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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

Os limites do AFETO!

Os limites do AFETO!

Lia sobre a diferença entre conhecimento e sabedoria no meu canto, mas escutava algumas conversas alheias. Não via as pessoas, porém pude identificar que se tratava de pai e filho. A conversa entre os dois começou sobre alguns passeios que haviam feito no final de ano e da diferença com relação aos anos anteriores. “Este ano estávamos somente nós, né pai?” disse o filho. A conversa avançou para uma onda de sonhos, desejos e ambições do filho. Ele queria ser engenheiro, sonhava ser piloto de aviação e dizia que iria trabalhar para ajudar nas contas da casa. O pai o escutava. Numa das pausas o pai perguntou se o filho havia concluído todos os trabalhos do ano que o permitiriam concluir o ensino médio. O filho disse que ainda faltava um, mas que o professor era o culpado porque não o ajudava. O pai o ouvia. O filho falou, justificou e se isentou de qualquer responsabilidade, acreditando que havia feito uma bela figura diante do pai que estava em silêncio. Depois da pausa, a voz do pai mudou de tom. Não exibia mais os traços da voz festiva que havia escutado até então. Tornou-se firme ao perguntar:

– Você quer ser engenheiro? Você sonha em ser piloto? Você quer ajudar nas contas? É tudo muito bonito, mas quando você vai terminar o Ensino Médio?

O filho tentou mais uma vez argumentar. O pai não o deixou, porque assim como ele o havia ouvido agora era a sua vez de se calar. Ao falar, o pai respeitou o que o filho havia dito, porém assumiu o seu papel pôr os limites, dar as orientações e se dispor para acompanhá-lo no processo. Entretanto, destacou que caberia ao filho fazer aquilo que estava ao seu alcance fazer, sem responsabilizar os outros pelas ações que eram sua responsabilidade. Naquele momento de nada servia sonhar em ser engenheiro, imaginar-se pilotando um avião ou querer buscar trabalho se ele não havia se dedicado o suficiente para fazer um trabalho de conclusão de curso. Dizer que o professor não o ajudara para não entregar um trabalho que tinha diretrizes, prazo e datas estabelecidas e conhecidas no início do ano não condiz com as pretensões de futuro do filho. Era necessário concluir os trabalhos que estavam ao seu alcance para concluir o Ensino Médio era indispensável para realizar qualquer um dos sonhos que o filho havia dito ter. Por fim, o pai concluiu:

– Estudar e aprender é uma opção de transformar potencial em talento, meu filho. Se você acredita que pode ser um engenheiro e piloto de aviação para contribuir com a sua cota na casa, certamente você pode, mas você deve querer pagar o preço de estudar e aprender. Você pode fazer o trabalho? Então faça e depois siga o seu caminho.

O filho se calou e parece que entendeu a posição do pai. Entendi que o pai afetou com os limites do afeto. Foi uma fala forte de alguém que tem a sabedoria da vida para alguém que busca o conhecimento. O afeto do pai estava presente ao assumir a sua responsabilidade de querer saber, de se posicionar e de se colocar à disposição para acompanhar o filho. Qual era a intenção do filho? Quais seriam as suas ações? O pai certamente afetou com afeto a vida do filho, porque ele não se propôs a fazer aquilo que era responsabilidade do filho fazer. Por fim, observei que o passado vivido pelo filho havia sido lindo. Percebi que o seu futuro poderia ser promissor. E compreendi que é o presente que vai definir se o passado do filho no futuro será igualmente bom.

Os limites do afeto podem ajudar a que o conhecimento se transforme em sabedoria.

Moacir Rauber

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O que você perde ao desistir?

O que você perde ao desistir?

Sabe aqueles dias em que você se levanta sem muita disposição? Pois é, tem dias que são assim. Lembro-me de um dia que merecia celebração e o meu ânimo não estava muito bom. Todo dia deve ser celebrado, mas aquele dia era especial, porque meu sobrinho, que morava comigo, concluía o Ensino Médio com muito bom aproveitamento. A conquista era toda dele, mas para mim era motivo de orgulho ter participado do processo. O dia tinha uma extensa programação. Começava com uma missa de agradecimento pela manhã. No final da tarde tinha a colação de grau. Logo após o jantar e uma festa de confraternização num dos bons hotéis da cidade. Tudo como manda o figurino. Eu havia me proposto a participar da missa e da colação de grau, mas não da festa. Assim, na festa o meu sobrinho poderia fruir com toda a liberdade da celebração de uma conquista individual com aqueles com quem ele compartilhou segredos e fofocas; sucessos e fracassos; amores e desamores, entre outras tantas histórias vividas com o entusiasmo de quem tem 17 anos.

A missa estava programada para às 10h30 na capela do colégio. Para nós somente era necessário percorrer a distância de uma quadra. Quando nos aproximamos da capela veio o choque. Não me lembrava do tamanho da escadaria que era a única forma de acesso à capela. Assim como o colégio, a capela estava abrigada num prédio antigo e não tinha nenhuma estrutura de acessibilidade. Para um usuário de cadeira de rodas como eu era uma dificuldade a mais. Fiquei baqueado. Olhei para o meu sobrinho que sempre solícito logo se dispôs a me ajudar. Faltava cruzar a rua. Olhávamos para os obstáculos de longe. A movimentação dos amigos e familiares dos formandos era intensa em frente a capela. Olhei para o meu sobrinho e disse:

– Vai lá. Aproveita para agradecer o ano que você teve e a tua conquista. Eu não vou. Dá uma olhada… A escada é tão íngreme que chega a ser perigoso…

Despedi-me e voltei para casa. Chegando em casa senti que havia perdido a chance de compartilhar algo relevante com uma pessoa importante. Uma escadaria é um obstáculo para um usuário de cadeira de rodas? Claro que é, mas o que realmente muda é o olhar que cada um dirige aos obstáculos que encontra em seu caminho. Em minha andanças me deparei com muitas dificuldades, mas naquele dia eu vi a escadaria como obstáculo e isso me fez menor. Eu desisti. Desistir me proporcionou uma sensação de alívio imediato, por não ter que enfrentar as escadas e os olhares curiosos das pessoas. Por outro lado, com o passar do tempo ao chegar em casa gerou-me uma sensação de frustração muito grande. Ao desistir perdi a oportunidade cuidar, de amar e de afetar com o AFETO da presença. Ao desistir perdi para mim mesmo…

E você, está perdendo o que ao desistir?

Que em 2021 cada um de nós possa escolher estar presente!!!

Moacir Rauber

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Qual será o seu ritmo para 2021?

Qual será o seu ritmo para 2021?

Mais um ano. Mais uma chance de fazer diferente ou de fazer aquilo que se escolheu fazer com a consciência da finitude da vida, que é um estímulo para frui-la com plenitude. Para fruir a vida na suas áreas é essencial o equilíbrio entre a pausa e o movimento. Resgato um texto de dois anos atrás em que havia conversado com um amigo super atarefado. Ele ansiava pelas férias. Não aguentava o ritmo que ele próprio se havia imposto.

Dizia-me ele:

– Não vejo a hora de que chegue o final de ano para tirar umas férias. O ano está sendo muito, muito movimentado. Só espero aguentar até lá sem sofrer um infarto… e deu uma risada para disfarçar a real preocupação.

Não aguentou. Ele infartou antes. Para o bem do meu amigo ele teve mais uma chance. O infarto foi grave, porém ele se recuperou completamente após passar por um programa de reeducação alimentar, física e readequação de períodos de trabalho.

A situação me chamou a atenção porque ele tanto queria chegar bem até o final de ano para apreciar as férias que esqueceu de fazer as pausas necessárias para se manter em movimento. E o ano de 2020 também pode nos ensinar muito sobre repensar as nossas rotinas e o nosso ritmo para encontrar o equilíbrio entre pausa e movimento. O movimento é importante, porém é a pausa que lhe dá sentido. Como assim? Muito simples. Aqueles que nunca param sequer percebem que estão em movimento, porque é a pausa que nos dá a sua percepção. A agitação dos dias nos produz a sensação de que parar é impossível. Um compromisso se sucede ao outro, porém, sem pausa não há a percepção do sentido. Um curso terminado é sinal que de que outro será iniciado, da mesma forma, sem pausa não há consolidação do que foi estudado. Desse modo, sem a pausa o movimento perde o sentido ao se transformar numa constante, impedindo a transformação e a evolução. Entretanto, como parar num movimento tão intenso? O que fazer em meio a um ritmo tão alucinante para dar uma pausa? Não há uma resposta, mas a pandemia em 2020 nos mostrou que é necessário e é possível introduzir a pausa no nosso movimento. É essencial encontrar um ritmo.

O ritmo é um processo que permite que se tenha bom desempenho nas mais diferentes áreas, como nos esportes, na música e, principalmente, na vida. O atleta de alto rendimento sabe que para iniciar e terminar a sua prova ele terá que encontrar um ritmo adequado que permita que ele cumpra o percurso da prova dentro dos limites físicos, psicológicos e técnicos de que ele dispõe. O ritmo vai dar a ele a possibilidade de distribuir a energia em todo o percurso. Na música o ritmo igualmente é fundamental. Basta qualquer um dos componentes sair do ritmo para atravessar o samba. E na vida o ritmo é essencial. Nós temos a informação de quando nascemos, mas não sabemos até quando vamos viver. Entretanto, aquelas pessoas que não conseguem encontrar um ritmo adequado têm grandes possibilidades de antecipar a partida. Por isso, a importância de se encontrar um ritmo que nos permita viver bem, marcado por pausa e movimento. Pergunta-se: é importante se mover nas competições, na música e na vida? Claro que sim, mas a pausa é fundamental para que o ritmo seja encontrado para que o atleta termine a prova, para que o músico execute bem a música e para que cada um de nós estenda a sua vida até o limite.

Para muitos, o final de ano é sinal de uma pausa, porém é importante determinar o ritmo que vai permitir que se chegue e que se perceba o final do próximo ano. Por isso a pergunta: qual será o seu ritmo para 2021? Será preciso se reeducar?

Moacir Rauber

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“Para que você reza?”

Para que você reza?

Mais de trinta anos de casamento, muitas lutas e tantas batalhas enfrentadas e vencidas, mas de repente o casal estava frente a uma discussão iniciada por um motivo que sequer se lembram no momento que me contam o ocorrido. Ela se lembrava do clima tenso e das palavras ditas que agrediam e machucavam porque tinham a intenção de ofender. Ela, num movimento para mudar o rumo da situação, pôs-se a rezar no oratório que tinha ao lado da cama. Era ali que ela fazia as suas orações de agradecimento, a sua meditação diária e era para onde ela se dirigia sempre que precisava encontrar apoio para as dificuldades. O marido a viu em seu espaço e, ainda carregado pela irracionalidade da discussão, disse:

– Para que rezas?

Ele não obteve resposta à sua provocação, porque a esposa optou pelo silêncio. Ele a observou com irritação e saiu do quarto. A temperatura começava a baixar. No momento que ela me contava o ocorrido eu também fiquei curioso para saber “para que ela rezava”. Ela disse que esse era um momento muito especial em que buscava o seu equilíbrio e a sua força. Para ela, a oração era uma âncora que a estabilizava em momentos difíceis, impedindo que dissesse aquilo que não queria dizer ou fizesse algo que depois a levasse a se arrepender. Por isso, pergunto: qual é a sua âncora? Particularmente acredito que todos nós precisamos nossas âncoras em diferentes momentos da vida para nos estabilizarmos. As dificuldades fazem parte da complexidade da vida humana, porém como cada um age ou reage diante delas é que faz com que os resultados sejam positivos ou negativos. Entretanto, há muitas pessoas que não concebem que rezar possa trazer algo positivo e acreditam que tudo isso é besteira. Orgulham-se de dizer tudo o que lhes vem à cabeça sem filtros, com isso ofendem e agridem. Ainda assim, eles têm sua âncora: o seu ego. O ego exige a satisfação imediata das necessidades. Desse modo, muitas dessas pessoas que acreditam ser besteira rezar, meditar ou agradecer diante das dificuldades encontram alívio nas bebidas, nas drogas ou em outros vícios que lhes proporcionem sensações imediatas de satisfação. Você não as encontra fazendo orações, assim como não as vê em retiros ou em cursos de autoconhecimento. As suas âncoras existem, mas são outras. E o resultado? Quase todos nós sabemos onde isso vai terminar. Por isso pergunto: qual é a sua âncora? Entendo que as âncoras individuais positivas farão com que cada um possa tomar a melhor decisão depois que a emoção esteja acomodada. Para isso, alguns rezam diante das dificuldades para poder se centrar e distinguir aquilo que é luz ou sombra. Outros meditam para encontrar o equilíbrio entre o que é positivo ou negativo. Outros ainda louvam, agradecem ou fazem atividades físicas para poder encontrar o centro do seu ser e fazer aquilo que realmente querem fazer.

“Para que você reza?” é a pergunta que a minha amiga respondeu: “eu rezo para encontrar o meu equilíbrio e a minha energia vital que encontro em Deus. Ele é minha âncora, me ajuda a estabilizar!”. Ela se recorda que algumas horas depois ambos, marido e mulher, já haviam superado a discussão para renovar as intenções de continuar os próximos trinta anos juntos. A sua âncora havia estabilizado as emoções e equilibrado a situação. O Natal é um período apropriado para se encontrar o equilíbrio em nossas vidas e em nossas relações por toda a positividade que o acompanha. Pergunte-se: para que você reza? Para que você medita? O que você agradece?

Por fim, qual é a sua âncora?

FELIZ NATAL!

Moacir Rauber

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Qual é o maior segredo do mundo?


Qual é o maior segredo do mundo? O impacto da QS Inteligência Espiritual no mundo real! Um conversa que desconversa para revelar. A presença e o presente. A pausa e o movimento.

Moacir Rauber e Rosan Prado, ambos PhD e estudantes na área do desenvolvimento humano, com formação nacional e internacional, relatam num bate-papo descontraído o que eles pensam da vida, do mundo e revelam um dos maiores segredos do mundo que os fez se conectarem novamente. Parceiros de trabalho e empreendedorismo há anos, num determinado momento de suas vidas, cada um escolheu um caminho. E agora voltam a se unir com uma missão e propósito de vida definidos!

Nesta “conversa” um pouco da QS, Inteligência Espiritual, e também de um dos maiores segredos do mundo será revelado. Sem dúvida alguma nada escondido, apenas um momento para conversar sobre o óbvio quem nem sempre é tão claro. Você está convidado a participar. Não há custo, apenas retire um tempo para pensar um pouco sobre quem é você, o que fez e o que fará com a vida que te deram.

A sua presença é o presente!

Um convite especial para conectar-se com  pessoa mais importante do mundo: você mesmo!

Como se apropriar daquilo que você pensa que tem?

https://pixabay.com/pt/

Um evento de alcance nacional com um conferencista de renome internacional. O formato convencional do presencial físico deu lugar a um evento presencial virtual. Tudo normal para os dias de hoje. O tema abordou a necessidade de humanização das nossas relações, dando ênfase a importância de Ser ao se conectar com o outro, diminuindo a importância do Ter em comparação com o outro. Desenvolver ou se reconectar com mais profundidade com a nossa dimensão humana de bondade, compaixão e compartilhamento. O conferencista iniciou saudando a todos e lamentando o fato de que o evento não aconteceria com a presença física de todos, o que o impediria de abraçar as pessoas. Todos concordamos. Ele prosseguiu, dizendo:

– Fiquei muito triste. Quando me convidaram para o evento comprei uma Harley Davidson nova para fazer o percurso até o evento com a minha companheira…

Fiquei atônito. Não entendi a relação do comentário da compra de uma moto com o tema de humanizar as relações. Nada contra o conferencista ter uma moto, mas despropositado o comentário de ter comprado uma moto na abertura de um evento que fala de dirigir o foco das ações para o desenvolvimento do ser humano. Uma moto de uma marca que destaca a importância do Ter em detrimento do Ser, em que a ideia de realização pessoal se conecta com a comparação e não com evolução. O comentário nos leva a pensar que podemos ser donos de algo ou de alguém num evento que busca levar as pessoas a tomar consciência da importância de entender o sentido daquilo que se faz e daquilo que se é. É meu julgamento? Sim, um julgamento baseado na minha crença de que não podemos ser donos de nada, mas que podemos nos apropriar daquilo que pensamos que temos. Dono tem a ver com possuir. Apropriar-se está ligado com fruir. Quantos de nós pensaram ou pensam ser donos de uma moto, de uma casa, de um carro, de um barco ou de uma empresa? Quem de nós nunca usou a expressão “meu marido” ou “minha esposa” como uma forma explícita de se acreditar dono ou no mínimo carregado de uma implícita pretensão de propriedade? O que fazer? Particularmente vejo que o primeiro passo é se desapegar do sentimento de posse para poder fruir do sentido. Não é algo fácil, mas tenho a convicção de que não possuo nada daquilo que penso ser meu, porém posso me apropriar daquilo que penso que tenho. O Natal é um período apropriado para se apropriar. Como se desapegar da ideia de ser dono de algo? De uma casa, por exemplo, basta entender o seu sentido e transformá-la num lar para que se diminua a importância da posse. Ao entender que você não possui a madeira ou tijolos que compõem a casa, mas que é nessa estrutura física que você construiu um lar, cada um dará sentido a limpar, pintar, reformar e organizar a casa para abrigar o seu lar. E isso se aplica aos amigos, ao cônjuge a as pessoas com quem você convive. Elas não são “suas” posses, mas você pode se apropriar da relação e fruir do sentido. Com isso, você vai se dedicar a manter as relações, apropriando-se e dando amor, amizade, confiança e lealdade.

Enfim, perguntar-se qual é os sentido da presença de cada pessoa em sua vida e qual é o sentido da sua presença na vida delas? Qual é o sentido de comprar um carro ou um barco? Caso não signifiquem nada, para que mantê-los? E a moto? Qual é a importância de você acreditar ser dono de uma moto num mundo que busca humanizar as relações? Ainda não sei, mas acredito ser fundamental exercer a bondade e a compaixão por meio do compartilhamento para se apropriar das relações.

Moacir Rauber

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É preciso estar presente?

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É preciso estar presente?

A aula estava por terminar e eu passava as instruções para a próxima semana. Dizia para os alunos que seria realizado um trabalho em grupo, ainda que o ambiente continuasse sendo virtual. Um aluno me pergunta:

– Professor, é preciso estar presente?

Fiquei um momento em silêncio para depois dizer que era uma escolha dele, porém a presença era indispensável para a aprendizagem. O aluno deu um sorriso e não apareceu na semana seguinte. Ele já havia feito a escolha no momento que me perguntou se era preciso estar presente. Não, não é preciso estar presente. Porém,

…todos nós estamos em algum lugar, mas não necessariamente no lugar que dizemos estar…

Posso estar conectado virtualmente com alguém, numa aula presencial, numa conferência ou no trabalho, porém não preciso estar presente. Posso estar fisicamente na presença de alguém, mas não quer dizer que eu realmente esteja com a pessoa. Posso estar no ambiente de trabalho, entretanto não obrigatoriamente estou presente no trabalho. Estar presente é uma escolha. Contudo, a presença é fundamental para o que você escolher fazer. No ambiente da educação e de treinamento, como aprender sem estar presente? Se a aprendizagem é um processo pelo qual se desenvolvem competências e habilidades, além de possibilitar que se modifiquem comportamentos e atitudes, a presença é essencial para observar, entender e aplicar um conhecimento que se tenha interesse em aprender. No âmbito organizacional, como ser produtivo sem estar presente? Não é possível gerar resultados da maneira esperada sem estar presente para manter o foco naquilo que se assumiu como responsabilidade cumprir. No círculo esportivo, como ser competitivo sem estar presente? Os atletas necessitam estar presentes para desenvolver a técnica, aprimorar as habilidades e para aumentar a resistência num movimento de competitividade sem necessariamente entrar em competição. Não se trata de comparação com os demais, por isso é fundamental a presença em si mesmo para extrair o melhor de si. E na esfera pessoal, como ser amigo sem estar presente? Se a amizade é uma relação afetiva entre as pessoas que envolvem sentimentos de lealdade e de carinho, como ser amigo sem estar presente? A amizade é dependente da presença que se manifesta no abraço físico ou virtual, num telefonema ou nas lembranças. Como amar sem estar presente? O amor exige a presença, mesmo quando analisado das perspectivas filosófica, poética, religiosa ou conjugal. O filósofo para filosofar deve estar presente na sua filosofia. É indispensável que o poeta esteja presente em sua poesia. O religioso que ama está presente na sua crença. E os cônjuges necessitam da presença para construir o amor que se solidifica em laços indissolúveis.

Os cônjuges não podem se amar sem a presença, porque a amizade e o amor afetam com afeto e sem a presença não há nem um nem outro.

Voltando a pergunta inicial do aluno: é preciso estar presente? Mais uma vez digo que não é preciso, mas é impossível não estar presente em algum lugar ou com alguém. A escolha é sua. Quer aprender? Esteja presente. Quer manter amizades? Esteja presente. Quer amar? Esteja presente. Quer viver? Esteja presente.

Não há nada mais importante que qualquer pessoa possua e que possa dar do que a escolha da presença.

Onde você escolhe estar?

Moacir Rauber

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