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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Posso pedir a independência do Brasil?

Parece uma pergunta estranha? O Brasil já não é independente desde 1822? É verdade. Com a proclamação da independência os brasileiros passaram a tomar as decisões que definiriam o seu próprio destino. Surgia o Estado Brasileiro, uma ficção que seria real na vida das pessoas que habitavam e habitam esse pedaço de chão. Criaram-se as estruturas legais e institucionais para esse fim. O tempo passou. Nós mudamos de regime, modificamos e recriamos a constituição não sei quantas vezes e o que parece que não muda é a situação de quem vive aqui. Quando se fala povo, assim como o estado, refere-se a um objeto indefinido. Porém, há uma grande diferença entre um e outro. O povo, marcado por sua individualidade, é real, porque as pessoas existem, ainda que sem aquilo que se considera como o Estado Brasileiro. O Estado Brasileiro, marcado por sua impessoalidade, é uma ficção, porque sem as pessoas ele não existe. Entretanto, esse estado fictício brasileiro é real demais quando se trata de explorar as pessoas reais. Por isso, eu quero a minha independência do estado brasileiro!

Tentarei explicar o meu pedido.

Olhar para a gigantesca estrutura institucional criada em nome do bem comum, que se chama Brasil, chega a me dar náuseas. Toda a máquina que entendemos por poder executivo, legislativo e judiciário, nas esferas federal, estadual e municipal tem se mostrado ineficiente a tal ponto que não justifica a sua existência. Caso continue existindo da forma como está gostaria de ter a opção de não ter que depender dele.

O poder executivo do Estado Brasileiro é composto pelo presidente, pelos governadores e pelos prefeitos que estão à frente de uma máquina que deveria trabalhar para atender o indivíduo. São estes os responsáveis por gerir a estrutura institucional que atenderia a saúde, a educação e a segurança, citando apenas as áreas elementares. O executivo brasileiro ainda se aventura na área empresarial, como se fosse um ente capaz de gerir outras estruturas. Não consegue. O dinheiro que o povo paga mal e mal dá para pagar aqueles que deveriam trabalhar para nós. Se não há dinheiro para investir e oferecer segurança, saúde e educação para a sociedade, porque é que eles precisam estar lá?

Já o poder legislativo do Estado Brasileiro é composto pelos senadores, deputados federais, deputados estaduais e pelos vereadores. São legisladores que deveriam promulgar as leis que regulam o conteúdo constitucional observando os seus princípios de servir a sociedade que os mantêm. O objeto de suas legislaturas deveria ser as pessoas reais que vivem aqui, lugar entendido como Brasil. Infelizmente, tem-se uma maioria de legisladores em causa própria. Na evolução do legislativo brasileiro apenas vimos crescer exponencialmente os benefícios dos próprios legisladores, sobrecarregando o povo com mais e mais impostos. Se for para legislar em causa própria por que é que nós continuamos a pagá-los? Eles que se arrumem por conta própria.

E, por fim, o poder judiciário do Estado Brasileiro não é diferente. Regular a vida em sociedade nunca foi fácil, porém em primeiro lugar se deve garantir que quem regula tenha a idoneidade para fazê-lo. Infelizmente, o poder judiciário brasileiro também tem se desviado de suas funções. Ele está enredado num corpo gigantesco de normas, recursos, esferas e um tão intrincado sistema jurídico que nem querendo eles conseguem cumprir com a função para a qual existem. Mais uma vez a pergunta: por que então existem?

Por isso, ao analisar o conjunto da obra decidi pedir a minha independência do Brasil. Não tenho problema nenhum em contribuir e em colaborar com aqueles com quem divido o mesmo espaço físico e temporal. Acho legal e moral pagar impostos. Porém, não quero mais ser brasileiro para ser dominado, subjugado e explorado por um ente que foi criado por nós. Não tenho mais tempo nem paciência para contribuir para um ente que sem nós não existe. Nós o criamos e ele nos dominou. O Brasil como estado é a nossa matrix. Esse estado não merece a minha contribuição. Não quero ser brasileiro para servir e ser um escravo real de uma entidade fictícia. Quero ser um cidadão do mundo que paga e contribui para um ente que trabalhe pelo equilíbrio entre os seus integrantes. Gostaria muito de ser brasileiro para contribuir para um Estado que ajudasse a equilibrar a vida das pessoas que convivem a terem uma realidade melhor. Na nossa realidade, esse ente não é o Brasil. Por isso quero a minha independência.