Skip to main content


Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Qual é a diferença entre falar e viver um conceito?

Aquela seria mais uma das tantas reuniões virtuais que a empresa organizava com os colaboradores distribuídos nos cinco continentes. A diferença é que ela seria estratégica para o sucesso dos negócios da empresa, abordando um projeto que a manteria pelos próximos anos. Por isso, mais do que nunca, a comunicação deveria ser perfeita. Cada colaborador no seu computador, assim como o diretor geral que coordenaria a reunião. Todos foram orientados para que desligassem o seu microfone para que não houvesse nenhuma interferência de ruídos. As reuniões virtuais são interessantes. Todos conseguem se ver e ouvir, mas é possível escolher quem querem ver e ouvir. Neste caso, todos se veriam, mas ouviriam apenas o diretor. A reunião começou. O diretor saudou os participantes e logo entrou no tema da pauta. Ele estava empolgado e destacou que, muito além dos resultados financeiros que o novo projeto traria, deveria existir respeito entre os membros da equipe e que todos pudessem aprender com os erros cometidos ao longo da jornada com a humildade de quem tem a mente aberta. A expressão dos rostos de alguns colaboradores demonstrava irritação. O diretor não entendia o porquê. A questão é que havia um ruído de fundo que dificultava o entendimento daquilo que era falado. O pessoal de TI (Tecnologia da Informação), por meio de mensagens escritas, pedia para que as pessoas desligassem os seus microfones para evitar a cacofonia e recebiam como resposta que os microfones estavam desligados. Porém, o ruído continuava. O diretor, que não percebera o problema técnico, continuava focado no tema da reunião com toda a energia que o momento exigia. O pessoal de TI desesperado. Finalmente, comunicaram o problema ao diretor, que prontamente pediu desculpas a todos e falou que interromperia a reunião. Entretanto, um microfone na sala do diretor continuou aberto e todos continuaram a ouvi-lo. Ele esbravejava:

– Que m… que está acontecendo? Não falei que tudo deveria estar perfeito, seus idiotas… e seguiu ofendendo o pessoal de TI.

A fala do diretor para com o pessoal de TI foi muito diferente do respeito, da aprendizagem com os erros e da humildade que ele recém havia recomendado para todos. Os membros da TI, audivelmente, constrangidos tentavam se justificar. Finalmente, identificaram o problema. Perceberam um segundo computador na mesa do diretor com o microfone aberto, origem da cacofonia.

Trinta minutos depois, a reunião recomeçou:

– Estamos de volta. Obrigado ao pessoal de TI. Eu amo vocês! E continuou a pauta sem relatar a origem do problema ou se desculpar pelo próprio erro.

O que se pode aprender da situação? Mais uma vez que falar de um conceito não é o mesmo do que viver um conceito. O diretor falou de respeito, de aprendizagem e de humildade e teve a oportunidade de viver os conceitos num único evento. Ao receber a informação de que algo estava errado, interromper a reunião foi o correto. Destaca-se, porém, que o tratamento dispensado aos colaboradores de TI não teve nada de respeitoso, não foi um processo de aprendizagem e revelou alguém pouco humilde. Entendo que o diretor aprendeu pouco com o evento, mas com certeza ensinou muito. Respeito? Ele falou de respeito, mas não o viveu. Aprendizagem? Ele a considerou, mas não a exerceu. Humildade? Ele não a expressou e não a praticou. Na retomada da reunião ele poderia ter reconhecido o erro e deveria ter pedido desculpas ao pessoal de TI. Assim, ele teria demonstrado o respeito sobre o qual falara e teria praticado a aprendizagem com os erros que indicara por meio do exercício da humildade. Ao final, ele ensinou que falar de um conceito é muito diferente do que viver o conceito que se defende.

 

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Por que tantas pessoas ensinam a felicidade?

Acredito que nunca na história da humanidade tínhamos tamanha profusão de pessoas com a pretensão de ensinar os segredos de uma vida feliz. Basta ter um e-mail ou uma conta numa rede social para você se dar conta disso. Não passará um dia sequer sem que você receba uma, duas ou mais mensagens oferecendo o milagre das facilidades de uma vida feliz, completa e realizada que pode acontecer num piscar de olhos. Basta você querer. “Exercite a gratidão!”, “Seja autêntico”, “Eleve a sua autoestima e seja feliz!”, “Você é quem cria o seu mundo”, “A empatia é o segredo”, “Pratique a meditação e encontre o seu foco” e por aí seguem os bordões que buscam tocar a nossa alma infeliz. Nas entrelinhas fica a mensagem de que somente somos infelizes porque escolhemos ser infelizes. Sinceramente, boa parte daquilo que está expresso nas chamadas propostas tende a ser verdade. Porém, a minha indagação se propõe a questionar aqueles que ensinam os segredos da felicidade: seriam tais pessoas felizes caso não fossem pagas para serem felizes?

Ao analisar rapidamente a trajetória humana, pode-se dizer que houve algum momento em que ocorreu uma desconexão entre aquilo que fazemos e o sentido que tem aquilo que fazemos. Houve um tempo em que as pessoas entendiam o ciclo completo daquilo que faziam. Sabiam que o que faziam impactava a própria vida e a vida de outras pessoas. Se não se fizesse o que fazia com o sentido da gratidão e do compromisso para aqueles que se beneficiam daquilo que se faz era melhor não o fazer. Para isso, também era preciso reconhecer-se na humildade, na bondade, na esperança, na confiança, na lealdade e na amabilidade de que o que se fazia cumpriria a missão que se esperava. De repente, particionamos tudo. Cada um fazia apenas uma parte e já não se sabia porque se fazia aquela parte e o que ela significava no todo. Perdeu-se o sentido daquilo que se fazia. Não era preciso mais ser grato. Não tinha mais importância o senso de humildade. Fazia pouca diferença ser bondoso ou não. Esperança? Nada disso. Tudo o que importa é aqui e agora. Confiança? O importante levar vantagem, porque a lealdade é para os fracos.  Amabilidade? Tanto faz quando não se conhece para quem se faz o que se faz. Na verdade, quando não se entende o todo ninguém mais é responsabilizado por nada. E assim se passou a priorizar o sucesso e a não se valorizar ser bem-sucedido. Entendo que se nós nos preocupássemos em formar uma sociedade em que ser bem-sucedido fosse o objetivo principal, talvez não faria sentido ter tantas pessoas ensinando os outros a buscarem o sucesso para serem felizes. Acredito que para ser bem-sucedido é importante estar autenticamente alinhado com os valores professados e nem sempre é importante falar bem, cantar espetacularmente, representar maravilhosamente ou ter muito dinheiro. Isso porque ser bem-sucedido independe de ter habilidades espetaculares ou fortunas imensuráveis. Para ser bem-sucedido basta saber o sentido daquilo que se faz para si e para os outros. Isso porque alguém bem-sucedido sempre é um sucesso e nem sempre quem tem sucesso é bem-sucedido.

Desse modo, a partir do momento em que voltássemos a viver do modo que se quer ensinar a viver, é bem provável que o trabalho da legião de magos da felicidade alheia seria dispensável. Penso que ensinar não é uma opção, porque sempre se ensina com aquilo que se faz ou se deixa de fazer. Aprender é a opção. Portanto, se cada um de nós, em nossos diferentes papéis sociais, ao invés de falar de gratidão agisse com gratidão; ao invés de falar de humildade vivesse humildemente; ao invés de falar de bondade fosse bondoso; ao invés de falar de esperança exibisse a esperança; ao invés de falar de amabilidade praticasse a amabilidade; ao invés de falar de confiança fosse de confiança; ao invés de falar de lealdade se comportasse lealmente; ao invés de falar de empatia exercitasse a empatia; e ao invés de buscar o sucesso se satisfizesse em ser bem-sucedido, talvez um maior nível de felicidade seria uma consequência do aprendizado natural daquilo que se vive.

Por fim pergunto: qual seria a função daqueles que hoje são pagos para ensinar a felicidade? Seriam essas pessoas felizes caso não fossem pagas para serem felizes? Talvez seja um passo necessário para um reencontro com a nossa unidade…

Créditos: Rastro Selvagem

O que você aprendeu hoje?

Quando criança, quase todos os dias ao retornar da aula minha mãe perguntava aos meus irmãos e a mim:

– O que vocês aprenderam hoje?

E lá estávamos nós relembrando o dia na escola para contar em casa qual tinha sido o aprendizado do dia. Era um processo de consolidação do conhecimento. Muitas vezes, quando nos tornamos adultos, acabamos por perder o hábito de revisitar o dia para lembrar o que aprendemos e, com isso, não exploramos todo o nosso potencial. Entende-se que potencial é tudo aquilo que alguém acredita que possa fazer e talento é o ato de explorar isso de forma que resulte em benefício próprio e dos outros. Não explorar as potencialidades termina por ser um desperdício de talento e um entrave para a melhoria do mundo. E o que tem a ver gratidão com esse pensamento? No meu entendimento tem tudo a ver.

A neurociência tem incentivado a que as pessoas façam a sua lista de coisas boas ocorridas no dia para exercer a gratidão. No artigo “Gratidão: quais foram as tuas ações?” desafio as pessoas a também se preocuparem em fazer coisas boas para os outros para que os outros possam ser gratos pela tua existência. E aqui, ao perguntar, “O que você aprendeu hoje?”, a ideia é que ao aprender com as coisas boas que faço e que recebo, assim como com aquelas não tão boas que faço e que recebo, posso orientar o aprendizado para melhorar ainda mais como pessoa. Penso que também posso ser grato por isso. Talvez, a opção pelo aprendizado é que vai permitir que eu possa exibir cada vez mais atitudes melhores. Resultado? Um mundo melhor.

E é bíblico. Cada um é responsável pelas dádivas recebidas. A parábola contada por Jesus sobre o patrão que vai se ausentar e deixa aos cuidados de seus empregados dez moedas de ouro para cada um é um exemplo. Um deles gastou tudo em festas, desperdiçou as moedas. O outro enterrou as moedas para ter a garantia de que poderia devolvê-las no retorno do patrão. E o terceiro trabalhou com as moedas de ouro, fazendo com que elas dessem retorno. Cada um de nós recebe as suas moedas naturalmente por meio das potencialidades. Qual é o seu potencial individual? Viver sem se responsabilizar por nada é desperdiçar o potencial. Esconder-se para não arriscar nada é desperdiçar o potencial. Aprender para transformar todo o potencial em talento, colocando-o a serviço de si mesmo e dos outros, é valorizar as moedas e é ser grato pelas dádivas recebidas. Assim, entendo que a vida seja a mais especial das dádivas, por isso, seja grato pelo privilégio de estar vivo, agradeça. A capacidade de aprender é outra dádiva importante, por isso, seja grato pela capacidade de aprender, aprenda. Criar um mundo melhor é a responsabilidade pelas dádivas da vida e da capacidade de aprender recebidas, por isso, seja grato, faça algo que contribua para um mundo melhor.

Ao final, acredito que muito mais do que a lista de gratidão pelas coisas boas recebidas e da lista de coisas boas realizadas num dia é indispensável que se faça uma lista das coisas aprendidas e das coisas por aprender. Mantendo isso em mente e em movimento é que a gratidão deixará de ser um gesto ou uma emoção passiva para realmente fazer a diferença na própria vida e na vida dos outros. A gratidão exige atitude de ser grato ativamente pelas dádivas recebidas. Enfim, lembre-se que o nosso espírito é de uma criança ávida por aprender e fazer a diferença no mundo.

Fonte da imagem: http://menteemharmonia.com/aprendizado-e-experiencia/

Quais as coisas boas que lhe aconteceram hoje?

Quais as boas ações que você fez hoje?

O que você aprendeu hoje?

E amanhã, o que você vai fazer com aquilo que aprendeu hoje?

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: [email protected]

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Gangorra humana

Os últimos meses foram de uma literal gangorra humana. Foram perdas de pessoas queridas, constatação de que quase nada é como parece ser e o enfrentamento de situações emocionais tensas. Por outro lado, foram meses em que conheci pessoas admiráveis, confirmei que os amigos são extraordinários e vivi momentos agradáveis de aprendizagem simples e objetiva.

Enquanto a gangorra balança a vida segue. 

Balanço positivo!!!
Fonte: http://atividadesdealfabetizacaodatialiu.blogspot.de/2015/02/volta-as-aulas-desenhos-atividades.html