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Abandonar animais é crueldade… E crianças?

Abandonar cães é crueldade… E crianças?

Na última semana um amigo meu presenciou uma cena revoltante: o abandono de animais. Ele estava estacionado à beira da rodovia quando um carro parou bem à sua frente, abriu a porta e jogou um cão para fora. O cão ainda correu atrás do veículo que se distanciou. Logo ele desistiu. O meu amigo ficou observando o cão em seu desespero. Embora nunca quisesse ter um bicho de estimação, ele decidiu recolhê-lo e levá-lo consigo, porque abandonar um animal domesticado às margens da rodovia era crueldade. Eu concordei e comentei:

– Primeiro vão lá, compram, domesticam e mimam o bicho para depois simplesmente descartá-lo. Não dá para entender o ser humano…

Em seguida, avançamos para as relações humanas.

– As pessoas estão se acostumando a abandonar com facilidade aquilo que lhes parece difícil, disse o meu amigo.

– Como assim? Indaguei

A pergunta foi o estopim para uma reflexão. Ele discorreu sobre como as pessoas estão cada vez menos comprometidas com os seus papéis sociais. Para o meu amigo, as crianças são as primeiras vítimas de pessoas que não assumem as suas responsabilidades. Ele acredita que boa parte das crianças são levadas para serem educadas nas creches, porque os pais querem ser seus “amiguinhos”. “Isso não tem lógica. Amigos eles fazem fora de casa. Em casa eles precisam de pais que sejam seu porto seguro para as orientações”. Depois falamos sobre os idosos. As pessoas estão vivendo cada vez mais tempo e muitos daqueles que envelhecem não querem “incomodar”, por isso se retiram para um lar de idosos. Porém, a grande maioria dos idosos é induzida ou conduzida para o lar de idosos. Os filhos não têm tempo para cuidar dos pais idosos, porque eles dão trabalho com suas ranzinzices. É preferível ter um cão, argumentou o meu amigo. Por fim, falamos dos relacionamentos, como amizades, casamentos e profissionais. Da mesma forma, segundo a nossa conversa, as pessoas não têm mais o sentido da responsabilidade pela construção e manutenção de um relacionamento, seja ele uma amizade, um casamento ou na profissão. Frente às divergências fica mais fácil mudar de turma, de parceiro ou de empresa. Amizades são rompidas por divergências de opiniões, os casais se separam no momento que descobrem que o príncipe não existe e o compromisso com a empresa desaparece por um simples conflito. Daí pulam de galho em galho para o novo melhor amigo e o novo grande amor! Finalizou o meu amigo. Enfim, para manter as relações com os filhos, com os pais, com amigos, com os parceiros e com quem fazemos negócios é preciso se dedicar ao outro como escolha.

Associamos parte desse comportamento à Era Digital em que estamos que tem nos possibilitado conexões com quem não era possível e a desconexão com aqueles que estão ao nosso lado. Digital, analógico, físico ou virtual? Não é essa a questão. Cada um faz a sua escolha. Concordamos que criar relacionamentos, estimular laços afetivos e estabelecer vínculos para depois simplesmente descartá-los não é a parte boa da evolução que acompanha a Era Digital. Particularmente, acredito que toda a tecnologia possa e deva nos gerar conforto, segurança e bem-estar, porém ainda estamos na fase da criança que se lambuza com o chocolate.

Enfim, não abandonem os cães, porque isso é crueldade. Porém, como classificar o abandono das crianças? Não sei o adjetivo, mas bom não é. Portanto, não abandonem as crianças. Cuidem delas! E cuidar quer dizer orientar, amar, incentivar, estimular, nortear e assumir o papel de pais ao se responsabilizar pela sua educação na Era Digital. Só assim para se criar uma geração de pessoas que se ocupe de pessoas, independentemente de serem idosos, pais, amigos, cônjuges ou colegas.  Digital, analógico, físico ou virtual? Pouco importa. Essas crianças irão cuidar de pessoas por meio de relações duradouras e afetuosas.  Isso é que nos faz humanos!

“Cuidem das Crianças para que os adultos não abandonem os Idosos!”

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!

Moacir Rauber

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A sabedoria vem com a idade?

Outro dia participei de um evento que reunia pais e filhos. Eram mais ou menos umas quatrocentas pessoas. Em algumas atividades nas quais solicitava a presença de um voluntário as crianças logo estavam dispostas a participar. É a espontaneidade em seu estado natural. Além disso, houve um momento que foi muito especial. Pedi a participação de um voluntário. Não tive tempo para identificar quem chegou primeiro, porque muito rapidamente dois meninos de mais ou menos oito anos estava junto a mim. Fiz a atividade com ambos e ao finalizar estava diante de um impasse:

– O que vamos fazer? Vocês estão em dois e eu somente tenho um presente para entregar. É um livro. Não dá para dividir…

Silêncio na plateia. Silêncio entre os dois meninos. Entretanto, logo um deles propôs:

– Quem sabe um fica com o livro primeiro para ler. Depois entrega para o outro ler ele também.

Novo silêncio. Pareceu-nos a todos uma boa e justa alternativa. Estávamos felizes com a solução.

– E depois a gente doa ele… Complementou o segundo que sabia que do outro lado da rua onde estávamos havia uma biblioteca pública.

Foi simplesmente fantástico. Fiquei boquiaberto com a solução, assim como todos os presentes. Na sequência, os aplausos vindos da plateia foram espontâneos e naturais porque os adultos reconheceram o momento presenciado. Se a espontaneidade já havia marcado presença em seu estado natural com a participação das crianças, também a sabedoria se manifestou de forma espontânea e natural com as atitudes delas. Fiquei a me perguntar: em que momento da vida nós perdemos a espontaneidade e deixamos de nos tornar sábios naturalmente?

Não sei a resposta, mas tenho me questionado sobre a pergunta. O tema do evento era justamente a importância de nos relacionarmos num ambiente de respeito, de aprendizagem e de confiança. Falou-se sobre a importância do respeito para consigo mesmo e também para com o outro. Reconhecer-se como a pessoa mais importante para si mesmo, não é um exercício egoísta. Egoísmo é quando as pessoas somente se preocupam e se ocupam consigo mesmas. A pretensão era exatamente a de destacar a importância do altruísmo e da empatia ao reconhecer a própria importância para poder se preocupar e se ocupar do outro. Falou-se da aprendizagem como sendo uma escolha individual. Escolhemos se aprender é uma tarefa ou um lazer, assim como escolhemos aquilo que queremos aprender. Por outro lado, ensinar não é uma escolha, porque ensinamos sempre com aquilo que fazemos ou deixamos de fazer. E também se falou de confiança como um ato de preservar os bons valores que nos regem como sociedade. Aquele momento proporcionado pelos dois meninos nos mostrou sobre a existência do respeito, sobre o processo de aprendizagem e sobre o exercício da confiança entre ambos.

Naquele evento, nós, os adultos, falamos que é importante um mundo em que o respeito, a aprendizagem e a confiança sejam os valores que norteiem as nossas ações. Elas, as crianças, mostraram como se faz um mundo em que o respeito, a aprendizagem e a confiança sejam uma realidade. Elas expressaram os valores de forma natural e espontânea. Portanto, se nem sempre a sabedoria e a espontaneidade vêm com o passar dos anos, cabe a nós reavaliarmos como aprendê-las. O que será que as crianças podem nos ensinar ainda mais? Sim, porque naquele evento, os adultos que foram para ensinar saíram como aprendizes das crianças. E a sabedoria vem com idade? Somente se nós continuarmos dispostos a aprender apesar da idade.

Feliz Dia das Crianças!

Moacir Rauber
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