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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Trabalhando de graça!

Lá estava ele com seus mais de cinquenta anos trabalhando numa instituição beneficente. Não que ele não precisasse trabalhar para si, a questão é que ele simplesmente não tinha trabalho naqueles dias, pintor autônomo que é. Eu sabia que ele estaria naquele local, assim encostei o carro ao lado e puxei conversa:

– E aí, tudo bem por aqui?

– Tudo. Trabalhando de graça. Tô sem serviço.

Foi a resposta do meu amigo, enquanto ele continuava o trabalho de pintura. Logo vimos outro carro se aproximar e parar. O senhor desembarcou e cumprimentou o meu amigo para depois comentar:

– Estou precisando fazer uma pintura lá em casa. Você faz esse tipo de trabalho?

O meu amigo ficou feliz da vida. Disse que sim e que estava momentaneamente sem trabalho. Teria ainda meio dia pela frente naquele trabalho voluntário e depois poderia se dedicar inteiramente a nova empreitada. Saíram para olhar a obra. O meu amigo voltou feliz da vida porque para o restante da semana ele já teria trabalho. O visitante havia aprovado o seu orçamento. Tudo isso aconteceu porque ele estava trabalhando de graça naquela obra assistencial. Fazendo trabalho voluntário para aproveitar o seu tempo livre.

Já vi muitos jovens negarem ofertas de trabalho ou estágios em suas áreas de interesse porque consideram a remuneração inicial muito baixa. Um jovem que vai cumprir um estágio ganha no mínimo quatro vezes mais do que o valor nominal estipulado inicialmente. Explico. A diferença entre ter e não ter é o dobro, porque o núcleo familiar a que o jovem pertence deixará de gastar o valor que ele recebe. No momento em que o jovem for pensar em gastar o dinheiro que ele teve que suar para ganhar ele pensará duas vezes, isso equivale a mais uma vez o valor nominal. Por fim, na próxima vez que ele receber uma oferta de trabalho a experiência já estará incorporada em seu novo salário, representando a quarta valorização do seu trabalho inicial. E tem muitos pais que aumentam o coro de acreditar que o filho estará sendo explorado se não receber um grande salário já no sua primeira oportunidade de trabalho. As pessoas também devem se perguntar o quanto estão dando em contrapartida com o que recebem? No meu ponto de vista, quando se faz algo sempre se recebe algo e, muitas vezes é muito mais do que aquilo que se dá.

Voltemos ao exemplo inicial. Caso o meu amigo naquele dia tivesse resolvido ficar em casa se lamentando pela falta de trabalho ele continuaria sem trabalho. Assim, ele se dispôs a colaborar sem remuneração para uma instituição que também ajuda outras pessoas e em pouco tempo foi ajudado. O meu amigo se colocou numa vitrine. Conhecendo-o como o conheço sei que o seu gesto não foi com essa intenção, porque ele o fez com o real intuito de contribuir. Estar disponível para a sociedade da qual participamos é uma dádiva daqueles que entendem que somente por meio do se entregar é que se recebe. É uma lei universal. Quem ajuda é quem mais é ajudado.

E você, está trabalhando de graça? Não? Deveria começar…

de-graca