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Facetas!


Somos Únicos.
Somos Múltiplos.
By Moacir Rauber

E o “Joãozinho” merece um elogio?

Quem nunca ouviu uma piada do Joãozinho, estereótipo do menino inteligente representado em inúmeras anedotas, muitas vezes de gosto duvidoso? Entretanto, as intenções no uso da inteligência nem sempre são as melhores. Na grande maioria das vezes, ele usa a sua inteligência para pregar uma peça nos colegas e até mesmo nos professores. Naquele dia, diferentemente dos demais, ele entregou um trabalho bem elaborado, com dados relevantes e boas ideias. O Joãozinho entregou um trabalho escolar muito bom e acima da média dos trabalhos dos demais alunos. Uma das professoras, para incentivar   o Joãozinho a permanecer no bom caminho, elogiou:

– Parabéns, Joãozinho, você é muito inteligente. Nota 10!

O trabalho era interdisciplinar e, igualmente, foi entregue em outra disciplina. A professora também sentiu a diferença no trabalho do Joãozinho e fez outro elogio:

– Parabéns, Joãozinho, o seu esforço valeu a pena. Nota 10!

O que lhes parecem os elogios? São eles autênticos? São eles igualmente positivos? Entende-se que os elogios devem ser autênticos e positivos. Porém um elogio autêntico nem sempre é positivo e um elogio positivo, por vezes, não é autêntico.  Entendo que ambos os elogios foram autênticos, mas não necessariamente positivos.

Para que um elogio seja positivo ele deve ser dirigido àquilo que está ao alcance da pessoa influenciar e não às características inatas de um ser humano.

Antes de avaliar os elogios, lembre-se do estereótipo da figura do Joãozinho e as anedotas que o envolvem. Ele sempre é inteligente, perspicaz e esperto, mas não necessariamente bom ou justo. O personagem sempre leva vantagem sobre o professor ou a outra parte envolvida, muitas vezes, dirigindo a inteligência para a maldade.

Analisando o primeiro elogio dado pela professora, percebe-se que ele é dirigido para a sua inteligência, uma característica inata do Joãozinho. O elogio pode ser autêntico ao constatar a inteligência do Joãozinho, porém ele não necessariamente é positivo ao não destacar uma possibilidade de escolha sobre aquilo que foi elogiado. O elogio foi feito à inteligência que simplesmente destaca uma característica do personagem que não é resultado direto de uma opção sua. Por outro lado, o segundo elogio se mostra autêntico e positivo, porque ele reforça uma escolha realizada pelo Joãozinho de se dedicar para fazer um bom trabalho. O resultado positivo do trabalho entregue merece um elogio, porque foi construído com o esforço e o trabalho do Joãozinho, sendo a inteligência um coadjuvante e não o elemento principal.

Entendo que os elogios são uma ótima ferramenta para se criar bons ambientes nas famílias, nas escolas e nas organizações empresariais. Os elogios são muito bons de dar e de receber, eles são positivos para quem dá e para quem recebe e produzem como resultados ambientes equilibrados. Entretanto, os elogios não devem ser vulgarizados. Desse modo,

…faça um elogio quando houver um motivo para que seja feito, seja autêntico e seja positivo.

Por isso, o elogio, preferencialmente, deve ser dirigido ao esforço, à dedicação e às escolhas feitas que estão sob controle daquele que merece ser elogiado.

E o Joãozinho, mereceu ser elogiado?

Moacir Rauber

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Ter e Ser: Diferenças

Ter e Ser: Diferenças

Era sempre assim. Todo domingo nos reuníamos na casa de um ou de outro amigo para jogar futebol. A gurizada tinha entre sete e catorze anos. Facilmente, reunia-se um grupo de vinte a trinta moleques que eram divididos em times de cinco, seis ou sete atletas. Atletas? Todos jogavam de pés descalços, porque ninguém tinha dinheiro para comprar um tênis ou uma chuteira. No máximo alguém calçava uma conga ou um kichute. Exceção feita a um de nossos amigos. Ele era quem trazia a bola e aparecia completamente fardado com chuteira, meião, caneleira, calção de marca e camiseta do time preferido. Quem olhava de fora teria a certeza de que ele era o craque do grupo. Entretanto, quando a bola rolava, rapidamente se percebia que a única coisa que o nosso amigo equipado não sabia fazer era jogar futebol. Ele tinha todos os apetrechos e equipamentos para ser um jogador de futebol, mas ele não era.

Eis um grande desafio da atualidade: ser aquilo que se parece ser.

Autenticamente!

Creio que o exemplo se replica em diferentes esferas de nossas vidas. Têm muitas pessoas que buscam ter para parecer que são, por isso, muitas vezes, elas não são. Gosto muito de remar e, considero-me, um remador, entretanto, ter um barco não faz de mim um remador. Existem muitas pessoas que têm barco e não são remadoras. Têm pessoas que gostam de pescar e se consideram pescadoras, porém, ter as redes, os anzóis e uma lancha não faz delas pescadoras. Há muitas pessoas que têm os equipamentos e não são pescadoras. No mundo organizacional empresarial não é diferente. São muitas as pessoas que buscam parecer ser aquilo que gostariam de ser. São pessoas que têm empresas, mas não são empresários. Para ser um empresário não basta abrir as portas de uma empresa e frequentar os círculos típicos de empresários. É preciso conhecer do negócio e saber fazer com que ele seja economicamente viável, socialmente responsável e ambientalmente sustentável. De igual modo, são muitas as pessoas que se dizem consultores, mas não são consultores. Para ser um consultor não basta criar algumas frases de efeito, vestir uma roupa bacana e comprar um carrão para parecer ter sucesso. É muito mais importante ter conhecimento teórico e prático que possa ser utilizado por organizações que estejam buscando a melhoria de seus processos. Enfim, nas nossas profissões, não basta parecer competente é preciso ser autenticamente competente. Não basta ter um diploma universitário para ser um bom profissional. Há um preço a ser pago para poder ser aquilo que se parece. Por isso,

…é essencial se qualificar para que quando você vestir o jaleco branco você não somente pareça um dentista, um médico ou um professor, mas que você realmente saiba e sinta que é.

Entendo que há uma ditadura da imagem em que parecer ser é quase mais importante do que realmente ser. Não há a preocupação com a autenticidade de que a imagem seja um reflexo da essência de cada um. Contudo, como já dito, não basta ter chuteiras, um barco ou uma lancha para ser um jogador, um remador ou um pescador. Ser vai muito além de ter. É essencial sentir que aquilo que você diz ser você realmente é.

Ser é autenticidade.

Ter é a imagem.

Onde você se encontra?

Moacir Rauber

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Se fossem as suas últimas palavras?

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Na última semana li a seguinte reflexão:

– E se estas fossem as suas últimas palavras, você poderia viver bem com isso?

Não lembro onde a li, por isso não posso citar a fonte. Entretanto, a pergunta ficou em minha mente e, logo, transferi a reflexão para os diferentes ambientes de que cada pessoa faz parte. E se fossem as suas últimas palavras como líder, como profissional, como pai, como filho ou como cônjuge? Imagine a força das ações e das palavras se vivêssemos com esse pensamento em mente? Sei que alguns levariam para o tom da brincadeira dizendo que esculhambariam com tudo, entretanto, entendo que a grande maioria das pessoas tenderia a refletir de uma forma positiva.

Desse modo, pense se as palavras recém ditas e as ordens proferidas fossem a suas últimas como líder da sua organização, você conseguiria viver bem com isso? Ou melhor, você poderia morrer bem com elas? As palavras que foram ditas e as ordens proferidas tinham em mente os objetivos da organização, alinhados com o bem-estar das pessoas envolvidas, como os colaboradores, os acionistas e a comunidade em geral? E se levássemos a mesma indagação para outras situações. Caso você fosse um vendedor, se fosse a sua última venda? O pedido foi tirado respeitando a relação de justiça que deve existir entre as partes, atendendo as expectativas da organização que vende e do consumidor que compra? Avançando para outras áreas de interação humana: se tivesse sido a sua última aula? Ela teria cumprido com as expectativas daquele que a recebeu? E nos aspectos pessoais, imagine se tivesse sido a sua última interação com os seus pais, você poderia partir tranquilo pensando nas palavras ditas e nas ações realizadas? Como pai ou como mãe, se na última vez que você falou com os seus filhos tivessem sido as últimas palavras ditas por você, estaria bem com o conteúdo transmitido e com o legado deixado para eles? E no seu relacionamento íntimo, se as últimas palavras ditas e as últimas ações feitas fossem as últimas que você tivesse tido a chance de dizer e de fazer estaria tudo dito e tudo feito? Mais ainda, se o último abraço dado e o último contato feito fossem os últimos você poderia partir tranquilo?

Pode parecer um pouco piegas, mas a única certeza que temos é que em algum momento serão as últimas palavras e as últimas ações. Por isso, a reflexão pareceu-me forte, sensata, justa e bondosa. Uma reflexão forte porque ela nos lembra da finitude de nossas vidas e dos nossos papéis sociais, por mais importantes que eles possam parecer. A reflexão pareceu-me sensata, porque com a finitude de nossas vidas em mente, as palavras e as ações ditas e feitas tenderiam as ser mais humanas. A reflexão pareceu-me justa porque nos coloca num patamar de igualdade sem par, porque o fim é inevitável para todos. E, por fim, a reflexão pareceu-me bondosa, porque é justa, sensata e forte.

Enfim,

…o mundo pode não ser um local de muitas bondades, mas eu posso ser bondoso. A vida pode não ser justa, mas eu posso ser justo. Nem todos os outros podem ser sensatos, mas eu posso ser sensato.

Dessa forma, viver com a força da reflexão de que as atuais palavras e ações poderiam ser as suas últimas palavras e ações, pode criar organizações mais produtivas, relacionamentos mais sinceros e um mundo mais bondoso. Por isso a pergunta: e se fossem as suas últimas palavras e ações, você poderia morrer bem com elas?

Ahh, o Dia dos Namorados pode servir de inspiração!

Moacir Rauber

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Trabalho, carreira & vida: qual é a sua escolha?

Fui agricultor até os vinte anos. Meus irmãos ainda são agricultores. Meus sobrinhos, em determinado momento da vida, ficavam na dúvida se continuavam os estudos ou seguiam os passos dos pais. Numa das muitas conversas com os sobrinhos, disse o seguinte:

– Olha, por mais que os pais de vocês conheçam tudo sobre agricultura, eles não podem ser agrônomos. Porém, um agrônomo sempre poderá ser um agricultor, ainda que não tenha tanto conhecimento prático como os pais de vocês.

Essa foi parte da argumentação para que os meus sobrinhos não parassem de estudar e seguissem um plano de formação profissional que lhes permitisse fazer escolhas. Não se trata de desvalorizar as profissões que não requerem uma formação profissional específica, mas de salientar a importância da preparação para se exercer livremente determinadas escolhas.

Os estudos, em determinadas áreas, vão preparar o indivíduo para exercer uma profissão com o reconhecimento da sociedade. Desse modo, para ser um Engenheiro Agrônomo, um Dentista ou um Advogado é preciso que se faça a faculdade de Engenharia Agronômica, de Odontologia ou de Direito. São marcos regulatórios da nossa sociedade. Isso não quer dizer que não existam agricultores, dentistas práticos e não formados em direito que conheçam mais da respectiva atividade do que muitos graduados. A questão que aqui se coloca é a importância do reconhecimento. Nos dias de hoje, você, agricultor, aceitaria que alguém sem a devida formação técnica desse a assistência para a sua lavoura? Você, paciente, iria até um consultório de um dentista sabendo que ele não tem formação? Você, demandante, contrataria alguém para o defender em tribunal sem que ele tivesse a formação e o reconhecimento da sua profissão? Não. Por isso, ao cobrar de meus sobrinhos que continuassem os estudos para que concluíssem uma faculdade e obtivessem o reconhecimento que somente a educação formal oferece, além de trabalho, eu falava de carreira e de vida.

O trabalho é a base para que cada um possa conseguir o seu sustento com o suor do seu rosto. É bíblico.

Assim, trabalho é o esforço realizado pelas pessoas para atingir as suas metas por meio de atividades específicas. Realiza-se no dia a dia. A ideia de carreira resulta do percurso dos diferentes trabalhos realizados ao longo dos anos. Até há pouco tempo, a carreira era pensada de forma linear em que se assumiam responsabilidades em ordem crescente conforme os anos passavam e estava muito mais fortemente associada a uma profissão escolhida. Atualmente,

… a carreira é a busca individual com base em desafios.

mbora uma carreira possa acontecer independentemente de uma formação técnica específica, a faculdade tem papel fundamental para que se possa conseguir trabalho, construir uma carreira e fazer escolhas na vida.

Vida são as escolhas que fazemos que nos permitem ter um trabalho e construir uma carreira.

Enfim, mais uma vez destaco a conversa tida com os meus sobrinhos. Um agrônomo pode ser um agricultor, um apicultor, um jardineiro, um tirador de leite ou realizar qualquer outra atividade ligada a zona rural. Ele pode construir a sua carreira e passar a sua vida como escolher. Porém, o contrário não é verdadeiro. Um agricultor não pode construir a sua carreira fora das limitações de sua atividade e ser um agrônomo, por exemplo. O mesmo raciocínio se aplica às demais profissões.

Desse modo, entendo que o trabalho é uma necessidade individual, assim como um direito e uma obrigação coletivas e acontece no dia a dia. A carreira é uma construção deliberada ao longo do anos como resultado das escolhas feitas na vida.

Por isso, estudar é uma forma de exercício da liberdade na vida, que nos permite construir uma carreira e, inclusive, escolher o trabalho.

Quais são as suas escolhas?

 

Moacir Rauber

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