
NATAL: TEMPO DE RESGATAR O SAGRADO
No início de dezembro acolhemos em nossa casa três equatorianos que vieram para uma ordenação diaconal, um momento sagrado. Com as visitas conversávamos sobre a comida do Equador, suas belezas naturais, sua cultura e fé. Com a cultura em pauta, uma senhora comentou:
– Acredito que devamos resgatar os três altares sagrados em nossas vidas. Os altares da Mesa, Cama e Missa.
Nós ficamos em silêncio e logo ela discorreu sobre os pontos levantados.
Sobre a “Mesa”, ela disse que as famílias, em geral, perderam o costume de se reunir a sua volta como um momento de encontro. Há algumas décadas, as famílias se encontravam regularmente três vezes ao dia. Pela manhã, todos se sentavam à mesa para tomar o café juntos. Os pais com os filhos mais numerosos começavam o dia conversando sobre os compromissos individuais e familiares. Alguns iriam para a escola, outros para o trabalho e os menores ficavam em casa. Na volta da escola ou do trabalho, novamente estavam à mesa para compartilhar como havia sido a primeira metade do dia e o mesmo acontecia no anoitecer. Os integrantes da família se reuniam para jantar juntos, fazendo um repasso do dia vivido. Muitas vezes, cada refeição era acompanhada de uma oração. Era um momento sagrado de partilhar as dificuldades e as alegrias da vida. A Mesa não era só sobre comida, era um Altar.
A reflexão sobre a “Cama” se voltava para o sagrado representado pelo quarto do casal. Esse espaço perdeu importância nas últimas décadas em que casais se formam e se desfazem com tanta rapidez que nada é sagrado. Para ela, o quarto e a cama eram sagrados, porque era nele que o casal compartilhava as agruras da vida, assim como o amor, as alegrias e as realizações individuais e dos filhos de quem acompanhavam a evolução. A cama e o quarto do casal era o Altar do matrimônio com o desafio de manter os sagrados laços em que a união de duas pessoas resultava num lar. A Cama era muito mais do que um lugar para estar com o outro, era um Altar.
Ao falar sobre a Missa, a ponderação apontava para a ausência, a diminuição ou a ignorância da força da fé. As pessoas têm se mantido tão ocupadas com os estímulos externos vindos da superabundância de tecnologia que não praticam mais os rituais que os coloca frente a frente com o desconhecido, o divino e o sagrado. A superficialidade e a mediocridade afastam as pessoas do profundo e do elevado que a espiritualidade oferece. A Missa é muito mais do que um ritual, é o Altar para se encontrar com o Eu Profundo e o Divino.
Enfim, pode-se concluir que ao não manter a fé recebida das gerações anteriores, deixamos de ser seres espirituais sendo somente animais. Ao nos afastarmos da “Missa”, desconstruímos o sagrado da “Cama” e da “Mesa”. Sem o sentido mais profundo e elevado trazido pela “Missa”, transformamos a cama em luxúria e a mesa em gula. E o Natal? Sem o sagrado serve de pretexto para comer e beber com exagero e a buscar o prazer em relações fugazes e superficiais.
Por fim, o período Natalino que se vive é um convite para Resgatar o Sagrado da Mesa, da Cama e da Missa, os altares de nossas vidas. Espero que cada um possa se sentar à mesa com as pessoas que são importantes para compartilhar muito mais do que a comida, o amor e o cuidado. Que cada um possa desfrutar do lugar Sagrado com quem compartilha a vida com o compromisso de fazê-la feliz. Que cada um possa estar numa Missa, culto ou outro momento sagrado, para se ajoelhar frente ao Desconhecido e ao Divino, fazendo que o Natal seja um momento Sagrado, celebrando o nascimento de Jesus Cristo.
FELIZ NATAL!!!“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6).
Moacir Rauber
Instagram: @mjrauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com
Home: www.olhemaisumavez.com.br
Inspirado por Maritza Pesántez V.