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Como você está?

“Como você está?”, uma pergunta tão fácil e direta que deveria expressar a verdadeira preocupação de um colega, de um conhecido, de amigos e familiares em saber como você se encontra. Esta pergunta deveria conter, simplesmente, o que ela quer dizer. Entretanto, nesse mundano mundo que vivemos as pessoas ao dirigirem a pergunta a alguém, muitas vezes, não querem saber se a pessoa está bem consigo mesma e com os mais próximos. Querem saber muito mais do que “sobre o seu dia”. A pergunta pode vir carregada de duplo sentido, porque o que querem saber é o quanto você tem, o quanto você ganha, quais os bens você conquistou nesse tempo em que não se viram e qual a posição social que ocupa no lugar onde vive. Caso você apareça com um carro novo já vão logo dizendo, “Você está bem, hein?” Mas quando o carro não é tão bom a pergunta vem sublinhada de malícia, “Você está bem?”. E se por acaso você vier de ônibus tudo muda, porque lhe dirigem uma pergunta parecida com, “Mas o que foi que aconteceu?”. A confusão havida para uma simples pergunta que se faz repetidamente ao encontrarmos pessoas que não vemos por um determinado tempo é resultado de uma deturpação de valores. Passou-se a valorizar mais uma pessoa de sucesso do que uma pessoa bem-sucedida.

Entenda-se por pessoa de sucesso aquela que alcança brilho, destaque e exposição naquilo que faz profissionalmente. Vemos cantores, compositores, empresários e profissionais das mais diferentes áreas alcançarem o sucesso, muitas vezes de forma meteórica. Mas também vemos ladrões, bandidos, criminosos e corruptos que tem sucesso. Bem-sucedido, por outro lado, é quem se sente bem com aquilo que faz ou deixa de fazer, mas principalmente com o que é. Isto porque o que a pessoa bem-sucedida é faz bem àqueles que o circundam. É bom estar com alguém bem-sucedido, porém nem sempre é bom estar com alguém de sucesso. O sentimento sobre a dubiedade da pergunta tem sido despertado em mim quando reencontro pessoas que vejo de tempos em tempos. Quando me perguntam, “Como vai você? Há quanto tempo que não o vejo!”, na maioria das vezes respondo, “Muito bem!”. “O que você está fazendo?” é a pergunta seguinte, para a qual respondo que tenho dedicado meu tempo para escrever e a praticar esportes. Quase sempre, a expressão de espanto vem acompanhada de outra pergunta, “Mas o que você está ganhando com isso?” Neste momento só me resta responder, “Prazer!”.

Prazer esse obtido pelo fato de fazer o que sempre sonhei sem ser arrastado pela roda viva a que o mundo nos tem imposto. Não que isso seja um convite ao ostracismo, a falta de dedicação ou o incentivo a não qualificação profissional, muito pelo contrário. Para escrever é preciso ler, estudar e dedicar-se aos temas sobre os quais se escreve. Para praticar esportes é exigida a disciplina de dominar a mente para comandar o corpo. De um atleta é cobrada a dedicação constante, o aprimoramento técnico e o desempenho competitivo, muitas vezes, maior do que qualquer outra atividade profissional. Porém, considero-me bem-sucedido porque posso fazer exatamente aquilo que quis no momento por mim escolhido.

Certamente que o sucesso pode nos trazer dinheiro, destaque e prestígio social, mas, sobretudo, ele deve vir acompanhado pela sensação de ser bem-sucedido.  Desse modo, sempre que fizer a pergunta, “como você está?”, faça-a a alguém com quem você realmente se importa e saiba que os seus valores podem ser diferentes. Por outro lado, sempre que lhe fizerem esta pergunta e você puder respondê-la de modo positivo, expressando o que sente e não o que os outros esperam, considere-se uma pessoa bem-sucedida. Por isso pergunto, “Como você está?”

Crédito: Rastro Selvagem

Moacir Rauber

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