FOME E SEDE DE VIVER OU MEDO DE MORRER: O QUE TE DEFINE?

Paulinho Scarduelli: um brinde!!! – Café Lamiró – Açores, Florianópolis-SC

Bem-aventurados os puros com fome e sede de viver!

Tomar um café numa praia de Florianópolis é sempre um programa especial. Na presença de um amigo faz valer cada segundo ao conversar sobre os projetos iniciados e não finalizados do ano anterior e fazer projeções sobre ideias para realizar no ano corrente. Nossa idade? Bem acima dos 50 anos falando sobre a importância de cada um no mundo e a contribuição para que cada espaço onde se esteja seja um pouco melhor com a própria presença. Se não for assim, para que estar presente? Com relação ao meu amigo eu sabia que os lugares por onde andava eram melhores com a sua presença. E, talvez, a reflexão mais linda do dia:a

– Eu tenho fome e sede de viver. Gosto de levantar pela manhã e ter a consciência do privilégio da vida…

Podia ver a sua mente fervilhando ao desfrutar da consciência da vida.

– E ela (vida) vai acabar. Se acabasse hoje eu olharia para trás e diria: que bela jornada.

Fiquei feliz ao escutar alguém que não tem medo de morrer. Acredito que esse seja um ponto de vista que dá outra perspectiva sobre a vida. É muito diferente viver com medo de morrer do que com fome e sede de viver. Foram muitas as pessoas que conheci que vivem com medo de morrer. O medo as paralisa, assim não se arriscam em um novo projeto ou um novo empreendimento. O medo as assusta, assim sempre fogem diante de um desafio ou de uma oportunidade. O medo produz raiva, assim elas agridem aos que estão ao seu redor. Fiquei pensando, “bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” a partir das intenções que se transformam em ações sem medo. Desse modo, cabe destacar que é da intenção que surge a possibilidade da mudança que melhora. “De boas intenções o inferno está cheio” é uma expressão verdadeira, mas é a intenção que define a pureza de coração que vai nortear a ação. Por isso, a mudança de olhar sobre as possibilidades que a vida nos dá representa a pureza de coração que fará com que cada um seja mais criativo, mais produtivo e mais competitivo a partir daquilo que pode fazer de melhor para si e para os demais. É fundamental não ter medo de morrer para que não se deixe de viver. É indispensável ter fome e sede de viver para alimentar a vida sem medo de morrer. Não é um convite a irresponsabilidade, mas para assumir o controle da perspectiva sobre a vida, porque ela vida vai nos deixar um dia. Porém, para aqueles que são puros de coração vai ter valido a pena ter vivido.

“Muitas pessoas podem viver mais tempo, mas não vivem tanto pelo medo de morrer” disse o meu amigo. Nossa conversa se estendeu por mais um tempo e ele voltou para o seu papel organizacional para onde levará a sabedoria da bem-aventurança de um puro de coração que tem fome e sede de viver sem medo de morrer. O meu amigo vive bem dentro de si com ele mesmo, por isso é bom estar com ele. Gandhi comentava da relevância do Sermão da Montanha ao se tratar de espiritualidade e a pureza de coração é a intenção que vai definir a ação para que tenhamos um mundo melhor. Qual é a tua intenção? Quais as tuas ações?

Moacir Rauber

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Inspirado por: Paulinho Scarduelli.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles terão lucro!

A volta do filho pródigo – Henri J. M. Nouwen

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles terão lucro!

A vida havia sido dura para ele, porque parecia que de tempos em tempos ela lhe dava uma rasteira ou um castigo. Com o passar dos anos, quase sempre, apercebia-se que se tratava de um empurrão. Essa situação ficou evidente quando ele foi demitido depois de trinta anos na empresa por ser considerado velho e “demasiadamente honesto” (https://facetas.com.br/2022/01/10/bem-aventurados-os-que-sao-demasiadamente-honestos/). Os anos se passaram e a pessoa que o demitiu, batia-lhe a porta. Ele vira crescer o homem que o despediu e que estava diante dele, porque era filho do seu falecido amigo. A conversa entre os dois começou com amenidades, lembranças dos tempos em que o amigo de um e o pai do outro estava vivo. Era a conversa que desconversa preparando para a conversa que revela. E a revelação veio. Depois de cinco anos conduzindo a sólida empresa herdada de seu pai, o filho estava com dificuldades. A segurança que se revelava nas atitudes arrogantes de demitir pessoas que eram parte da história da empresa tinham como base a sólida situação econômica. Isso tudo desaparecera juntamente com os recursos financeiros. O filho era o tipo de pessoa que precisava ter para ser, menosprezando quem não tinha. Por anos fora arrogante, prepotente e nada misericordioso. A ideia de ser compassivo gerava aversão ao filho que dirigia a empresa, porque acreditava que era uma emoção ou um sentimento para os fracos que não tinham espaço em seu mundo de certezas. Hoje, o filho sentado diante do amigo do seu pai, homem que ele demitiu, se sentia diminuído por já não ter os recursos que garantiam a força de seu ser. Depois da conversa inicial, finalmente, reconheceu a sua fragilidade, dizendo:

– Primeiro, peço desculpas pelas minhas atitudes que em nada honraram a visão, os valores e as crenças do meu pai…

Todo o discurso que se seguiu gerou uma satisfação inicial nele que se sentira humilhado ao ser demitido há cinco anos. Para muitos, viria a ideia da vingança ou da revanche, uma vez que a antiga empresa estava em dificuldades e ele poderia cumprir o papel de a ajudar ou não. Para ele, inicialmente, não foi diferente. Pensou “A vida dá voltas…” com certo desdém. A sensação de vitória lhe passou pela mente, porém logo mudou o rumo dos seus pensamentos e sentimentos. Não se tratava de uma vitória dele. Tratava-se de uma oportunidade para demonstrar ser quem ele era, sem julgar ou se satisfazer com as dificuldades do outro. Ele poderia trabalhar inúmeras faces positivas da situação, começando pela misericórdia. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles encontrarão misericórdia” fala de reciprocidade a partir daquilo que cada um carrega dentro de si. Qualquer um poderia dizer que isso é lindo, mas no mundo dos negócios não se aplica. O que importam são os números. Concordo em gênero, número e grau com a importância dos números para os negócios, porém eles acontecem entre pessoas. Por isso, quem perdoa será perdoado. Os bondosos encontrarão bondade. Os compassivos descobrem a compaixão. Os humanos se deparam com a humanidade do outro. As relações humanas falam de reciprocidade, assim os que dão lucro obterão lucro. Agora falamos de negócios.

Enfim, entendo que o Sermão da Montanha ao falar que são “bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia” fala das relações entre pessoas que fazem negócios e que para evoluir precisam da reciprocidade. A colaboração motiva a colaboração. A cooperação desperta a cooperação. A reciprocidade promove a reciprocidade. Pergunta: mas se ele pensasse em reciprocidade, por que ele exerceu o perdão? Nesse momento, há que ser inteligente para ver e dar a oportunidade de perdoar que faz com que o outro tenha a oportunidade de melhorar e de crescer. Com isso todos ganham e quando todos ganham aparece o lucro. Reciprocidade? O lucro impulsiona mais lucro. O que é lucro para você? É a reciprocidade dos bem-aventurados que tem inteligência, coração e humanidade para ser misericordioso.

Moacir Rauber

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BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO “DEMASIADAMENTE HONESTOS”!

Bem-aventurados os que são “demasiadamente honestos”!

Fazia trinta anos que ele repetia um ritual: levantava-se pela manhã, preparava o seu café, vestia-se apropriadamente e seguia de metrô para o trabalho numa empresa que ele viu nascer, uma vez que foi o seu primeiro funcionário. Agora era uma empresa gigante com um dono que se orgulhava de defender valores como a honestidade, a integridade e a justiça. Com o passar dos anos o dono se tornou seu amigo, por isso ele viu o seu filho crescer, fazer faculdade e se tornar adulto. Pela primeira vez, em todos esses anos, ele não cumpriria o seu ritual. Levantou-se no mesmo horário, foi para a cozinha, fez o café, mas não se vestiu e nem saiu para trabalhar. Isso porque no dia anterior havia sido demitido pelo filho do dono que assumira o controle da empresa. Foi um choque que ele não sabia como e nem quando iria se recuperar. Primeiro, veio a morte de seu amigo e dono da empresa. Em seguida o filho assumiu o controle. Logo, ele foi comunicado de que ele não fazia mais parte do quadro laboral da organização e que podia desocupar a sua sala, limpando a sua mesa. Entre as novas diretrizes da empresa estava o entendimento de que era necessário rejuvenescer o quadro de colaboradores. Nos corredores da empresa circulava a conversa de que alguns dos que estavam sendo dispensados eram “demasiadamente honestos”. Ele era um deles. “Bem-aventurados os que tem sede e fome de justiça, porque eles serão saciados”, como fica? Onde está a justiça na situação contada que não é nova e segue se repetindo?

A sua demissão havia ocorrido há oito anos. Ele agora contava com setenta anos e relembrava essa história com a sua esposa. Ao ser demitido se sentiu injustiçado e teve vontade de se vingar, de ofender e de castigar o responsável por ele perder o chão. Ficou somente na vontade, porque quem tem fome e sede de justiça não pratica a vingança. Após sair da empresa ele entrou num profundo período de recolhimento, beirando a depressão. Não sabia o que fazer com o seu dia. Lembrava-se da acusação de ser “demasiadamente honesto” como uma das razões para a sua demissão. Não podia acreditar. Os dias se passaram e ele saiu do recolhimento. Foi procurar os demais colaboradores que saíram da empresa, todos com mais de cinquenta anos. Alguns já estavam recolocados. Outros ainda procuravam uma nova oportunidade. Falou com estes. Uniram as suas competências e iniciaram um novo negócio em formato de cooperativa. Hoje eles conduzem uma organização promissora que conta com um quadro de colaboradores comprometidos, tendo entre os seus valores a honestidade, a integridade e a justiça. Quem tem sede e fome de justiça não precisa de vingança para fazer vingar a prosperidade. E a empresa do seu falecido amigo?

A empresa controlada pelo filho do seu amigo segue a sua vida, porém com muitas dificuldades. O capital representado por ser conhecida como uma empresa honesta, íntegra e justa que a tornava confiável, em parte, se havia perdido. Com isso, muitos contratos desapareceram e com eles grandes clientes se foram. O filho lutava para manter a empresa em pé, recorrendo a cooperativa de consultores presidida pelo seu antigo primeiro colaborador. “Bem-aventurados os que tem sede e fome de justiça, porque eles serão saciados” não se trata de vingança nem de revanche e muito menos de religião. Refere-se a um convite para sermos honestos, íntegros e justos em nossas decisões, intenções e ações para que se construa um mundo melhor com pessoas “demasiadamente honestas”. Além do mais, no longo prazo a honestidade, a integridade e a justiça são lucrativas. Por isso, o mundo pode não ser justo, mas cada um pode ser.

Moacir Rauber

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BEM AVENTURADOS OS MANSOS… TOLERANTES

Bem-aventurados os mansos…

quando eles são tolerantes!

O tempo havia passado e ela havia superado uma série de emoções e sentimentos controversos pelo fim do casamento. A minha amiga havia sentido culpa, mas se havia perdoado. Havia sentido raiva, mas se havia acalmado. Havia sentido tristeza, mas já havia passado. Entretanto, relações pessoais tão íntimas como um casamento produzem sentimentos em outras pessoas que vão além do casal. Existem os filhos, parte importante que não está aparte. Existem os pais de um e de outro que se envolvem de uma forma ou de outra. Existem os irmãos e os amigos que se aproximam por intermédio de um do outro. Um casamento ultrapassa o conceito de um compromisso social, porque ele compromete pessoas com todas as suas relações e sentimentos. Ali estava ela em sua casa com os seus filhos sem o pai que, depois da separação, desapareceu. Um irmão mais novo de seu ex-marido esteve muito presente com os sobrinhos, porém o tema da separação não fazia parte das conversas entre eles. Um dia, contudo, ele falou:

– A separação de vocês fez o meu irmão sofrer muito e a mim também. Fiquei muito magoado…

Ele seguiu com outros comentários, entre eles a acusação implícita de que ela fora a culpada disso tudo. Ela ruborizou-se, porque lhe veio à mente todo o sofrimento passado no tempo da culpa, da raiva e da tristeza, assim como da ausência do ex-marido para os filhos. Entretanto, ela não disse nada, porque conseguiu parar, observar e reconhecer do que e a quem ele se referia. Não era dela que o seu ex-cunhado falava. Foi um momento fundamental que mudou o desfecho daquilo que poderia ter sido o início de um conflito. E o que isso tem a ver com ser manso? Onde está a tolerância nessa história? Como isso pode me ajudar nas relações pessoais e profissionais? “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” não é um convite para ser passivo ou submisso. É um convite para a ação consciente, porque manso é sinônimo de gentil, tranquilo ou sereno, necessitando um alto nível de inteligência emocional. É o desenvolvimento dessa qualidade que permite não reagir numa situação de conflito ou frente a uma acusação num ambiente hostil, mantendo a capacidade de fazer a melhor escolha. Ser gentil, tranquilo e sereno quando tudo está calmo é fácil. O desafio é demonstrar a qualidade da mansidão sob pressão e para isso é preciso ser tolerante ao admitir que alguém se expresse, faça ou interprete algo de forma diferente da sua. Para ser tolerante é fundamental estar tranquilo e sereno, o que o leva a exibir a gentileza natural de quem é manso. “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” prometida, um estado de satisfação e de realização sem que seja necessário conquistar. Para isso é essencial parar, observar e atuar com mansidão para alcançar o “Céu” que é a nossa herança. Não sei quais foram os pensamentos da minha amiga nesse momento, porém ela teve a capacidade de entender que a “bronca” exibida pelo ex-cunhado não era com ela. A dor e o sofrimento eram dele pela sua interpretação da realidade. Para o bem de todos, ela já havia internalizado a mansidão.

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” é um convite para aceitar e integrar os acertos e os erros que compõem o que cada um é para evoluir rumo a um mundo de gentileza, tranquilidade e serenidade. A minha amiga conseguiu exibir a mansidão, porque ela havia integrado o seu ser, criando internamente a tranquilidade e a serenidade que a fizeram gentil. A sua família, a sua organização e o mundo são melhores com gentileza. Com a não reação característica dos mansos ela foi conscientemente tolerante, respeitando o outro que cedo ou tarde terá que resolver os seus conflitos internos. Para esse fim, ele terá que aceitar e integrar as suas partes para desenvolver a mansidão. 

Enfim, espero que em 2022 cada um possa parar, observar dentro de si e reconhecer-se como ser Humano e Divino para aceitar e integrar as suas partes com mansidão. Desejo que cada um “herde a sua terra prometida!”

Moacir Rauber

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Bebe surda: https://youtu.be/GY1lA7JqfgM

Bem-aventurados os que choram… quando eles escutam!

Veja o vídeo!!!

FELIZ NATAL!!!

Bem-aventurados os que choram…

quando eles escutam!

A bebezinha havia nascido surda (https://youtu.be/GY1lA7JqfgM). Com alguns meses de vida, fizeram-lhe uma cirurgia para que pudesse ouvir. Ao ligar o aparelho auditivo ela moveu os olhinhos de maneira mais viva. A mãe a segurava no colo, olhava-a nos olhos e começou a falar com ela de forma suave e carinhosa. A mãe dizia, “Eu te amo, filha, eu te amo”. A bebê se contorcia, movia os olhos, sorria e chorava. É um vídeo de um minuto que me tocou profundamente, porque mostra o choro de agradecimento ao descobrir um mundo até então inalcançável ao ouvir pela primeira vez. Sim, bem-aventurados os que choram, quando eles não só ouvem, mas escutam.

O último ano foi difícil. Muitos de nós choramos a perda de amigos e de pessoas próximas. Outros choraram a perda do trabalho, dos negócios, do casamento ou de relacionamentos. Entretanto, o fato de ter sido um ano difícil o faz importante.

Chora-se a perda de alguém, agradece-se o período de convívio.

Chora-se a perda do trabalho ou dos negócios, agradece-se o aprendizado.

Chora-se o fim de um relacionamento, agradece-se a possibilidade de estabelecer novos.

Desse modo, “bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” é um convite para uma viagem interior em que podemos curar as nossas feridas ao nos escutar para depois escutarmos o mundo. O exemplo da bebê traz uma mensagem poderosa em diferentes perspectivas. Primeiro, ela sorriu com a conquista de algo que nem sabia que era possível no momento que ligaram o aparelho auditivo. Aqui, porém, trata-se da escuta para além da audição em que se observa e se entende a importância da própria atividade para si e para o outro. Escutar dessa maneira permite que se entenda a importância do trabalho do outro para ele e para você. Essa escuta abre possibilidades no trabalho e na vida. Depois a bebê chorou de agradecimento ao escutar o mundo que a colocou em contato com a própria essência. A voz da mãe, na verdade, ela já a conhecia desde o ventre. Ao obter a audição para um ambiente externo, a bebê se conectou com uma infinidade de oportunidades. Pode-se chorar de alegria com a perspectiva de aproveitá-las. Pode-se chorar de tristeza quando não desenvolvemos a consciência da interdependência com aquilo que nos rodeia. A escuta nos permite fazer escolhas.

  1. Quantas vezes, nós ficamos presos na nossa incapacidade de escutar a nós mesmos, deixando de aproveitar as possibilidades do mundo
  2. Quantas vezes nós somos incapazes de escutar o outro, fechando-nos em nós sem escutar o mundo?

Escutar, no sentido mais profundo da palavra, nos permite a tomada de consciência daquilo que podemos e não fazemos; daquilo que vemos e não ajudamos; daquilo que sentimos e não expressamos.

É importante chorar, reconhecer e se mover para obter o consolo dos bem-aventurados que fazem o que podem; que ajudam quando veem; e que expressam o que sentem.

Enfim, “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!” se volta para dentro ao fazer silêncio para receber a voz que você vai seguir. A bebezinha escutou, sorriu e chorou com a segurança da voz que escutava. Cabe a cada um de nós tomar consciência daquilo que busca a partir do silêncio para exercer a escolha com a beleza da escuta. Choro de tristeza ou de alegria? Depende da voz que escolher escutar.

FELIZ NATAL, É TEMPO DE FAZER ESCOLHAS!!!

Moacir Rauber

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Bebe surda: https://youtu.be/GY1lA7JqfgM

BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO… COM MENTALIDADE DE CRESCIMENTO!

Bem-aventurados os pobres de espírito… com mentalidade de crescimento!

A obra havia começado na data marcada, porém estava atrasada. O Engenheiro que a conduzia visitava o local de duas a três vezes por semana e não entendia a razão do atraso. Um dos pedreiros, que escutava a conversa do engenheiro com o dono da obra, fez um comentário com sugestões sobre os próximos passos. O engenheiro retrucou:

– Quem é o engenheiro aqui? Se quiser tocar a obra vai fazer um curso de engenharia…

E seguiu com uma ladainha de autoafirmação que revelava o ego e o orgulho feridos de quem acredita que não tem nada a aprender com o outro. O pedreiro baixou a cabeça e voltou ao trabalho. Da situação se podem extrair algumas aprendizagens, entre elas a diferença entre pobres de espírito e espírito pobre (Sermão da Montanha), que se alinham com a mentalidade de crescimento e a mentalidade fixa (Carol Dweck). Por fim, pode-se propor uma solução a partir da CNV – Comunicação Não-Violenta (Marshall Rosemberg) para a gestão de conflitos. Ao olhar para a afirmação bíblica “Bem-aventurados os pobres de espírito”, pode-se pensar que se trata apenas de uma visão religiosa de interpretação da realidade com uma chamada ao vitimismo. Nada mais equivocado. A complexidade da afirmação começa com o entendimento de que “pobres de espírito” são aqueles que estão abertos para a aprendizagem e evolução ao reconhecer as infinitas possibilidades que a humildade traz. Os pobres de espírito se conectam com as pessoas sabendo que podem aprender com elas. A bem-aventurança citada traz em si muitas das constatações da neurociência e exibe a mentalidade de crescimento como um caminho evolutivo que pode nos levar ao paraíso. Aceitar a pobreza de espírito faz com que a minha fragilidade não seja vista como uma ameaça, mas uma oportunidade que se manifesta na interdependência com o outro. Não importa o cargo ou a função, porque não se trata de julgar. Por outro lado, alguém com espírito pobre não está aberto à aprendizagem. Ele crê que precisa provar para os outros que sabe, característica de alguém com mentalidade fixa. Trilha-se o caminho de ver ameaças em quem pensa diferente, passando a odiar a própria fragilidade na agressividade com o outro. Dessa maneira, “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus!” é um convite à evolução por meio da humildade que permite explorar as possibilidades presentes na aprendizagem contínua. Qual a ação que o coloca no caminho da evolução na sua organização e na sua vida? Qual foi e qual poderia ter sido o resultado da conversa entre o engenheiro e o pedreiro?

No final daquele dia, o pedreiro com seus trinta anos de experiência se demitiu, atrasando ainda mais a obra. Ele tinha escolhas. O engenheiro teve a sua capacidade questionada pelo dono da obra que entendeu a sugestão do pedreiro como boa. A CNV como ferramenta de desempenho poderia ter sido usada pelo engenheiro, caso ele estivesse conectado com os “pobres de espírito” da humildade com abertura para aprender. Ele poderia ter reconhecido o (1) fato de que a obra estava atrasada, o que gerava nele o (2) sentimento de ansiedade, porque tinha a (3) necessidade de cumprir com os seus compromissos, um valor. Qual a (4) estratégia a ser adotada para atender a sua necessidade? Ofender o pedreiro não o ajudou. O convite do Sermão da Montanha para nos reconhecermos como pobres de espírito não é fácil, porque somos humanos e falíveis. O ego, o orgulho e o medo estão presentes em nós, características de espírito pobre. A CNV pode nos ajudar ao propor que pausemos (Miriam Moreno), observemos, sintamos, identifiquemos as necessidades para adotar uma estratégia que seja solução para ambos. Eis os pobres de espírito que com humildade optam por aprender pela curiosidade e criatividade sem julgar. Pobres de espírito ou espírito pobre? Uma reflexão para o NATAL. A escolha é de cada um.

Moacir Rauber

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Somos únicos. Somos múltiplos.