¡ESTAR DE PIE ES UN ESTADO DE ÁNIMO!

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¡ESTAR DE PIE ES UN ESTADO DE ÁNIMO!

Hace cuarenta años, el médico se colocó frente a mí y dijo:

— Tengo dos noticias, una buena y otra mala. ¿Cuál quieres primero?

Yo tenía veinte años. Había pasado por un accidente de auto (01-05-1986) con múltiples fracturas y una lesión en la médula espinal. Ella funciona como el camino de comunicación entre el cerebro y las partes del cuerpo que controla, además de comandar los reflejos, permitiendo reaccionar al ambiente por medio de las sensaciones de calor, frío, dolor y placer. En ese momento, todo eso estaba descontrolado, y yo no tenía ningún comando desde el ombligo hacia abajo. Estaba parapléjico. La desesperación, el miedo y la angustia me dominaban.

Respondí:

— Dime primero la mala noticia…

Con la esperanza de que no fuera tan mala como yo sospechaba, escuché:

— En el estado actual de desarrollo de la medicina, no vas a volver a caminar y no tendrás sensibilidad en la región afectada…

Siguieron las explicaciones:

— … podrás usar una silla de ruedas para desplazarte…

“Usar una silla de ruedas va a ser un lujo”, pensé irónicamente. Dejé de escuchar.

Miré hacia un lado y vi a mis padres con los ojos llenos de lágrimas. También estaban allí mis hermanos, que no sabían qué hacer.

Tragué en seco. El médico confirmó de forma directa y sin rodeos las peores expectativas sobre las secuelas físicas que me acompañarían por toda la vida. La desesperación, el miedo y la angustia se manifestaron en una pregunta cargada de rabia e indignación:

— ¿Qué quedó de bueno después de todo esto?

Silencio. Al principio, ninguna palabra — ni del médico ni de mi familia.

Hoy, cuando recuerdo esa escena, no podría imaginar que viviría más de cuarenta años sin caminar y sin ponerme de pie. No tenía idea de que eso sería un privilegio. ¡Un lujo!

En todos estos años, pude entender que la vida es un milagro: encuentra sus caminos, nos da alternativas, nos provee recursos, nos da fuerzas y muestra que estar de pie es diferente de ponerse de pie.

Al casi perder la vida, finalmente supe reconocer el milagro que es despertar cada mañana y cerrar los ojos al final del día, cumpliendo un ciclo que puede representar toda una vida. Un día ese ciclo no se repetirá.

Al pensar que ya no había caminos, pude percibir que las elecciones son diarias y siempre hay alternativas. Cada noticia puede interpretarse de diferentes maneras. ¿Buena o mala? Depende.

Al creer que las secuelas físicas serían intransitables, la vida me mostró que por cada pérdida hay una ganancia. Se pierde por un lado, se gana por otro.

Al considerar que no tendría fuerzas para seguir, pude ver en los ojos de quienes me amaban que no me faltarían. Mis padres eran una fortaleza; se apoyaban el uno en el otro, encontrando fuerzas que ni sabían que tenían. Mis hermanos, la vida los mantuvo a mi lado, cada uno con su fuerza particular. En fin, aprendí a mirar hacia arriba: ¡fe, oración y fuerza!

Sin embargo, en aquel momento en que el médico me daba la noticia, nada parecía gracioso. Todo era trágico. Después del silencio incómodo, pensaba: ¿cuál sería la buena noticia? ¿Qué cosa buena podría esperar de la vida?

Él respondió:

— Tranquilo, ¡mejor torcido que muerto!

El médico rió. Yo no le vi la gracia. El tiempo, sin embargo, mostró que él tenía razón y ahora sé que fue un estímulo para estar de pie.

El hecho de que hace cuarenta años uso una silla de ruedas no me impidió caminar ni estar de pie. Sentado pude moverme estando de pie, porque la vida me dio la posibilidad de entender que muchas personas caminan de un lado a otro, pero no están realmente de pie. Cuando uno está de pie, es posible ver el mejor camino, analizar las alternativas, encontrar los recursos y desarrollar las fuerzas para aprovechar la vida con lo que se tiene.

Porque ¡ESTAR DE PIE ES UN ESTADO DE ÁNIMO!

Moacir Rauber

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Muito obrigado Dr. Luiz Ivan Zeni da Rocha

ESTAR DE PÉ É UM ESTADO DE ESPÍRITO!

HÁ 40 ANOS…

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ESTAR DE PÉ É UM ESTADO DE ESPÍRITO!

Há quarenta anos, o médico postou-se diante de mim e disse:

— Tenho duas notícias, uma boa e outra ruim. Qual você quer primeiro?

Eu tinha vinte anos. Havia sofrido um acidente de carro (01-05-1986) com múltiplas fraturas e uma lesão na medula espinhal. Ela funciona como o caminho de comunicação entre o cérebro e o corpo, além de comandar reflexos e sensações de calor, frio, dor e prazer. Naquele momento, tudo estava descontrolado; eu não tinha comando do umbigo para baixo. Estava paraplégico. O desespero, o medo e a angústia me dominavam.

Respondi:

— Fala a notícia ruim primeiro…

Com a esperança de que não fosse tão ruim quanto eu desconfiava, escutei:

— No estágio atual da medicina, você não vai voltar a caminhar nem ter sensibilidade na região afetada…

Seguiram-se as explicações:

— … você poderá usar uma cadeira de rodas para se locomover…

“Usar uma cadeira de rodas vai ser um luxo”, pensei ironicamente. Parei de ouvir.

Olhei para o lado e vi meus pais com olhos marejados. Também estavam ali meus irmãos, que não sabiam o que fazer.

Engoli em seco. O médico confirmou, de forma direta, as piores expectativas sobre as sequelas que me acompanhariam. O desespero e a indignação manifestaram-se numa pergunta:

— O que sobrou de bom depois disso?

Silêncio. A princípio, nenhuma palavra — nem do médico, nem da família.

Hoje, ao relembrar essa cena, não imaginaria que viveria mais de quarenta anos sem caminhar. Não tinha ideia de que isso seria um privilégio. Um luxo!

Nesses anos, entendi que a vida é um milagre: ela encontra caminhos, provê recursos e mostra que ficar de pé é diferente de estar de pé.

Ao quase perder a vida, reconheci o milagre que é acordar todos os dias e fechar os olhos ao seu final, cumprindo um ciclo que representa toda uma existência. Um dia ele não se repetirá.

Ao pensar que não havia saídas, percebi que as escolhas são diárias. Cada notícia pode ser interpretada de diferentes maneiras. Boa ou ruim? Depende.

Ao acreditar que as sequelas seriam intransponíveis, a vida mostrou que, para cada perda, há um ganho. Perde-se de um lado, ganha-se de outro.

Ao considerar que não teria forças, vi no olhar de quem me amava que elas não faltariam. Meus pais eram uma fortaleza; meus irmãos, cada um com sua força particular, mantiveram-se ao meu lado.

Enfim, aprendi a olhar para cima: fé, oração e força!

Entretanto, naquele momento, nada parecia gracioso. Tudo era trágico. Após o silêncio incômodo, eu pensava: “qual seria a boa notícia? O que esperar da vida?”

O médico respondeu:

— Fica tranquilo, antes torto do que morto!

O médico riu. Eu não achei graça. O tempo, porém, mostrou que ele tinha razão; foi o primeiro estímulo para voltar a “estar de pé”.

O fato de usar cadeira de rodas não me impediu de caminhar. Ainda que sentado, pude me mover ao estar de pé frente à vida, pois entendi que muitas pessoas caminham de um lado a outro, mas não estão de pé. Quando se está de pé, é possível ver o melhor caminho, analisar alternativas e desenvolver forças para aproveitar a vida com o que se tem.

Porque ESTAR DE PÉ É UM ESTADO DE ESPÍRITO!??

Moacir Rauber

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Muito obrigado Dr. Luiz Ivan Zeni da Rocha

QUANDO A PAUSA VIRA AMOR!

ONDE ESTÃO OS RECURSOS PARA AMAR?

Na parada do ônibus, Clara segurava seu guarda-chuva enquanto esperava. Estava de cara fechada, não por causa do clima, mas porque, a alguns metros, estava o vizinho — aquele mesmo que deixava o lixo fora do horário e que a havia acusado injustamente de riscar seu carro. Clara respirou fundo. Não queria cruzar olhares. Preferia ignorá-lo. Então viu que ele estava encharcado, sem guarda-chuva, e tremia de frio. Clara sentiu aquele desconforto que aparece quando a gente sabe o que deveria fazer, mas não quer fazer. Olhou para o guarda-chuva. Olhou para a chuva. Olhou para o vizinho. O que fazer?

A história da situação cotidiana se repete, mas, diante dela, podemos reagir ou agir de diferentes maneiras.

Reagir é o nosso instinto natural que, muitas vezes, nos afasta daquilo que queremos. Ainda que tenhamos a intenção de ser bons, ao reagir frente a uma situação ativamos os instintos de luta, fuga ou paralisia. Em Clara, nesse momento, esses instintos estavam presentes. Diante do desafeto, teve início uma batalha interna. Ela tinha as opções instintivas: podia seguir em frente, fazer cara feia ou ignorar. Porém, onde estariam os seus recursos para amar? Qual era a sua intenção? O que fazer?

Ao buscarmos os recursos para amar seguindo os passos da Comunicação Não-Violenta (CNV), surgem estratégias que nos conectam com as pessoas à nossa volta, mas principalmente com as nossas intenções mais profundas. Para isso, entendemos que é essencial fazer uma pausa, pois, a partir dela, podemos nos comportar de maneira consciente, abandonando os instintos.

O primeiro passo a que somos convidados é o de analisar o que está acontecendo, sem interpretar, julgar ou acrescentar subjetividades de situações anteriores. Qual era o fato na parada de ônibus?

Em seguida, segundo a CNV, é importante reconhecer em nós os sentimentos gerados pela situação presenciada. Ao reconhecer os meus sentimentos, posso tornar visível o que se move internamente, ajudando a diferenciar emoções de pensamentos disfarçados de sentimento. O que Clara sentia ao encarar o seu vizinho?

Aqui chegamos ao terceiro passo da CNV, em que identificamos qual necessidade cuidamos — ou deixamos de cuidar — diante da situação. Trata-se do motor interno, aquilo que nos move. Por isso, compreender a necessidade por trás de um fato permite reconhecer o que é verdadeiramente importante para a pessoa, para os envolvidos e o que ela valoriza, elementos que sustentam suas relações. A partir das nossas necessidades, podemos adotar estratégias que nos colocam no caminho da conexão com o outro. Quais estratégias Clara poderia adotar que se alinham com sua intenção mais profunda? Clara tem recursos para amar?

O que é amar? Para esta reflexão, amar é fazer uma pausa, identificar as necessidades dos envolvidos — não somente as minhas —, revisar os recursos de que disponho e agir em conformidade. Nessa perspectiva, não há espaço para orgulho, inveja ou injustiça, uma vez que o amor é uma ação intencional, nem sempre fácil.

Enfim, ao ver o seu vizinho, Clara inicialmente ativou seu estado primitivo, identificou a raiva e a irritação e quase atuou em consequência. Entretanto, ela fez uma pausa, suavizou a expressão do rosto, olhou para o vizinho e disse:

— Quer dividir o guarda-chuva?

Ele levantou o olhar, surpreso, hesitando diante do gesto dela depois de tantas tensões. Indagou:

— Tem certeza? — quase envergonhado.

— Claro. Não faz sentido você se molhar.

Ficaram sob o guarda-chuva, em silêncio no começo.

Olha… — murmurou o vizinho. — Sinto muito pelo carro. Te acusei sem provas…

Não era um pedido de desculpas perfeito, mas era um começo.

— Obrigada por dizer isso — respondeu ela.

O ônibus chegou. Subiram. Sentaram-se em assentos separados, mas algo havia mudado. Não eram amigos, mas já não eram inimigos.

Clara encontrou seus recursos para amar amando, porque amor é um substantivo que exige ação!

Moacir Rauber

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VOCÊ SERVE PARA VIVER?

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VOCÊ SERVE PARA VIVER?

Uma frase frequentemente atribuída a Madre Teresa revela a essência da maturidade emocional: “Dormia e sonhava que a vida era só alegria. Acordei e vi que a vida era só serviço. Servi e entendi que o serviço era uma alegria.” Essa ideia confronta a cultura vigente, que (1) valoriza o bem-estar individual em detrimento do bem comum; em que (2) somos acostumados a ter aquilo que queremos quando queremos; em que (3) nos aprisionamos às nossas emoções, fazendo da fragilidade um modo de vida; e em que (4) não sabemos agradecer o que temos.

Acredito que, para alcançar a maturidade emocional, é indispensável mudar o foco do EGO, em que busco satisfazer-me primeiro, para o ECO, em que, ao servir o outro, encontro satisfação. Nessa perspectiva, pergunte-se: você serve para servir?

Responder a essa pergunta conclui o decálogo da maturidade emocional de Monsenhor Munilla, no qual sabedoria e discernimento; equilíbrio; empatia e compaixão; paciência e tolerância; fortaleza; autodomínio e temperança; amor aos inimigos; propósito; e obediência e humildade antecedem a consciência de que somente no serviço ao outro a maturidade emocional é possível e nos conduz à alegria e à felicidade. Compreende-se, assim, que se eu não sirvo para servir, provavelmente não sirvo para viver.

Ao (1) valorizar o bem-estar individual em detrimento do bem comum, passo a agir de modo a me servir dos demais. A afirmação “se não vivo para servir, não sirvo para viver” traz uma verdade óbvia que nos escapa quando mantemos o foco em nós mesmos, alimentando o ego: “o outro, sem mim, existe; eu, sem o outro, não existo.” Portanto, nada mais lógico do que cuidar do outro para que eu também seja cuidado. Quando me coloco como objeto primeiro das minhas ações, sirvo-me dos outros para atender ao meu EGO. Qual será o ECO? Dor.

Com a prevalência da imediatez, estamos (2) acostumados a ter aquilo que queremos à disposição. Com essa mentalidade, igualmente nos servimos dos demais para atender necessidades individuais que, numa análise mais cuidadosa, não passam de desejos. Outra vez, nossos esforços alimentam o EGO. Qual será o ECO? Consumo inconsequente.

Nas últimas décadas, fomos estimulados a reconhecer nossas fraquezas, debilidades e fragilidades, culminando num movimento de (3) autopromoção da vulnerabilidade. Reconhecer nossa vulnerabilidade — e o fato de que não somos autônomos — nos coloca numa relação natural de dependência dos demais, mais do que de interdependência. Isso é importante e natural. Entretanto, escolher o caminho da vitimização com base nas próprias fragilidades impede que eu explore minhas fortalezas, que poderiam estar a serviço dos outros. Qual será o ECO? Depressão.

Por fim, (4) não sabemos agradecer o que temos. Vivemos um momento em que se tem acesso a mais bens de consumo do que em qualquer outra fase da história. Comida? Basta enviar uma mensagem. Bebidas? Em qualquer esquina. Mobilidade? Carros, aviões, motos, patinetes e inúmeras opções. Comunicação? Em tempo real com qualquer pessoa, em qualquer parte do planeta. Ainda assim, estamos sempre em busca de algo mais para consumir, sem nos dedicarmos a agradecer pelo que já temos. Qual será o ECO? Ingratidão.

O estilo de vida predominante tem inflado os egos e impedido que se alcance a maturidade emocional. Por isso, penso que, ao mudar o foco para o outro, iniciamos o caminho da maturidade emocional, que nos aproxima da alegria e da felicidade.

Lembremos um ditado popular:

“Se você quer ser feliz por uma hora, tire uma soneca. Se você quer ser feliz por um dia, vá pescar. Se você quer ser feliz por duas semanas, faça um cruzeiro. Se você quer ser feliz por dois meses, apaixone-se. Se você quer ser feliz por toda a vida, esqueça-se de si mesmo e entregue-se.”

Entregar-se é serviço — e quem serve, serve à vida e produz ECOS DE AMOR. Por isso, traga à mente alguém que você vê como entregue ao serviço… Como você a percebe?

E você, serve?

Moacir Rauber

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VOCÊ TEM HUMILDADE SUFICIENTE PARA OBEDECER?

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VOCÊ TEM HUMILDADE SUFICIENTE PARA OBEDECER?

O gerente estava prestes a tomar uma decisão, mas ainda carregava algumas dúvidas. As informações, a descrição da execução e os dados financeiros estavam todos claros no projeto; mesmo assim, ele sentia certa insegurança. Chamou então o coordenador e comentou:

— Antes de confirmarmos, quero ouvir sua visão. Você tem acompanhado isso de perto…

Essa cena abre espaço para diferentes interpretações sobre o papel do líder no caminho da maturidade emocional — um percurso que envolve sabedoria e discernimento, equilíbrio, empatia, paciência, fortaleza, autodomínio, propósito e, inevitavelmente, a capacidade de seguir e de se colocar em posição de aprendizado. Como exercer isso em um cargo de liderança?

Um líder precisa dominar três competências essenciais: clareza de propósito, capacidade de escuta e coerência entre discurso e prática. A meu ver, seguir orientações e manter uma postura humilde fortalecem essas competências e contribuem para o amadurecimento emocional de qualquer pessoa.

Embora a obediência seja frequentemente entendida como “seguir ordens”, ela carrega significados mais profundos. Pode ser uma experiência de consonância e atenção: ouvir, compreender e agir. A obediência se relaciona ao que foi solicitado, cabendo a quem recebe a ordem acolher ou não. A humildade, por sua vez, envolve reconhecer o valor do outro — e isso se torna ainda mais relevante quando há confiança em quem orienta.

Pergunte-se: você confia no seu líder? Se sim, não há conflito de autoridade — a menos que o problema esteja em você. Se não confia, por que permanece na organização? E o líder também deve se perguntar: confio na minha equipe? Se sim, posso aprender com ela. Se não, por que essas pessoas ainda estão comigo?

Após a fala do gerente, o coordenador respondeu:

— Obrigado. Eu vejo que seguir o plano original evita riscos desnecessários. A equipe se sente segura sabendo que pode contar com o seu apoio…

Ao pedir esclarecimentos, o gerente demonstrou a humildade de quem busca escutar os liderados e manter o foco. E você: ao liderar a própria vida, mantém o foco?

Da mesma forma, ao ouvir o coordenador, o gerente mostrou sua capacidade de escutar sem medo de parecer inseguro ou incompetente. Ele praticou a escuta antes de agir. A quem você escuta?

Por fim, ao dialogar com o coordenador, alinhou discurso e prática, exercendo coerência com o papel de líder que confia na equipe. Isso gera respeito, credibilidade e abre espaço para uma relação madura, em que até o líder aprende a seguir. Como está o alinhamento entre o que você diz e o que você faz?

A obediência não nos priva da liberdade; ela nos mantém no caminho escolhido — e isso é exercício de liberdade. Da mesma forma, a humildade, quando nos submetemos ao que escolhemos, nos aproxima daquilo que buscamos e isso também é liberdade.

Por isso, a obediência pode ser vista como um gesto de humildade de quem tem clareza de que o foco está em um bem maior. Obediência e humildade são sinais de maturidade emocional, conectam-nos a um propósito mais profundo, fortalecem a capacidade de sacrifício pelo bem comum e alimentam virtudes que nascem de aspirações elevadas.

Desse modo, obedecer e ser humilde às vezes dói. Mas é justamente essa dor que forja o caráter e sustenta o exercício da verdadeira liberdade. Jesus nos mostra isso ao dizer ao Pai: “…se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia, não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres” (Mateus, 26, 39).

Você tem humildade suficiente para obedecer?

Moacir Rauber

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PARA QUEM SOU EU NA VIDA?

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Para quem sou eu na vida?

Vocação e Missão

“A vida passa rápido” é uma expressão que faz ainda mais sentido para as gerações mais antigas. O ano recém terminou, mas o carnaval passou, a quaresma findou e a Páscoa chegou. E muitas pessoas têm a sensação de andar em círculos, sem saber para onde vão. Olham ao redor e parece que todos têm um mapa — menos elas. Então se perguntam:

— O que eu estou fazendo da minha vida?

Para muitos, essa pergunta é recorrente e inquietante na busca pelo sentido da existência. Ainda assim, é fundamental respondê-la e repensá-la para trilhar o caminho da maturidade emocional.

A pergunta pode ser um convite para descobrir a vocação e a missão. Falar em vocação para quem tem mais de cinquenta anos? Pensar em missão para quem ainda nem se formou? Acredito que ambas são importantes em qualquer fase da vida, pois vocação e missão estão atreladas a uma vida com sentido. Para isso, é essencial mudar o foco, deixando de pensar somente na “minha” vida. Pergunte-se: para quem sou eu na vida? Qual a importância da minha existência para o outro? Ao responder tais questões, provavelmente a pessoa encontrará o seu sentido.

Antes, porém, de respondê-las, vale refletir sobre vocação e missão.

Vocação pode ser entendida como a aptidão natural para uma função, profissão ou ofício no qual a pessoa se sinta realizada. Ela traz em si um chamamento que conduz alguém a seguir um caminho profissional, religioso ou pessoal, e a assumir uma missão no mundo.

Missão significa o envio de alguém para executar um trabalho, serviço ou tarefa; por isso, acontece onde se atua. À missão soma-se o propósito, que manifesta a intenção mais profunda da ação. Assim, ao unir missão (ação) e propósito (intenção), torna-se mais fácil encontrar o sentido da vida, aproximando-nos da vocação.

Ao identificar a aptidão natural — a vocação que vem de dentro — e alinhá-la com a missão — que se realiza fora — encontra-se o propósito daquilo que se faz, permitindo compreender o sentido da vida. Essa lógica nos prepara para responder: para quem sou eu? Qual a importância da minha existência para o outro?

Quando mudamos o foco do “eu” para o “outro fundamental”, a fala de Madre Teresa de Calcutá se aplica e vai muito além do ambiente religioso: “Quem não vive para servir, não serve para viver.” A prática desse pensamento alcança o ambiente familiar, social, político e organizacional.

Na família, somos convidados a colaborar de modo que nossa presença importe.

Na sociedade, nossa atuação deve contribuir para torná-la melhor.
Na política, o exercício deveria ser o de servir aos demais, e não de se servir deles.

Nas organizações, produtos e serviços devem atender ao propósito para o qual existem, sob pena de desaparecerem.

Portanto, ao perguntar “para quem sou eu na vida?”, naturalmente descobrimos a vocação, encontramos a missão e deixamos um legado.

Como a vocação é uma aptidão natural, não se trata de inventá-la — inventar é criar algo inexistente. Descobrir, ao contrário, é trazer à luz. E para trazer à luz a vocação, exige-se esforço, dedicação e coragem, pois ela pode estar escondida sob o medo, a expectativa ou a pressa. A descoberta da vocação tira as pessoas da frente do espelho da superficialidade e as coloca diante da janela que se abre para o Eu profundo que nos leva a ver o outro.

Ao descobrir a vocação, o alinhamento com a missão e o propósito acontece naturalmente, e o legado se torna consequência, não objetivo. Por isso, pergunte-se: Para quem sou eu na vida? Porque a vida é mais sobre os outros do que sobre você. A vida sem você segue; a vida sem os outros desaparece. Fica o convite para uma entrega total, porque a vida, assim como a vela, existe para ser consumida.

A vida é entrega. Jesus que o diga.

Feliz Páscoa!

Moacir Rauber

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VOCÊ QUER CHUTAR O BALDE? DESENVOLVA O AUTODOMÍNIO E A TEMPERANÇA

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Você quer chutar o balde? Desenvolva o autodomínio e a temperança

Felipe caminha pela rua e vê uma latinha. Pensa em dar um chute nela, mas desiste e segue em frente. A cena não termina aí…

Retrata uma tirinha da Mafalda (Quino), com o primo Felipe, que representa a importância do autodomínio e da temperança — competências difíceis de desenvolver num mundo sujeito a tantos estímulos. Desse modo, para muitos, a Quaresma é um período de introspecção mais profunda, que nos convida à prática do jejum, da abstinência, da caridade e da oração. Porém, qual é o sentido de tais práticas? O que podem representar jejum, abstinência, caridade e oração num mundo tão volátil? Creio que são passos a mais no caminho da maturidade emocional, que exige sabedoria e discernimento; equilíbrio; empatia e compaixão; paciência e tolerância; fortaleza; e autodomínio e temperança (Monsenhor Munilla).

Comecemos por entender o que são autodomínio e temperança, qualidades importantes para não chutar a lata — ou o balde — no momento inadequado.

Autodomínio pode ser entendido como a capacidade de não agir movido pelas emoções em atitudes de reação imediata. Quantas vezes você teve vontade de chutar a lata ou o balde? Cada um de nós sente raiva, frustração, ansiedade ou medo, mas o autodomínio permite que não sejamos governados por tais emoções. Assim, você assume a condução do carro da sua vida, não sendo movido pelos seus impulsos.

E a temperança, o que é? É uma competência complementar ao autodomínio, fundamentada na capacidade de equilibrar emoções, desejos e atitudes. A temperança traz à tona o discernimento que nos conecta com a sabedoria, impedindo que o autodomínio se transforme em repressão ou frieza.

Como levar o autodomínio e a temperança da Quaresma para o trabalho?

Na Quaresma, como exercício espiritual, pratica-se o jejum de alimentos; na empresa, como competência de desempenho, você pode jejuar do uso das redes sociais para fins pessoais durante o horário de trabalho. Aceita o desafio?

Na Quaresma, como exercício espiritual, pratica-se a abstinência de falar mal de pessoas ausentes; na empresa, você pode se abster de espalhar fofocas sobre os colegas. Está disposto a isso?

Na Quaresma, como exercício espiritual, pratica-se a caridade ao ajudar famílias em vulnerabilidade social; na empresa, você pode ser caridoso ao reconhecer os méritos de alguém com quem não simpatiza. A quem você vai reconhecer?

Na Quaresma, como exercício espiritual, pratica-se a oração com mais intensidade; na empresa, você é convidado a refletir sobre a importância daquilo que faz e o impacto na vida dos outros. Qual é o sentido daquilo que você faz?

Ao levar as práticas espirituais para o ambiente organizacional, as conversas difíceis se tornam mais fáceis, o tempo passa a ser gerido de acordo com as prioridades e as decisões precipitadas dão lugar às decisões conscientes. Com isso, a liderança se manifesta com o autodomínio e a temperança de quem tem equilíbrio. É a partir do autodomínio e da temperança que se demonstra maturidade emocional.

Desse modo, na Quaresma, ao se propor a jejuar — assim como a se abster de algo que você deseja muito e tem acesso em abundância — você realiza um treinamento de autodomínio e temperança. Da mesma forma, praticar a caridade permite que você se sinta bem com aquilo que faz, assim como a oração o alinha com o sentido da vida. Isso ajuda a evitar que você chute a lata ou o balde quando não deveria.

Felipe, depois de passar pela lata, voltou e deu-lhe um pontapé, para em seguida se arrepender: “Que desastre! Até as minhas fraquezas são mais fortes do que eu…”

Por isso, exercitar o autodomínio na Quaresma é uma prática que reconhece as nossas debilidades, treina o controle sobre os impulsos e desenvolve a temperança para tomar a melhor decisão. Porque, muitas vezes, ao chutar uma lata aparentemente vazia no impulso, encontra-se uma pedra no seu interior.

Você já chutou a lata ou o balde quando não deveria? Pratique o autodomínio e desenvolva a temperança.

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Moacir Rauber

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FORTALEZA EMOCIONAL: A FORÇA QUE NASCE DA DOR

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FORTALEZA EMOCIONAL: A FORÇA QUE NASCE DA DOR

O ano passado terminou com a perda de um amigo, mas a mensagem de fim de ano enviada por sua esposa foi uma verdadeira aula de amor e fortaleza. Entre outras palavras, ela escreveu:

“O ano em que eu perdi o chão, o rumo, a direção… conheci a dor que não passa, que alucina e que remédio nenhum no mundo tira: a dor de perder o amor da minha vida! Meu par, o pai dos meus filhos! Mas, em 2025, eu também vivi o AMOR de Deus intensamente… O amor de atitude, o amor que é alento na cruz!”

Está expresso na mensagem o que é fortaleza emocional e como ela se manifesta. A vida traz dor e sofrimento, inerentes a cada ser humano. Por isso, São Josemaría Escrivá pergunta: “Se a dor acompanha o ser humano, o que é senão tolice desperdiçá-la?”. Com essa provocação, ele nos coloca diante do melhor do ser humano: a fortaleza frente às adversidades.

O que fazer com a dor e o sofrimento?

Ano passado, acompanhamos a perda de um amigo querido. Ele era marido, pai, irmão, filho, tio, padrinho, profissional e amigo de muitos. Sua batalha foi contra uma enfermidade que o acometeu e o levou em menos de um ano. Tinha fé, e nela encontrava força. Tinha sua família — esposa e três filhos — e nela encontrava base. Sua fortaleza surgiu da combinação entre a força da fé e o apoio da família. Recebeu consolo, mas consolou ainda mais. Viveu plenamente e partiu serenamente.

E como fica quem fica?

Em tempos de tanta fragilidade emocional, as palavras que abrem este texto mostram o que é fortaleza. O testemunho da esposa, na mensagem enviada aos amigos, revela o que fazer com a dor ao viver a perda de alguém amado: apoiar-se em fundamentos sólidos, como a fé e a família.

E o que se entende por fortaleza emocional? Trata-se da capacidade de encarar e assumir as próprias emoções sem perder o equilíbrio diante das adversidades. Não há receita para enfrentar a finitude da vida de alguém que faz parte da nossa história, especialmente quando ela chega numa fase em que “não seria ainda o seu tempo”. A dor e o sofrimento surgem, mas cada um determina seu estado de ânimo. A fortaleza emocional se revela na habilidade de atuar eficazmente diante de situações desafiadoras, adaptando-se a elas de forma saudável. Consiste em ser valente sem agredir ou se deprimir, e nisso a força da fé e da família faz toda a diferença. Exibir fortaleza não significa ignorar a dor, mas seguir em frente apesar dela.

A esposa expressou sua dor e sofrimento, admitindo ter ficado sem chão e sem rumo. Ficou sozinha com três filhos ainda pequenos. Não há magia capaz de eliminar os sentimentos pela perda do amor de sua vida, do pai de seus filhos, do amigo de todos os momentos. Entretanto, a força da fé e a base da família oferecem o sustento nesse momento.

Muitos amigos se fizeram presentes. O tempo os manterá próximos por um período; depois, cada um seguirá seu caminho. A família, porém, permanecerá sempre, assim como a fé é a fortaleza que nos mantém no caminho da esperança. Esperança em quê? Em não desertar da eternidade que nos espera ao compreender o sentido da vida.

A fortaleza exige vigor, que ela demonstrou na postura ativa diante de tamanha adversidade. Exige firmeza para manter a determinação quando tudo parece desmoronar. Exige coragem para seguir em frente num movimento de autopreservação e responsabilidade com aqueles ao redor.

Por isso, a mensagem recebida ecoa em mim como expressão de fortaleza emocional. Ela concluiu dizendo:

“Muito obrigado! Porque foram atitudes, como as tuas, que sustentam a certeza de que Jesus nascerá todos os dias, pois em cada gesto de amor e generosidade se faz um ano cheio de esperanças!”

Nós é que agradecemos!

Moacir Rauber

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MATAR UMA PULGA COM UM CANHÃO…

Matar uma pulga com um canhão…

Estava tendo uma conversa difícil com um amigo e, a partir de determinado momento, passei a falar mais alto. Não se tratava de ofensas, agressões ou palavras duras; apenas falava de um modo que até os vizinhos poderiam ouvir. Tenho o hábito, já identificado, de elevar o tom de voz sempre que me sinto confrontado, questionado ou desafiado. Isso ocorre tanto nos diálogos cotidianos quanto em discussões mais específicas, como era o caso.

Minha esposa, que me conhece bem, passou por mim e fez um sinal para que eu baixasse a voz. Ao vê-la fazendo o gesto, a ira tomou conta de mim. Ruborizei. Quase paralisei. Diminui o tom de voz, encerrei a conversa com meu amigo e perdi a paciência. Fiz uma série de gestos irritados e proferi expressões mal-educadas. Uma manifestação clara de que o caminho para a maturidade emocional ainda será longo.

O que fazer para exercitar a paciência e a tolerância como busca? Como ser paciente dentro de casa?

A sabedoria e o discernimento, o equilíbrio emocional, a empatia e a compaixão, assim como a paciência e a tolerância, fazem parte do decálogo que nos conduz à maturidade (Mons. Munilla). Talvez a paciência seja um dos elementos mais desafiadores para cada um de nós, pois basta lembrar que “Deus não nos dá a paciência, mas a oportunidade de exercitá-la”. Na cena descrita, eu perdi a oportunidade de exercitar a paciência e a tolerância.

Não tenho uma resposta definitiva para ser paciente e tolerante, mas tenho a vontade de aprender a dominar os ladrões interiores que sabotam essa possibilidade e me fazem colher resultados que não desejo. Muitas vezes, perdemos a paciência justamente com as pessoas mais próximas, enquanto engolimos sapos de relacionamentos menos importantes.

Entenda-se paciência como a qualidade de ser paciente, tendo como sinônimo a própria tolerância. Assim, paciência e tolerância revelam maturidade emocional, pois nos permitem suportar males, dores e sofrimentos sem revolta ou queixa. Não se trata de passividade, mas da capacidade de dialogar com os próprios limites e agir com sabedoria, discernindo com equilíbrio a partir da empatia e da compaixão. A melhor ação pode ser calar ou falar — ambas são ações.

Biblicamente, a paciência e a tolerância podem ser consideradas frutos do Espírito Santo, que nos conectam com a esperança e a perseverança. Esperança e perseverança em quê? Na construção de comportamentos pacientes e tolerantes, perseverando no caminho da maturidade emocional.

Ao registrar a queda por perder a paciência diante de uma situação banal, é fundamental parar, observar, reconhecer e mobilizar forças internas para aprender. O estímulo é externo, mas a impaciência e a intolerância são movimentos internos. Se algo externo produz um movimento tão brusco de impaciência que explode externamente, como aconteceu comigo, isso revela que, naquele momento, não suportava a mim mesmo.

Ao ser confrontado com o comportamento de falar alto — que reconheço e considero inadequado — eu poderia ter agradecido, me corrigido e usado o momento para aprender e me regular. Porém, a impaciência e a intolerância muitas vezes nos levam a matar uma pulga com um canhão e, por outro lado, a engolir sapos gigantes. Portanto, exercitar a paciência e a tolerância é aproveitar as diversas situações com as quais nos deparamos para fazer a melhor escolha, como alguém maduro emocionalmente faria.

Depois que passou o meu momento de descontrole, precisei recolher o orgulho do meu ego para pedir desculpas por um comportamento imaturo. Ela me perdoou, mas cada vez que é necessário pedir desculpas por imaturidade emocional a alguém que nos importa, fica uma marca no relacionamento. Não foi uma bala de canhão, mas penso num prego que deixou sua marca.

Quando foi a última vez que você percebeu que reagiu com força demais a algo pequeno — e o que isso revelou sobre você?

Finalmente, trilhar o caminho da maturidade emocional passa pelo exercício da paciência e da tolerância, perseverando para vencer por amor.

Moacir Rauber

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Inspirado no Decálogo da Maturidade Mosenhor Munilla

COMPAIXÃO OU COMPADECIDO: DE ONDE NASCE A TUA AÇÃO?

Imagem criada por COPILOT IA

COMPAIXÃO OU COMPADECIDO: DE ONDE NASCE A TUA AÇÃO?

A vida é dura, difícil e, muitas vezes, injusta. Pode-se concordar ou não, mas acredito que boa parte das pessoas pensam dessa maneira. Pais e mães de hoje desejam oferecer o melhor aos filhos e, por isso, proporcionam todo o conforto, as comodidades e a proteção que estão ao seu alcance.

Quando um pai diz ao filho de dezesseis anos, que se dispõe a ir de bicicleta à escola, por exemplo:

— Não, meu filho, eu te levo!

Trata-se de um gesto compassivo ou compadecido? Depende. Há uma diferença significativa entre as palavras que deve ser considerada. Penso que somente com a consciência dessa diferença a empatia e a compaixão surgem como caminhos para a maturidade emocional, que passa pelo equilíbrio emocional e pela sabedoria e discernimento (Mons. Munilla).

Agir de modo compassivo tem origem em um gesto de empatia autêntica, no qual se percebem as dificuldades e o sofrimento do outro, atuando-se para ajudá-lo sem avançar sobre sua autonomia. Por outro lado, agir de maneira compadecida envolve uma identificação emocional que coloca aquele que quer ajudar no centro do problema, sobrepondo-se ao outro. Assim, a ação compassiva resulta de uma atitude empática, consciente e respeitosa, enquanto a ação compadecida nasce da emoção da pena e da identificação com a dor alheia, muitas vezes a partir de uma experiência pessoal. Para marcar a diferença entre compassivo e compadecido, é preciso perguntar: qual é a origem da ação?

Percebo que, hoje, muitos pais agem de forma compadecida porque se identificam com a possível dor do filho, dor que nasce de uma ferida própria. Talvez os adultos que hoje têm filhos adolescentes tenham tido pais que, para os padrões atuais, foram demasiadamente duros. Possivelmente, quando crianças, tiveram de ir a pé ou sozinhos à escola, trazendo lembranças que evocam insegurança. Assim, diante da possibilidade de que o próprio filho possa sentir-se inseguro, fazem por ele aquilo que sentem que não fizeram por si. Surge, então, uma emoção intensa ligada à dó, à pena e à tristeza, levando-os a ações impulsivas, paternalistas e excessivamente protetoras. Esses pais não se perguntam se é positivo ou não para o filho ir de bicicleta à escola; agem movidos pela incapacidade de ver o outro sofrer por causa da própria dor vivida. Comportam-se, portanto, de modo a salvar, proteger e resolver pelos filhos, podando-os.

Por outro lado, os pais que agem por compaixão partem da percepção da dor ou do sofrimento do outro sem perder de vista o próprio equilíbrio emocional, mantendo o respeito, a autonomia e a dignidade de ambos. A compaixão, unida à empatia autêntica, não coloca quem ajuda em um lugar superior, pois preserva a capacidade de avaliar ações adequadas, ponderadas e úteis. Sobretudo, agir por compaixão nasce da real preocupação com o outro, e não do desejo de aliviar uma angústia pessoal. A compaixão empática coloca o outro no centro.

Enfim, qual é o problema em um pai oferecer-se para levar o filho à escola? A princípio, nenhum. Entretanto, é preciso refletir sobre as razões e as consequências dessa oferta. A oferta é por mim ou por ele? Responder autenticamente a essa pergunta revela a motivação. Em seguida, outra questão se torna essencial: o que a minha oferta produz? Esse ponto é crucial, pois ações compadecidas, ainda que aliviem uma dor inicial, tendem a gerar dependência, fragilidade, tristeza, melancolia e depressão, ao transmitir ao outro a mensagem de que ele não é capaz. Uma ação compassiva, ao contrário, tem clareza, presença, respeito, limites e equilíbrio — e eleva o outro.

De onde nasce a tua ação e o que ela produz?

Moacir Rauber

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Inspirado no Decálogo da Maturidade Mosenhor Munilla

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