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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Qual é a sua natureza?

Assistir a vídeos em que um gato ajuda um peixe a voltar para a água; em que um urso impede que um pássaro se afogue; ou em que um cachorro esparge água sobre um peixe que está na margem, revela-nos um pouco sobre a natureza animal.

No fundo todos nós podemos ser bons, colaborativos, altruístas e mostrar compaixão para com os outros, ainda que ele seja de uma espécie diferente ou que pertença a qualquer outra classificação criada pelos humanos.

Porém, seria temeroso acreditar que isso seria possível nas condições naturais de luta pela sobrevivência daquelas mesmas espécies. Por isso, acredito que os gestos de ajuda flagradas em vídeo entre espécies que estão na cadeia alimentar um do outro somente são possíveis porque todos eles estão com as suas necessidades básicas de alimentação e de segurança atendidas.

Como será que seria a reação de um gato que estivesse morrendo de fome ao se deparar com um peixe fora da água?

Qual seria o comportamento de um urso em busca de alimentos para os filhotes ao encontrar um pássaro fragilizado?

O que faria um cão faminto frente a um peixe na margem do rio?

Creio que seria fácil responder o que faria um gato esfomeado, um urso em busca de comida para os filhotes ou um cachorro faminto ao se deparar com um animal indefeso e que fosse parte de sua cadeia alimentar. Eles simplesmente os comeriam, não é? É parte de sua natureza e não há julgamento nisso. Acrescente-se a isso que assim como se veem os exemplos belos entre os animais, também são encontrados exemplos contrários. Quantas vezes os animais são vistos, entre eles gatos e cachorros, brincando de matar? Sim, muitas vezes gatos e cachorros se deparam com um animal que serviria de alimento, caso eles estivessem com fome, e passam a fazê-los de joguetes até os matarem. Da mesma forma, muitos animais não se envolvem com nada além da sua preocupação com a sobrevivência individual e da sua espécie. Mais do que natural e não se pode julgar um animal que não tem consciência de suas ações, porque eles simplesmente seguem a sua natureza. Porém, considero os vídeos que demonstram a compaixão animal bonitos e me enchem de esperança de que podemos melhorar como humanos, porque nós temos consciência dos nossos atos. Entretanto,

O que particularmente me assusta é a conduta de seres humanos que têm as suas necessidades básicas atendidas agirem como os animais predadores famintos. Existem pessoas que brincam de matar simplesmente porque tem o poder para fazê-lo.  Existem pessoas que não se envolvem com nada mais do que a busca pela satisfação dos próprios desejos sem se importar como isso afeta a vida de outras pessoas. E o pior disso tudo é que tais pessoas tem a consciência que as demais espécies animais não tem.

Por isso a pergunta: qual é a sua natureza? Temos o nosso instinto, mas temos a razão. O primeiro está relacionado com as emoções e o segundo com as ações. Entre as emoções e a razão está a capacidade de reflexão, que deveria permitir o discernimento de transformar as nossas emoções, boas ou não, em ações, boas. São as reflexões que nos permitem fazer as escolhas conscientes dos reflexos de nossas ações nas nossas vidas e nas vidas dos demais. Penso que cada ser humano tenha o seu lado bom, assim como o seu lado não tão bom. Por isso, acredito que somos nós que escolhemos ser bons ou não. Desse modo, cabe a cada indivíduo decidir e escolher o tipo de comportamento que vai exibir no convívio com os demais membros da sua convivência.

Qual é a sua natureza?

Qual é a sua escolha?

Vai brincar de matar e de agredir ou vai escolher amar e ser compassivo?

 

Moacir Rauber

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Fora da Caixa pode ser a Nova Caixa?

O facilitador começa o curso dizendo:

– Para ser criativo e empreendedor é fundamental pensar “Fora da Caixa”. Aprender a olhar uma situação por ângulos até então não explorados…

Ele resgatou o surgimento da terminologia “Pensar Fora da Caixa” e apresentou parte do conceito da ideia. Dizem que a expressão surgiu em um treinamento dentro do Grupo Disney em que o facilitador propôs o exercício de conectar os nove pontos marcados em um papel branco que sugerem ser um quadrado sem tirar a caneta do papel.

Na realidade o quadrado não existe, a nossa mente o cria a partir da sugestão feita pelo facilitador e baseada no pensamento estruturado ao qual estamos sujeitos pela nossa formação. Para conseguir realizar o exercício é necessário ultrapassar os limites imaginários do quadrado. Não há unanimidade quanto ao surgimento da expressão, porém

“Pensar Fora da Caixa” leva-nos a encarar uma determinada situação de forma criativa, livrando-se das amarras do pensamento estruturado do observador comum.

Assim, a terminologia “Pensar Fora da Caixa” se disseminou de tal maneira que ela pode ser a “Nova Caixa”. De tanto olhar para fora da caixa já não se vê a caixa que continua sendo uma oportunidade para criativos e empreendedores. Você apenas pensa fora da caixa? E o que você vai fazer com caixa? Ela ainda está lá.

A constatação de que o pensamento estruturado nos faz enxergar a caixa, levou-nos a procurar “Pensar Fora da Caixa”. Porém, ao nos forçar a sempre “Pensar Fora da Caixa” terminamos por não ver a caixa. O estímulo a que sempre se busque o diferente e o inovador faz com que se percam as oportunidades presentes no óbvio e no convencional. Por isso, o “Pensar Fora da Caixa” pode ser uma “Nova Caixa”. As tendências presentes no acelerado processo de inovação têm levado as pessoas a buscarem as oportunidades naquilo que é digital, virtual, novo e ativo. Elas também dão ênfase nas redes de contato das pessoas, no poder aquisitivo do consumidor e na busca pelo culto e pelo belo. Entretanto, um empreendedor deve saber ler para além das tendências e perceber que cada mercado encontrado em ângulos nunca vistos carrega em si um mercado já visto que, muitas vezes, ao se “Pensar Fora da Caixa” pode ser deixado de lado. Deve-se lembrar que do outro lado do mercado digital está o analógico: não é porque há uma tendência de que os produtos e serviços sejam digitais que o mercado analógico tenha desaparecido. Cabe salientar que em oposição ou em complementaridade ao mercado virtual existe o mercado físico: ainda que o virtual tenha crescido mais aceleradamente do que o mercado físico um não elimina o outro. Também é importante pensar que antes do novo existe o antigo: enquanto um trata das novidades o outro é fonte de nostalgia. Da mesma forma, se por um lado se valoriza o ativo também existe o preguiçoso: enquanto um faz exercício o outro descansa. E com relação ao preguiçoso, destaque-se que ele é fonte de inspiração para os empreendedores, porque um preguiçoso sempre procura uma forma mais rápida, mais curta e mais fácil de fazer algo que já se faz. Enfim, se existem as nossas redes de contatos também existem aqueles que não estão em rede nenhuma; se tem pessoas com poder aquisitivo alto também tem aqueles de baixo poder aquisitivo que representam um mercado; a constatação de que há uma busca pelo mercado culto traz em si a existência de um mercado inculto; e a valorização do belo e do bom gosto revela o mercado do não tão belo e de não tão bom gosto. Desse modo,

…ao somente “Pensar Fora da Caixa” pode-se excluir um grande mercado da nossa análise, porque esquecemos de olhar a “Caixa”.

Enfim, o empreendedor criativo deve sim olhar e “Pensar Fora da Caixa”, porém deve se lembrar que também existe a “Caixa”. Ela ainda está lá e é uma oportunidade.

Moacir Rauber

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Qual é a diferença entre falar e viver um conceito?

Aquela seria mais uma das tantas reuniões virtuais que a empresa organizava com os colaboradores distribuídos nos cinco continentes. A diferença é que ela seria estratégica para o sucesso dos negócios da empresa, abordando um projeto que a manteria pelos próximos anos. Por isso, mais do que nunca, a comunicação deveria ser perfeita. Cada colaborador no seu computador, assim como o diretor geral que coordenaria a reunião. Todos foram orientados para que desligassem o seu microfone para que não houvesse nenhuma interferência de ruídos. As reuniões virtuais são interessantes. Todos conseguem se ver e ouvir, mas é possível escolher quem querem ver e ouvir. Neste caso, todos se veriam, mas ouviriam apenas o diretor. A reunião começou. O diretor saudou os participantes e logo entrou no tema da pauta. Ele estava empolgado e destacou que, muito além dos resultados financeiros que o novo projeto traria, deveria existir respeito entre os membros da equipe e que todos pudessem aprender com os erros cometidos ao longo da jornada com a humildade de quem tem a mente aberta. A expressão dos rostos de alguns colaboradores demonstrava irritação. O diretor não entendia o porquê. A questão é que havia um ruído de fundo que dificultava o entendimento daquilo que era falado. O pessoal de TI (Tecnologia da Informação), por meio de mensagens escritas, pedia para que as pessoas desligassem os seus microfones para evitar a cacofonia e recebiam como resposta que os microfones estavam desligados. Porém, o ruído continuava. O diretor, que não percebera o problema técnico, continuava focado no tema da reunião com toda a energia que o momento exigia. O pessoal de TI desesperado. Finalmente, comunicaram o problema ao diretor, que prontamente pediu desculpas a todos e falou que interromperia a reunião. Entretanto, um microfone na sala do diretor continuou aberto e todos continuaram a ouvi-lo. Ele esbravejava:

– Que m… que está acontecendo? Não falei que tudo deveria estar perfeito, seus idiotas… e seguiu ofendendo o pessoal de TI.

A fala do diretor para com o pessoal de TI foi muito diferente do respeito, da aprendizagem com os erros e da humildade que ele recém havia recomendado para todos. Os membros da TI, audivelmente, constrangidos tentavam se justificar. Finalmente, identificaram o problema. Perceberam um segundo computador na mesa do diretor com o microfone aberto, origem da cacofonia.

Trinta minutos depois, a reunião recomeçou:

– Estamos de volta. Obrigado ao pessoal de TI. Eu amo vocês! E continuou a pauta sem relatar a origem do problema ou se desculpar pelo próprio erro.

O que se pode aprender da situação? Mais uma vez que falar de um conceito não é o mesmo do que viver um conceito. O diretor falou de respeito, de aprendizagem e de humildade e teve a oportunidade de viver os conceitos num único evento. Ao receber a informação de que algo estava errado, interromper a reunião foi o correto. Destaca-se, porém, que o tratamento dispensado aos colaboradores de TI não teve nada de respeitoso, não foi um processo de aprendizagem e revelou alguém pouco humilde. Entendo que o diretor aprendeu pouco com o evento, mas com certeza ensinou muito. Respeito? Ele falou de respeito, mas não o viveu. Aprendizagem? Ele a considerou, mas não a exerceu. Humildade? Ele não a expressou e não a praticou. Na retomada da reunião ele poderia ter reconhecido o erro e deveria ter pedido desculpas ao pessoal de TI. Assim, ele teria demonstrado o respeito sobre o qual falara e teria praticado a aprendizagem com os erros que indicara por meio do exercício da humildade. Ao final, ele ensinou que falar de um conceito é muito diferente do que viver o conceito que se defende.

 

Moacir Rauber

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Do que você faz parte?

A semana acadêmica estava programada para acontecer durante quatro dias com um palestrante por noite. Eram nomes das respectivas áreas de conhecimento que podiam efetivamente contribuir com a formação dos acadêmicos. Porém, os organizadores pensaram em oferecer algo a mais. Para cada dia de evento, antes de começar os trabalhos acadêmicos, eles convidaram artistas locais para fazer apresentações culturais. Na primeira noite, apresentou-se uma dupla de cantores que interpretaram maravilhosamente um repertório de músicas internacionais, passando por Frank Sinatra, Elvis Presley e outros cantores que marcaram época. Na segunda noite, a semana acadêmica foi brindada com as apresentações artísticas de um Centro de Tradições Gaúchas que contou com o encanto de dançarinos infantis e adultos. Na terceira noite, a última em que estive presente, foi a vez de uma banda de Rock Nacional que fez um show resgatando os grandes sucessos da década de 1980. Até aí tudo normal. O que há de diferente em tudo isso? A particularidade dos artistas. Tocaram e se apresentaram como profissionais, mas eles eram amadores. Todos eles mantinham a sua rotina de trabalho numa empresa que incentiva os colaboradores a desenvolverem novas habilidades e a descobrirem novos talentos.

Entende-se que a participação em algo mais do que somente a empresa deixa as pessoas mais felizes porque fazem parte de algo maior.

Por isso a pergunta: do que você faz parte?

Penso que trabalhar faz parte das nossas vidas, assim como a participação na comunidade, em associações, em clubes, em grupos de amigos e nas nossas famílias. É essa sensação de pertencimento que contribui para a realização individual, uma vez que a vida do indivíduo somente tem sentido na participação do coletivo. São raras as pessoas autossuficientes que conseguem se realizar sozinhas. Um ou outro ermitão alcançou tal feito. Chamou-me a atenção ao conversar com um dos integrantes da banda de rock, porque ele estava em horário de trabalho. Ele conseguiu permissão do chefe para sair da empresa, deslocar-se até a universidade, participar da apresentação e, posteriormente, retornar ao trabalho.

A empresa incentiva a que as pessoas participem de atividades extra laborais para estimular a construção de laços entre as pessoas que ultrapassem o ambiente de trabalho.

É um discurso e uma prática que busca fomentar e promover a qualidade de vida dos colaboradores em todas esferas de suas vidas, porque eles entendem que nós somos seres sociais feitos para viver com as pessoas, para as pessoas e pelas pessoas. Entretanto, aqueles que querem participar escolhem pagar o preço. Ensaiam em horários pós laborais. Comprometem-se consigo mesmos e com os demais participantes de cada projeto. Fazem uma escolha que exige esforço, dedicação e disciplina. Qual é o retorno? A satisfação com a vida!

A pergunta do título do texto, do que você faz parte?, é uma provocação para demonstrar que todos nós somente temos sentido com o outro. Por isso, é importante que participemos e que contribuamos nas organizações às quais pertencemos.

Por fim, acrescento mais algumas perguntas: a tua equipe é melhor porque você está nela? Qual é o ganho da tua organização por você estar nela? E a tua família, a tua comunidade, o teu país e o mundo são melhores porque você está nele?

Se ainda não são melhores, é bom começar a fazer parte de algo e contribuir positivamente, caso contrário, seja um ermitão…

Moacir Rauber

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De vento em “POPA”?

Quais são os seus papéis sociais?

Existem os diferentes papéis que cada um desempenha na vida. Tem alguns que são para sempre, como ser pai, mãe ou filho. Tem outros que podem mudar, como ser marido, esposa ou a profissão. Normalmente, tem um momento na vida que tende a mudar o nosso papel social profissional: a aposentadoria.

O que fazer depois?

Muitas pessoas ficam com medo, inseguras e não sabem como enfrentar o fim de um papel social profissional que tomava uma grande parte do tempo da sua vida. Não há uma receita, mas também não há razão para ter medo ou ficar inseguro. Basta continuar embarcado no barco da vida com as mãos no leme como seu protagonista. Certamente que um vento pela Popa pode ajudar. E esse é o papel do Programa de Orientação Para a Aposentadoria – POPA coordenado pela Professora Cláudia Maria Messores da UDESC. Trata-se de um período de formação e de reflexão sobre as alternativas e possibilidades que cada um tem, que pode criar, desenvolver ou aprimorar para o novo papel social que começa com a aposentadoria. Alternativas e possibilidades? Sim, todas aquelas que cada um acreditar ser possível e agora com a segurança dos proventos da aposentadoria.

Fiquei feliz e emocionado de participar do momento de encerramento de duas turmas do programa: em Lages e em Florianópolis (Obrigado pelo convite Cláudia Maria Messores). Pessoas com coragem para se expor e compartilhar as inseguranças, as pretensões e os anseios individuais nessa nova jornada. Cada um no seu barco. Cada um sabendo que é importante navegar na companhia de outros barcos.

E o vento? Vindo pelo POPA vai levar cada um na direção certa!!!

INFORMAÇÕES: https://www.udesc.br/popa