dor dos filhos e, acredito, a sensação de impotência. É um ambiente em que se vê dor e sofrimento, porém é incontestável a presença do amor e da solidariedade. Os voluntários se esmeram no cuidado daqueles que estão fragilizados. Eles acolhem as pessoas com as suas feridas, porém cada voluntário igualmente tem as suas feridas. Isso ficou claro numa conversa logo após o encerramento da oficina em que uma voluntária se aproximou para compartilhar a sua história:

– Perdi meu filho aos 18 anos. Isso faz trinta e três anos. Agora faz 32 anos que atuo com voluntária…

Ela estava visivelmente emocionada com as lembranças do filho que perdera. A perda não estava no seu controle, mas ela mostrava uma força descomunal na sua postura frente à vida que estava no seu controle. Ela tinha feridas, mas havia escolhido a cura.

Há uma frase de José María Escrivá que diz “Se a dor acompanha o ser humano, o que é senão tolice desperdiçá-la?” era uma prática daquela senhora. Ela havia entendido que a dor e o sofrimento são inerentes ao ser humano e não há como evitá-los, contudo, podemos escolher o que fazer com eles. Da mesma forma, entende-se que todos nós trazemos em nós as feridas de uma vida e que cada um de nós, igualmente, traz dentro de si a capacidade de cura. Trata-se de uma ação deliberada de transformar a dor e o sofrimento em atos de amor. E esta senhora, que compartilhava parte de sua vida comigo, mostrou-me como fazê-lo. Ela escolheu estar presente para aqueles que necessitavam. Ela despertava nos demais o seu poder de cura e isso era uma forma de comunicação não-violenta e de prática da inteligência positiva.

Quando perdeu o seu filho, ela era ainda bastante jovem. Assim, seguiu sua vida profissional, contribuindo na renda familiar e dando uma vida digna para os dois filhos menores. Entretanto, ela fez uma escolha importante: reservou uma tarde de sua agenda para estar junto aos filhos de outras mães que estavam assustadas e com medo. Desse modo, nos trinta e dois anos que se dedicava ao trabalho voluntário, ela comentou que entregava a sua presença, dava a acolhida e companhia, criava confiança e, muitas vezes, escutava em silêncio. E era nesse silêncio que ela mais transformava dor e sofrimento em amor.

Ao final da nossa conversa ela revelou, Sempre que estou aqui junto de mães e pais que estão lutando pela vida de seus filhos, eu posso escutar o meu filho. Fiquei emocionado. A situação confirma que nós ensinamos com aquilo que fazemos e deixamos de fazer, por isso ela me ensina com aquilo que ela faz. E com a sua atividade ela praticava a comunicação não-violenta ao observar sem julgar as famílias com seus filhos enfermos; ela agia empaticamente ao sentir com genuíno interesse pelos acolhidos na casa; ela entendia e atendia as necessidades suas e dos demais com a sua presença; e ela se comunicava sem violência no silêncio da presença ou na fala calma, tranquila e serena que despertava nas pessoas o poder da cura. Assim, ela dominou os seus sabotadores e resgatou a sua sabedoria ao viver uma vida plena.

Enfim, no seu trabalho voluntário ela escutava os ecos da presença do seu filho e despertava nas demais famílias os Ecos da Esperança dos atos de amor.

Moacir Rauber

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Dedicado a AVOS é a Associação de Voluntários de Apoio e Assistência a Criança e aos seus voluntários anônimos e aos seus voluntários anônimos

Inspiração: Maria Helena Krueger – produz Ecos de Esperança!

PRAZER OU FELICIDADE?

Fonte: IA Gemini

PRAZER OU FELICIDADE?

Os dois conversavam sobre o estilo de vida de cada um. Um estava com sobrepeso considerável, ainda que mantivesse uma rotina de atividade física. O outro poderia ser considerado magro com o físico esbelto e igualmente mantinha um ritmo de atividade física, ainda que não fosse um atleta. Ao conversarem sobre as preferências alimentícias, aquele que estava com sobrepeso perguntou:

– Como você faz para se manter tão em forma?

– Não sei, eu só como quando tenho fome…

– Comer só quando tem fome? Comer é para ser feliz! Exclamou.

Talvez o diálogo revele muito sobre o momento da história humana em que, muitos de nós, vivemos a abundância sem a disciplina e, como crianças, nos lambuzamos com o excesso. Com isso comemos para sermos felizes e não para alimentarmos o corpo numa clara confusão entre prazer e felicidade.

As gerações mais velhas viveram a escassez. Muitas pessoas não tinham energia elétrica e com isso, muitas vezes, não dispunham de água encanada ou água quente para tomar um banho, além de todas as demais comodidades trazidas pela eletricidade. Da mesma forma, um grande número de pessoas tinha poucos recursos para comprar comida, pouca oferta de produtos de consumo, descartáveis ou não, pouca disponibilidade de conexão, pouco acesso às festas e bebidas. A escassez fazia que a disciplina fosse um imperativo em que o consumo se dava de maneira consciente para que o consumido atendesse a necessidade da pessoa e não apenas o desejo. Hoje nos bate à porta a abundância e temos tudo disponível o tempo todo. Ainda que nossa busca como seres humanos seja pela felicidade, nos tornamos viciados nos prazeres imediatos e não importa a geração.

Para sabermos se somos viciados ou não é fundamental entender a diferença entre prazer e felicidade. Por um lado, o prazer está associado as buscas pessoais que são satisfeitas de maneira individual, que têm curta duração, são tangíveis e irracionais, viciantes e podem ser alcançadas pelo consumo de produtos ou substâncias. Por outro lado, a felicidade não se encontra sozinho, porque se necessita uma conexão real. Além do mais, a felicidade é resultado de um processo de longa duração, sendo, geralmente, algo intangível e sublime que não é alcançável com o consumo de produtos e substâncias. Por fim, a felicidade não é viciante, mas se trata de um movimento consciente em direção a algo maior que se queira alcançar, exigindo disciplina.

Dessa forma, a oferta ilimitada de comida pode se transformar num vício ao comermos mais do que necessitamos, gerando ansiedade, angústia e infelicidade. A possibilidade de tomar um drinque todos os dias nos proporciona um prazer imediato, entretanto no médio e longo prazo nos torna alcóolatras. O acesso às redes sociais poderia representar a conexão que nos traria felicidade, entretanto tem se tornado um vício que nos isola dentro da multidão. O acesso irrestrito à produtos e serviços criou um universo de compradores compulsivos que não conseguem saldar as suas dívidas, viciados em compras desnecessárias. Além disso, os jogos e as apostas online que viciam jovens, adultos e idosos, sem exceções. Desse modo, a busca pelo prazer imediato tem sido o inferno das frustrações de médio e longo prazo.

No diálogo inicial, a surpresa da pessoa ao escutar que o outro come quando tem fome, e não para ser feliz, nos traz algumas reflexões. Comer, além de alimentar, pode nos trazer felicidade se compartilhamos um momento sublime. A importância está na conexão com as pessoas, assim como uma refeição em família que nos cria laços de longa duração com memórias afetivas que sobrepassam a barriga cheia. São a experiências com os outros que nos levam em direção à felicidade.

Por isso, a felicidade é um movimento consciente de conexão com o outro, transformando-se em algo sublime e duradouro. Finalmente, a felicidade não é um vício, é uma escolha.

E você, o que faz para caminhar em direção à FELICIDADE?

Moacir Rauber

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SEM TEMPO PARA VIVER!

Fonte: BING IA

Sem tempo para viver!

Ainda é comum encontrar pessoas que falam dos seus compromissos que se atropelam na agenda. Geralmente estão estressados pelo excesso de trabalho, pelas inúmeras reuniões, pelas tarefas que se acumulam e assim sucessivamente. Quase sempre terminam dizendo:

– Não aguento mais o ritmo que tenho…

Esse tipo de comentário me provoca um pouco de graça, porque, afinal, quem assume ou não os próprios compromissos? Alguém pode dizer que é a secretária ou o chefe, mas a decisão final é individual. A outra reação é de preocupação, porque muitos vivem a rotina do excesso de atividades, resultando no estresse que culmina em doenças físicas e mentais. Talvez, por isso, a saúde mental tenha se transformado num dos temas mais falados nos meios organizacionais e empresariais. O que fazer para diminuir a incidência do estresse negativo que afeta a tantas pessoas nos ambientes corporativos?

Não há uma só resposta para um problema tão complexo, mas atender as necessidades é o que move cada ser humano e a comunicação afetiva é uma ferramenta.

Por um lado, as pessoas têm a necessidade de subsistência, como o abrigo e o alimento, atendida pelo trabalho. Igualmente, elas também têm a necessidade de descanso, representadas pelo equilíbrio e a harmonia que devem ser encontradas no ambiente de trabalho para que possam descansar. Desse modo, é um desafio para os gestores que precisam criar um ambiente em que a produtividade esteja alinhada com o tempo disponível para alcançá-la. Após esse alinhamento, é essencial que cada indivíduo que integre a organização tenha clareza sobre o sentido daquilo que ele faz. Qual é o impacto na vida dos outros a realização do meu e do seu trabalho? Entendo que a partir dessa clareza cada um deve ter a autonomia, que igualmente é uma necessidade individual, para ter uma agenda compatível com a sua capacidade produtiva num ambiente de segurança psicológica gerada pela confiança. Cada um de nós precisa tempo para viver, e a comunicação afetiva pode contribuir.

Portanto, uma agenda compatível com as próprias capacidades faz com que as pessoas atendam outras necessidades, como a liberdade, o afeto, o reconhecimento, o pertencimento e a conexão que contribuem para a transformação saudável do ambiente organizacional. Dessa perspectiva, as pessoas poderão desenvolver-se mais, apropriando-se de ferramentas e recursos produzidos pelo conhecimento humano, como a IA, para o beneficio comum numa organização que não tem lados.

Enfim, precisamos de tempo para viver e a comunicação afetiva pode ser um recurso, porque ninguém pôde nascer por nós, assim como ninguém poderá morrer por nós. Essa consciência nos leva a um processo de comunicação afetiva em que nos ocupamos em acolher os outros por meio de sons que se propagam como ondas suaves e que nos conectam ao outro. Nessa proposta, o “não” para o outro é um “sim” para si mesmo com a tranquilidade de quem tem a segurança psicológica produzida pela confiança existente no ambiente. Destaque-se: “nas relações não é o grito que ressoa mais forte, mas o sussurro que acolhe nos transforma”. Essa é a natureza da comunicação afetiva que nos permite desenvolver o sentimento de pertencimento em que a nossa empresa é o nosso chão, conectando com as pessoas em que o horizonte é o limite da transformação. Finalmente, a consciência da unicidade da vida nos leva a desenvolver a competência da comunicação afetiva expresso no conceito de ser ambivertido (Daniel Pink). Nele, aproveitamos o melhor de nossa parte introvertida, assim como do nosso lado extrovertido ao saber calar no momento de calar e de falar no momento de falar.

Desse modo, não tem sentido que alguém tenha que morrer para ter as suas necessidades de subsistência e de descanso atendidas. Concluo com a ideia da interdependência com a consciência de que não somos tão importantes a ponto de que o mundo não exista sem nós, mas somos sim relevantes para que o mundo seja do jeito que é simplesmente porque existimos nele.

Para isso, cada um precisa de tempo para viver!

Moacir Rauber

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NÃO DESPERDICE A SUA DOR…

Não desperdice a sua dor!

A família estava sentada na mesa do jantar e, de repente, escuta-se um grito e um choro muito forte vindo da sala de estar. O desespero era nítido na reação e no movimento de todos que se levantaram e correram na direção do grito, porque sabiam que o filho pequeno brincava na sala. Ao ver o menino, ele apertava um dos dedos da mão direita com a mãozinha esquerda, sentado diante de uma tomada, em que havia enfiado o dedo. Ele levou o choque e sentiu a dor, mas felizmente pode tirar o dedo dali. O que a dor pode nos ensinar? O que podemos aprender com o sofrimento?

A dor e o sofrimento são inerentes a nossa condição humana. Ela pode ser física, como o dedo na tomada, um tropeção no pé da mesa, uma martelada na mão, uma dor de cabeça ou a dor de um cálculo renal, entre outras dores a que estamos sujeitos. Por outro lado, igualmente temos as dores emocionais que surgem a partir de um processo de demissão inesperada, a perda de um ente querido ou o final de um relacionamento. O que fazer com as dores da vida?

A dor física nos ensina a tomar cuidados e a adotar comportamentos preventivos com relação a sua origem. Para minimizar a dor ou para não tropeçar no pé da mesa podemos usar um tênis ou mudar a mesa de lugar. Para não dar uma martelada na mão podemos desenvolver a nossa habilidade ou usar algo diferente para segurar o objeto a ser martelado. Para evitar a dor de cabeça ou um cálculo renal podemos mudar determinados hábitos alimentares, buscar ajuda médica ou tomar analgésico. Enfim, a possibilidade da dor física nos ajuda a encontrar estratégias e comportamentos que a evitem, ainda assim em algum momento ela nos vai alcançar.

A dor emocional tem outras raízes e podem desencadear doenças que nos produzam dor física. Além disso, a dor emocional pode nos levar ao sofrimento crônico. Para muitos, a demissão de um trabalho considerado estável pode gerar a dor emocional da insegurança, além do medo pela imprevisibilidade do futuro. Para outros, frente a demissão a escolha pode ser pela curiosidade, estímulo, impulso e movimento de descoberta do desconhecido na busca de um novo trabalho. A perda de um ente querido é a causa de muitas dores humanas, desencadeando, por vezes, um processo de sofrimento prolongado. Para muitos, o sofrimento passa a ser uma companhia indesejável e permanente. Para outros, ainda que sintam a dor, a gratidão pelo tempo de convívio é a escolha, mas para isso é essencial cumprir o luto. Da mesma forma, o final de um relacionamento pode ser um momento de dor que leve ao sofrimento crônico, entretanto a escolha é de cada um. Enfim, a dor emocional não cuidada tende a se transformar em sofrimento, inclusive físico.

Por fim, particularmente acredito que a dor física nos ensina a adotar estratégias para evitá-la. Por outro lado, a dor emocional exige que queiramos aprender, porque é uma escolha impedir que a dor se transforme em ansiedade; é um caminho evitar que a dor se transmute em depressão; é um processo possível obstar que a dor exploda em raiva; igualmente, é um processo de construção diária e contínua fazer com que a dor não se transforme em medo, mas em impulso, estímulo e energia para manter o movimento na direção que se pretende ir.

Finalmente, o que um dedo na tomada pode te ensinar sobre a dor? Depende daquilo que queremos aprender. Ao olhar para o menino de dois anos, depois do susto e do medo, ele nos olhava com cara de assustado, mas com uma expressão travessa no rosto. A dor e o medo já haviam passado. Além de aprender a não meter o dedo na tomada, ele sabe como é importante não manter o dedo nela. E você, em quais tomadas mantém o dedo?

“Se a dor acompanha ao ser humano, o que é senão tolice desperdicá-la?” (Josemaría Escrivá)

Moacir Rauber

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QUAIS SÃO OS TEUS COMPROMISSOS?

Quais os teus compromissos Quaresmais?

A conversa fluía agradável como sempre, porém acelerada. A cada poucos segundos a minha amiga olhava para o celular de maneira quase nervosa, respondia uma mensagem e voltava para a conversa. Assim seguimos até que apontei para o celular e perguntei:

– Está tudo bem? Alguma urgência?

Ela respondeu:

Sim, sim, está tudo bem. Tudo normal.

Assenti com a cabeça e pensei, “Se isso é normal, imagina um dia agitado…”.

É um pensamento que antecede a um julgamento sobre o outro, porém quero refletir sobre um fenômeno que acomete a muitos: o excesso de estímulo e a abundância de recursos.

Já é senso comum que estamos sobre estimulados com informações e tecnologia, assim como uma grande parcela vive com excesso de recursos financeiros, comidas e bebidas. Talvez a Quaresma, para muitos pode parecer antiquado, seja um período para resgatar o controle daquilo sobre o que temos controle.

Ao ver a minha amiga num elevado grau de ansiedade, pensei em como me relaciono com o celular. Lembrei que ele é a última coisa que vejo antes de dormir e a primeira que olho ao acordar. Por isso, antes de julgá-la, pude reconhecer que a minha situação não era diferente.

Ao escutar a homilia na quarta-feira de cinzas que marca o período da Quaresma, fui incitado a praticar um movimento consciente em três dimensões: a caridade, a oração e o jejum. Além de ser relembrado que do “pó viemos e ao pó voltaremos”.

Conectei o convite com a minha realidade diária: como estava a dimensão da caridade? Entendendo-se caridade como um princípio cristão criado há séculos que nos leva a amar ao próximo como a nós mesmos, atuando de maneira a ajudar a quem precisa de forma desinteressada, perguntei-me: o que faço que contribui para uma sociedade melhor?

Em seguida pensei: qual é a minha prática de oração? Considerando que a oração é uma prece dirigida a Deus com o intuito de alinhar as minhas intenções com as minhas ações, indaguei-me: que momento dedico para a oração de maneira ordenada e disciplinada?

Por fim, lembrei do jejum: quando foi a última vez que jejuei? Entenda-se jejum como “privação parcial ou total de alimentos, por um certo tempo” (Oxford Language), questionei-me: quando me privei dos prazeres do paladar?

Infelizmente, vejo que faz tempo que não jejuo e não deixo de consumir quase tudo o que está disponível no tempo que quero. Com isso, termino por comer e beber mais do que deveria, o que faz com que o excesso de peso comece a rondar a minha vida. Além disso, nos últimos tempos não fiz jejum de tecnologia, estando conectado quase o tempo todo. A sobre exposição aos estímulos, automaticamente, fez com que reduzisse o tempo da oração, saltando diretamente da cama para a aceleração do dia a dia e não perguntando-me ao final do dia: o que fiz hoje que contribuiu para uma vida melhor? O que fiz hoje que não contribuiu? E, o que posso fazer diferente amanhã para contribuir? Assim, a caridade que tem o propósito de fazer do mundo um lugar melhor com a própria presença foi afetada. Enfim, ao não jejuar e não orar deixei de ser caridoso, porque estava ocupado em atender tão somente aos meus desejos.

Portanto, o convite para jejuar vai além de não desfrutar dos prazeres do paladar, mas de cuidar de tudo aquilo que se consome com os demais sentidos. O que você tem consumido com a vista, a audição, o olfato e o tato? O cuidado com o que consumimos pode nos conduzir à oração, que é o resgate da conexão com Deus para que aquilo que se faz faça sentido. Estão alinhadas as tuas intenções com as tuas ações? E isso nos leva a dimensão caritativa em que a nossa presença contribui positivamente na vida do outro. Desse modo, ao atender as três dimensões propostas para a Quaresma o mundo será melhor.

Qual o teu compromisso de oração?

O que você escolhe jejuar?

A quem você se propõe ajudar?

Assumi alguns compromissos…

Moacir Rauber

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E SE VOCÊ SOUBESSE O QUE FAZER?

E se você soubesse o que fazer?

A situação era nova e exigia uma resposta, entretanto ele não sabia o que fazer. Estava em dúvida e isso gerava ansiedade e medo. Caso dissesse “sim”, tudo mudaria. Caso dissesse “não”, nada mudaria no curto prazo. Quanto mais se aproximava a data para dar uma resposta, mais ansioso ficava e o medo se agigantava. Estava por colapsar:

– Eu não sei o que fazer?

Em seguida teve uma crise de choro…

Você já passou por uma situação de não saber a resposta? Quantas vezes você viu pessoas que não sabiam o que fazer? Provavelmente passou e presenciou situações de dúvida, porém o não saber o que fazer, por vezes, nos leva a não fazer nada, que igualmente é uma resposta. A não ação também é uma ação. Por isso, a importância do gradativo, constante e vitalício desenvolvimento das competências humanas e técnicas para aumentar o repertório de recursos internos de que se dispõe para poder tomar uma melhor decisão frente aos diferentes desafios da vida. Uma dose de ansiedade e de medo são normais.

Particularmente acredito que vivemos num mundo em que perdemos muitos dos nossos recursos emocionais, ainda que estudemos o comportamento humano explorando a inteligência emocional, a mentalidade de crescimento, a psicologia positiva ou outra abordagem, nem sempre mudamos o nosso comportamento. É importante saber, porém: o que fazer com aquilo que se sabe? Por isso, é essencial saber fazer, é fundamental poder fazer e é indispensável querer fazer para finalmente saber ser e estar. Eis as características de uma pessoa emocionalmente forte que transforma a ansiedade e o medo em motores para pôr o conhecimento em prática sem entrar numa crise existencial. É o amor em ação!

Creio que nos debilitamos emocionalmente com o período da abundância que vivemos. Já não aguentamos a perspectiva da dor e do sofrimento, que não é perspectiva, é uma realidade. A facilidade de termos tudo à mão o tempo todo nos debilitou. Qualquer coisa que você queira saber está disponível, porém isso não quer dizer que você saiba. O conhecimento não está em você, ele está nas novas tecnologias e com isso não se desenvolve a sabedoria que nos permite responder com assertividade frente a situações difíceis; não se estimula a coragem para avançar ainda que seja difícil; não se desperta a humanidade para se ocupar de si e dos outros; não se promove a justiça porque o egoísmo se sobressai; não se fortalece a temperança ao desmoronar frente a dúvida, a dor e o sofrimento; e não sabemos o sentido da existência ao não mais buscar pela transcendência. Assim, entramos em crise de choro.

Enfim, penso que observar, estudar e aprender para transformar conhecimento em prática é o desafio das atuais gerações, incluindo aquelas que foram perdendo a fortaleza emocional pelo excesso de recursos disponíveis. Inclusive, em tempos de Inteligência Artificial é mais importante do que nunca aprender, porque ela somente faz sentido se ampliar as nossas competências.

Desse modo é possível aumentar a capacidade de tomar uma decisão (Rápido e Devagar) baseada num repertório de recursos internos que nos ajudam frente as situações difíceis, duvidosas ou assustadoras. Isso porque frente a um dilema ético ou moral, no seu íntimo, você sabe o que está bem ou mal. Frente a uma escolha profissional há um indicador de qual caminho seguir. Diante de um desafio conjugal você sabe que pode ser o momento de calar e não falar. Assim, a decisão é sua com os recursos internos que você tem.

Dessa maneira, acredito que nunca antes na história da humanidade tivemos tanta necessidade de estudar e aprender para transformar o conhecimento em prática e poder ser observado sem temor.

Depois da crise de choro a pessoa disse “sim”, como se soubesse a resposta. Quem mais pode saber sobre você se não for você? Portanto, com coragem engoliu seu medo, resgatou a sabedoria com a humanidade de quem se preocupa com a justiça e a temperança de quem sabe que a vida é muito mais do que uma situação difícil. Ela é simples. Ela é um milagre. Ela é transcendental.

E você sabe o que precisa fazer!

Moacir Rauber

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No Natal: quem pode imitar você?

No Natal: quem pode imitar você?

– Pai, vamos cortar a grama, arrumar o jardim e fazer um pinheirinho para o Natal? Vamos, vamos… falava empolgado o menininho de 5 anos.

O pai assentiu com a cabeça. Logo, perguntou para o filho, ou talvez para si mesmo:

– Você sabe o que é o Natal?

O filho empolgado deu todas as respostas que escuta na televisão, dos amiguinhos, na internet e todo o entorno social. A empolgação era contagiante. Para o pai, os motivos eram um pouco frustrantes. Na reta de final de ano todos respiram festas, comércio, comparações e movimento. Tudo parece que envolve barulho, espetáculo e vaidade. Pensava, É muito movimento e pouca direção.

No seu diálogo interno pensava no Natal com o sentimento de saudades da sua infância. A ingenuidade, a inocência e a boa vontade de fazer desse período algo especial eram lindas, igual a de seu filho agora. Porém, ele acreditava que no seu tempo ela estava conectada com a essência do espírito natalino. As festas eram para celebrar, não para comprar e nem comparar. A preparação começava com o silêncio do período chamado de advento para a chegada de um Ser Humano Divino que mudou para sempre a história da humanidade. Culminava com efusivos abraços e o compartilhar das boas intenções que se mostravam nas ações no Natal. Havia barulho, mas era de amor. Havia espetáculo, mas era da fé. A vaidade? Não entrava nas portas das casas porque não se tratava de comparação. Assim, ele pensava que o Natal é um período em que as pessoas são invadidas pelas boas emoções humanas que, muitas vezes, precisam uma pausa e de silêncio para desvendar as intenções, convertendo-as em ações. Surgem a compaixão, a caridade e o amor.

Desse modo, se no Natal as pessoas estão mais propensas a ser compassivas, caridosas e amorosas, elas também precisam da pausa e do silêncio para dar a direção do seu movimento, porque:

No silêncio nós nos escutamos e escutamos ao outro.

No silêncio aprofundamos o conhecimento com a conexão entre a mente e o coração.

No silêncio entendemos o que sentimos e o que podem estar sentindo o outro.

No silêncio identificamos as necessidades minhas e as do outro.

No silêncio podemos escolher como nos expressar com autocuidado e cuidado com o outro.

Portanto, a pausa vai permitir que AQUELE que nasce para a humanidade nesse dia nos fale ao coração no SILÊNCIO, porque nele existe diálogo. O diálogo exige reciprocidade que acontece no silêncio que nos permite escutar e ser escutado para AFETAR O MUNDO COM AFETO. O silêncio nos conecta com a espiritualidade. A espiritualidade nos traz o discernimento. O discernimento nos brinda com a sabedoria. A sabedoria está no silêncio.

No silêncio a autenticidade se revela com amor.

No silêncio a alegria é autêntica.

No silêncio a comunicação é exigente porque revela a natureza das intenções.

Natal é tempo de resgatar as intenções para transformá-las em ações que podem ser ruidosas, desde que valha a pena romper o silêncio. Desse modo:

Natal é tempo de abraçar.

Natal é tempo de amar.

Natal é tempo de afetar com AFETO porque com AFETO o mundo é MELHOR!

O Pai pensava em tudo isso enquanto olhava com todo o amor para o seu filho e emendou:

– Vamos fazer uma oração de agradecimento ao Menino Jesus?

O menininho, na sua inocência, ingenuidade e boa vontade, ajoelhou-se, rezou e agradeceu. Essa postura de ajoelhar-se frente ao desconhecido nos traz a humildade. Para ser humilde se requer sabedoria. A sabedoria nos leva a espiritualidade. A espiritualidade nos leva a rezar e a agradecer como um gesto natural que dá direção ao movimento. O menino estava pronto para dar direção ao movimento e repetir o comportamento de um Ser Humano adulto e Divino em busca de um mundo melhor. Ele pode imitar você no Natal? E no restante do ano?

Desejo que no silêncio dos corações brotem os sorrisos que revelem a alegria da Felicidade em construir um mundo melhor.

FELIZ NATAL E UM EXCELENTE 2023!!!

Moacir Rauber

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qual é a tua xícara?

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Qual é a tua xícara?

O grande desafio são as pequenas coisas, como as manias, os chiliques e os descuidos para consigo e com os outros que acabam com muitos relacionamentos. Nas famílias aguentamos ou explodimos. Nas amizades toleramos. No trabalho explodimos ou aguentamos. Quase sempre é assim. A sala dos professores é um lugar em que se iniciam muitas guerras por pequenas coisas. Os escaninhos têm nomes, porém, o restante do espaço é compartilhado. O café é um espaço quase sagrado, porque é onde se diminui o estresse e a ansiedade e se aumenta a confiança e a sensação de controle. As xícaras são de uso comum, por isso a regra é “usou, lavou, guardou”. Deveria ser assim, mas nem sempre é assim. E aí começam os problemas. Uma professora, que se considerava organizada e cuidadosa, por vezes, se deparava com uma xícara suja na pia da sala. Quando queria tomar o seu café, olhava para a pia e lá estava a xícara, suja. Ela sabia quem era o responsável por essa “falta de respeito” e não aguentou. Assim, tirou uma foto com o seu celular e compartilhou no grupo dos professores com o comentário:

Quem é o irresponsável que não sabe usar um espaço comum? Sujou lavou para que os outros possam usar. Incrível como tem gente sem noção!

Alguém já vivenciou alguma situação semelhante? Pode parecer caricato, mas acontece.

Uma xícara suja, uma porta aberta, uma luz ligada ou os livros fora de ordem são as pequenas coisas que desencadeiam grandes problemas. Como enfrentar uma situação, aparentemente, simples sem deixá-la se transformar num problema? Pode ser simples, porém não sejamos simplistas. A situação pode ser complexa, entretanto não é necessariamente complicada. O que fazer?

Quando a olhamos detalhadamente, ela traz todos os passos da Comunicação Não-Violenta de Marshall Rosenberg: a (1) observação do fato de encontrar a xícara suja gerou um (2) sentimento de raiva pelas (3) necessidades de ordem e respeito da professora que verbalizou o seu (4) pedido com a estratégia de reclamar no grupo virtual dos professores. Para Miriam Moreno (Facilitadora de CNV), é fundamental acrescentar um passo a mais, que é a capacidade de parar. Com esse movimento é possível observar sem julgar: o que estou vendo? Descrever aquilo que se vê de maneira que seria retratado por uma câmera fotográfica faz com que se tenha uma perspectiva isenta daquilo que se vê. O que estou sentindo? Registrar acuradamente o sentimento gerado com a consciência de que ele não é bom nem ruim, apenas indica que há uma necessidade atendida ou não. Quais as necessidades atendidas ou não nessa situação? Identificar quais as minhas necessidades e a do outro que podem estar envolvidas no fato observado. Por fim, o que vou pedir? Escolher qual a estratégia usar para atender as minhas necessidades que geraram um sentimento decorrente de um determinado fato. Enfim, entende-se que toda manifestação é uma estratégia, acertada ou não, de atender uma necessidade, reconhecida ou não, que gerou um sentimento, bem identificado ou não, a partir de um fato, observado ou não. Desse modo, o ponto fundamental é entender qual a necessidade que quero atender e como ela se relaciona com a necessidade do outro para escolher a estratégia mais adequada. Tirar uma foto e compartilhar no grupo a xícara suja foi a melhor estratégia? Atendeu as necessidade de respeito e de ordem? Provavelmente, não. O que você faria?

Se nas famílias aguentamos, ainda que explodamos*, nas amizades toleramos, ainda que nos incomodemos, no trabalho, se aguentamos ou explodimos, rompemos. O que fazer?

É preciso lembrar que uma xícara suja pode impedir que alguém tenha as suas necessidades de ordem e respeito atendidas, porém com a consciência de que o meu comportamento pode ser “a xícara suja” de alguém. Qual é a “tua xícara”?

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Inspirado por Miriam Moreno

* Alguns gramáticos consideram explodir um verbo defectivo, não sendo conjugado em todas as pessoas ou tempos verbais. Alguns dicionários conjugam explodir como um verbo regular, aceitando essas duas opções como formas conjugadas no presente do subjuntivo, salientando que exploda é a forma mais utilizada no português falado no Brasil e expluda é a forma mais utilizada no português falado em Portugal. (https://duvidas.dicio.com.br/exploda-ou-expluda/)

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Uma reflexão sobre a diferença entre tragédia e acidente para que cada um possa assumir o protagonismo do seu comportamento no trânsito.

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