O tráfico e a violência: onde está a responsabilidade?

Outro dia conversava com um amigo meu sobre a onda de violência que assola o país e ele se mostrava indignado:

– Incrível isso. Não é possível. E o governo não faz nada… exclamava após as notícias sobre mais uma morte bárbara.

Movimentei a minha cabeça afirmativamente, entretanto tinha as minhas ressalvas. Deixei-o um pouco irritado quando disse:

– Mas sempre que você acende o teu baseado você ajuda a puxar o gatilho…

Eu não tenho nada a ver com isso! Ele respondeu.

Nesse ponto eu discordo completamente da posição do meu amigo que não abre mão de fumar o seu baseado. Ele argumentava que o controle da violência é uma tarefa do estado e que, além disso, a maconha não era prejudicial à saúde das pessoas, uma vez que ele era usuário há muitos anos. Com relação aos benefícios ou malefícios não discordo nem concordo, porque sou leigo no assunto. Não fumo cigarros legais muito menos fumaria um ilegal. O que eu acredito é que sempre que se acende um cigarro de maconha ou se compra qualquer outra droga ou produto ilegal se ajuda a puxar o gatilho de algum revólver clandestino em alguma favela ou em algum assalto. Na favela o disparo é feito para que cada facção possa manter o controle dos pontos de vendas. No assalto o crime é cometido para que dependentes sustentem o seu vício.

Nessa discussão propus a pergunta para o meu amigo, Como pode ser crime vender maconha se comprar e consumir não é crime? Para mim é um espanto. A legislação proíbe vender, mas não proíbe comprar para consumo. Como isso é possível? O que foi que perdi nas aulas de lógica, porque esse raciocínio simplesmente não tem lógica nenhuma. Por isso, talvez a pergunta devesse ser: como não é crime comprar e consumir maconha se vender é crime? Não entro no mérito da questão se fumar maconha é mais ou menos prejudicial à saúde do que o álcool, por exemplo. Quero destacar que se vender maconha é ilegal então comprar maconha também é. Portanto, se vender e comprar maconha é ilegal, consumir também deveria ser. É simples assim. E mais. Se a linha de corte estabelecida pela sociedade sobre o consumo de produtos entorpecentes determinando o que é legal ou ilegal é essa, então que se cumpra a lei para quem vende, para quem compra e para quem consome. Por isso, sempre que vejo uma matéria em jornais, revistas ou televisão sobre o problema da violência gerada pelo tráfico fico espantado porque nunca se fala do consumidor, porque somente existe o tráfico porque há o consumo. Desse modo, por que o consumidor não assume a sua quota de responsabilidade e por que ele não é responsabilizado pela violência do tráfico? A violência oriunda do tráfico não é apenas uma questão de estado, ela também é uma questão de responsabilidade individual daquele que adquire produtos considerados ilegais.

Por fim, entendo que aquele que consome a maconha ou adquire produtos fora da legalidade é que faz a roda do tráfico girar e ele deve ser responsabilizado por essa onda de violência generalizada a que estamos sujeitos. A maconha é mais ou menos prejudicial do que o álcool? Não é essa a questão. Os favoráveis ao consumo que usem dos instrumentos da democracia para que se legalize a maconha alterando a legislação, porque enquanto vender maconha for um ato ilegal não há a mínima lógica para que o seu consumo não o seja. Depois de legalizado o consumo, quem sabe, atrevo-me!

Fonte: https://papodehomem.com.br/maconha/

Moacir Rauber

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