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PARA QUEM SOU EU NA VIDA?

Imagem criada por COPILOT IA

Para quem sou eu na vida?

Vocação e Missão

“A vida passa rápido” é uma expressão que faz ainda mais sentido para as gerações mais antigas. O ano recém terminou, mas o carnaval passou, a quaresma findou e a Páscoa chegou. E muitas pessoas têm a sensação de andar em círculos, sem saber para onde vão. Olham ao redor e parece que todos têm um mapa — menos elas. Então se perguntam:

— O que eu estou fazendo da minha vida?

Para muitos, essa pergunta é recorrente e inquietante na busca pelo sentido da existência. Ainda assim, é fundamental respondê-la e repensá-la para trilhar o caminho da maturidade emocional.

A pergunta pode ser um convite para descobrir a vocação e a missão. Falar em vocação para quem tem mais de cinquenta anos? Pensar em missão para quem ainda nem se formou? Acredito que ambas são importantes em qualquer fase da vida, pois vocação e missão estão atreladas a uma vida com sentido. Para isso, é essencial mudar o foco, deixando de pensar somente na “minha” vida. Pergunte-se: para quem sou eu na vida? Qual a importância da minha existência para o outro? Ao responder tais questões, provavelmente a pessoa encontrará o seu sentido.

Antes, porém, de respondê-las, vale refletir sobre vocação e missão.

Vocação pode ser entendida como a aptidão natural para uma função, profissão ou ofício no qual a pessoa se sinta realizada. Ela traz em si um chamamento que conduz alguém a seguir um caminho profissional, religioso ou pessoal, e a assumir uma missão no mundo.

Missão significa o envio de alguém para executar um trabalho, serviço ou tarefa; por isso, acontece onde se atua. À missão soma-se o propósito, que manifesta a intenção mais profunda da ação. Assim, ao unir missão (ação) e propósito (intenção), torna-se mais fácil encontrar o sentido da vida, aproximando-nos da vocação.

Ao identificar a aptidão natural — a vocação que vem de dentro — e alinhá-la com a missão — que se realiza fora — encontra-se o propósito daquilo que se faz, permitindo compreender o sentido da vida. Essa lógica nos prepara para responder: para quem sou eu? Qual a importância da minha existência para o outro?

Quando mudamos o foco do “eu” para o “outro fundamental”, a fala de Madre Teresa de Calcutá se aplica e vai muito além do ambiente religioso: “Quem não vive para servir, não serve para viver.” A prática desse pensamento alcança o ambiente familiar, social, político e organizacional.

Na família, somos convidados a colaborar de modo que nossa presença importe.

Na sociedade, nossa atuação deve contribuir para torná-la melhor.
Na política, o exercício deveria ser o de servir aos demais, e não de se servir deles.

Nas organizações, produtos e serviços devem atender ao propósito para o qual existem, sob pena de desaparecerem.

Portanto, ao perguntar “para quem sou eu na vida?”, naturalmente descobrimos a vocação, encontramos a missão e deixamos um legado.

Como a vocação é uma aptidão natural, não se trata de inventá-la — inventar é criar algo inexistente. Descobrir, ao contrário, é trazer à luz. E para trazer à luz a vocação, exige-se esforço, dedicação e coragem, pois ela pode estar escondida sob o medo, a expectativa ou a pressa. A descoberta da vocação tira as pessoas da frente do espelho da superficialidade e as coloca diante da janela que se abre para o Eu profundo.

Ao descobrir a vocação, o alinhamento com a missão e o propósito acontece naturalmente, e o legado se torna consequência, não objetivo. Por isso, pergunte-se: Para quem sou eu na vida? Porque a vida é mais sobre os outros do que sobre você. A vida sem você segue; a vida sem os outros desaparece. Fica o convite para uma entrega total, porque a vida, assim como a vela, existe para ser consumida.

A vida é entrega. Jesus que o diga.

Feliz Páscoa!

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

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Inspirado no Decálogo da Maturidade Mosenhor Munilla