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HÁ PIORES

Gerado por NANO BANANA
Texto sem uso de IA

HÁ PIORES…

Dia da entrega das notas das provas. Os alunos estavam um pouco tensos, porque o tema havia sido difícil. As provas foram distribuídas e as notas reveladas. Ele havia tirado seis. Ficou frustrado, acreditava que poderia ter alcançado uma nota melhor. Olhou para um lado e viu que seu colega havia tirado três. Sentiu alívio ao perceber que outros estavam abaixo dele. Logo pensou:

— Há piores do que eu!

A comparação entre pessoas é a porta para a mediocridade ou para a frustração. A aspiração, por sua vez, é o segredo para a excelência e para o êxito.

Comparar é colocar dois produtos, duas situações ou duas pessoas lado a lado. Produtos podem ser comparados: posso colocar um carro japonês e um carro alemão lado a lado e analisar suas características. Situações também podem ser comparadas: é possível avaliar a queda de um avião ocorrida nos Estados Unidos em relação a outra ocorrida na China.

Entretanto, pessoas não são comparáveis, porque são únicas e singulares, múltiplas e plurais desde a sua concepção, passando pelo desenvolvimento, crenças, valores e comportamentos. Produtos e situações possuem métricas e padrões que permitem comparação sem juízo de valor. Pessoas, ao contrário, utilizam métricas e padrões para analisar produtos e interpretar situações conforme seus próprios valores e crenças.

Ao comparar pessoas com pessoas, caminhamos rumo à mediocridade. Ao ver o colega com nota três, ele ficou momentaneamente aliviado, mas sabia que o seis estava abaixo das suas possibilidades. No instante seguinte, olhou para o outro lado e viu que outro colega havia tirado nove. Voltou a ficar frustrado, porque na comparação sempre há melhores do que ele.

Eis a importância da aspiração.

A aspiração, em seu sentido original, refere-se ao ato de trazer ar para dentro dos pulmões. Aspirar é inspirar. Com o tempo, o sentido foi ampliado, e a palavra passou a representar desejos, escolhas e caminhos que nos aproximam dos nossos sonhos, objetivos e ambições pessoais. Nesse movimento, aspirar nos aproxima de inspirar.

Quem te inspira? A aspiração pode nos levar a encontrar pessoas que nos inspiram. O que elas fazem que pode nos aproximar daquilo que queremos? Aqui nos colocamos no caminho do desenvolvimento pessoal, revelando nossos talentos individuais — únicos e singulares — que nos conduzem à excelência. Ser excelente como pessoa nos transforma em exitosos.

Enfim, pergunte-se: a que aspiras?

Olhar para o lado e ver alguém com nota inferior à sua pode servir como alívio momentâneo, até como mecanismo de proteção; porém, é a realidade do outro, não a sua. Da mesma forma, olhar para o lado e ver alguém com nota superior pode gerar frustração, mas igualmente é a realidade do outro, não a sua. Por isso, é importante estar consciente das próprias aspirações, para descobrir a razão pela qual você estuda ou trabalha, e transformar tudo em inspiração que o leve a evoluir no caminho das suas metas.

Vivemos um momento em que parece impossível não fazer comparações, mas entre pessoas não há comparação — há inspiração, que pode nos aproximar das nossas aspirações. Quem te inspira? Diga-me quem te inspira e será possível compreender quais são as tuas aspirações.

Procurar alguém que você admira para servir de inspiração não é comparar-se, mas direcionar forças e energias para desenvolver talentos, colocando-os a serviço de si mesmo e dos demais. Isso conduz à excelência, sinônimo de êxito.

Quem te inspira?

A que aspiras?

“A raiz da infelicidade humana está na comparação.” (Søren Kierkegaard)

Moacir Rauber

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Você quer ter razão ou ser feliz?

Mais um final de semana. Muitas discussões sobre futebol e política que quase sempre levam a lugar nenhum. Lá estávamos nós, um grupo de amigos, com muitos pontos de vista em comum, mas com alguns divergentes. A situação política do país entrou na conversa. As opiniões antagônicas se manifestaram. A visão de justiça de um era muito diferente da de outro. A ideia sobre quem deveria ser responsabilizado pela atual situação não coincidia. Tudo isso é culpa do legislativo, dizia um. Não, não, não. É evidente que a responsabilidade maior é do judiciário, enquanto uma terceira posição atribuía a maior parte da responsabilidade pela atual conjuntura política de um estado quase falido como o brasileiro ao poder executivo. A discussão se acalorava. Aquele que falava buscava convencer o outro sobre a razão existente no seu ponto de vista. Do outro lado ninguém escutava. Os discordantes apenas lhe davam o tempo necessário para expressar a sua opinião, embora estivessem simplesmente esperando a própria vez para expor o próprio argumento. Cada um acreditava ser o dono da razão. Não havia reflexão sobre aquilo que os outros falavam. O silêncio durava o tempo necessário para rebater os argumentos num exercício de reação ao que fora exposto pelo outro. Reafirmavam-se as próprias crenças. Repudiavam-se as outras opiniões. Ninguém ali estava disposto a mudar absolutamente nada na forma como pensava ou como via o mundo. Naquele momento, sobre política, cada um queria ter razão.

Sempre dizem que quando duas pessoas se encontram e cada um apresenta uma ideia diferente, na saída, ambos saem com duas ideias. Saem melhores do que chegaram. Entretanto, para que isso aconteça, é necessário que aqueles que se encontram considerem a possibilidade de que uma ideia diferente da sua possa ser verdadeira. É preciso ter a humildade de reconhecer de que se há a possibilidade de que alguém pense diferente de você, também existe a possibilidade de que esse alguém esteja certo. Pode ser que ele esteja certo. Pode ser que você esteja certo. Se ambos estiverem com a mente aberta e flexível é bem provável que ambos estejam certos. E talvez esse seja o caminho mais rápido para se encontrar as soluções para os problemas contemporâneos. Não se trata de ser volúvel, mas sim de ser flexível.

Portanto, é interessante que cada um possa pensar nas diferentes situações sob perspectivas diversas, buscando encontrar pontos de convergência na divergência de posições. Mais ainda. É importante que cada um tenha a flexibilidade necessária para mudar e aprimorar uma ideia a partir da contribuição do outro. Por isso, ter razão cada um sempre tem, a partir de sua própria razão. Para ser feliz, porém, é preciso respeitar a razão de quem diverge de você.

Você quer sempre ter razão ou ser feliz também é importante para você?

Moacir Rauber

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