
Matar uma pulga com um canhão…
Estava tendo uma conversa difícil com um amigo e, a partir de determinado momento, passei a falar mais alto. Não se tratava de ofensas, agressões ou palavras duras; apenas falava de um modo que até os vizinhos poderiam ouvir. Tenho o hábito, já identificado, de elevar o tom de voz sempre que me sinto confrontado, questionado ou desafiado. Isso ocorre tanto nos diálogos cotidianos quanto em discussões mais específicas, como era o caso.
Minha esposa, que me conhece bem, passou por mim e fez um sinal para que eu baixasse a voz. Ao vê-la fazendo o gesto, a ira tomou conta de mim. Ruborizei. Quase paralisei. Diminui o tom de voz, encerrei a conversa com meu amigo e perdi a paciência. Fiz uma série de gestos irritados e proferi expressões mal-educadas. Uma manifestação clara de que o caminho para a maturidade emocional ainda será longo.
O que fazer para exercitar a paciência e a tolerância como busca? Como ser paciente dentro de casa?
A sabedoria e o discernimento, o equilíbrio emocional, a empatia e a compaixão, assim como a paciência e a tolerância, fazem parte do decálogo que nos conduz à maturidade (Mons. Munilla). Talvez a paciência seja um dos elementos mais desafiadores para cada um de nós, pois basta lembrar que “Deus não nos dá a paciência, mas a oportunidade de exercitá-la”. Na cena descrita, eu perdi a oportunidade de exercitar a paciência e a tolerância.
Não tenho uma resposta definitiva para ser paciente e tolerante, mas tenho a vontade de aprender a dominar os ladrões interiores que sabotam essa possibilidade e me fazem colher resultados que não desejo. Muitas vezes, perdemos a paciência justamente com as pessoas mais próximas, enquanto engolimos sapos de relacionamentos menos importantes.
Entenda-se paciência como a qualidade de ser paciente, tendo como sinônimo a própria tolerância. Assim, paciência e tolerância revelam maturidade emocional, pois nos permitem suportar males, dores e sofrimentos sem revolta ou queixa. Não se trata de passividade, mas da capacidade de dialogar com os próprios limites e agir com sabedoria, discernindo com equilíbrio a partir da empatia e da compaixão. A melhor ação pode ser calar ou falar — ambas são ações.
Biblicamente, a paciência e a tolerância podem ser consideradas frutos do Espírito Santo, que nos conectam com a esperança e a perseverança. Esperança e perseverança em quê? Na construção de comportamentos pacientes e tolerantes, perseverando no caminho da maturidade emocional.
Ao registrar a queda por perder a paciência diante de uma situação banal, é fundamental parar, observar, reconhecer e mobilizar forças internas para aprender. O estímulo é externo, mas a impaciência e a intolerância são movimentos internos. Se algo externo produz um movimento tão brusco de impaciência que explode externamente, como aconteceu comigo, isso revela que, naquele momento, não suportava a mim mesmo.
Ao ser confrontado com o comportamento de falar alto — que reconheço e considero inadequado — eu poderia ter agradecido, me corrigido e usado o momento para aprender e me regular. Porém, a impaciência e a intolerância muitas vezes nos levam a matar uma pulga com um canhão e, por outro lado, a engolir sapos gigantes. Portanto, exercitar a paciência e a tolerância é aproveitar as diversas situações com as quais nos deparamos para fazer a melhor escolha, como alguém maduro emocionalmente faria.
Depois que passou o meu momento de descontrole, precisei recolher o orgulho do meu ego para pedir desculpas por um comportamento imaturo. Ela me perdoou, mas cada vez que é necessário pedir desculpas por imaturidade emocional a alguém que nos importa, fica uma marca no relacionamento. Não foi uma bala de canhão, mas penso num prego que deixou sua marca.
Quando foi a última vez que você percebeu que reagiu com força demais a algo pequeno — e o que isso revelou sobre você?
Finalmente, trilhar o caminho da maturidade emocional passa pelo exercício da paciência e da tolerância, perseverando para vencer por amor.
Moacir Rauber
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Inspirado no Decálogo da Maturidade Mosenhor Munilla

