
O SILÊNCIO RUIDOSO ANTES DA MISSÃO
Há muito ruído na jornada da Casa Interior vivida em um retiro de silêncio de oito dias. Quase não há palavras, mas tudo fala, comunica e conecta. Descobrir-se no quarto dos espelhos, onde tudo é sobre si mesmo, é um desnudar-se. Identificar-se no Presépio da vida, assumindo responsabilidades, é um humilhar-se. Esboçar uma Missão para a vida, tomando consciência da dependência, é um entregar-se. Você tem coragem de assumir uma Missão em que o centro nem sempre é você?
Missão, do latim missio-onis, significa envio de alguém para executar um trabalho, serviço ou tarefa, seja particular ou coletiva. A ela se incorpora o propósito, do latim propositum, que expressa intenção ou objetivo. Definir um propósito é orientar nossas ações. Assim, unindo propósito (intenção) e missão (ação), podemos estabelecer nossa rota de vida. Surge então a pergunta: qual é a tua Missão de Vida? Para descobri-la, é preciso desnudar-se diante de si mesmo e do desconhecido, reconhecendo a pequenez humana e revelando a grandeza divina.
Parte-se do pressuposto de que temos boas intenções; por isso, nossas ações devem corresponder a elas. Nesse alinhamento, a Missão de Vida manifesta a luz de um amor divino que nos resgata da fragilidade humana. Cristo é exemplo: escolheu sua Missão ao se entregar totalmente ao Amor Humano na sua trajetória da manjedoura ao calvário. Ele se humilhou ao descer da divindade à humanidade, assumindo responsabilidades que o levaram à crucificação. Desnudou-se por completo, com isso resgatando cada ser humano. Portanto, com sua força, fé e coragem, orienta-nos a esboçar nossa própria Missão de Vida.
No silêncio do retiro, escutava o ruído interior no quarto dos espelhos, colocando-me no centro do meu presépio humano, mas percebendo que Ele está no centro do Presépio divino. Para alinhar intenções e ações é preciso entregar-se sem resistência; humilhar-se é colocar o outro no centro; e projetar nossas ações é reconhecer a dependência que nos liga ao próximo. Seguir esses passos gera clareza sobre a Missão de Vida e, para isso, o discernimento é indispensável.
Discernimento, do latim discernere, significa escolher o certo, usando critérios de avaliação com bom senso e clareza. Hoje é aplicado na psicologia, filosofia e gestão, mas sua origem remonta aos textos bíblicos cristãos e aos seus mestres espirituais. Entre eles, Santo Inácio de Loyola, que nos Exercícios Espirituais ensinou a distinguir, no silêncio, os impulsos da alma e a reconhecer a Missão de Vida ao sair de si mesmo.
Para desenvolver e internalizar a capacidade de discernir, o silêncio é essencial. Desse modo, a prática de pausas, como retiros, meditações e orações, nos conecta com o coração, ensinando-nos a olhar, a escutar e a sentir em modo contemplativo para depois atuar de maneira expeditiva. Aqui nos aproximamos da Missão de Vida ao alinhar a intenção com a ação.
Enfim, no silêncio interior reconhecemos aqueles que nos trataram com amor, respeito e compaixão. Aprendemos então a olhar com amor, a escutar com respeito e a sentir com compaixão, atuando com afeto no mundo que nos rodeia. Assim, ao afetar com AFETO o mundo é melhor. Aqui a Missão de Vida será revelada pelo discernimento.
Você tem coragem de escolher uma Missão de Vida em que o centro nem sempre é você? Se sim, o silêncio deixará de fazer ruído, ele será de paz e tranquilidade.
Moacir Rauber
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