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Campo de Girassol

Campo de Girassol

“Nesse percurso matutino, foi impressionante como os campos de girassóis, que são imensos, estavam se voltando, logo no início da manhã, para o sol. A reflexão que fiz foi a seguinte: quantos campos de girassol eu já deixei para trás? Quantos girassóis ainda me acompanham? Que tipo de luz eu sou para que alguns me sigam? Para quem eu sou uma luz hoje? Certamente no canteiro da educação, a gente vai se tornando uma luz na medida em que fortalecer a qualidade acadêmica, tiver uma presença significativa e puder ser um sinal de esperança.” (Luiz Síveres – Peregrino da luz, Universidade Católica de Brasília – Caminho de Santiago de Compostela)

 

Quem abre as portas?

Chegamos na associação comercial daquela cidade. Estava acompanhado de meu editor e amigo. Dirigimo-nos até a sala da Secretária Executiva. Passei pela porta e a vi. Pareceu-me um rosto familiar. Ela olhava fixamente para o meu amigo, que também a olhava. Ele franziu a testa. Eu fiquei um pouco perdido, porque senti algo diferente no ambiente. O que está acontecendo aqui?, indaguei-me. Foi logo depois que veio a surpresa. Ela saiu detrás de sua mesa, abriu os braços e abraçou carinhosamente o meu amigo. Emocionada, disse:
– Professor, seja bem-vindo. Quanto tempo que não o vejo!!!

O meu amigo logo a reconheceu:
– Que coisa boa encontrá-la aqui!!!

Ambos continuaram a conversa por um bom tempo resgatando lembranças. O meu amigo havia sido Coordenador e Professor daquela Secretária Executiva no período da faculdade. Foram quatro anos de relacionamento intenso. Eu apenas os observava. A cena era muito bonita. Trouxe-me a mente a confirmação de que respeito dá lucro no curto, no médio e no longo prazo.

Eles haviam se conhecido e convivido na universidade, ela como aluna, ele como professor e coordenador de curso. Foi uma agradável surpresa. Poderia não ser assim. Para muitos que já passaram pelas universidades as lembranças de seus superiores hierárquicos, sejam eles professores ou coordenadores, nem sempre é tão boa. São tantos os profissionais que usam a autoridade das funções para garantir prerrogativas e benesses pessoais, pouco se importando com quem está do outro lado. São pessoas que ainda não entenderam que tudo que existe fora da natureza é feito por pessoas e para as pessoas. E o mínimo que uma pessoa merece é respeito.

Por outro lado, o meu amigo sempre entendeu que ser o coordenador não era fonte de prerrogativas e regalias, mas que lhe gerava responsabilidades. Assim, ele soube exercer a autoridade que as funções lhe cobravam respeitando a liturgia do cargo e, principalmente, respeitando as pessoas. Ele sabia que as pessoas que estavam sob sua gestão mereciam o respeito que ele também queria. Finalmente, o meu amigo sempre entendeu que estar numa posição ou noutra era circunstancial. Hoje sou gestor, amanhã posso ser gerido. E não há ninguém que, cedo ou tarde, não esteja numa ou noutra posição.


Passados dez anos desde o momento em que conviveram, ambos tinham boas lembranças do relacionamento. O meu amigo professor e coordenador, ao respeitar as pessoas, obteve lucro no curto prazo ao trabalhar num ambiente agradável. Ele também obteve lucro no médio prazo ao formar pessoas melhores. E o lucro no longo prazo se confirmava agora, na minha frente. Uma visita comercial seria agendada. O produto que o meu amigo ofereceria deveria ser bom, como realmente era. Porém, a porta teria que ser aberta. Naquele dia, a pessoa que estava detrás da mesa que poderia lhe abrir ou fechar as portas era alguém do passado que se sentira respeitado. Respeite a si mesmo ao respeitar os outros. Não roube a si mesmo nem aos outros, respeite. 

O respeito abre portas!