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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

O preço do orgulho!

O preço do orgulho

 A vida era dura e as coisas não aconteciam com facilidade para ela. Cada sonho, toda busca ou qualquer conquista exigia um grande esforço. No entanto, ela se orgulhava de lutar pelo que queria com autonomia. O tempo passava rápido e ela não havia conseguido realizar uma de suas grandes ambições: a faculdade. Para conseguir ingressar numa universidade pública o conhecimento adquirido no Ensino Médio já estava muito distante. Dinheiro para fazer um cursinho nem pensar. Entrar numa universidade privada era uma possibilidade, porém a parte financeira era um empecilho. Ela vivia sozinha com a sua filha e o salário que recebia apenas cobria as necessidades básicas das duas. No seu trabalho, ela era dedicada, além de se envolver em atividades de voluntariado. Ela se orgulhava de poder ajudar. Um dia, conversando com a sua chefe, comentou sobre o sonho não realizado. A chefe disse que pagaria a universidade. Rapidamente ela recusou, dizendo que não era necessário, ao que a chefe respondeu:

– Não saber receber ajuda é uma das manifestações do orgulho…

Uma constatação verdadeira, porque o orgulho não somente se manifesta pela arrogância na interação com os demais. Ele está presente no excesso de autonomia e de independência que nos impedem de receber ajuda, um gesto de soberba ao crer que não se necessita dos outros. O provérbio português, “ninguém é tão pobre que não possa dar, nem tão rico que não precise receber”, retrata bem a interdependência humana. Todos podem dar algo. E ela entregava as suas competências no trabalho ao estar disponível para as atividades que eram parte de sua função. O ambiente que ela criava era positivo e propositivo. Ela ainda fazia os trabalhos voluntários ao ajudar a cuidar de idosos num lar próximo da sua casa. Não era porque a sua condição financeira não fosse das mais favoráveis que ela não poderia contribuir com algo além do seu trabalho. E ela o fazia acompanhada de sua filha. Porém, ao não querer ajuda, o orgulho se manifestava pela altivez ligada a soberba de se crer autônoma num mundo interdependente. Por que ela não queria que alguém lhe pagasse um curso universitário? Não saber receber ajuda pode ser soberba, orgulho ou arrogância e não sempre um exemplo de determinação pela autonomia. Dessa forma, muitos acreditam que se o orgulho de lutar pela autonomia pode representar a soberba, a virtude deve estar em seu antônimo, o outro extremo. Porém, o antônimo pode ser a submissão, o servilismo e até o puxa-saquismo, comportamentos que tampouco são positivos. Volta-se para o caminho do meio. Entre os extremos de orgulho e de submissão está a humildade, que é a virtude de saber se autoavaliar para reconhecer as fortalezas e as limitações, agindo em conformidade com elas. É a humildade no comportamento que permite que se interaja com os outros sem querer sobrepor-se ou se mostrar superior a eles. Enfim, creio que a virtude está no equilíbrio entre ser assertivo sem ser arrogante e ser humilde sem ser submisso. Assim, chega-se à harmonia.

Depois da conversa com a sua chefe, ela travou uma luta interna porque não havia gostado de ouvir que poderia estar sendo orgulhosa, arrogante e soberba ao não querer receber ajuda. Ela sempre lutara para manter a sua dignidade e se orgulhava disso. Entretanto, após os diálogos internos profundos ela conseguiu ver que a chefe tinha razão. Ela estava disposta a abrir-se para receber ajuda, porque o preço do orgulho, da soberba e da arrogância seria a não realização do sonho de fazer uma faculdade. Foi assim que ela se formou aos quarenta anos de idade.

Moacir Rauber

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Você quer autonomia? Qual é a sua escolha?

Manter-se na mente do aprendiz é fundamental para garantir a sua autonomia e aumentar a capacidade de inovação pela expansão das escolhas.

Você quer autonomia? Qual é a sua escolha?

Meu sobrinho estava com dezesseis anos e gostava muito da atividade do pai, agricultor. Levantar pela manhã e pegar um trator para preparar a terra ou uma colheitadeira era fascinante. Dava àquele jovem a sensação de autonomia e de liberdade. Entretanto, algo o incomodava, porque sempre ao final da tarde tinha que ir à escola. “Não vejo a hora de terminar”, falava sobre concluir o Ensino Médio para não precisar estudar mais. Deixei-o falar mais um pouco e perguntei:

– Por que você não quer estudar mais?

– Para ser agricultor não preciso de faculdade.

Ele tinha razão. Para ser agricultor, e as demais atividades relacionadas, não se precisa curso superior, como veterinária, agronomia ou outro qualquer. Concordei com ele que qualquer pessoa que tenha disposição física para o trabalho pesado da vida no campo pode exercer a atividade, porque tudo pode ser aprendido por repetição. Entretanto, a diferença é que o agrônomo ou o veterinário podem ser um agricultor, enquanto um agricultor sem formação não pode ser um veterinário ou um agrônomo. Nesse ponto o não estudo tira a autonomia, reduz a liberdade e, consequentemente, diminui as possibilidades de inovação. Isso tudo limita as escolhas. Como assim?

Comentei com o sobrinho que o pai dele era um dos melhores agricultores que eu conhecia e que, certamente, tinha muito mais conhecimento prático do que muitos agrônomos ou veterinários iniciantes. Entretanto, o fato de não ter feito uma faculdade de agronomia, por exemplo, tirava a sua autonomia. Ainda que ele tenha a capacidade para elaborar um projeto detalhado para o plantio de uma cultura agrícola, ele precisaria da assinatura de um engenheiro agrônomo para conseguir um financiamento de custeio. A escolha das sementes, da adubação e de tudo que está relacionado ao plantio pode ser feito pelo agricultor, mas o projeto requer uma responsabilidade técnica que não pode ser dele. A não formação, se não tira, diminui a autonomia, a independência e a liberdade ao restringir a autogovernação com a perda da autossuficiência.  Igualmente, um agricultor sem uma formação superior tem diminuída a sua capacidade de inovação. Ainda que o agricultor conheça o seu negócio, ao estudar ele amplia o entendimento do seu lugar nesse mundo interdependente. O sítio pode continuar sendo um sítio, mas também pode ser um hotel fazenda, uma agroindústria ou um centro de formação por meio de atividades rurais que desestressam os cidadãos urbanos. Conectar-se com outros mundos permite que aquele que estuda se abra para a inovação ao se apropriar de hábitos e tradições, renovando-os para que sejam apreciados por outras pessoas. A inovação é um movimento interno que o conhecimento potencializa. Por fim, um agricultor, ou qualquer outro profissional, sem a devida formação fica refém da falta de reconhecimento da própria comunidade. Por isso, manter-se na mente do aprendiz é fundamental para se manter atualizado no mundo, garantindo a sua autonomia, aumentando as possibilidades de inovação pela expansão das escolhas.

Desse modo, um agrônomo sempre poderá ser um agricultor, mas um agricultor não pode ser um agrônomo. E isso se aplica as demais áreas de conhecimento. Um médico pode ser um voluntário social, mas um voluntário social sem formação não pode ser um médico. Um arquiteto pode ser um jardineiro, mas um jardineiro sem a formação acadêmica não pode ser um arquiteto. Um engenheiro pode ser um mestre de obras, mas um mestre de obras sem formação não pode ser um engenheiro.

Fica a pergunta: qual é a sua escolha?

Moacir Rauber

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Até quando vamos ensinar sobre compaixão?

Os lobos não têm escola, mas eles ensinam a viver!

Recentemente, fiz um curso sobre meditação e liderança que foi espetacular. Foram destacadas as habilidades de um bom líder, entre elas a sua capacidade de ser resiliente, de atuar empaticamente, de praticar a bondade e de exercer a compaixão nas suas ações de liderança. Foram usados exemplos de líderes e farta fundamentação teórica sobre liderança com base na neurociência, na psicologia positiva e em muitos estudos científicos que exploram as questões comportamentais. Destaque foi dado para o desafio de as pessoas estarem presentes no local onde elas se propõem a estar e para isso a meditação é indispensável. Tudo faz sentido. Pode-se observar que em muitas escolas de negócios essas habilidades são ensinadas para que virem competências que o aprendiz exiba no seu dia a dia de relacionamentos, uma vez que somos seres sociais e interdependentes. Foram inúmeros os momentos de reflexão e de conexão com os outros participantes que me esgotaram física e emocionalmente. Ao final do segundo dia, retornei e deitei na cama. Liguei a TV que estava sintonizada num desses canais que apresentam a vida selvagem. O programa explorava a organização de uma alcateia de lobos e o processo de aprendizagem a que os filhotes são submetidos. Incrível? Os lobos não têm escola. Os lobos não têm aulas sobre os conceitos de resiliência, de empatia, de interdependência ou da importância de se viver o momento presente. Os lobos tampouco ensinam sobre compaixão e bondade, porém o mais incrível é que eles aprendem. Como?

Os lobos aprendem por meio do exemplo dos pais e dos mais velhos do seu grupo familiar e social. Eles também são animais sociais. E como eles aprendem sem escola? Simplesmente porque os adultos vivem as competências que os filhotes aprendem. Um lobo pai não precisa ensinar ao seu filhote um conceito descrito num artigo científico sobre resiliência ou sobre empatia. Ele será resiliente e saberá ser empático com os demais elementos do grupo no seu dia a dia, porque se ele assim não o fizer colocará a todos em risco. E é isso que o filhote vai aprender. O lobo pai não precisa pegar um texto explicativo sobre o reflexo das suas ações na vida de todos os integrantes da alcateia para que o filhote entenda o conceito de interdependência, porque todas as suas ações no momento de uma caçada demonstram o conceito na prática. E é isso que o filhote vai aprender. Um lobo pai não precisa explicar para o seu filhote que é importante estar plenamente presente onde ele se propõe a estar, porque se ele não o fizer poderá não ter outra chance. E é isso que o filhote vai aprender. Os lobos, e os outros animais, simplesmente são o que eles são e estão onde eles estão. E a compaixão e a bondade? Basta observar como eles se relacionam com os filhotes e com os seus semelhantes para se perceber na prática a compaixão por meio de ações atenciosas e a bondade no comportamento íntegro.

E nós, seres humanos, autodenominados como os mais evoluídos do nosso planeta, o que fazemos? Ensinamos conceitos de resiliência, de empatia e de interdependência, mas não vivemos o conceito. Refletimos sobre o grande desafio de não ficarmos presos nem no passado e nem no futuro, mas quase sempre estamos ausentes do presente. E quando ensinamos sobre compaixão e bondade como uma qualidade de liderança não é a incredulidade que acomete a maioria? O que podemos aprender como os outros animais ou reaprender com os nossos antepassados? Que ensinar um conceito é muito diferente do que viver um conceito.

Desse modo, …

…desejo que num futuro não tão distante não se precise mais ensinar nos bancos escolares os conceitos de resiliência, de empatia, de interdependência e, muito menos, da importância da compaixão e da bondade. Por quê? Porque as pessoas simplesmente estarão vivendo os conceitos!

Moacir Rauber

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Independência?

A independência, muitas vezes, não passa de uma ilusão da juventude em que se luta por algo que não é possível. Independência do que, do outro?

Nós somente existimos porque existe o outro. Nós somente nos realizamos na presença do outro. Desenvolver todas as suas potencialidades é uma forma de reconhecer e de INSPIRAR o outro para que ele também seja tudo o que ele pode ser.

Por isso, na realidade nós somos essencialmente interdependentes.