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Do “Me” que Acusa ao “Me” que Assume

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Do “Me” que Acusa ao “Me” que Assume

Como organizador, ele estava ao lado da porta de entrada do evento, saudando as pessoas que chegavam. Aproximava-se o momento da chegada do convidado da noite. O organizador se punha ansioso porque, além de ter sido o responsável por sua contratação, nutria profunda admiração pelo convidado. Porém, algo inusitado aconteceu: o convidado chegou, cumprimentou algumas pessoas e passou por ele sem sequer saudá-lo. O organizador murmurou:

— Ele não me cumprimentou…

Ficou indignado. Como assim, nem me olhou? Esse pensamento desencadeou uma série de emoções, considerando que havia sido ele quem o indicara e contatara para o evento. Por isso, esperava ao menos ser cumprimentado. As emoções que se manifestavam internamente o deixavam ruborizado externamente. Estava irritado, com raiva. Sentia-se ignorado e ofendido. Como assim? Ele não me dirigiu a palavra… seguia pensando, com as emoções revelando um desequilíbrio emocional.

O (2) Equilíbrio Emocional faz parte do decálogo da maturidade, iniciado com a (1) Sabedoria e Discernimento (Mons. Munilla). Entenda-se equilíbrio emocional como a capacidade de manter a estabilidade comportamental e bem-estar psicológico ao regular as emoções diante das adversidades do cotidiano.

Com isso em mente, pergunte-se quantas vezes você disse: “Ele não me respondeu”, “Ele não me cumprimentou”, sentindo-se ignorado ou ofendido por pessoas de quem você gosta ou por quem tem consideração? Precisamos aprender a tirar o “me” que acusa, para mudar o foco e alcançar o equilíbrio emocional que nos coloca no caminho da maturidade. Caso pensássemos apenas “Ele não respondeu” ou “Ele não cumprimentou”, evitaríamos a interpretação automática de ter sido ofendido ou ignorado.

Tais situações têm sido intensificadas pela falta de vocabulário emocional e por uma autoestima dominada pelo ego, fatores que dificultam o equilíbrio emocional e nos afastam do discernimento sábio. A ausência da espiritualidade que nos afasta do sentido da vida igualmente tem peso nisso.

A falta de vocabulário emocional nos mantém reféns das emoções e nos confunde sobre o que é ou não sentimento. As emoções são naturais; porém, para que se fale em equilíbrio emocional que conduza a um comportamento maduro, não podemos ser dominados por elas. Reconhecê-las para saber o que fazer exige autoestima sem o egocentrismo — tão comum quando o ego se manifesta no pensamento de ter sido “ofendido” ou “ignorado”.

Mas seriam esses sentimentos? Não. Sentimento é algo que vem de dentro, enquanto “ofendido” e “ignorado” surgem da interpretação do comportamento do outro. O fato de não ter sido cumprimentado gerou raiva e irritação, que poderiam se transformar em frustração — essa, sim, interna. Poderia dizer “Eu me frustro”, o que é diferente de dizer “Me sinto ofendido”. No primeiro uso do “me”, assumo a responsabilidade pelos meus sentimentos. No segundo, acuso e culpo o outro ao interpretar seu comportamento.

Destaco: caso a interpretação do comportamento do outro fosse exata, as demais pessoas não cumprimentadas pelo convidado deveriam estar irritadas com ele.

Outro ponto que dificulta o encontro do equilíbrio emocional é uma geração com “egos” inflados e, ao mesmo tempo, fragilizados, resultado do excesso de foco na autoestima. Ter boa autoestima é importante; entretanto, parece-me que avançamos para um egocentrismo narcisístico, no qual acreditamos que o mundo gira à nossa volta. A situação mostra que, ao não ser cumprimentado pela pessoa que admirava, emoções como raiva e irritação surgiram, revelando os falsos sentimentos de “ofendido” e “indignado”.

O que fazer, então, para encontrar o equilíbrio emocional — competência essencial da maturidade? Uma estratégia é mudar o foco do “me”, usando-o para assumir responsabilidades e não para culpar os outros. Isso exige equilíbrio emocional baseado na capacidade de discernir com sabedoria, sabendo que o mundo não gira à sua volta. Penso que reincorporar a espiritualidade nas nossas vidas pode nos dar a capacidade de olhar para além do nosso umbigo.

Como está o uso do seu “me”? Ele ajuda você a assumir responsabilidades ou segue acusando o outro?

Moacir Rauber

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Inspirado no Decálogo da Maturidade Mosenhor Munilla

O QUE FAZEMOS QUANDO NINGUÉM ESTÁ OLHANDO?

O que fazemos quando ninguém está olhando?

A praça pública da cidade tem uma fonte de água potável onde crianças, trabalhadores, idosos, moradores e transeuntes bebem água e brincam. Certo dia, um adulto que tinha um compromisso por perto e estava com os sapatos sujos de barro resolveu lavá-los na fonte. Pensou: “Ninguém está vendo… Lavo e logo a água fica limpa de novo!”

É uma situação simples, mas revela muito sobre nosso comportamento como humanidade: a primazia do interesse individual sobre as necessidades comuns. Essa forma de viver expõe outros sintomas, como a diluição entre o certo e o errado, o moral e o imoral, num tempo em que se misturam virtual e físico, ficção e realidade, artificial e natural, antinatural e sobrenatural.

Em suma, um exemplo cotidiano que revela uma sociedade em movimento — não necessariamente em evolução, pois evoluir nos conduziria à maturidade por meio da sabedoria e do discernimento. Você percebe maturidade, sabedoria e discernimento nesse relato? Não parece, porque maturidade exige olhar das telhas para cima, não apenas das telhas para baixo.

A maturidade requer sabedoria e discernimento para que as decisões de alguém considerem o impacto sobre outras pessoas. Cronologicamente, costuma-se situá-la entre a juventude e a velhice, na vida adulta. Entretanto, a maturidade comportamental refere-se ao estado em que o indivíduo atinge sua plenitude — uma verdadeira evolução. Nem todos os adultos e idosos chegam a esse estágio, pois é preciso aprender a discernir com sabedoria ao perceber o mundo que existe fora de suas casas. Muitos olham apenas para dentro do próprio telhado.

O que significa discernir com sabedoria? Por um lado, discernir é a capacidade de fazer boas escolhas; por outro, a sabedoria é o caminho para adquirir conhecimentos que nos deem ferramentas para isso. Portanto, discernimento é a aptidão para escolher com critérios que nos aproximem do que buscamos, sabendo que não basta olhar para dentro de casa, porque cada ação também repercute para fora. Discernir vem do latim discernere, que significa “decidir”. Já sabedoria tem origem no latim sapere, que se refere à manifestação de quem sabe com profundidade, fruto de estudos e experiências, e que exige moderação e equilíbrio. Para ser moderado e equilibrado, não basta olhar para baixo ou para dentro: é essencial olhar para fora. Por isso, discernir com sabedoria exige maturidade.

Acrescento ainda que há um falso antagonismo criado pelo conceito de tolerância, que contribui para diluir os limites entre certo e errado, moral e imoral, sacrificando a maturidade comportamental. A tolerância é importante, mas não é neutra. Quando não acompanhada de sabedoria, transforma-se em condescendência, na qual se opta por não assumir posicionamentos. Particularmente, penso que, muitas vezes, a tolerância tem sido usada para afrouxar limites, não para aproximar-nos da maturidade.

A maturidade reconhece que o virtual pode ser real, pois, assim como o físico, pode produzir alegria e felicidade ou tristeza e sofrimento. Sabe que a ficção precisa de espaço para nossas abstrações, mas entende que a realidade deve ser cuidada para o bem comum. Exige cuidado com o natural, sabendo que o artificial é apenas fruto de nossas elucubrações. Reconhece o sobrenatural, ao mesmo tempo em que entende que o antinatural nos conduz à extinção.

Por fim, é fundamental que o discernimento com sabedoria nos conduza à maturidade para compreender que, ao lavar os sapatos num espaço comum, também manchamos o espaço privado. Um gesto simples que revela um egocentrismo predominante, no qual só importa aquilo que me importa. A maturidade nos convida a olhar para dentro de nossa casa com a consciência de que ela está no mundo.

O que você faz quando ninguém está olhando pode ser visto? Se sim,

você é adulto. Tem maturidade.

Moacir Rauber

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Inspirado no Decálogo da Maturidade Mosenhor Munilla

POR QUE TEM TANTOS VELHOS AQUI?

A SABEDORIA NA CONEXÃO COM AQUILO QUE FAZEMOS É ESSENCIAL!

Por que tem tantos velhos aqui?

A família foi ao seu compromisso semanal com a espiritualidade. Os pais convenceram um dos jovens filhos a acompanhá-los. O filho olha para os lados e se sente desconfortável. Ele está com seus cabelos coloridos, enquanto a maioria dos presentes tem cabelos brancos. Ele carrega piercings nas orelhas e no nariz que parecem destoar das rugas que a maioria das pessoas exibiam no rosto e no pescoço. Ele pensou, definitivamente, aqui não é o meu lugar. Entre incomodado e irritado, aproximou-se do ouvido da mãe e disse:

– Por que tem tantos velhos aqui?

– Uma boa pergunta…

A mãe pensou, Fico feliz de estar entre tantas pessoas maduras. Ao observar lugares como templos, igrejas, sinagogas ou outros espaços dedicados a vida espiritual é muito comum ver mais pessoas idosas do que jovens. Ao pensar sobre a maturidade, creio que nesses lugares se encontram um grande número de sábios.

Para muitos dos idosos e dos anciãos não faz mais sentido se olhar no espelho para encontrar defeitos ou imperfeições, porque elas são parte integrante da jornada e da própria existência.

Desse modo, para parte dos idosos que são vistos em espaços contemplativos ou que exibem comportamentos compassivos o CRÍTICO, sabotador principal, PERDEU (Inteligência Positiva). Com isso, ele não tem força de atração para criticar a si ou aos outros, bem como não faz sentido criticar as situações que não pode afetar. Ao escolher afetar, o ancião afeta com afeto. Assim sendo, o INSISTENTE perde força e se o cabelo está azul ou branco não faz diferença. O PRESTATIVO se torna autêntico ao atender as próprias necessidades sem se descuidar das do outro. O HIPER-REALIZADOR volta ao seu tamanho normal, porque somente faz o que pode fazer. A VÍTIMA não encontra mais ressonância porque o final chegará para todos. O HIPER-RACIONAL não tem relevância porque a vida passou e ainda assim não se sabe de onde viemos e para onde vamos. Ansiedade para quê? Dessa maneira, o HIPERVIGILANTE pode descansar e o INQUIETO já não está mais tão agitado, porque a experiência que verdadeiramente importa está nas pessoas e nas relações que se mantêm. Igualmente, o ESQUIVO diminuiu pelo caminho em que tarefas e conflitos não agradáveis foram superados que já não há nada que possa exasperar a um velhinho, sábio. Enfim, CONTROLADOR do quê? Sim, a vida passou e cada um vai percebendo que as escolhas que fazemos podem nos levar para situações que não queríamos. Desse modo, o que está em nosso controle? Se nos aproximamos da Comunicação Não violenta (Marshall Rosenberg), está no nosso controle PAUSAR para OBSERVAR um jovem e não o julgar. Está em nosso controle PAUSAR e registrar o próprio SENTIMENTO, sabendo que fui jovem com medos que me acompanham até hoje. Está em nosso controle identificar as próprias NECESSIDADES que podem ser diferente da do jovem nesse momento, mas que no final são as mesmas. Enfim, está no meu controle EXPRESSAR-ME de maneira autêntica com a consciência do AFETO. O passo a passo da CNV faz com que o SÁBIO emerja e os sabotadores submerjam. E o piercing no nariz? Pouco importa.

Uma opção é buscar no conhecimento as ferramentas que nos permitam viver com a sabedoria do AFETO. A idade ajuda, entretanto não é garantia.

A consciência da escolha é que faz com que as FERRAMENTAS vindas do CONHECIMENTO possam ser usadas com SABEDORIA. A ESPIRITUALIDADE é um caminho.

“Por que há tantos velhos aqui?” foi a pergunta do jovem. Creio que nos templos, nas igrejas, nas sinagogas e nos demais espaços dedicados à espiritualidade a presença dos idosos aumenta a probabilidade de se encontrar pessoas que já não veem a importância nos sintomas, uma vez que resolveram as causas; cresce a possibilidade de se ver pessoas que estão no comando das escolhas internas, muito mais do que aquelas que fazem escolhas dadas por comandos externos; e, certamente, sobe a proporção de pessoas que conseguiram aceitar e converter todas as situações difíceis em presentes de uma vida vivida com a consciência de sua finitude. Por isso,

…nos espaços dedicados a busca espiritual se veem os anciãos que dobram os joelhos diante do desconhecido para agradecer o privilégio da vida. São SÁBIOS!

Moacir Rauber

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