E SE EU TIVESSE…

E SE EU TIVESSE...

O dia terminava, e ele estava cansado. A reunião do final da tarde havia sido tensa, com acusações de um lado e de outro. Enquanto alguns optavam por um plano, outros queriam uma alternativa. E ele havia ficado no meio-termo. Agora pensava:

– E se eu tivesse dito…

Em seguida, elaborava uma frase que teria feito a diferença na reunião e na escolha do melhor plano.

Mas ele não disse e não fez nada. E assim segue vivendo no mundo das possibilidades que não se realizaram no passado e que não há como concretizar no presente. Muitas vezes, passa o dia sonhando acordado. Você já foi acometido pelas fantasias do mundo do “e se eu tivesse…”?

Muitas pessoas criam um mundo paralelo de possibilidades, voltando constantemente ao passado.

E se eu tivesse acertado os números da Mega-Sena…

O mundo da irrealidade toma conta do presente, e a pessoa gasta horas do seu dia pensando em situações que não têm a menor possibilidade de existir. As vinte e quatro horas terminam, e ela nem sequer fez uma aposta.

E se eu não tivesse me casado tão jovem…

Abre-se um mundo de viagens incríveis e de grandes conquistas amorosas por todos os continentes, em tempos de solteirice. Para outros, surgem pensamentos diferentes:

E se eu não tivesse me casado tão tarde, teria cinco filhos.

E se eu não tivesse me casado…

Idealiza-se um mundo de felicidade para aquilo que já não está ao alcance de realizar. As vinte e quatro horas terminam, e nada mudou.

E se eu tivesse feito Direito e não Administração…

Inventa-se uma trajetória de negócios importantes, repleta de dinheiro e influência nas mais diversas esferas do poder. Para outros, surge o pensamento oposto:

E se eu tivesse feito Administração e não Direito…

Então poderiam agir como diretores de uma empresa que se expandiu pelo mundo inteiro. As vinte e quatro horas passam, e a pessoa continua na mesma sala.

E se eu tivesse montado o meu próprio negócio…

Aparecem na mente habilidades e competências empreendedoras, nunca demonstradas no próprio trabalho, que o tornariam alguém iluminado, capaz de enxergar em cada situação novas e fabulosas oportunidades de negócio. As vinte e quatro horas terminam, e ele vai bater o ponto.

E se eu tivesse feito concurso público…

Sonha-se com a estabilidade, com a regularidade de um salário polpudo, além dos benefícios de uma aposentadoria integral e de outras regalias. As vinte e quatro horas terminam, e a pessoa nem sabe quais concursos estão em andamento.

E se eu tivesse aceitado a oferta de emprego…

E se eu não tivesse aceitado…

E se eu tivesse…

Não há fim no mundo das desculpas de quem vive criando castelos no ar, alimentando-se de falsas esperanças, em que a ilusão nubla a realidade.

A expressão “Muitos pensam em trocar de cavalo, mas suas possibilidades estão em mudar o cavaleiro” (Mons. Munilla) traz em si certo humor; entretanto, mostra-nos uma verdade simples: as minhas possibilidades começam em mim. Assim, é um convite para deixar de lado o mundo do “e se eu tivesse…” ou do “quem me dera…” e atuar no mundo real.

Ao estar consciente, talvez, na próxima reunião, eu diga o que tenho para dizer, aguentando as consequências. Talvez eu saia de casa e aposte na Mega-Sena. Quem sabe eu agradeça o fato de estar casado e comece a reconhecer as qualidades que me fizeram desejar casar com a pessoa com quem estou casado. Quem sabe eu resolva fazer outra faculdade, um mestrado ou um doutorado, sem ficar me angustiando por uma escolha feita há muito tempo, sendo que, naquele momento, ela me pareceu a melhor escolha.

Enfim, diante dos devaneios estimulados pelo mundo do “e se eu tivesse…”, pare, observe os recursos disponíveis e atue naquilo que estiver ao seu alcance.

Quais são os recursos de que você dispõe?

O que está ao seu alcance fazer?

Imagem criada por IA COPILOT

Moacir Rauber

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