A “NÃO EXCLUSÃO” NOS PÕE DE PÉ!

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A “NÃO EXCLUSÃO” NOS PÕE DE PÉ!

Estávamos todos acampados no ponto em que o rio quase se fechava sobre si mesmo, formando uma península natural. Era uma noite de verão, e a lua cheia espalhava sua luz prateada por todo o ambiente. As pessoas agarravam suas boias e saltavam no rio, deixando-se levar por quase dois quilômetros até retornarem pelo outro lado ao acampamento. Eu assistia à alegria geral, mas, por causa da cadeira de rodas estava excluído da brincadeira, porque não podia circular naquele terreno pedregoso e tomado pela vegetação nativa.

De repente, meu irmão chegou com uma boia na mão, agachou-se diante de mim e perguntou:

— Você quer fazer o percurso na boia?

Fiquei em dúvida. Eu era um espectador que desfrutava da noite linda e observava a brincadeira dos demais, mas não participava plenamente. Estava à parte dela.

O que significa participação plena? Neste texto, significa acolhimento, pertencimento e não exclusão.

Acolhimento, do latim acolligere, é receber o outro, considerá-lo, abrigá-lo, integrá-lo. Eu me sentia acolhido por estar com o grupo à beira do rio. Estava presente, assistia, mas não participava. Não estava integrado. Quando surgiu a possibilidade de participar efetivamente da brincadeira, isso me pôs de pé.

Pertencimento, do latim pertinere, é “estar ligado”, “fazer parte”, “dizer respeito”. Quando meu irmão se ofereceu para que eu pudesse fazer a mesma atividade que os demais faziam, senti que estava ligado às pessoas que estavam no acampamento, assim como dizia respeito a elas, podendo escolher fazer parte. Eram todos amigos e conhecidos de longa data. Naquele momento, caso aceitasse a oferta, poderia deixar de ser um mero espectador, passando a ser um participante ativo. Por isso, a oferta me fez sentir pertencente — e isso também me pôs de pé.

Por fim, a “não exclusão” vai além da inclusão. Hoje se fala muito em inclusão, do latim includere, que significa “pôr para dentro”. A palavra também traz em si o significado de ser um lugar fechado, “exclusivo” onde os incluídos estão. Além disso, trata-se de um movimento e de um esforço de alguém sobre outro. Muitas vezes, ignora-se a vontade daquele a ser incluído. Ao carregar a ideia de um espaço fechado, onde alguns entram e outros ficam de fora, fala-se de exclusão. Desse modo, a ideia de inclusão mantém privilégios e fronteiras. Já a não exclusão é mais ampla: ela permite que cada pessoa escolha estar presente e participar ou não. Quando não se exclui, não é preciso “incluir” ninguém. Ao adotar comportamentos de não exclusão, trabalha-se com a liberdade. Por isso, quando meu irmão me ofereceu a possibilidade de participar, ele não me excluiu e ainda me deu a liberdade da escolha. A não exclusão me pôs de pé mais do que nunca.

Diante da oferta de fazer o passeio de boia, primeiro veio a dúvida. Meu irmão insistiu:

— Agarre-se nas minhas costas que eu te levo até o outro lado.

Logo em seguida, veio o entusiasmo e a confiança. Agarrei-me às costas dele, que caminhou quase 200 metros até o outro lado do rio. Ali, jogou a boia na água e me ajudou a me acomodar. Começava a aventura: flutuar pelo rio, numa noite de lua cheia, sentindo a plenitude de quem faz parte. Os demais brincavam comigo, e eu retribuía. Eu já não estava à parte — eu fazia parte. Meu irmão me pôs de pé.

Naquela noite, senti a plenitude da acolhida, a força do pertencimento e a certeza da não exclusão. Participar ou não era escolha minha, quando deixei de ver limitações e passei a ver possibilidades.

Como você acolhe?

Do que você faz parte?

O teu comportamento é de “não exclusão”?

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Obrigado irmão Marcelo Nicanor Rauber.

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