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Pão duro ou mão aberta? No equilíbrio a Generosidade!

Pão duro ou mão aberta? No equilíbrio a Generosidade!

A vida estava por terminar. Ele trazia em suas lembranças a luta, o trabalho e a abnegação presente em sua jornada para poder acumular uma riqueza que nem os seus filhos conseguiriam gastar. Agora ele se retorcia de dor na cama, porém a sua preocupação continuava dirigida para a sua fortuna. O que faria com os imóveis? Qual o destino das suas empresas? Como seria administrado o seu fundo em ações? Enquanto estava nesse dilema outra vez tiveram que chamar a enfermeira de plantão que controlou a situação. Entretanto, todos ali sabiam que a sua partida era uma questão de tempo. Não havia mais o que fazer. Ainda assim, ele não conseguia se desconectar das suas riquezas materiais. Sabia que trabalhara muito para juntar a fortuna que não queria abandonar. Tinha noção que havia feito coisas que até Deus duvidava para fazer “bons negócios”. Nunca gastara um centavo com algo que não fora obrigatório. Por isso, estava ali no leito de hospital sem direito a acompanhante. Pensava:

– Não vou gastar meu dinheiro com isso. Pago impostos…

Do lado de fora, os filhos esperavam as notícias. Nenhum deles estava preocupado com as preocupações do pai. A avareza do pai sempre fora questionada pela mãe, pelos filhos e pelas pessoas com as quais convivera. Muitas vezes lhe haviam dito para fruir um pouco daquilo que acumulara, mas ele era um pão duro. Um dos filhos, notadamente um folgazão, sempre vivera como um nababo. Adulava o pai para obter as vantagens da sua riqueza. Ele era um verdadeiro mão aberta com o dinheiro que o pai se recusava a gastar. A situação pode parecer caricata, porém é verdadeira e se repete em diferentes famílias, organizações e culturas. De um lado, existem os avarentos. De outro, os esbanjadores. O avarento pode estar no papel de um líder, de um cônjuge, de um amigo ou de um colega de trabalho. São pessoas que não dão, não ensinam e não compartilham. Eles não confiam em ninguém e guardam para si as informações para manter a sua relevância pelo que possuem. Assim, podemos ter chefes mesquinhos, cônjuges miseráveis, amigos sovinas e colegas fominhas que apenas querem ganhar da posição, receber do amor, tirar das amizades e exaurir dos colegas. O esbanjador não se importa com aquilo que recebe e com aquilo que dá ao desperdiçar os recursos, os amores, as amizades e as relações. Não sabe o valor de se comprometer consigo e com o outro. O esbanjador não aprecia o esforço do líder para fazer com que a organização se mantenha; não reconhece a força de uma amor; não considera os benefícios de uma amizade; e não entende a interdependência com os colegas. Por isso, o desafio para se manter a esperança está no equilíbrio entre a avareza e o desperdício que se entende como generosidade. O que é generosidade?

No equilíbrio entre os antônimos da avareza e do desperdício surge a generosidade que é a capacidade de entender a importância de dar e de receber; de compartilhar e de acolher; e de ensinar e de aprender. Com a generosidade brotando do fundo de nosso ser podemos viver sem ser pão duro, em que acumular seja um meta e sem desperdiçar os recursos recebidos com a irresponsavelmente de um mão aberta. No equilíbrio da generosidade se manifestam as vozes da esperança de que podemos afetar o mundo com afeto, fazendo dele um lugar melhor para se viver.

Moacir Rauber

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Que mundo você quer respirar? Rock’n Camerata pode inspirar!

Vive-se um tempo confuso. Por um lado, acredito que é a melhor fase da história da humanidade em que cada um pode ser aquilo que pretende ser. Por outro lado, a rapidez das mudanças tecnológicas, de valores e culturais podem nos deixar confusos e nos levar a não acreditar que o mundo esteja melhorando. Na cultura da música, por exemplo, para mim a confusão é bastante evidente. Não sou nenhum erudito nos gostos musicais, assim como não sou músico, porém sempre gostei de escutar músicas com um mínimo de complexidade na composição de sua melodia, da harmonia e do ritmo. Quando é o caso, gosto de músicas em que as letras também tenham algo para dizer. Compor letras e músicas com um mínimo de elaboração exigem a dedicação, o esforço e o conhecimento musical que se espera de alguém que se diz músico. Mas, como disse, não sou perito na área e gostava de ouvir as boas canções de forma espontânea como elas estavam disponíveis em diferentes meios até um tempo atrás. Entretanto, confesso que nos últimos anos passei a ouvir cada vez menos música, porque sempre entendi que a música deveria servir para me inspirar a ser melhor. E o que se ouve espontaneamente por aí não me parece inspirador, deixando-me cético com relação àquilo que se podia esperar do futuro da música. Isso foi até participar do Rock’n Camerata no teatro CIC em Florianópolis, um show simplesmente inspirador.

O gênero musical nunca foi o principal fator que fazia com que eu gostasse ou não de uma música, porém, confesso que sempre tive uma leve tendência para ouvir Rock and  Roll. Assim, a proposta de ouvir Rock and Roll com arranjos de Música Clássica me despertou o interesse. Entendo que há boas músicas no Rock e sei que a Música Clássica ainda hoje é o que há de melhor na música. Fui ao teatro ansioso pelo que me aguardava. Seria um show que poderia nos dar a esperança de que as inovações musicais ainda podem resgatar a harmonia, a melodia e o ritmo na música nos dias de hoje? Lembro que hoje quase tudo é simplificado de maneira reducionista em que as letras não passam de dois ou três monossílabos e o ritmo, a melodia e os acordes focam em estourar os tímpanos de quem ouve. Depois dos primeiros sons da noite tive a certeza de que o bom Rock and Roll pode se tornar excelente com a Música Clássica. Os arranjos, a melodia, a harmonia, o ritmo e as letras tinham muito a me dizer. Olhar para o palco e ver aproximadamente 30 músicos que precisam saber muito mais do que combinar com cré para estar no palco e extrair notas de violinos, violoncelos, guitarras, baterias, violas, baixo, percussão ou piano em sincronia com a regência do maestro e a voz dos cantores, deu-me a esperança de que há luz no final do túnel musical. Dois gêneros tão diversos quanto complementares. A intensidade da explosão do Rock’n Roll em harmonia com o ritmo e a melodia dos arranjos da Música Clássica fez com que no teatro se produzisse muito mais do que música. Teve-se como resultado uma experiência única em que músicos e plateia vibraram num mesmo tom em perfeita harmonia com a emoção, pulsando no mesmo ritmo. Foi um encontro espiritual. Músicas que exigiam o virtuosismo dos músicos que penetraram na alma dos presentes. Letras que tocaram quem as cantou e quem as ouviu. Um espetáculo digno que dá o palco para quem merece estar no palco e proporciona o deleite para quem busca o deleite na plateia. Isso é inspirador!

Por isso a pergunta: que mundo você quer respirar? Depende do mundo que você inspirar! E o Rock´n Camerata tem muito a nos ensinar, cabendo a nós querer aprender. Trinta pessoas regozijando-se com o resultado do trabalho. Outras mil pessoas deleitando-se num momento de puro prazer, respirando um mundo inspirador em que a expressão do coletivo é melhor do que as suas partes individualmente. Gosto de lembrar que a vida é uma dádiva individual que somente tem sentido coletivamente. Para mim, o Rock’n Camerata representou esse entendimento na sua plenitude. Naquela uma hora e meia de Rock’n Camerata pude olhar para mim mesmo, sentir e entender que respirar música boa pode servir para inspirar um mundo melhor. Também pude ver que cada músico tinha a consciência de que a sua individualidade inspira a coletividade contribuindo para que o resultado seja extraordinário. Que mundo você quer respirar? Respirar Rock’n Camerata é inspirador!

Encontro Sul-Americano de Recursos Humanos 2018

Inspirar pessoas para potencializar o coletivo

14 a 16 de maio de 2018

ExpoGramado | Gramado | RS | Brasil

Moacir Rauber

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